Escolas particulares de São Paulo entram em greve nesta quarta feira 23. Veja as cartas de professores e comunidades

Seg, 21 de Maio de 2018 12:45 Rodrigo Travitzki Políticas públicas de educação
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Professores, famílias e escolas particulares de São Paulo se unificaram contra uma das consequências da reforma trabalhista. O sindicado das escolas (SIEEESP) propôs, no início do ano, grandes alterações nas regras que definem as condições de trabalho do professor das escolas particulares (a Convenção Coletiva). Mas na verdade não foi uma “proposta” pois não houve negociação com o sindicato dos professores (SINPRO). As alterações que o SIEEESP quer impor aos professores certamente levarão a uma piora na qualidade das escolas.

A resposta da categoria é clara: paralisação das atividades na próxima 4ª feira, dia 23 (veja a notícia aqui). Mas não se trata de defender apenas a categoria dos professores neste momento de crise, e sim de defender a qualidade da educação no Brasil. Sem valorização do professor, não há qualidade possível.

Diversas escolas escreveram cartas tratando deste tema, às vezes assinadas pelos professores, às vezes pela direção e pelas famílias. Você pode ver as cartas reunidas neste site: https://cartaspelaeducacao.tumblr.com/archive

Colamos abaixo alguns trechos das cartas.

 

Carta dos professores do Colégio Equipe

As condições de trabalho dos professores no Brasil de hoje são insuficientes para uma educação de qualidade. Diversos estudos mostram que os jovens não querem ser professores, seja pelo salário, pelas condições de trabalho, pela falta de prestígio da profissão, pela extensa formação requerida. E isso já acontece nas atuais condições de trabalho. Não há espaço para melhorar, ou mesmo manter, a qualidade do que fazemos, diminuindo custos e precarizando o trabalho docente.

Fonte: http://www.colegioequipe.g12.br/por-uma-educacao-de-qualidade-carta-dos-educadores-do-colegio-equipe/

 

Carta dos professores do Colégio Santa Cruz

Se há um discurso unânime hoje, mesmo em tempos de um país partido, é o de que “o Brasil precisa investir em educação”, “dar prioridade à educação”. Concretamente, as condições necessárias para o desenvolvimento de uma educação de qualidade, como já visto pelos exemplos de outros países, não se dão de forma espontânea. A garantia do tempo necessário para o preparo de aulas e correções de trabalhos e provas é fundamental, da mesma forma que é essencial um limite de carga horária, para evitar rotinas excessivas e a consequente queda na qualidade de ensino.

Fonte: https://cartaspelaeducacao.tumblr.com/post/174089864509/carta-aberta-dos-professores-do-col%C3%A9gio-santa-cruz

 

Carta dos professores do Colégio Vera Cruz

Há mais de vinte anos, conquistamos direitos fundamentais que têm sido garantidos pela nossa Convenção Coletiva de Trabalho. Endossado pela Reforma Trabalhista, o SIEEESP (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo), no início do ano, apresentou uma proposta que altera várias cláusulas desta convenção, piorando muito as nossas condições de trabalho e tornando a atividade docente uma carreira ainda menos valorizada e atraente.

Fonte: https://cartaspelaeducacao.tumblr.com/post/174085430419/carta-dos-professores-da-escola-vera-cruz-%C3%A0

 

Carta das famílias do Colégio Oswald de Andrade

Nós, familiares dos alunos do Oswald, valorizamos a educação e achamos que somente a manutenção das condições de trabalho dos professores do Colégio pode garantir a qualidade do ensino e o cumprimento dos estabelecidos em seu Projeto Político Pedagógico, entre eles o de formar alunos “capazes de enfrentar os desafios do mundo acadêmico e profissional, e de posicionar-se em relação às questões culturais, sociais e políticas, levando em conta os diferentes modos de perceber e pensar, sempre movidos pelo bem comum”.

Fonte: https://cartaspelaeducacao.tumblr.com/post/174084933664/carta-de-familiares-enviada-%C3%A0-dire%C3%A7%C3%A3o-da-escola

 

 

Última atualização em Seg, 21 de Maio de 2018 12:49