Lula cria 38 institutos de educação profissional a partir das escolas técnicas existentes

Dom, 04 de Janeiro de 2009 14:13 Rodrigo Travitzki Políticas públicas de educação
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Quem é melhor qualificado, um estudante formado no ensino técnico ou na faculdade? Resposta: depende. Embora o brasileiro médio pense (acho eu) que o ensino superior garante uma formação mais completa do que o técnico, isto pode estar cada vez mais longe da realidade. As faculdades brotam aos montes, e não temos tantos professores qualificados. Isso tirando a má fé (hoje chamada de "interesse comercial") de alguns empresários. Nem precisamos citar o famoso caso do analfabeto que passou no vestibular em certa universidade particular.

Além disto, os educadores brasileiros parecem não valorizar muito o ensino técnico, como se ele fosse uma espécie de desvirtuação do verdadeiro conhecimento, um ato de submissão aos empresários e ao capital. Mas ao mesmo tempo reclamam da falta de ligação entre o que é ensinado e a vida cotidiana dos alunos. São dezenas de contradições sobrepostas e emaranhadas.

Ouvi dizer que na Europa o ensino técnico, ou mesmo o ensino médio de modo geral, é mais valorizado do que aqui. Assim, nem todos europeus desejam fazer faculdade, pois podem ter uma vida respeitável com empregos mais "técnicos". Talvez porque lá a diferença de salário entre um doutor e um eletricista é menor. Pela Lei brasileira (LDB/96), o ensino médio deveria ser suficiente para a formação de um ser humano. Porque isso não acontece na prática? Preconceito cultural? Determinação econômica? Ineficácia do sistema educacional? Tudo isso e mais um pouco?

 

Bom, resolvi escrever estes parágrafos depois de ler a notícia abaixo, pois fiquei contente ao me deparar com ela num email. Retirei o texto do portal do governo federal. Segundo matéria do Globo, Lula sancionou a lei no dia 29/12/2008.


Governo cria institutos federais de educação, ciência e tecnologia

16/07/2008 14:53:17

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira, 16, projeto de lei que cria 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia (Ifets) no país. Eles estarão presentes em todos os estados, oferecendo ensino médio integrado ao profissional, cursos superiores de tecnologia, bacharelado em engenharias e licenciaturas. Os institutos federais estão sendo criados a partir da rede de educação profissional, que hoje conta com 185 escolas técnicas e, em 2010, terá 354 unidades. A matéria segue agora para aprovação no Congresso Nacional.

“É um absurdo que em 100 anos nesse país tenham sido feitas só 140 escolas técnicas. Como se formar os nossos adolescentes não fosse algo necessário. Fizemos um compromisso de em dezembro de 2010 ter mais 214 escolas técnicas funcionando”, destacou o presidente Lula. O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que o modelo pedagógico dos institutos é inteiramente novo, “oferecendo ensino médio com educação humanística, científica e profissional, de maneira integrada, com oferta de educação profissional verticalizada também para o nível superior”.

Os institutos terão forte inserção na área de pesquisa e extensão, estimulando o desenvolvimento de soluções técnicas e tecnológicas e estendendo seus benefícios à comunidade. Outra característica é que metade das vagas será destinada à oferta de cursos técnicos de nível médio, em especial de currículo integrado.

Na educação superior, haverá destaque para os cursos de engenharias e de licenciaturas em ciências da natureza (física, química, matemática e biologia), com reserva de 20% das vagas.

“Os institutos responderão de forma mais ágil e eficaz às demandas crescentes por formação de recursos humanos, difusão de conhecimentos científicos e suporte aos arranjos produtivos locais”, diz Eliezer Pacheco, secretário de educação profissional do MEC.

Ainda serão incentivadas as licenciaturas de conteúdos específicos da educação profissional e tecnológica, como a formação de professores de mecânica, eletricidade e informática. Cada instituto federal é organizado em estrutura com vários campi, com proposta orçamentária anual identificada para cada campus e reitoria.

Felipe De Angelis

*Republicada com acréscimo de informações

Última atualização em Ter, 01 de Setembro de 2009 21:51