RIZOMAS * Educação e cultura http://www.rizomas.net/component/content/frontpage.html Mon, 21 Aug 2017 23:31:22 +0000 Joomla! 1.5 - Open Source Content Management pt-br Entenda a Reforma do Ensino Médio e suas consequências http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/467-entenda-a-reforma-do-ensino-medio-e-suas-consequencias.html http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/467-entenda-a-reforma-do-ensino-medio-e-suas-consequencias.html Como tantas outras iniciativas do governo federal, a Reforma do Ensino Médio foi aprovada a toque de caixa (como Medida Provisória), mesmo sendo bastante controversa entre professores e especialistas em políticas públicas. A sociedade como um todo ainda não se deu conta do verdadeiro teor do projeto, provavelmente porque foi aplicada uma boa maquiagem nele.

Por exemplo, o projeto fala sobre flexibilização do currículo no Ensino Médio, o que parece uma ótima ideia. Contudo, quando se lê o documento, percebe-se que não é o aluno que terá flexibilidade de escolha, mas sim a rede de ensino. O mais provável, levando ainda em conta a lei do teto de gastos, é que as redes diminuam as ofertas de cursos disponíveis aos alunos. Em outras palavras, o que se está chamando de flexibilidade será, na verdade, empobrecimento e estreitamento curricular.

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digao45@gmail.com (Rodrigo Travitzki) frontpage Mon, 13 Mar 2017 14:42:27 +0000
Tabela periódica ilustrada com utilidade dos elementos http://www.rizomas.net/cultura-escolar/material-didatico/ciencias/466-tabela-periodica-ilustrada-com-utilidade-dos-elementos.html http://www.rizomas.net/cultura-escolar/material-didatico/ciencias/466-tabela-periodica-ilustrada-com-utilidade-dos-elementos.html Em quase toda a sala de aula do mundo há uma Tabela Periódica dos Elementos, mas mesmo assim esta importante invenção da humanidade ainda é difícil de ser assimilada pelos alunos. Por que? Um dos motivos pode ser a pouca familiaridade das pessoas com os nomes dos elementos químicos. O que é Tungstênio? Para que serve? Outro motivo pode ser o excesso de números da tabela (o que também pode ser uma de suas qualidades, para aqueles que gostam de números).

A Tabela periódica criada por Keith Enevoldsen ajuda a contornar estes dois problemas. Ela mostra, no lugar de cada elemento, uma imagem de algo relacionado à sua utilidade prática. Creio que pode ser bastante útil aos professores de ciências e de química. Você pode ler mais sobre esta tabela em um artigo da Revista Galileu e outro do G1.

Links úteis (em inglês):

Versão interativa da Tabela Periódica ilustrada (você clica no elemento e ele aparece maior e mais detalhado)

Versão para impressão simples (só a tabela)

Versão para impressão completa (há também uma tabela periódica com pequenos textos sobre cada elemento)

 

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digao45@gmail.com (Rodrigo Travitzki) frontpage Wed, 01 Feb 2017 16:12:53 +0000
PEC 241: PEC dos gastos públicos ou PEC da desigualdade social? http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/465-pec-241-pec-dos-gastos-publicos-ou-pec-da-desigualdade-social.html http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/465-pec-241-pec-dos-gastos-publicos-ou-pec-da-desigualdade-social.html Compilo abaixo algumas fontes de informação sobre a PEC 241 – a PEC dos gastos públicos (segundo alguns) ou a PEC da desigualdade social (segundo outros). Acredito que o segundo nome é mais adequado e juntei algumas informações que mostram isso. Concordo com Romeu Karnikowski, que diz:

Não resta dúvida que a aprovação da PEC 241 implicará em cortes profundos nos pilares essenciais do poder público que são a educação, saúde, segurança pública e aplicação da justiça, sem falar no financiamento da infra - estrutura do País. Ela congela por cerca de vinte anos a grade fiscal e o orçamento propugnado pelo governo mesmo se ocorrer cresciment o econômico nesse período.” Leia tudo aqui

Em relação à Educação, um estudo feito pela própria Câmara dos Deputados (ago/2016) mostrou, com base nos dados de 2011 a 2015, que a PEC deve diminuir os gastos federais com educação (do pagamento de professores à compra de materiais didáticos). O que poderia até ser uma medida compreensível, se o Brasil não fosse um dos que menos investe em educação. Além disso, se entendi bem os dados, há um problema adicional na PEC que é utilizar como parâmetro o ano de 2016, justamente o ano da crise, quando todos os gastos públicos (exceto com bancos e poderosos em geral) estão reduzidos.

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digao45@gmail.com (Rodrigo Travitzki) frontpage Thu, 20 Oct 2016 18:54:07 +0000
Qual é o papel do professor em tempos de polêmicas políticas? http://www.rizomas.net/democracia/462-qual-e-o-papel-do-professor-em-tempos-de-polemicas-politicas.html http://www.rizomas.net/democracia/462-qual-e-o-papel-do-professor-em-tempos-de-polemicas-politicas.html Há quem acredite que o professor não pode interferir em política, pois sempre acaba puxando a sardinha pro seu lado. Acho que esse ponto de vista tem uma visão muito restrita do que é política e/ou do que é professor. A política se faz com atos cotidianos, não apenas posições partidárias. E o professor é muito mais do que um transmissor neutro de conteúdos, ele é um exemplo de ser humano, de preferência um excelente exemplo.

O professor, como qualquer outro ser humano, é um ser político, a diferença é que ele precisa ter certos cuidados enquanto "professa". Ele precisa ensinar o aluno a pensar por si próprio, ouvir os outros, entender e ser entendido. Em termos afetivos, o aluno precisa gostar de se expressar e de entender os outros, o que tem tudo a ver com o modo como se opera no cotidiano. Sendo assim, mesmo quando discorda veemente de uma opinião do aluno (ainda por cima mal formulada!), um bom professor talvez perguntasse: "não entendi bem, você pode explicar melhor?". Depois elogiaria a melhor clareza da opinião e perguntaria, então, a opinião da classe. E a conversa continuaria, ampliando nos alunos a capacidade de compreensão de si, do outro e do mundo.

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digao45@gmail.com (Rodrigo Travitzki) frontpage Fri, 15 Apr 2016 22:47:55 +0000
Reorganizando a reorganização de escolas http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/461-reorganizando-a-reorganizacao-de-escolas.html http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/461-reorganizando-a-reorganizacao-de-escolas.html Escrevi este texto no final do ano passado, tentando trazer um pouco de dados empíricos para a discussão sobre a "reorganização de escolas" proposta pelo governo do Estado de São Paulo. Ele saiu no blog do Paulo Saldaña, mas também deixo aqui registrado.


A Secretaria de Educação diz que a separação das escolas por ciclos deve melhorar o desempenho porque, “segundo o resultado do Idesp em 2014, as escolas de segmento único dos Anos Iniciais tiveram um rendimento 14,8% superior às demais; as escolas de segmento único dos Anos Finais, 15,2%; e as escolas de segmento único do Ensino Médio, 28,4% superior”. O Idesp é um indicador de qualidade escolar produzido pelo Estado de São Paulo, à imagem e semelhança do Ideb, produzido pelo INEP. Ou seja, estes percentuais se referem ao quanto as escolas melhorariam, caso o único fator existente na educação fosse a mistura ou não entre alunos de idades muito diferentes. Isto abre algumas perguntas:

1. Mesmo que esta conclusão esteja correta, vale a pena segmentar as crianças em idades para otimizar seu desempenho em testes de múltipla escolha?

2. Estes resultados podem ser confirmados com as informações disponíveis publicamente?

3. Estes percentuais se referem ao nível das escolas: mas serão iguais no nível dos alunos? Afinal, o todo e as partes são coisas diferentes, e o que importa é o aprendizado dos alunos.

4. O que aconteceria se introduzíssemos outras variáveis na equação? Afinal, a educação não é um fenômeno que possa ser explicado por uma única variável.

Pois bem, vou tentar responder algumas destas questões, com algumas limitações técnicas, mas de forma clara e transparente.

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digao45@gmail.com (Rodrigo Travitzki) frontpage Mon, 01 Feb 2016 23:41:48 +0000
Primavera paulista: resistência estudantil http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/460-primavera-paulista-resistencia-estudantil.html http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/460-primavera-paulista-resistencia-estudantil.html No dia 10 de novembro, estudantes das escolas públicas do Estado de São Paulo iniciaram um movimento de ocupação das suas escolas para impedir a implementação da Proposta de Reorganizacao Escolar do governo estadual.

A proposta que irá afetar 311 mil estudantes e respectivas famílias, 74 mil professores em 1464 escolas começou a ser anunciada pela Secretaria de Educacao em setembro. De acordo com o secretário Herman Voorwald, a Proposta está baseada em diversos estudos e dados estatisticos e visa a melhoria da qualidade de ensino. A ideia principal é a separação dos três diferentes níveis de ensino Fundamental I, Fundamental II e Ensino Médio em prédios diferentes, de forma a reduzir a complexidade da gestão escolar.

Especialistas convergem na ideia de que há necessidade de uma reestruturação, mas são unânimes em afirmar que a Proposta deve ser amplamente discutida. No entanto, nem a Proposta, nem os estudos foram publicizados.

Desde 06 de outubro, os estudantes vem fazendo manifestações para exigir que a secretaria apresente a Proposta no detalhe. Os protestos se intensificaram porque no dia 25 de outubro a secretaria anunciou o fechamento de 94 escolas, e os seus prédios serão disponibilizados para escolas técnicas ou para a a rede municipal de ensino.

No dia 10, estudantes ocuparam 2 escolas, a E E Fernao Dias Paes e a E E Diadema. Só após a ocupação o governo se dipôs a negociar com os jovens, mas as negociacões falharam porque os estudantes não aceitaram desocupar as escolas e ir até o palácio do governo, exigindo que os representantes do governo fossem negociar nas escolas. O governo enviou a policia militar para desocupar a escola, porém uma decisão judicial impediu que os policiais entrassem na escola. Segundo o juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, da 5ª Vara da Fazenda Pública, que suspendeu as ordens de reintegração, “As ocupações - realizadas majoritariamente pelos estudantes das próprias escolas - revestem-se de caráter eminentemente protestante. Visa-se, pois, não à inversão da posse, a merecer proteção nesta via da ação possessória, mas sim à oitiva de uma pauta reivindicatória que busca maior participação da comunidade no processo decisório da gestão escolar".

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lilianlkelian@gmail.com (Lilian L'Abbate Kelian e Iara Haazs) frontpage Mon, 16 Nov 2015 11:28:31 +0000
Bauman e a educação atual http://www.rizomas.net/filosofia/principios-filosoficos/458-bauman-e-a-educacao-atual.html http://www.rizomas.net/filosofia/principios-filosoficos/458-bauman-e-a-educacao-atual.html Em sua extensa carreira, Zygmunt Bauman chegou a abordar diversas esferas da vida em sociedade que a sociologia poderia se meter, inclusive a educação na atualidade. Em relação à educação, althá duas visões sobre a escola e o sistema de ensino que podem ser vistas em seus livros. As informações são da Carta Capital.

Segundo sua obra “Legisladores e Intérpretes: sobre a modernidade, a pós-modernidade e os intelectuais”, a escola seria uma fábrica de ordem. Com uma perspectiva claramente influenciada por Michel Foucault, Bauman pensa o local onde o ensino é praticado como o momento da reprodução da ordem vigente. Ou seja, uma tentativa de manter o mundo de acordo com os planejamentos do Estado.

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vinicius.lima121@gmail.com (Vinicius Siqueira de Lima) frontpage Tue, 10 Nov 2015 16:11:59 +0000
Quem foi Simone de Beauvoir? http://www.rizomas.net/democracia/459-quem-foi-simone-de-beauvoir.html http://www.rizomas.net/democracia/459-quem-foi-simone-de-beauvoir.html Nesta semana dedicada ao feminismo - entendido aqui como a busca por igualdade em um mundo machista - vale a pena conhecer melhor a mulher que apareceu no ENEM e, infelizmente, gerou polêmicas nos rincões. O vídeo abaixo é um documentário da Globo sobre a vida e a importância de Simone de Beauvoir, tem inclusive alguns comentários de Fernanda Montenegro. Para todos nós, vale a pena dar uma olhada. Para os professores de sociologia, é um possível recurso pedagógico.

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digao45@gmail.com (Rodrigo Travitzki) frontpage Wed, 04 Nov 2015 13:35:28 +0000
O “ranking do ENEM” às vésperas da primeira década http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/457-o-ranking-do-enem-as-vesperas-da-primeira-decada.html http://www.rizomas.net/politicas-publicas-de-educacao/457-o-ranking-do-enem-as-vesperas-da-primeira-decada.html

O valor mercadológico do “ranking do ENEM” é inquestionável, até porque o mercado sabe o real valor de um exame de admissão para universidades boas e gratuitas num país como o Brasil. Mas o valor “científico” destes dados, por outro lado, é bastante limitado. Não se pode, por exemplo, afirmar coisas básicas como “a nota de São Paulo melhorou no ENEM e portanto São Paulo melhorou”. Um tipo de erro que tem sido bem comum, aliás. No Pós Doutorado que acabo de terminar, não usamos os dados do ENEM para comparar escolas, exatamente porque notamos muitas limitações. Acabamos usando os dados da Prova Brasil (também do INEP), mais confiáveis para esta finalidade.

É preciso, portanto, ter consciência das limitações dos resultados do ENEM, relativizar todo o apelo mercadológico que eles acabam representando. Os resultados se aplicam aos indivíduos e só nesse nível tem alguma “garantia científica”. O todo e as partes são coisas diferentes. Além disso, é preciso ter em mente que o mundo real, aquele que importa, vai muito além dos rankings e vitrines.

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digao45@gmail.com (Rodrigo Travitzki) frontpage Mon, 19 Oct 2015 01:15:42 +0000
Precisamos proteger a ideia da educação pública, diz Jorge Larrosa http://www.rizomas.net/democracia/456-precisamos-proteger-a-ideia-da-educacao-publica-diz-jorge-larrosa.html http://www.rizomas.net/democracia/456-precisamos-proteger-a-ideia-da-educacao-publica-diz-jorge-larrosa.html O professor da Universidade de Barcelona Jorge Larrosa é um autor conhecido entre educadores brasileiros. Nesta entrevista, ele fala sobre a antiga ideia de educação pública com escola igual para todos, em contraste com o estado atual das coisas, onde o público vem dando lugar ao privado. Não se trata de opor o estatal ao particular, o governo ao indivíduo. É mais complicado que isso.

O interesse público, diz ele, não é simplesmente um equilíbrio dos interesses particulares, mas algo de todos. Assim é (idealmente) na democracia e assim deve ser na educação, acredita. Mesmo a escola particular, por ser escola, presta um serviço público, é de interesse público.

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digao45@gmail.com (Rodrigo Travitzki) frontpage Fri, 09 Oct 2015 14:15:23 +0000