O conceito botânico de rizoma

Dom, 18 de Maio de 2008 21:47 Rodrigo Travitzki Rizoma
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De onde Deleuze e Guattari tiraram a palavra rizoma? A origem botânica do conceito pode nos ajudar a entendê-lo melhor.

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"Rizoma é a extensão do caule que une sucessivos brotos. Nas epífitas é a parte rasteira que cresce horizontalmente no substrato. Ele pode ser bem extenso e semelhante a um arame ou bem curto, quase invisível. Dele partem o caule, pseudobulbos e raízes. Na espécie de Zygopetalum maxillare, quase sempre associada a uma samambaiaçu, o comprimento do rizoma entre os pseudobulbos pode variar. Elas produzem pequenos pseudobulbos seguidos por um longo trecho de rizomas e em seguida outro pequeno pseudobulbo, até alcançar a coroa da samambaiaçu na qual forma feixes e a floração aparece. Nas espécies terrestres o rizoma pode estar no subsolo ou na superfície do solo."

Fonte do trecho e da imagem: http://acocps.vilabol.uol.com.br/raiz-fig1.htm

A grama é um exemplo bastante conhecido de planta rizomática, assim como o bambu e a cana de açucar - todos da família das gramíneas (Gramineae). A bananeira também tem rizomas, responsáveis por sua eficiente reprodução por "clonagem".

Neste outro site encontramos uma interessante explicação de como a grama "funciona":

"A grama é o nome comum da família de plantas Gramineae. Com mais de 9 mil espécies conhecidas, essa família é uma das maiores do planeta. As gramas têm uma estrutura muito simples. (...)

Há dois métodos principais de reprodução, nas gramas. Algumas têm hastes extras que crescem para os lados, abaixo do solo ou bem acima dele. As hastes que se arrastam pelo solo são chamadas de estolho e as hastes que crescem abaixo dele são chamadas de rizoma. As gramas usam estolhos e rizomas para se propagar e formar novos colmos. O estolho ou rizoma nutre a nova planta até que ela seja forte o bastante para sobreviver sozinha.

As gramas também têm flores"

E pra quê tudo isso? A grama tem alguma coisa de especial? Não produz frutos bonitos, flores cheirosas nem ervas medicinais! Por que toda esta apologia da relva? Vamos, então, um pouco mais a fundo na ontologia desta nobre monocotiledônia:

"Grama, o que é isso? São plantas modestas, muitas vezes desprezadas, raramente cheirosas, flores pouco vistosas, sem frutos atraentes. Com raras exceções, não apresenta porte alto e forte. Pisamos nela sem dó e só não as prejudicamentos se o pisoteio não for em excesso. Trafegamos nela com nossos veículos sem piedade. Existe outra planta que suporta tudo isso? E um detalhe importante: quando desejamos um gramado especialmente belo, cortamos a grama frequentemente, antes que as novas sementes amadureçam. Outras plantas logo desapareceriam com tratamento tão rude. A grama não, pelo contrário, brota da raiz formando um tapete verde de particular beleza.

Onde o clima permanece seco por um longo período, e outras plantas mal conseguem crescer, as gramíneas cobrem o solo densamente: nas estepes, nas savanas, nas pradarias e nos pampas. (...) é bom lembrar que as gramíneas são as principais plantas alimentícias não somente para nós, humanos. Os grandes mamíferos se alimentam predominantemente de gramíneas, sejam eles animais domésticos (...) ou sejvagens, como os búfalos, os antílospes, as gazelas..." (Reinhold Gabert, "O ser humano e os reinos da natureza". Ed. agroecológica)

>>Em síntese, por que o rizoma ajuda na sobrevivência da grama?

1- Permite sua reprodução (assexuada)

2- Permite ao organismo ocupar um território mais amplo e, em geral, mais heterogêneo

3- Muitos rizomas formam uma rede que confere maior resistência à grama, pois ela pode se nutrir de diferentes raízes (se uma estiver temporariamente sem água, há sempre outra)

4- O rizoma nutre os novos brotos até que possam formar suas próprias raízes

5-?

Isso tudo vale pra grama. E para as outras coisas? Será que podemos imaginar estas mesmas características se estivermos falando de "rizomas metafóricos"? Faça você mesmo este exercício, partindo das considerações acima.

Última atualização em Sáb, 24 de Dezembro de 2011 13:18