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µTorrent: o rizoma cultural da internet

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1- Informações Gerais

Nome da atividade: µTorrent

Trabalho realizado: O software µTorrent permite que os usuários da internet compartilhem e baixem todo o tipo de arquivo, usando o sistema P2P (Peer to Peer), que permite os próprios usuários sejam servidores, isto é, divide o peso do download para vários computadores. Isto impede que o servidor fique sobrecarregado, dando mais segurança e velocidade aos downloads. Os usuários realmente semeiam o que quiserem pela internet.

Endereço, lugar de atuação: http://www.utorrent.com/intl/pt/

Pessoas responsáveis ou forma de contato: Todo mundo é responsável pelo compartilhamento, porém, o programador Ludvig Strigeus e o empresário Bram Cohen são os responsáveis por seu desenvolvimento.

2- Conhecendo a proposta

O programa µTorrent administra os downloads de um usuário. Para iniciar estes downloads, o usuário precisa ir à um site específico de arquivos “.torrent”. Após abrir um arquivo .torrent no programa, o download começa. O programa se conecta à internet, se conectando assim com todos os outros internautas que estão fazendo seeding (ou seja, os internautas que já baixaram o arquivo em questão, servem, agora, como servidores que enviam partes deste arquivo para os que desejam baixá-lo). Depois de se unir à rede, o usuário passa a receber as partes do tal arquivo dos seeds, impedindo assim que apenas um servidor fique sobrecarregado com vários usuários baixando ao mesmo tempo. Esse mecanismo também permite que os downloads possuam melhor desempenho.

Seu desenvolvedor foi o programador Ludvig Strigeus. Os programas de Torrent disponíveis antes de sua criação eram muito pesados, apesar de eficientes. Após haver muitos problemas com a quantidade de recursos consumidos pelo computador (como memória e memória RAM), por conta destes programas, sugeriram a Strigeus que ele criasse uma versão mais leve do BitTorrent, um dos softwares de download de torrent. Strigeus trabalhou, no final de 2004, nesta ideia (a primeira versão data de 17 de Outubro do mesmo ano). Em seguida, suspendeu seu trabalho por um ano e o retomou em 15 de Setembro de 2005. Três dias depois, a primeira versão beta 1.1 foi disponibilizada para download.

O programa é financiado por anúncios que eventualmente aparecem em uma parte da janela do mesmo. Ele também conta com uma versão paga, que porém rende menos dinheiro a seus desenvolvedores: a versão “avançada” protege os torrents de vírus, reproduz mais formatos que reprodutores gratuitos, converte arquivos, não possui anúncios e fornece acesso remoto seguro aos seus arquivos. Estas melhorias garantem um desempenho melhor, porém, para obter esta vantagem, o usuário deve pagar 20 dólares à empresa. Por isso, o torrent gratuito é alternativa preferida.

A BitTorrent, empresa atualmente dona dos direitos do software, anunciou em 2011 que o número de usuários do programa atingiu 100 milhões de clientes ativos por mês. São mais de 20 milhões de downloads por dia. Estes dados tendem a aumentar, em conseqüência da quantidade de pessoas que usam a internet. Quanto mais pessoas conectadas à rede, a probabilidade do número de usuários aumentar é maior.

Um problema associado à rede torrent é o que se refere a direitos autorais. Os programas em si não sofrem nenhuma represália, por apenas servir para o download de qualquer arquivo que esteja disponível na internet. Porém, os responsáveis pela disponibilidade de arquivos protegidos por direitos autorais, os sites de torrent, são constantemente processados e até mesmo fechados. Por exemplo, dono do maior site de torrent, o Pirate Bay, fora preso em 2009, por compartilhar propriedade intelectual sem a autorização de seus autores.

O µTorrent prioriza o coletivo, ao possibilitar que usuários de todo o mundo compartilhem cultura e informação gratuitamente, em uma rede em que todos são tanto usuário quanto servidores. Depois da criação do µTorrent, a democratização de bens culturais aumentou drasticamente. Anteriormente existiam formas de download, mas nenhum outro obtinha a mesma eficiência do µTorrent.

A cultura tem de ser livre.

3- Discussão

A utopia que idealizamos diz respeito ao livre compartilhamento de conhecimento. Queremos uma sociedade em que não é preciso obter capital para se obter cultura. O acesso a cultura deve ser universal, pois ela é feita por todos, assim, deve ser acessível a todos. A cultura é um patrimônio universal. O µTorrent permite que qualquer um com acesso à internet tenha acesso a bens culturais, isto é, colocando a cultura em seu devido lugar: na mão de todos, apesar da própria internet ainda não ser um direito humano. Mesmo assim, grande parte da população mundial tem acesso a ela: o site internetworldstats.com realizou uma pesquisa em 2010 em que afirma que o número de usuários da internet pelo mundo está quase chegando a dois bilhões. A tendência é que esse número cresça. O ideal seria que toda a população mundial pudesse ter acesso à internet, para poder desfrutar do livre compartilhamento, entre outros benefícios. Mesmo que este objetivo seja impossível (no mundo em que vivemos hoje), o µTorrent ajuda que os usuários atuais da internet tenham a possibilidade de compartilhar conhecimento em geral com mais facilidade. É um mecanismo para a democratização da cultura. E a cultura se dá pela troca.

Entretanto, nem tudo são rosas. Há problemas que envolvem o retorno financeiro e, assim, o próprio incentivo à produção cultural. O download via torrent não gera nenhuma receita para os envolvidos na criação de bens culturais. Desta forma, o sustento de quem produz cultura não pode acontecer plenamente, o que os desestimula a continuarem no ramo. Sem pessoas trabalhando no ramo cultural, a produção é dificultada. Apesar deste revés, a internet também possibilitou o surgimento de uma nova forma de financiamento de projetos culturais: o crowdfunding. Ele consiste em apresentar um projeto a todos os internautas. A proposta fica disponível para qualquer um ler. Quem se interessar, pode realizar uma doação pela internet para a concretização do projeto. As quantias podem ser módicas (como R$10,00 ou menos), ou então serem mais generosas, podendo atingir a casa das centenas de milhar – ou até mais, dependendo das alternativas oferecidas pelos idealizadores. Esse sistema de financiamento coletivo permite que produtores culturais realizem suas ideias sem depender das grandes empresas do ramo cultural e mesmo assim tendo um retorno financeiro.

Assim, vemos como é possível uma alternativa à mercantilização da cultura. Não é preciso depender da boa vontade das pessoas que possuem recurso para financiar a produção cultural. Também, o acesso livre aos bens culturais não fica restrito a eventos financiados tanto pelo setor público quanto o setor privado, como, por exemplo, a Virada Cultural. Desta maneira, encontramos um meio da produção cultural ser facilitada e do acesso a ela ser democratizado, não dependendo mais do poder aquisitivo de cada um. O µTorrent é uma forma da cultura ser interligada e do compartilhamento acontecer. Parafraseando Deleuze e Guattari, “um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo”. O modo como os usuários interagem, baixando e enviando partes de arquivos para outros, se assemelha a um rizoma. Podemos dizer que o µTorrent é o rizoma cultural da internet. Ele é responsável pelo o que alimenta a cultura: a troca de conhecimento.

Fontes:

Rizomas.net

http://en.wikipedia.org/wiki/%CE%9CTorrent

http://www.superdownloads.com.br/materias/rede-torrent-atinge-100-milhoes-de-usuarios-ativos.html

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior.aspx?content_id=1204241

http://pt.wikipedia.org/wiki/Uso_da_Internet_no_mundo

http://www.utorrent.com/intl/pt/

Última atualização em Seg, 10 de Março de 2014 01:05  


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