Um outro mundo é possível? Os alunos buscam respostas

Projeto Era Outra Vez...

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1 – Informações Gerais

Era Outra Vez... é um projeto vinculado ao Instituto Equipe e faz parte de um projeto de mediação de leitura que abrange toda a grande São Paulo, o Projeto Mediação de Leitura.

Seu trabalho, na prática, consiste na mediação de leitura para crianças e encontros de formação entre jovens de diferentes situações econômicas. Com este trabalho, o projeto foca aproximar o livro das crianças influenciando, assim, na sua formação. As mediações de leitura acontecem semanalmente.

Nos últimos dois anos, o projeto está filiado ao CREN (Centro de Recuperação e Educação Nutricional), especificamente na unidade praça da árvore, e atua com crianças de 0 a 6 anos que apresentam quadros de subnutrição. Dentro do Centro, o tratamento das crianças funciona no sistema hospital dia, aonde elas são acompanhadas diariamente por profissionais como nutricionistas, psicólogas e medicas. Ao mesmo tempo, funciona como uma creche. O público alvo desta unidade consiste principalmente nas crianças de algumas favelas da zona sul e leste, através de convênios com a prefeitura e outras doações independentes.

Os responsáveis pela coordenação do projeto Era Outra Vez são o estudante André Barbosa e a Professora Luana Almeida. Participam das reuniões de coordenação, também, alguns outros membros do Instituto Equipe. O contato pode ser feito diretamente com os coordenadores através dos números de celular ou também através do instituto Equipe.

Os participantes deste projeto são os alunos do Colegial do Colégio Equipe. Os encontros ocorrem as quartas-feiras, quando se reúnem na sede do Instituto Equipe antes de seguirem para o CREN, aonde realizam a mediação. Atualmente, o Projeto ganhou o concurso Aprendiz Congas, e esta montando uma biblioteca dentro do espaço do CREN para auxiliar na aproximação das crianças com os livros.

Link: http://institutoequipe.org/projetos/projetos-atuais/161

2- Conhecendo a proposta

O projeto atua uma vez por semana no CREN durante, em média, 50 minutos, atualmente o grupo é formado de dez pessoas que se dividem em quatro salas desde o começo do ano. Eles levam para a escola um acervo escolhido para a sala que mediam. Cada sala tem uma rotina, mas o mais comum é iniciar com uma mediação em roda, para que todas as crianças percebam a função narrativa do livro, depois há o momento de exploração, onde os jovens se posicionam de forma prestativa e as crianças podem decidir como explorarão o livre, se pedirão para eles lerem, se preferem ficar sozinhas com o livro ou se não querem interagir com aquele momento. É muito importante esse momento de escolha, pois é este momento que difere o livro obrigatório apresentado em sala de aula do livro optativo apresentado pelo Era Outra Vez...

No final os jovens discutem sobre o que aconteceu em cada dia, a cada seis meses em média existem formações e encontros entre o grupo e outros mediadores em São Paulo, para discutir técnicas, brincadeiras e abordagens com as crianças.

O Projeto Mediação de Leitura- Era Outra Vez... começou em 1997 como parte da metodologia do colégio Equipe em parceria com a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, com o financiamento do Banco Citibank. Esse projeto formava educadores para a mediação de leitura em bibliotecas, ele se desdobrou e formou-se a proposta de educar os jovens do colégio equipe para a mediação de crianças e jovens do bairro Heliópolis. Se agregrou a esse grupo um projeto da A Cor da Letra chaado Projeto Jovem Mediador de Leitura que formava jovens das periferias para mediarem em suas comunidade

Em 2001 a Fundação Abrinq junto com o Centro de Estudos e Pesquisa em Leitura e Literatura- A Cor da Letra criou o Mudando a História, que consistia em formar jovens de 13 a 25 anos como mediadores e multiplicadores de leitura.

A partir de 2010 a Nókia parou de financiar o projeto, mas os jovens se mobilizaram e recolhem recursos para continuar o projeto, agora a coordenação é do Instituto Equipe e do Projeto Anchieta, o Era Outra Vez... é a vertente do projeto do Instituto Equipe.

Os resultados de um projeto educativo como esse chegam a longo prazo, após um ano de trabalho continuo com a mesma sala os mediadores relatam a mudança de postura da criança em frente ao livro, crianças que não tinham o interesse pelo livro até pouquíssimo tempo atrás hoje já folheiam e mechem no livro muitas vezes independentemente. Além de que para muitos jovens esse trabalho é uma grande parte da vida deles.

Os recursos costumam vir de doadores independentes, o trabalho é todo voluntariado e os livros são obtidos em sua grande maioria através de doações nas instituições educacionais que o projeto está filiado.

As maiores dificuldades se relacionam a questão de recurso, para as formações e mesmo para o trabalho cotidiano é necessário movimentar algum dinheiro, para acervo de livro e transporte por exemplo, mas com o auxilio das instituições educacionais e com a vontade dos jovens (Que já fizeram formações no parque Ibirapuera por exemplo) o trabalho se faz acontecer. Hoje em dia a organização de reuniões muitas vezes se dá via facebook, vinda dos próprios jovens, e são poucos os adultos e responsáveis (apesar de apresentarem uma importância extrema).

Há cerca de seis meses esses jovens escreveram e ganharam um estatal do Aprendiz Congás com o objetivo de montar uma biblioteca no CREN, para que assim otimizem o trabalho de aproximação já realizado. A biblioteca foi montada com uma parte do acervo no dia 23/11/2011, uma parte desse acervo está sendo recolhida através de doações e outra adquirida pela verba cedida pelo Aprendiz Congás, Para o próximo ano se pensa em fazer discussões e conversas com pais e professores do CREN, para que assim a aproximação do livro passe a ser um objetivo geral de todos, e que isso realmente aconteça.

 

3- Discussão:

Nosso grupo acredita que o amplo acesso de todos os indivíduos a uma cultura educacional levaria a criação de um senso crítico e de uma unidade cultural que propiciaria a todos um sentimento de coletividade devido a apropriação desta cultura. Também a criação e desenvolvimento de um senso crítico que possibilita o funcionamento de uma sociedade onde o Governo represente e garante os principais interesses da população.

Acreditamos que a democracia atual é falha na medida em que, através dela e das possibilidades de manipulação de massas, interesses econômicos e individuais se sobressaem às necessidades coletivas. Esta contradição pode ser claramente percebida pela maneira como os governos europeus se comportam em meio a crise econômica global que dura desde 2008. Ao invés de proteger os programas sociais de interesse da população, priorizam o socorro aos grandes bancos e a manutenção de uma economia com interesses privados.

Partiríamos, para chegar a esta utopia, da fusão de dois pilares fundamentais: educação e cultura. E a importância do livro se da no momento em que este se transforma, para o indivíduo, em um objeto introdutório a esta mistura.

Começamos com a importância da história, uma narrativa sempre tem dentro de si características especificas de uma cultura “contar uma história é resgatar o próprio destino, descobrir a que sonho pertencemos e encontrar caminhos para a própria vida” (Heloisa Prieto, 1999). Ou seja, precisamos resgatar nossa história para podermos nos apropriar de nossa sociedade e conseguir lidar melhor com diferenças e contrastastes. Ao mesmo tempo, ao fazer parte desse grupo, o individuo identifica necessidades comuns a todos e a cobrança destas se unifica, facilitando garantir o interesse coletivo de uma nação.

Outro fator é o domínio da língua ocasionado pelo contato com o livro, ou seja, ao lermos bastante de diferentes fontes conhecemos melhor todos os sentidos da palavra, ou seja, entendemos o som, todos os sentidos e todos os usos da palavra, sendo menos suscetível a manipulação midiática e política, identificando melhor as ideologias que realmente nos identificamos.

E sobre a questão do jovem dentro do “Era Outra Vez...“, quando este se implica em uma atividade tão importante descobre que pode fazer diferença em uma sociedade tão falha, isso da forças para lutas utópicas.

O projeto tem falhas principalmente no sentido organizacional, o que dificulta o resultado e a criação da utopia, uma hora semanal também é pouco e abrange poucas pessoas, mas alguns jovens desses grupos procuram sempre ampliar e otimizar o projeto, como a criação da “Biblioteca Era Outra Vez...”. Dentro das limitações explicitadas anteriormente o projeto tem muita eficaz em seus objetivos, os jovens realmente se implicam (Se não fosse isso o projeto seria inviável) e pode-se ver a diferença das seções para a relação das crianças com o livro.

Para melhorar esse projeto e necessário um maior alcance, como dito antes, criar mais grupos de mediadores e principalmente que haja a conversa com pais, professores e escola sobre a importância da exploração do livro sem o caráter obrigatório.

Para realizar este trabalho, os conteúdos específicos do Ensino Médio foram necessários. Entretanto, não se pode destacar algum. É o desenvolvimento de um senso crítico e a criação de valores, ambos devido a escola, que propiciaram este trabalho.

 

Fontes:

- Monografia da Bárbara, do 3º ano.

- www.institutoequipe.org

Última atualização em Qui, 01 de Dezembro de 2011 01:52  


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