Um outro mundo é possível? Os alunos buscam respostas

Poligremia Estudantil

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1- INFORMAÇÕES GERAIS

A Poligremia Estudantil é um coletivo de grêmios secundaristas de colégios públicos e privados da cidade de São Paulo. Contando com cerca de doze colégios, os membros desse coletivo têm a possibilidade de organizar eventos culturais, discussões e lutas políticas de forma a envolver estudantes de diferentes perfis e idades.

Apesar de haver uma variedade no perfil dos alunos, a unidade se consolida pela compreensão de todos os envolvidos quanto à necessidade de se tomar partido frente às desigualdades presentes no mundo. De forma que também há a compreensão de que este espaço não será determinante para realizar tais mudanças, mas é de grande importância dada a sua capacidade de mobilização.

 

Fazem parte desse coletivo tanto participantes dos grêmios de seus colégios, quanto àqueles que lá estudam e mesmo assim não se organizam através dele, sendo assim um coletivo aberto a qualquer estudante interessado em desenvolver uma postura transformadora.

Como um dos principais princípios do coletivo é fazer parte da construção de uma sociedade mais justa, essa lógica adentra sua forma organizacional. Sem lideranças responsáveis por decidirem os próximos passos, cabe a todos o desafio de elaborá-los, em meio a um processo em que este desenvolvimento de capacitação de todos os envolvidos é central para que haja tanto individual como coletivamente, um avanço na capacidade do coletivo ser capaz de cumprir seus objetivos.

2- CONHECENDO A PROPOSTA

O coletivo surgiu em 2010, para a organização de um festival de curtas, de modo que os alunos pudessem mostrar a uma platéia sua produção artística. O festival aconteceu, mas não houve um grande acúmulo organizacional depois de sua realização. Até que com a virada do ano, ficou evidente a necessidade e o potencial para envolver uma malha muito maior de colégios, tendo como finalidade a politização interna, como externa a organização.

Com as luta pela redução do preço da passagem no início de 2011, a Poligremia decidiu somar-se a causa, repassando informações aos colégios onde seus membros participam de grêmios e convidando esses alunos às manifestações do Passe Livre. Em pouco tempo, uma rede de comunicação interna foi consolidada ao ponto de ser possível a realização de uma manifestação organizada pela Poligremia. Foi o primeiro evento de 2011 e oitenta estudantes participaram de um ato de rua no Largo da Batata dirigindo-se a Teodoro Sampaio e distribuindo panfletos a respeito da necessidade de se lutar contra aquele aumento aos pedestres, que muitas vezes aplaudiam a iniciativa.

A partir de então o coletivo foi se tornando referencia de espaço de luta política a estudantes secundaristas de São Paulo. Ao longo de cinco manifestações de rua, foi possível a abertura de diversos contatos com estudantes interessados em montar grêmios em seus colégios e fazer parte daquele coletivo. É importante notar a forma como alguns desses atos ocorreram. Ao serem organizados por estudantes menores de idade e sem lideranças que respondessem por tudo aquilo, a negociação da polícia era sempre um forte conflito. A necessidade de liberar o trânsito foi responsável por uma série de ameaças de prisão a menores. Cabendo inclusive a utilização de spray de pimenta contra esses estudantes que no quinto ato estavam sentados na Avenida Rebouças.

Aos poucos também se mostrou necessário a organização de eventos culturais que tanto levassem, como atraíssem um novo público através da realização de outro festival de curtas. De modo que em maio de 2011 ocorreu o II Festival de Bandas Evandro Capivara. Este personagem nunca existiu, mas foi apontada a ele a realização de diversas façanhas na história nacional. Evandro participou da luta contra os nazistas na Alemanha, contra a ditadura no Brasil, inventou o slogan” Brasil, ame ou deixo” sob um diferente contexto, sendo rapidamente apropriado pelos militares. Também participou das greves do ABC e foi importante cineasta nacional, infelizmente sem ser reconhecido.

Apesar de o personagem ser inventado, a Poligremia organizou o Festival de Bandas em sua homenagem, atribuindo todas essas façanhas como reais e abrindo o festival com um documentário composto por depoimentos a respeito de suas realizações.

(http://www.youtube.com/watch?v=AuNXL5gfILw)

Muitos participantes descobriram do que se tratava, outros acreditaram na existência de Evandro, mas a maioria encontrava-se na dúvida. Até que a Poligremia Estudantil, para finalizar o evento, havia convidado um ator para passar-se pelo personagem. Surpreendendo a todos com aquela aparição e agradecendo a homenagem.

Este foi o evento da Poligremia com o maior número de participantes, cerca de trezentos no teatro do colégio Santa Cruz, os curtas vencedores foram premiados e o Festival foi de grande importância para promover a imagem do coletivo e atrair um grande número de novos participantes.

Até que alguns meses depois o coletivo até então composto pela participação de três colégios técnicos estaduais decide juntar-se a greve de seus professores e organizar um debate com os estudantes que participaram de um ato em apoio à paralisação.

Realizando reuniões semanais o coletivo também se propôs a realizar uma formação interna, através de debates nesses espaços quanto ao movimento estudantil, críticas a atual organização política/eleitoral e a necessidade da esquerda, em geral, somar forças buscando a unidade, ao invés de atropelar-se em disputas que muitas vezes a afasta de suas bandeiras iniciais.

Também foram realizados três fóruns com cerca de 50 estudantes em cada, novamente buscando novos participantes e também expondo filmes de lutas políticas e promovendo debates logo em seguida. Tal como a luta popular de Oaxaca (México) e a dos estudantes chilenos em 2006 e traçando paralelos com a atual luta por educação pública de qualidade. Na parte final dos fóruns os participantes se dividiam em salas para discussões específicas, ou para seguir organizando os projetos futuros.

3-DISCUSSÃO

É muito importante perceber o trabalho educacional que o coletivo visa construir com seus próprios membros. A ausência de lideranças obriga todos a falar com a imprensa, em grandes públicos e ser igualmente responsável pela construção das ações futuras. Sendo muito perceptível a mudança social ocasionada em diversos membros. Muitos chegaram com muita timidez na vida em geral e a rotatividade de tarefas e responsabilidades foi importante para que realizassem experiências desafiadoras e novas.

O fato de a organização possuir um acúmulo de debates voltado para uma atuação de esquerda a coloca o desafio da construção de uma nova sociedade, um novo mundo. Que seja igualitário e não esteja fundamentado na exploração do homem e do mundo tal como é hoje. Para isso há um processo de internalização desses princípios em sua forma de avançar frente a essas mudanças necessárias.

Antes de mais nada, é importante entendermos o significado da palavra utopia. Quando falamos de utopia, estamos nos referindo a uma ideia de civilização ideal, imaginária e fantástica. Pode ser tanto para uma cidade ou a um mundo, sendo possível tanto no presente, como no futuro, mas em um paralelo.

Esse termo foi inventado em 1516 por Thomas More. Utopia serviu de título a uma de suas obras que foi escrita em latim. Os historiadores dizem que More se fascinou pelas narrações de Américo Vespúcio sobre uma ilha recém visitada, no caso a ilha de Fernando de Noronha, em 1503. Então, More se sentiu motivado a escrever sobre um lugar novo e puro, nesse local a sociedade seria perfeita.

Podemos dizer que o utopismo se baseia em idealizar não somente um local, mas idealizar uma vida, um futuro, ou qualquer outra coisa, numa visão bastante fantasiosa e na maior parte das vezes, contrária ao mundo em que vivemos. Esse utopismo tem uma face bastante otimista das coisas, de certa forma, seria uma visão de como nos queríamos que as coisas fossem.

Este coletivo caminha no sentido da construção dessa nova sociedade tal como concorda o nosso grupo. E entendemos que a escolha desse grupo está muito mais próxima de nossa realidade do que diversos outros coletivos, a ponto de ser responsável por nossa escolha.

De toma forma a Poligremia segue se expandindo e sendo responsável por uma construção politizadora em seus envolvidos. Porque um dos trabalhos do coletivo é orientar alunos a formarem grêmios em suas escolas e assessorá-los quanto a suas possibilidades de realizações.

Sendo assim um instrumento de formação e lutas políticas que vem de pleno acordo com os ideais dos membros do grupo e com nossa compreensão de meios de transformação social.

Última atualização em Qui, 01 de Dezembro de 2011 01:53  


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