Um outro mundo é possível? Os alunos buscam respostas

Instituto Laramara

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Alunos: João Ernesto
Pedro Mendonça
Rafael Chad

1- INFORMAÇÕES GERAIS

Laramara – Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual

O instituto Laramara tem como objetivos a inclusão sócio-educacional do deficiente visual. O trabalho é feito em parceria com a comunidade, a família do deficiente e as escolas, mostrando como deve ser feita a aprendizagem escolar de um deficiente.

Dentro do instituto estão disponíveis avaliações oftalmológicas especializadas, avaliação de necessidades educacionais especiais referentes à deficiência visual e atendimentos específicos de crianças e jovens.

O instituto desenvolve também pesquisas para o desenvolvimento e adaptação de brinquedos adequados, adaptação de materiais, métodos e técnicas inovadoras para se trabalhar com o deficiente visual.

Para se obter mais informações pode entrar em contato pelos e-mails Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Também pelo site www.laramara.org.br na parte de contatos.

A presidente do instituto é Lara Siaulys, que já teve como experiência a dificuldade de criar um filho deficiente visual.

2- CONHECENDO A PROPOSTA

Mara, após ter uma filha, Lara que perdeu a visão ainda com dois meses de idade, largou da profissão de professora para educar a filha, pois a educação de uma criança deficiente visual exige mais cuidado, mais dedicação.

Depois de muito batalhar para conseguir informações de como educá-la, Mara fez um curso de pedagogia da USP, especializando-se no ensino de crianças cegas e trabalhou por 8 anos como voluntária na Santa Casa.

Na Santa Casa, via a dificuldade e a necessidade das crianças e das famílias dos deficientes visuais, que eram um número muito grande, inclusive maior do que era capaz de ser atendido. Foi então que junto com colegas que também trabalhavam na Santa Casa, financiada com recursos da própria família e do marido, fundou em 1991 o instituto Laramara.

De 1991 para cá o instituto foi crescendo, ajudando a comunidade dos deficientes visuais e hoje em dia se encontra na Barra Funda em um espaço de 8000 metros quadrados.

Em 1995 a Fundação Abrinq reconheceu a instituição pela preocupação em garantir o direito das crianças com deficiências visuais.

Muitas das pessoas que trabalham ali são voluntárias, como foi também a irmã de um dos membros do grupo, Paula Nogueira Mendonça, quando estudava no Colégio Equipe. Ela fazia um projeto social que ia ao instituto trabalhar com as crianças e nos serviu como motivo de inspiração para fazer este trabalho sobre o instituto Laramara.

Eles contam com cerca de 100 empresas que são parceiras além de doações de terceiros, que pode ser você também, pelo site www.laramara.org.br.

São 300 alunos encaminhados para cursos de capacitação que tem bolsa integral ou parcial. 800 pessoas encaminhadas ao mercado de trabalho as quais até dezembro de 2008, 652 já haviam sido contratadas. Me refiro as pessoas com deficiência visual. Além da ajuda que já foi prestada as 8000 pessoas e famílias que já se beneficiaram de alguma forma da instituição.

Estima-se que já foram atendidas cerca de 8000 pessoas, que se beneficiaram de algum programa da instituição. Só hoje em dia tem cerca de 700 jovens/crianças envolvidas em algum dos projetos existentes.

O instituto ainda tem como objetivo compartilhar tudo o que fazem em São Paulo com o resto do Brasil. São Paulo já tem muito, tem tudo como diz a presidente em entrevista concedida à Revista Época em 2005, mas o resto do país tem muito pouco. Para isso vem fazendo projetos e procurando financiadores para comprar equipamentos como máquinas de brailes, ou computadores para deficientes visuais.

3- DISCUSSÃO

Acreditamos que a nossa utopia, passa pelo principio de uma sociedade mais igual para todos, uma sociedade onde todos possam ter a mesmas oportunidades; em alguns casos ter a oportunidade simples de escolher entre duas opções, apenas um sim ou não. Em muitas situações, mesmo que ela esteja em campos diferentes, sempre alguns terão mais oportunidades que outros. Numa sociedade que diz: todos os homens são iguais perante a lei, a nosso ver o dia a dia não corresponde ao que deveríamos viver.

Se a nossa utopia tem um nome, é complicado dizer, talvez poderíamos chamá-la de igualdade. Mas este nome nos faz pensar que talvez estivéssemos acabando com a diversidade humana, também tão importante para que possamos evoluir como um todo. Talvez a nossa utopia seja um pouco mais simples, em uma palavra só decidimos chamá-la de oportunidade. Afinal, com as mesmas oportunidades e meios os homens podem produzir todos com a mesma qualidade e quantidade, cada uma na sua especialidade, respeitando a diversidade.

Para nós, o Instituto Laramara é uma forma de atuação simples, e que deveria ser seguida pelas mais diversas regiões do país. Em um movimento de indignação, a sua fundadora, vendo que nem mesmo grandes hospitais, no caso a Santa Casa de São Paulo, tinham as condições de atender com qualidade satisfatória todos os casos que lhes eram encaminhados, decidiu se mover e tomar pelas próprias mãos uma saída. Esta saída foi a fundação do Instituto, que trabalhando com os deficientes visuais leva maior oportunidade aos que não tem.

Quando o paciente chega ao Laramara, não é feito apenas um trabalho com a criança ou com o adulto, mas com toda a família e também com a escola. Numa sociedade integrada como a nossa é importante que, não apenas o deficiente saiba como deve agir, mas que todos também saibam como atuar em diversas situações. Desta maneira o Instituto Laramara, além de educar os deficientes visuais, também os insere na sociedade, dando a eles novas oportunidades de aprender e educar à todos que estão a sua volta.

Claro que a atividade em questão não é perfeita, tem também os seus aspectos deficitários. Por ser um instituto sem uma geração de renda própria grande e que depende de doações e de voluntários, eles estão deixando de atuar em uma área maior, ou expandir a sua atuação para outras formas de deficiência. Não acreditamos que deveriam acabar com o sistema atual e se tornar uma indústria privada, acreditamos que a busca por patrocínios, com uma divulgação maior do que pretendem e do trabalho que realizam poderiam ajudar na renda, fazendo com as pessoas envolvidas expandissem sua área de atuação. Como estamos dizendo de oportunidades, esta pode ser uma que o Instituto está deixando passar, e assim tirando a oportunidade de outros.

Por um outro lado, são poucos os casos de centro com a especialização que o Instituto Laramara tem, talvez abrir mais a área de abrangência seria uma forma de se “desespecializar” nos deficientes auditivos. Atender ao número que eles atendem, com a especialização que tem não é fácil, e precisa de especialistas muito qualificados. É importante deixar claro que a maioria dos que trabalham ali são voluntários, ou seja, contentam-se ao receber um sorriso, uma noticia de ingresso no mercado de trabalho, ou em uma escola; este aspecto garante que os trabalhadores construam vínculos com o seu trabalho e que procurem um desenvolvimento maior deste, em prol dos seus pacientes.

A abertura, e a busca por novas áreas de atuação talvez fizessem com que este sentimento que existe nos trabalhadores deixasse de existir, tornando o Instituto numa empresa, buscando apenas resultados quantitativos. Ao olharmos os números estes não são impressionantes, porém, em uma sociedade que se revela completamente preconceituosa a inserção de um deficiente visual no mercado de trabalho já é um sucesso. Se pensarmos individualmente, o Laramara ajudou a uma família que não sabia lidar com um deficiente como se comportar, deixando de lado aquele estigma do “coitadinho” e assumindo que o deficiente também é capaz de tudo que qualquer outro homem é capaz.

Essa é uma atitude que saltou aos olhos do grupo logo de cara, sabemos que muitas instituições trabalham com deficientes de diversas maneiras, mas a existência de cotas no mercado de trabalho para deficientes ilustra como a nossa sociedade é preconceituosa. Para nós do grupo, o trabalho de inserção na sociedade, feito com muito cuidado no Instituto Laramara é o que é necessário para que este deficiente possa combater este preconceito, usando um lugar comum, mas que no caso é importante: não adiante dar o peixe, é preciso ensinar a pescar. Guardadas as devidas proporções, ali vemos uma atitude de quem ensina a pescar, preparam o deficiente e também todos aqueles que estão a sua volta.

Podemos perceber no conceito de complexidade, estudado no curso de biologia uma ligação forte com a atividade estudada por nós nesse projeto. Vemos como a presença de uma pessoa pode interferir no todo, no caso a atitude da fundadora Lara Syaulis deixou claro, como para existir a maior qualidade de um todo é necessário que as partes deixem de lado as suas individualidades.

Lara, ao ter o filho deficiente visual deixa de lado a sua vida para aprender e agregar conhecimento ao todo de uma sociedade. Mais tarde, quando funda o Instituto Laramara, ela extrapola e além de tudo passa a agregar ao todo pessoas, que também estariam excluídas do mesmo, pessoas que com todas as suas qualidades e defeitos agregam muito à sociedade em que estão inseridos.

Para nós do grupo, fica claro que os meios para dar mais oportunidade para todos, ao menos tentar equilibrar estas oportunidades são cada vez mais escassos. A sociedade não quer saber, quer apenas que consumam deixando de lado todo o restante que poderiam estar somando ao nosso dia a dia. Quando queremos mudar uma realidade, temos que tomar as rédeas da situação e buscar os meios pelo qual nos possamos fazer as mudanças que desejamos.

 

4- REFERÊNCIAS

http://blog.aristotelesmeneses.com.br/2009/07/entrevista-com-presidente-da-associacao.html

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG70228-5856,00.html

www.laramara.org.br

Última atualização em Seg, 08 de Novembro de 2010 20:49  


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