Até que ponto os comerciais e propagandas correspondem à real eficácia do produto?

Seg, 22 de Novembro de 2010 21:42 Trabalhos Escolares
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A partir de observações cotidianas de comercias referentes à saúde bucal, nos vimos em uma situação um tanto estranha: a maioria das propagandas tem dentistas fazendo recomendações e exemplificando uma lista de melhoras que o uso do produto poderia trazer. Desde “Só Listerine acaba com os germes que causam a placa bacteriana, a gengivite e o mau hálito. Listerine, boca limpa de verdade. A marca dos dentistas”, até “Colgate total 12: o único que cria uma barreira de proteção protege até 12 problemas bucais, por 12 horas. Colgate, a marca número um em recomendação dos dentistas”.  E analisando essas propagandas e algumas embalagens de produtos bucais, percebemos os deslizes que cometiam no sentido de verossimilhança; prometem muitas diferenças em sua boca, e poucas são realmente cumpridas.  Assim chegamos em uma questão: até que ponto os comerciais/ propagandas correspondem a real eficácia do produto?

 

Análise crítica das embalagens

Em consulta ao dentista, comentou-se a proposta do trabalho dado nas aulas de biologia, sobre análises de embalagens além da nossa questão inicial. Dr. Flávia se entusiasmou com a proposta, e afirmou o quanto as propagandas são um imenso fator de influência de compra, e que nem sempre é possível confiar no rótulo, afinal, muitas vezes os fabricantes trazem algumas informações só para seguirem uma lei. Confirmando nossa análise sobre embalagens, pois vimos como exemplo que em qualquer farmácia encontram-se diversas embalagens chamativas, com cores fortes e letras garrafais que prometem “dentes mais brancos”, “eficaz contra a placa bacteriana”, entre outros recursos como um medidor de brancura que, segundo eles, conforme você usa o produto o dente irá ficar cada vez mais claro e você pode medir no medidor, e em “X” dias o seu dente alcançará o estágio mais branco do medidor

Além desse ponto, a doutora falou que aqueles famosos estudos realizados com pessoas(“aprovado em X% dos casos”) diversas vezes tem por base um questionário e suas respostas, e que por isso são poucos confiáveis e bastante subjetivos. Apesar disso, nos contou que alguns anti-sépticos realmente podem cumprir o seu papel que é controlar o biofilme da placa bacteriana. Após a conversa, perguntamos se era possível nos dar uma ajuda com dados e casos/ pesquisas, e ela aceitou. Tínhamos que fazer um recorte porque de produtos bucais o mercado está cheio; inicialmente ficamos em dúvida entre a pasta de dente e o anti-séptico bucal. Optamos pela segunda opção por ela ter maior repercussão polêmica ao seu redor.

Primeiramente ela disse que os enxaguantes bucais têm fórmulas diferentes, cada um para alguma área direcionada. Porém todos possuem uma taxa de álcool que usada em excesso pode acarretar em inflamações. O álcool que dá a sensação de ardor na boca, e as pessoas acabam achando que isso que determina a eficácia do produto. Mas essa sensação não é determinante, e sim as substancias antissépticas.  Em uma medida mais drástica, existem pesquisas que afirmam que o uso desenfreado de enxaguantes com álcool além de inflamações derivados, pode causar câncer oral. Não que o enxaguante, em si, cause o câncer o oral; mas da mesma forma que bebidas alcoólicas são determinantes de câncer logo após o tabagismo, o produto também contribui para isso.

“O álcool não é um agente causador de câncer isoladamente, mas uma enzima do organismo o transforma em acetaldeído, substância que pode alterar as células da boca e causar tumores na região.”

Quanto a isso, Dr. Flávia diz que prefere receitar aos pacientes enxaguantes manipulados e sem álcool para cada caso específico; e as situações em que mais se utiliza são após raspagens, cirurgias, e casos de cárie em excesso.

Outro ponto muito presente em alguns produtos é o da promessa de branquear os dentes, ação esta que nos causa grande dúvida quanto a real eficácia. E analisando os produtos e os compostos utilizados, encontramos o peróxido de hidrogênio, mais conhecido como água oxigenada, com em média 35% de concentração fornecida para cada embalagem. A água oxigenada é realmente muito usada nos clareamentos dentários em consultórios,  mas não é totalmente “seguro”, pois essa quantidade de concentração pode causar sensibilidade nos dentes.

Já no anti-séptico bucal o tempo de contato nos bochechos não é suficiente para que haja uma melhora significativa, por não possuir ação residual.

Enfim, boa parte das pessoas também utiliza o produto devido à promessa de combater o mau hálito; mas a sensação de frescor é apenas temporária, e não combate o mau hálito. A halitose deriva de diversos pontos: fome, diabetes, fígado, prisão de ventre; e não só de resíduos na boca, sangramento na gengiva... Bucais ou não bucais.

Conclusão

Após analisar os pontos que mais nos chamavam atenção nas embalagens dos anti-sépticos, a presença de álcool, e as promessas de clarear os dentes e combater o mau hálito, chegamos à conclusão de que as embalagens apenas mostram o que atrai e agrada o consumidor, omitindo informações muito importantes que expusemos nesse trabalho. Dessa forma, embalagens/propagandas não condizem com a realidade e, portanto, não podemos confiar nos rótulos e propagandas. Elas passam uma idéia ilusória de perfeição que na verdade é inexistente. Dr. Flávia aconselhou consultar seu dentista antes de comprar qualquer líquido anti-séptico colorido que promete milagres à sua boca; e afirmou que não há nada melhor que escovar e passar fio dental no mínimo três vezes ao dia para ter uma boca saudável.

 

Bibliografia

Material de apoio com a Dr. Flávia;

http://www.odontologia.com.br/artigos.asp?id=723;

http://pt.wikipedia.org/wiki/Halitose

Última atualização em Qua, 15 de Dezembro de 2010 13:54