Propostas problematizadoras

O que fazer com o conhecimento?

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Proposta de trabalho nas disciplinas de Biologia e Fìsica



INTRODUÇÃO OBJETIVOS PRODUTO TECNOLOGIAS LINKS ÚTEIS


INTRODUÇÃO Vivemos, segundo nós mesmos, na era do conhecimento. Para alguns, estaríamos numa transição da era do dinheiro para a da informação. Outros consideram que haverá (ou já há) uma espécie de simbiose entre o saber e o capital. Mas todos parecem concordar que nunca houve tanta informação disponível a um ser humano global médio. E mais: a coisa parece que só aumenta. Novas informações aparecem a cada segundo. Técnicas, conceitos, idéias, descobertas bizarras, correlações estatísticas desconcertantes... o que fazer com tudo isso? Tecnologia? Riqueza? Mais conhecimento? Bem estar social? Como vimos no segundo ano, a tecnologia pode ser considerada uma espécie de "extensão do corpo", uma forma de utilizarmos o mundo exterior a favor de nossa própria vontade. Não de forma tão simples quanto movemos um dedo, é claro, pois para isto não precisamos adquirir nenhum conhecimento técnico ou científico. Mas depois que aprendemos a dirigir bicicletas ou carros, por exemplo, acabamos por "sentí-los" e "guiá-los" como se fossem parte de nós mesmos. Seria de se esperar, com isto, que o refinamento da tecnologia levasse a um modo de vida mais agradável e confortável para o homem. E, de fato, isto muitas vezes ocorre. Mas nem sempre é assim. Não é à toa, afinal, que grandes avanços científicos tenham ocorrido em períodos de guerra. A ciência serve a interesses, sejam eles quais forem. O próprio aquecimento global, hoje tão falado e temido, também nos indica que uma relação a princípio benéfica pode tornar-se bastante prejudicial. Em nossos trabalhos de campo, tivemos bastante contato com esta questão. Chegando em Cubatão, por exemplo, nos demos conta de que mais tecnologia não leva necessariamente a mais bem estar. Já no primeiro ano havíamos conhecido esta idéia, quando estudamos a agroindústria da cana e o impacto da mecanização nos trabalhadores rurais. Mas em Cubatão a opressão tecnológica sobre o corpo humano parece nos sensibilizar ainda mais, talvez pelo ambiente mais urbano do que rural, mais familiar do que distante... O "olhar de estrangeiro" sobre nossa própria realidade pode gerar algumas percepções desconcertantes. Tais observações servem, para alguns, de argumento contra a tecnologia e a ciência, numa espécie de desejo umbilical, uma "volta ao estado de natureza" ou algo do tipo. Mas as coisas não são tão simples assim. Afinal, desde que o homem é homem, a técnica é técnica. A evolução da mão e do cérebro, assim como utensílios encontrados em sítios arqueológicos, nos evidenciam esta íntima e antiga relação. O que seria do gênero homo se não houvesse recorrido ao uso de objetos e refinadas técnicas de comunicação? O humano nasce junto com o simbólico e o técnico. Não faz sentido abandoná-los agora. O que fazer, então? Em primeiro lugar, precisamos entender um pouco o lugar das coisas. A técnica tornou-se, hoje, tão poderosa e impactante justamente pela sua "simbiose" com o símbolo. Ou seja, da fusão de conhecimentos técnicos e modelos matemáticos do mundo (principalmente a partir de Newton), nasce a tecnologia e a ciência moderna, um par inseparável. E com o tempo, este par tornou-se um trio. Isto porque nosso modo de vida é de tal forma dependente de objetos - vários deles com funcionamento incompreensível - que existe uma indissociabilidade entre tecnologia, ciência e sociedade. O que fazer diante disso tudo? Voltamos, agora, à nossa questão central. Ou seja: como a ética se insere nesta tríplice aliança? Que escolhas podemos fazer a partir do que sabemos? Quais escolhas consideramos mais corretas? O que queremos, no fundo, é o bem estar, social e individual. Como podemos usar a tecnologia para este fim?
OBJETIVOS O objetivo do trabalho é aprofundar a discussão sobre questões recentes trazidas pelodesenvolvimento científico, com especial atenção à pesquisa realizada no Brasil. Esta meta pode ser analiticamente dividida em duas outras:

1- compreender conhecimentos e técnicas relevantes para certa tecnologia;

2- analisar as questões éticas e possíveis efeitos (e causas, portanto, dado que a cadeia causal é uma cadeia) relacionados ao uso desta tecnologia

Na prática, o grupo deve produzir algum material em formato digital (hipertexto, imagem, áudio, vídeo, animação, etc..) com a finalidade de explicar tecnologias e problematizar seu uso. A escolha deste formato deve-se a dois outros objetivos: 1) desenvolver certas habilidades relacionadas à tecnologia digital acessível a nós, ou seja, conhecer a estrutura básica das páginas da web e saber construir uma; 2) socializar de forma mais ampla os materiais produzidos, através da página do colégio. A idéia é que possamos transcender questões gerais e vagas como "você é contra ou a favor dos transgênicos?" e possamos analisar caso a caso, sem preconceitos, as relações entre a técnica, a ciência, a sociedade e a ética.


PRODUTO

Cada grupo de 4 ou 5 pessoas construirá uma página de internet dedicada ao entendimento e problematização de uma tecnologia específica. Esta página deve conter links externos (como referências científicas e reportagens) e internos (para a produção do grupo). Tal produção, em qualquer formato digital, deve dar conta dos objetivos: explicar e problematizar uma tecnologia, de acordo com as considerações já feitas. A página central (em HTML), deve conter os seguintes itens:
  • informações básicas (Colégio Equipe, série, data, integrantes do grupo, e questão central deste trabalho);
  • questão-problema do grupo (item opcional, pois o grupo pode focar na questão central já dada);
  • tecnologia escolhida pelo grupo;
  • justificativa: um ou dois parágrafos explicando a importância de discutirmos o uso desta tecnologia.

Os dois itens abaixo devem estar na página central como link ou de forma integral, dependendo do que o grupo considerar mais adequado.

  • Conclusão: pequeno texto (hipertexto, de preferência) sintetizando as idéias a que o grupo chegou quanto ao problema proposto. Ou seja: em que contexto esta tecnologia deve ser usada? De que forma fazê-lo? Em que condições o uso destes conhecimentos pode ser prejudicial ao homem? Como estas relações ocorrem no Brasil?
  • Referências: aqui o grupo deve registrar os textos que serviram como base para o trabalho. As referência podem ser bibliográficas (incluindo as informações principais de cada livro ou artigo científico) e digitais (podendo, neste caso, conter um link para o respectivo endereço).

Embora já tenhamos batido algumas vezes nesta tecla, é sempre bom lembrar. Uma das condições para o estudo científico é a transparência das informações: isto refere-se não só à precisão de linguagem (termos técnicos, grau de certeza de cada afirmação, etc) mas também à necessidade de explicitar a origem de cada informação importante. No mundo virtual, isto é ainda mais importante, dado que existem muitas fontes pouco confiáveis, e que o texto produzido estará disponível para o mundo inteiro. Assim, é extremamente importante que o grupo coloque SEMPRE os textos alheios entre aspas, com indicação da fonte. Uma frase que seja. Não há problema algum em usar as palavras de outro, desde que ele permita e que receba o devido crédito. Isto é não só uma questão de método e de princípios científicos, mas também de respeito ao trabalho humano e ao outro.

É também importante lembrar que este trabalho é uma síntese (não um resumo) dos estudos em física e biologia neste semestre. Sendo assim, o produto final, assim como a tecnologia escolhida, deve incluir conceitos, informações e conhecimentos trabalhados nas aulas destas duas matérias. Aproveitem este momento para consolidar alguns aspectos do que estudamos, vinculando-os a questões e temas significativos para o grupo.


TECNOLOGIAS

Os temas abaixo foram escolhidos por suscitarem, hoje, longas discussões a respeito de aspectos éticos e sociais. Além disto, estas tecnologias estão diretamente ligadas ao que estudamos, neste semestre, em física e/ou em biologia. Se o grupo encontrar outro tema que satisfaça a estas duas condições, poderá trabalhar com ele.

  • Robótica: A diferença entre máquina e corpo é cada vez menor. Mesmo a mais complexa das "sub-máquinas corporais", o cérebro, já começa a ser compreendida pela ciência e substituída por aparelhos eletrônicos. O pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis, no início desacreditado na USP, agora fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, desenvolveu uma forma de controlar braços mecânicos apenas com o "pensamento", ou seja, com o cérebro, alguns chips e antenas de rádio. No ano que vem, inclusive, serão lançados videogames mentais seguindo estes mesmos princípios.
  • Automação: podemos pensar, por exemplo, no "leilão digital" para licitações públicas, que garante não só mais economia quanto mais transparência. Outro tema possível é a urna eletrônica, um marco na democracia do país proporcionado pela eletrônica. Será que ela é realmente segura?
  • Internet: esta tecnologia é bem mais próxima do nosso cotidiano. Podemos pensar muitas questões sobre seu uso. Alguns pensadores, como Pierre Levy, consideram-na um meio de se criar certa "inteligência coletiva", embora países como o Brasil tenham, ainda, o analfabetismo como base da exclusão digital.
  • Transgênicos: as questões aqui abrangem a saúde pública (como a produção mais barata de insulina transgênica), a produção de alimentos (como a questão do rendimento da soja round-up), a preservação da biodiversidade (como a "injusta competição" entre o cerrado e o algodão Bt, por exemplo), etc. Os transgênicos podem ser considerados um marco importante na própria evolução das espécies, visto que permitem aos genes romper barreiras até então intransponíveis devido ao isolamento reprodutivo entre as espécies. Inversamente, a longo prazo, a evolução também influencia nos transgênicos. O que fazer com tudo isso?
  • Testes genéticos: a partir do momento em que o genoma humano é mapeado e o proteoma começa a ser mais conhecido, aumentam as correlações conhecidas entre certos genes (alelos, mais especificamente) e certas características humanas ? sejam elas ?físicas ou psicológicas?. Assim, já existe a possibilidade de julgarmos os seres humanos a partir de amostras de seu sangue, pele ou qualquer parte do corpo. A USP, por exemplo, já disponibiliza aconselhamento genético ao público brasileiro. Há muitos tipos de testes genéticos que visam evitar dor desnecessária; por outro lado, alguns pesquisadores consideram preocupante a banalização desta prática. Os testes genéticos estão cada vez mais eficientes, dada a criação de métodos como o chip de DNA. O que fazer com tudo isso?
  • Clonagem: Como escreve Jonny Everson Scherwinski Pereira no início de seu artigo, "Quando Aldous Huxley escreveu 'Admirável Mundo Novo', talvez não imaginasse que algum dia a ciência poderia aproximar-se tanto da ficção de sua obra. Ainda que com possibilidades remotas de tornar-se realidade, a produção de indivíduos em laboratório, tal como prega a obra de Huxley, já ultrapassou a linha divisória entre a ficção e a realidade." As questões diretamente relacionadas à clonagem in vitro ainda estão distantes de nosso cotidiano, referindo a idéias como a criação de um banco de esperma de ganhadores do prêmio Nobel. Estamos discutindo, neste caso, a chamada eugenia. A clonagem também aparece, para alguns, como uma forma de vencer o destino final de todo o ser vivo e encontrar a imortalidade. A empresa Clonaid, por exemplo, que diz já ter feito 3 clones humanos, oferece serviços fundamentados nas seguintes idéias: "Segundo Rael, há três passos para atingir a vida eterna: 'O primeiro passo agora é só criar um bebê. Se você quer ter uma criança por clonagem, você dá uma célula sua e em 18 anos você tem um clone adulto. Mas não é você, porque esse clone pode desenvolver personalidade bem diferente. A primeira parte do passo dois é a criação de um útero artificial. Então, vamos descobrir como acelerar a multiplicação celular. Mas esse clone ainda não é você, porque é só o hardware, só o corpo. Então atingiremos o passo três, que virá da ciência da neurocomputação. Eles estão trabalhando em como ler e como decifrar tudo em seu cérebro: sua memória, sua personalidade, tudo. Nós conectaremos o computador ao clone adulto, então você poderá descarregar, antes de morrer, sua memória e sua personalidade em um clone mais jovem de si mesmo. E essa não é uma tecnologia que virá em um ou dois séculos. Tudo deve vir em 15 a 25 anos". Clonagem humana e ética, de Maurício de Carvalho Ramos.
  • Biotecnologia e medicina: este tema inclui, por exemplo, a questão da obtenção e uso de células-tronco para fins terapêuticos. Em teoria, o uso adequado de células-tronco poderia curar a maioria das enfermidades, visto que o corpo humano é feito de células que estão continuamente se reproduzindo e morrendo. Mais difícil seria curar o tecido nervoso, acostumado a células "não-recicláveis". De qualquer forma, é importante salientar que algumas questões éticas permeiam esta tecnologia e alimentam a discussão atual. Uma outra tecnologia com repercussão semelhante - e surpreendentemente complementar às células-tronco - é a terapia genética, que visa a cura de doenças até então constitutivas, inatas, próprias de nosso ser. Este tipo de tratamento já apresentou resultados positivos, por exemplo, no tratamento de deficiências imunes, cegueira e mesmo câncer. Já chegaram, inclusive, a mudar a "personalidade" de macacos com terapia genética. Um terceiro sub-tema seria, ainda, a possibilidade de se utilizar animais transgênicos em xenotransplantes de órgãos, a fim de aliviar as filas de espera para transplantes e evitar mortes desnecessárias.


LINKS ÚTEIS

Alguns sites relacionados à pesquisa científica no Brasil

http://revistapesquisa.fapesp.br Revista da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

http://www.embrapa.br "A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi criada em 26 de abril de 1973. Sua missão é viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do espaço rural, com foco no agronegócio, por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias, em benefício dos diversos segmentos da sociedade brasileira."

http://www.cnpq.br "O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é uma agência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) destinada ao fomento da pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos humanos para a pesquisa no país."

http://www.sbpcnet.org.br "A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência é uma entidade civil, sem fins lucrativos nem cor político-partidária, voltada principalmente para a defesa do avanço científico e tecnológico, e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil."

http://www.socioambiental.org/home_html "O Instituto Socioambiental (ISA) é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), desde 21 de setembro de 2001". "Fundado em 1994, para propor soluções de maneira integrada a questões sociais e ambientais, o ISA tem como objetivo principal defender bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos"

Alguns artigos "a favor" de certos aspectos da biotecnologia

Microorganismos geneticamente modificados e algumas implicações para a saúde ambiental.

http://www.cib.org.br/ Este site tem como objetivo explícito divulgar os benefícios da biotecnologia. Há, nele, uma carta recentemente enviada ao ministro Sérgio Rezende (MCT), expressando o apoio da comunidade científica à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Biotecnologia Agrícola: Dez Anos de Benefícios e um Futuro Promissor

Benefícios da biotecnologia na qualidade de vida

Revolução genética 'pode ajudar os pobres', diz FAO

Banana pode estar extinta em 10 anos, afirma cientista

Alguns artigos "contra" certos aspectos da biotecnologia

Relatório britânico condena as sementes transgênicas

Este artigo de 2005, em oposição à carta enviada ao ministro (mencionada acima), critica a idéia de que, no fundo, apenas 8 pessoas decidem sobre os transgênicos no Brasil.

Biotecnologia gera novos dilemas políticos

Política de Desenvolvimento da Bioindústria: para quem?

Soja transgênica provoca crise ambiental na Argentina

Essas sementes foram feitas para nos escravizar?

 

Alguns endereços básicos que podem ajudar

 


Esta proposta de trabalho foi desenvolvida pelos professores Rodrigo Travitzki (biologia) e Ana Luiza Sério (física) do colégio Equipe, para o 3º ano de 2007.

O formato assemelha-se à chamada webquest

 


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Autor: Rodrigo Travitzky e Ana Luiza
Última atualização em Ter, 01 de Setembro de 2009 23:56
 

Como o animal se torna humano?

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Webquest
Proposta de trabalho em grupo usando a internet

Objetivo

Levar os alunos a refletirem coletivamente sobre si mesmos, sobre as diferenças e semelhanças entre homens e (outros) animais, discutindo também o início da evolução humana e algumas questões éticas

 

Introdução

O que é ser humano? Poderíamos perguntar, por exemplo: o pastor alemão que salvou dona Dita é mais humano do que o homem que a jogou do barranco? Esta pergunta seria difícil de responder. Felizmente temos, aqui, outro objetivo.

Como se diz, "o homem é um animal racional". Na verdade, hoje "se diz" isso porque, há mais de dois mil anos, Aristóteles escreveu tal frase, que tinha um significado bem específico dentro de sua teoria. É realmente uma idéia fundamental que percorreu a Grécia antiga, o Império Romano, idade média, renascimento, iluminismo, revolução industrial, enfim.

Mas... o que ela quer dizer? Em geral, ao falar a frase, a gente presta mais atenção no "racional" do que no "animal". Por que será? Bem, isto é outra estória. De qualquer forma, o problema que colocamos aqui pode ser resumido assim: como a animalidade se torna racionalidade? Ou seja, como pode um animal ser racional? Os instintos não atrapalham o pensamento? Não há uma diferença fundamental entre os homens e os animais? Como é possível atravessar este abismo que separa o humano do meramente orgânico?

Podemos perguntar, por exemplo: em que momento, na evolução dos macacos, o homem começou a se tornar humano? Há muita controvérsia em relação a isto. Tem quem acredite, inclusive, que toda esta controvérsia é, na verdade, uma evidência da ineficácia da teoria da evolução para explicar a origem do homem - não do seu corpo biológico, mas das qualidades humanas supra-sensíveis, como a razão. Assim, a transformação do animal no homem não poderia ter se dado de forma natural, mecânica, por acaso. Pelo contrário, só seria possível com a intervenção de alguma inteligência extra-terrena - ou seja, não pertencente ao nosso planeta. Bem, é uma hipótese. Eram os deuses astronautas?

Podemos também observar atentamente os homens e os animais em busca de diferenças e semelhanças. Este é um método que requer muito cuidado pois, como dizia o sofista Protágoras, "o homem é a medida de todas as coisas". Ou seja, as pessoas tendem a comparar tudo com elas mesmas, mesmo que não percebam. Dizemos, por exemplo, que o átomo é pequeno e o sol é grande. Falamos também que existe uma "formiga-rainha" e uma "baleia assassina", e isto nos ajuda a dar algum significado para aquilo que não conhecemos bem. Mas depois, quando vamos estudar as coisas mais a fundo, descobrimos que não era bem assim: o grão de areia não é pequeno do ponto de vista de uma bactéria; o sol é apenas uma poeira na imensidão do cosmos. Este é, portanto, um cuidado que devemos ter ao observar e comparar os homens e os animais. Nem sempre as palavras que usamos para descrever o comportamento humano são suficientes para descrever o comportamento dos outros animais.

Bem, estamos aqui levantando algumas questões para o grupo começar a pensar sobre o assunto.

Podemos, por fim, identificar ainda uma outra leitura da nossa questão central, mais filosófica e abrangente. Trata-se da questão dos nossos conflitos internos. Do nosso esforço em superar certos comportamentos que consideramos instintivos e inadequados. Da nossa busca por ser uma pessoa melhor, mais humana.

 

Atividades

O trabalho se iniciará individualmente. Cada integrante deve trazer, na data marcada para início do trabalho coletivo, sua parte individual pronta. Ela será anexada ao produto final.

A parte coletiva deve ser feita de forma coletiva, ou seja, com discussões justas e respeitosas a partir das informações recolhidas individualmente. Não é recomendado, em hipótese alguma, que o grupo divida a parte coletiva em "pedaços" a serem feitos por cada um para depois serem "grudados". Lembrem-se: o objetivo deste trabalho é aprofundar a capacidade de reflexão a partir dos fatos observados.

 

Parte individual:

  1. Responder: em poucas palavras, qual é a principal diferença entre o homem e os outros animais?

  2. Encontrar (e trazer para a aula) um artigo de revista, jornal ou site minimamente confiável, descrevendo algum experimento ou observação de animais e/ou seres humanos. O artigo deve mostrar um "lado humano" dos animais ou um "lado animal" dos humanos.

  3. Identificar as principais informações do artigo

  4. Explicar por que estas informações mostram um "lado humano" dos animais ou um "lado animal" dos humanos.

 

Parte coletiva:

  1. Como se diferencia, normalmente, o homem dos (outros) animais? Façam um quadro simples representando estas diferenças e um texto explicando o quadro - fornecendo também as referências das informações importantes. Antes de mais nada, leiam as partes individuais para socializar alguns fatos e hipóteses relacionados à questão. Estas informações podem ajudar o texto a se tornar mais consistente e interessante. A ideia é não aprofundar muito na crítica nesta primeira questão, apenas explicitar os princípios de opiniões amplamente difundidas acerca das diferenças entre os homens e os outros animais. Alguns temas são especialmente interessantes para este objetivo, como: linguagem, inteligência, organização social, trabalho, saúde, impacto ambiental, cultura, comportamento, sentimento ou liberdade. Os temas podem ajudar na elaboração do quadro e, portanto, na comparação.

  2. Façam uma análise crítica das idéias presentes na questão anterior.

  3. A ciência muda a forma do homem ver os (outros) animais?

  4. Na evolução das espécies, quando o animal se tornou humano?

  5. Como o animal se torna humano? Esta é a síntese do trabalho, que deve articular as idéias anteriores em torno de uma conclusão. Discutam bastante antes de escrever a conclusão: isto é fundamental para que ela não fique superficial. Lembrem-se, esta questão pode ser abordada de diversas maneiras: zoológica (comparando os comportamentos animais que vemos hoje), evolutiva (filogenia), cultural, comportamental, filosófica, ambiental, política, pessoal, etc. O grupo deve escolher o caminho a seguir e responsabilizar-se por ele.

 

Produto Final

O grupo deve entregar, no prazo definido pelo professor, um trabalho com as respostas às questões coletivas e com as partes individuais anexadas (incluindo a reportagem). Com capa, bonito de se ver, claro de se entender.

O grupo deve incluir, no produto final, uma auto-avaliação levando em conta: a) o trabalho do grupo como um todo; b) o trabalho de cada integrante.

 

Regras básicas para um bom trabalho

Quando encontrar um texto bonito em um livro ou site, você não precisa mudá-lo. Aproveite ele! Mas use aspas, itálico e cite a fonte logo depois do trecho citado. NENHUMA FRASE PODE SER RETIRADA DE OUTRO TEXTO a não ser que obedeça a estas regras. E isto não é apenas uma questão de direitos autorais. Trata-se da concretização de um importante princípio científico: ao produzir um conhecimento, você deve fornecer às pessoas os meios para duvidar deste conhecimento. Num experimento, é preciso explicar com detalhes os passos dados para que outros possam testar seus resultados. Num texto científico, por sua vez, é necessário que todas as informações importantes tenham uma fonte, uma origem. Isso permite aos leitores testarem suas idéias, suas interpretações, além de aprofundar e enriquecer a discussão.

No final do trabalho colocamos as "Referências", que podem ou não ser "bibliográficas" (livros). Os sites devem ter o endereço completo e o nome do portal.

Uma boa fonte de referência científicas é o google acadêmico. Mesmo assim, seja sempre crítico em relação ao que lê. Não é recomendado restringir as fontes de pesquisa a sites abertos como o wikipedia.

 

Material sugerido para iniciar a pesquisa

O links e textos abaixo buscam mostrar um pouco da diversidade de abordagens sobre a questão das diferenças e semelhanças entre homens e animais. Você deve analisá-los de maneira crítica, ou seja, buscando inicialmente compreender as idéias do texto (não suas opiniões sobre ele) para depois identificar, ou não, informações conflitantes, frases que contradizem fatos conhecidos, conclusões muito amplas a partir de amostras pequenas, equívocos na interpretação dos dados, etc. O raciocínio crítico é uma arte a se desenvolver.

VOCÊ NÃO DEVE UTILIZAR APENAS AS REFERÊNCIAS ABAIXO COMO FONTE DE INFORMAÇÕES PARA O TRABALHO!

 

*Bicho também é gente* artigos e reportagens mostrando o lado humano do reino animal
http://topicostropicais.net/categoria/bicho-tambem-e-gente/

Dancem, macacos, dancem! (dance, monkeys, dance)
http://br.youtube.com/watch?v=anAYwLwVG3U&feature=related

Animais, homens e sensações segundo Descartes
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-512X2004000200008&script=sci_arttext

Direitos animais
http://wapedia.mobi/pt/Direitos_animais

Qual é a diferença entre o homem e o animal?
http://www.coladaweb.com/sociologia/homem_animal.htm

A diferença entre um Inventor um homem e um animal
http://www.via6.com/topico.php?tid=134471

Humanidade e animalidade - Tim Ingold
http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_28/rbcs28_05.htm

Aristóteles - metafísica e psicologia
http://www.mundodosfilosofos.com.br/aristoteles3.htm

Biologicamente cultural - Vera Silvia Raad Bussab e Fernando Leite Ribeiro
http://pet.vet.br/puc/vera%20bussab.pdf

 

Veja alguns trechos interessantes que podemos encontrar na rede:

 

 

"O trabalho é a fonte de toda riqueza, afirmam os economistas Assim é, com efeito, ao lado da natureza, encarregada de fornecer os materiais que ele converte em riqueza. O trabalho, porém, é muitíssimo mais do que isso. É a condição básica e fundamental de toda a vida humana. E em tal grau que, até certo ponto, podemos afirmar que o trabalho criou o próprio homem." Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem

Friedrich Engels

"O governo britânico apresentou hoje um projeto de lei que autoriza pela primeira vez o uso de embriões híbridos de humanos e animais para fins de pesquisa. Em virtude dessa iniciativa legal, que ainda deverá passar pelos trâmites parlamentares, os cientistas poderão criar embriões que seriam 99,9% humanos, mas com uma fração de genes de animais."

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL37959-5603,00.html

 

"Há um ponto em que se confundem corridas de carro, futebol, desfile de moda, filmes, shows de rock, literatura best seller, partidas de tênis e basquetebol. Em quase todas as práticas esportivas busca-se menos uma depuração do corpo e do espírito do que o lucro financeiro. Roger Federer, tenista número 1 do mundo, numa entrevista à Veja, ilustra bem essa motivação, quando diz: "Adoro carros esportivos e me ligo cada vez mais em roupas de marca. Só viajo de primeira classe. Ter dinheiro faz com que a vida seja muito mais fácil." Sem dúvida, é bem melhor e mais fácil viver com dinheiro. Questiono, se é justo pagar-se tanto a pessoas com habilidades técnicas que, segundo Nietzsche, estariam mais próximas de fazê-las retornar ao animal do que superar o homem."

http://www.continentemulticultural.com.br/revista051/materia.asp?m=Entremez&s=1

"No nosso dia-a-dia é comum ouvirmos frases em que aparecem comparações entre o homem e o animal. Se bem observarmos, veremos que geralmente ocorrem essas comparações para se definir uma situação difícil, como por exemplo: "Aqui me tratam como a um cachorro!" ou "Hoje trabalhei feito um cavalo!".

http://www.apasfa.org/futuro/hxa.shtml

 

 

 

Este trabalho foi feito para os alunos da 2a série do Ensino Médio do Colégio Equipe.


Fonte: Rodrigo Travitzki - topicostropicais.net


Voce pode usar este texto livremente, desde que cite a fonte e não o comercialize.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Última atualização em Seg, 08 de Abril de 2013 15:00
 


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A sua escola tem (tinha) muito "decoreba"?
 

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