Políticas Estaduais de Educação

O “ranking do ENEM” às vésperas da primeira década
Políticas públicas de educação
Dom, 18 de Outubro de 2015 22:15, Escrito por Rodrigo Travitzki

O valor mercadológico do “ranking do ENEM” é inquestionável, até porque o mercado sabe o real valor de um exame de admissão para universidades boas e gratuitas num país como o Brasil. Mas o valor “científico” destes dados, por outro lado, é bastante limitado. Não se pode, por exemplo, afirmar coisas básicas como “a nota de São Paulo melhorou no ENEM e portanto São Paulo melhorou”. Um tipo de erro que tem sido bem comum, aliás. No Pós Doutorado que acabo de terminar, não usamos os dados do ENEM para comparar escolas, exatamente porque notamos muitas limitações. Acabamos usando os dados da Prova Brasil (também do INEP), mais confiáveis para esta finalidade.

É preciso, portanto, ter consciência das limitações dos resultados do ENEM, relativizar todo o apelo mercadológico que eles acabam representando. Os resultados se aplicam aos indivíduos e só nesse nível tem alguma “garantia científica”. O todo e as partes são coisas diferentes. Além disso, é preciso ter em mente que o mundo real, aquele que importa, vai muito além dos rankings e vitrines.

Leia mais...
Ranking de escolas teve efeitos perversos nos EUA
Políticas públicas de educação
Sex, 29 de Novembro de 2013 12:12, Escrito por Rodrigo Travitzki

Disponibilizo abaixo um texto recente de Diane Ravitch, que foi uma das grandes responsáveis pelas políticas de ranqueamento de escolas nos Estados Unidos e, depois de analisar os resultados dessas políticas, tornou-se uma grande crítica das mesmas.


Por que nós ranqueamos e taxamos alunos, professores e escolas?

Por Diane Ravitch
(tradução livre para o Rizomas)

Estive pensando ultimamente por que estamos tão obcecados dando a cada aluno, cada professor e cada escola um ranking, classificação e/ou série.

Parece-me que estamos a pensar em crianças, professores e escolas da mesma maneira que nós pensamos sobre equipes esportivas. Em cada liga, há vencedores e perdedores.
Mas se pensarmos a educação como uma cultura que é muito diferente da de uma liga esportiva competitiv
a, então a imagem e as perguntas mudam.
E se pensamos em escolas como se elas
fossem semelhantes às famílias?

Leia mais...
Governo de São Paulo não quer compartilhar informações sobre as escolas
Políticas públicas de educação
Sex, 08 de Março de 2013 17:13, Escrito por Rodrigo Travitzki

No mundo todo, as escolas estão sendo chamadas para prestar contas de seus serviços e diversos estudos internacionais mostram que a transparência das informações sobre as escolas tendem a auxiliar na melhoria da qualidade do ensino. É seguindo essa onda que os governos no Brasil resolveram começar a publicar resultados das escolas nos exames, como o ENEM. Mas a transparência de informações não pode ficar restrita aos resultados em exames, até porque eles não dizem muito sobre como melhorar a escola. Na contramão das políticas de educação no mundo, o governo paulista parece preocupado em proteger informações importantes sobre as escolas, que poderiam ajudar bastante na melhoria da qualidade de ensino. O artigo "Os arquivos confidenciais das escolas", de Helena Singer, discute bem esta questão.

Leia mais...
Nível socioeconômico determina ranking de escolas e estados no ENEM
Políticas públicas de educação
Dom, 21 de Outubro de 2012 12:53, Escrito por Rodrigo Travitzki

De acordo com os resultados que obtive até agora em meus estudos de doutorado, o ranking de escolas do ENEM informa mais sobre as condições familiares dos alunos do que sobre a eficácia das escolas. Isto não é uma exclusividade do ENEM, não é um "defeito" deste exame, pelo contrário, é a tendência geral quando se avalia escolas a partir de provas individuais. Segundo a literatura científica internacional, esta influência das condições socioeconômicas da familia é sempre alta, varia de 70% a 95%. Meus resultados indicam que no ENEM 2009 foi em torno de 80%.

O que isto significa? Aí já entramos num terreno mais controverso, pois há diversas formas de interpretar estes dados. O que dá pra dizer, com alguma certeza, é que precisamos tomar cuidado ao valorizar demais este tipo de ranking, precisamos ter cautela ao pautar nossas decisões privadas e públicas com base nestas informações, porque não sabemos muito bem o que está sendo informado.

Leia mais...





Para que serve a educação?
 

Selecione uma palavra-chave