Uniban e as universidades "de mentirinha": tudo menos educação

Dom, 08 de Novembro de 2009 14:17 Rodrigo Travitzki Políticas públicas de educação
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Para além de minissaias, loiras, jovens revoltados com a própria libido e escândalos midiáticos, o episódio da aluna da Uniban tem muito a nos ensinar. Ontem, descobri que ela foi expulsa desta "universidade", e ainda com o argumento "pegagógico" de que "a educação se faz com atitude e não com complacência". Bem, se a Uniban sabe o que é educação, isto é novidade pra mim. Até onde sei, a Uniban é uma empresa que serve para dar lucro, não para educar. Educar não dá lucro. Cursos de especialização sim, mas não universidades.

O artigo abaixo, retirado do portal do Luis Nassif, desenvolve melhor esta idéia. A febre por diplomas universitários (um problema da cultura brasileira) unida à política de "democratização" do ensino superior (o "liberou geral" instituído pelo MEC logo após a nova LDB) produziu esta barbárie no ensino superior. Para se ter uma idéia, no Brasil há quase dez vezes mais faculdades de direito que nos EUA (que é a "terra dos advogados") e há mais faculdades de medicina que em toda a Europa. Os jovens perdem tempo e dinheiro com cursos "de mentirinha", enquanto os donos enchem o bolso de dinheiro. Confira no artigo de André Araujo. Ah, e podem esperar que no próximo mês alguma revista de fotos femininas fará um "ensaio sensual com a loira da Uniban".


A fábrica de alunos da Uniban

Por Andre Araujo

Esse tipo de universidade existe por todo o Brasil. Tres sujeitos ricos mas de escassa educação se reunem em uma praia e discutem: pessoal, temos que investir esse dinheiro, vamos abrir uma igreja, uma universidade ou uma concessionária Volks?

É desse tipo de gente que saem essas universidades.

A Uniban fazia uns anuncios na radio Bandeirantes aonde falava o vice-reitor. Como dizia sabiamente George Bernard Shaw, a linguagem é o melhor documento de identidade. O portugues do sujeito era de quiosque de praia, E era vice-reitor.

São universidades caça-niqueis, não tem qualquer espirito universitario, qualquer compromisso real com a educação, tendo capital se compram predios em leilões mal cheirosos, moveis de 3ª, professor acha com facilidade, pagou e dão aula, depois é só investir em marketing. Não tem e nunca terão espirito de universidade porque não são lideradas por educadores de verdade e sim por comerciantes para quem tanto faz escola como posto de gasolina.

Esse foi o maior erro do MEC e do CFE au autorizar esse tipo de falsa universidade. O requisito principal deveria ser o dos organizadores do empreendimento, que curriculo tem, isso é mais importante do que o dos professores e hoje não é filtro para autorizar a instituição. Não é só essa do ABC, no Rio tambem há universidades criadas por comerciantes de qualquer coisa e uma delas é das maiores do Rio.

Então esperar espirito universitario dentro de um negocio de bicheiros, sucateiros ou donos de empresas de transporte de carga, seria demais.

E não se culpe a globalização. Universidade na Europa e nos EUA é coisa séria, a esmagadora maioria não tem fins lucrativos, são fundacionais e são rigorosamente avaliadas pelo publico discente, ninguem investe em coisa ruim quando escolhe universidade para os filhos, nos EUA é rara a universidade que tenha menos de 70 anos de fundação, as grandes tem dois seculos, na Europa idem.

Por causa dessa liberalidade excessiva, confundida com democratização do ensino, temos hoje no Brasil mais de 1.200 faculdades de direito, contra 182 nos EUA e temos no Brasil mais faculdades de medicina do que toda a Europa. Estamos enganando jovens e seus pais, formando falsos preparados para nada, uma legião de desempregados diplomados, na recente inscrição para emprego de garis no Rio se inscreveram 2.000 com curso superior.

Quando aqui se discute a decisão sobre essa jovem expulsa da Uniban esta se discutindo coisa errada.

Não foi uma universidade que a expulsou indevidamente, foi um local onde era uma fabrica que faz de conta que é universidade e acha que com isso mantem a aparencia de ambiente familiar, como nos antigos “”reservados”” de bares de subuirbio, devem achar que é bom para o marketing, o ABC é de fato uma região bem conservadora.

Fonte:

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/11/08/a-fabrica-de-alunos-da-uniban/

 

Última atualização em Qui, 19 de Novembro de 2009 13:08