Ecologia, economia, política: antes de melhorar, vai piorar um pouco

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Até os mais otimistas não conseguem, com um mínimo de realismo, dizer que vai tudo bem com a humanidade, que nosso futuro é promissor e que estamos caminhando na rota certa. Por incrível que pareça, a contradição inerente ao capitalismo é praticamente consenso há mais de um século. Ouvimos muitas frases como "precisamos de uma mudança estrutural", "vivemos uma crise de paradigmas", "o neoliberalismo é inviável", mas raramente ouvimos frases mais afirmativas, do tipo "Dadas estas contradições, eu proponho que...".

 

Não há muitas propostas alternativas, ao menos em nível macro. Em pequenos grupos, é bonito ver como as pessoas inventam formas de serem felizes e darem sentido às suas vidas, mesmo com as limitações do mundo moderno. Mas estamos sujeitos a forças muito grandes. No nível global, as corporações dominam as nações (veja o filme "the corporation") e os seres humanos ainda não aprenderam a viver democraticamente. Os problemas políticos, ecológicos e econômicos se misturam em grandes bolas de neve descontroladas.

Pois é, como otimista, o máximo que consigo dizer é "antes de melhorar, vai piorar um pouco".

Escrevi estas palavras depois de ler o artigo "um mundo que se racha", de Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa, na Carta Capital. Veja a seguir o trecho final:

"A escassez de petróleo e matérias-primas – e suas conseqüências inflacionárias em todo o mundo – parece neste momento o problema mais urgente da economia global, mas se fosse miraculosamente resolvido, a deterioração do ecossistema mundial seria ainda mais rápida. Se com o petróleo a 130 dólares o mundo já sufoca em gás carbônico, o que seria com os 5 dólares que The Economist previa nos anos 90? A humanidade precisa ter o máximo cuidado com o que deseja neste momento. 

O esgotamento dos materiais não renováveis e aos limites físicos das terras disponíveis para a produção dos renováveis está fazendo do mercado global de matérias-primas um leilão entre os desenvolvidos e os chamados emergentes no qual os lances não param de subir, com o risco de fazer os menos emergentes e nada emergentes, submergirem em uma miséria cada vez mais profunda, alimentando – e não só no mundo muçulmano – revoltas, ressentimentos e fundamentalismos tão terríveis que farão os atentados da Al-Qaeda parecerem travessuras de criança pequena. 

Dada a improbabilidade de os ricos aceitarem reduzir seu consumo e a impossibilidade de pobres abrirem mão do crescimento econômico, as perspectivas, neste momento, não parecem nada brilhantes. Não havendo acordo para redistribuir os recursos naturais e racionar os direitos à emissão de gases e poluição, crescerá a tentação de impor interesses pela força. 

Pouco a pouco, mas em ritmo que tende a acelerar, o mundo está tomando consciência de que o atual modelo de consumo e crescimento não tem futuro, sem conseguir conceber outro no lugar. Neste caso, não haverá século americano nem chinês. Há que ter esperança de, em algum momento não muito distante, o mundo altere a rota que tem seguido nas últimas décadas, mas nos últimos 14 anos só fez acelerar a corrida para o abismo.
"

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Última atualização em Sáb, 24 de Dezembro de 2011 13:18  


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