Agricultura familiar: volta ao passado ou visão de futuro?

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Como muitos, o debate sobre a agricultura familiar tende a se polarizar em torno de idéias exageradas da realidade. Para alguns seria a grande solução das questões sociais e ecológicas, enquanto outros a consideram um atraso, uma negação à ciência e ao desenvolvimento, um idealismo ingênuo.

Mas a questão é bem mais complicada. Como se sabe, a agricultura familiar pode causar danos ambientais quando feita de qualquer maneira. Para fazer direito, é necessário conhecimento (e muitas vezes investimento financeiro). Assim, o "lado bom" da agricultura familiar não é necessariamente bom. Pois bem, o que apareceu de novo, ao menos para mim, é que o "lado ruim" também não existe de forma absoluta. Segundo o Blog do Luis Nassif (no Projeto Brasil), esta forma artesanal de produzir alimentos está voltando a ser valorizada. Veja só:


 

A agricultura familiar

Um dos pontos-chave da nova ordem mundial será a questão da agricultura familiar como motor da produção de alimentos. Ignacy Sachs já chamou a atenção várias vezes para isso.

Hoje, matéria do The Wall Street Journal, publicada no Valor, endossando a mesma tese. A questão é que o agronegócios têm uma dinâmica global, preços globais enquanto os países têm rendas diferentes.

A agricultura familiar surge como alternativa de geração de renda e de produção desvinculada das cotações internacionais.

Inflação dos alimentos revigora agricultura de pequena escala

Joel Millman e Roger Thurow, The Wall Street Journal, de Pont-Sondé, Haiti

(...) A crise de alimentos também tem contribuído para uma grande reflexão entre consultores. Instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional estão novamente tratando o investimento em agricultores pobres como uma estratégia de desenvolvimento promissora. Na semana passada, em Roma, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, disse num encontro de emergência da Organização das Nações Unidas sobre a crise de alimentos que aumentar a produtividade agrícola de países em desenvolvimento e reduzir a forme eram altas prioridades para o banco.

Um número crescente de economistas do Banco Mundial está convencido de que a maioria dos países pobres precisa de um setor agrícola saudável como base para uma economia robusta. O progresso manufatureiro que cobriu a Ásia só aconteceu depois que o setor agrícola da região se desenvolveu. E novas pesquisas mostram que investir em agricultor tira mais pessoas da pobreza com mais rapidez do que há muito se pensava. O estudo dos economistas Luc Christiaensen e Lionel Demery, ambos do Banco Mundial, chamado "Down to Earth" e publicado em 2007, concluiu que o crescimento econômico do setor agrícola é pelo menos duas vezes mais eficiente para redução da pobreza do que o de qualquer outro setor.

Essa é uma mudança que vem a calhar para algumas autoridades. "Em todos os meus anos pedindo ajuda, a resposta era: não, agricultura não é uma boa ferramenta para o desenvolvimento", diz Philippe Mathieu, ex-ministro de agricultura do Haiti que hoje chefia a operação haitiana da Oxfam Quebec, uma instituição canadense de caridade. "Hoje é."

Depois que a alta do arroz levou a protestos violentos este ano, o Haiti anunciou que vai subsidiar fertilizantes para rizicultores locais para reverter a queda da produção local. Os governos de El Salvador e da Etiópia estão ajudando a distribuir sementes híbridas para agricultores para melhorar a produção de milho, enquanto por toda a África governos tentam gastar pelo menos 10% de seus orçamentos em agricultura - uma grande mudança (continua).

 

 



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Última atualização em Qua, 02 de Setembro de 2009 00:14  

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