Bauman e a educação atual

Ter, 10 de Novembro de 2015 13:11 Princípios filosóficos
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Em sua extensa carreira, Zygmunt Bauman chegou a abordar diversas esferas da vida em sociedade que a sociologia poderia se meter, inclusive a educação na atualidade. Em relação à educação, althá duas visões sobre a escola e o sistema de ensino que podem ser vistas em seus livros. As informações são da Carta Capital.

Segundo sua obra “Legisladores e Intérpretes: sobre a modernidade, a pós-modernidade e os intelectuais”, a escola seria uma fábrica de ordem. Com uma perspectiva claramente influenciada por Michel Foucault, Bauman pensa o local onde o ensino é praticado como o momento da reprodução da ordem vigente. Ou seja, uma tentativa de manter o mundo de acordo com os planejamentos do Estado.

É aí que a noção do Estado que estatizou diversas responsabilidade que não eram deste aparelho aparece em sua leitura da escola. O Estado teria pego para si a responsabilidade de educar e socializar as pessoas, desta forma, inculcando-lhes as normas vigentes e a estrutura social. Neste ambiente de fabricação do sujeito (sempre submetido a ordem) os professores seriam os mestres e detentores do conhecimento e os alunos somente jarras vazias passíveis de preenchimento.

Em seu livro “A Sociedade Individualizada”, Bauman retorna a essa visão, mas entendendo que esse modelo de escola, que tenta tornar os sujeitos em corpos dóceis e fazer da esfera social algo imutável, está passando por uma crise devido à passagem da modernidade sólida para a modernidade líquida (chamada comumente como a passagem da modernidade para a pós-modernidade).

Já uma segunda visão da educação na atualidade se baseia nela enquanto um produto. A educação na modernidade sólida seria aquilo que pode ser consumido hoje e para sempre (e que é medido segundo a quantidade de tempo gasto em seu exercício de consumo: quem estudou por mais tempo é mais “educado”). Já na modernidade líquida esta visão desaparece, já que a imutabilidade simplesmente não existe.

A crise da educação, desta vez como produto, se dá na inconsistência da data de validade. A educação na atualidade passou a ser um produto perecível, sendo assim, não há como medi-la segundo o tempo de estudo, já que estudar a mesma coisa por 30 anos não garante um estudo linear, com o mesmo foco e com a mesma validade por todos estes trinta anos.

Última atualização em Ter, 10 de Novembro de 2015 13:18