Foucault: escola ou prisão?

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O princípio da instituição prisional, em teoria, é o reestabelecimento do preso. No entanto, esta relação reflexiva, dita pelo próprio discurso do enclausuramento, não é efetiva, não é real. Sabemos, a partir de Michel Foucault, que o funcionamento da prisão cria delinquentes, categoria própria da modernidade, indivíduo preso ao crime e condenado a ser criminoso para sempre – portanto, condenado a ser útil para o Estado eternamente.

É na prisão que a sociedade disciplinar mostra sua última arma: ou o indivíduo se corrige lá, ou passa o resto de sua vida dentro da instituição. O preso é o alvo perfeito da disciplina, é lá que o indivíduo é isolado, forçado a trabalhar e controlado.

O isolamento serve como maneira de individualizar o preso, o retirando de suas companhias. Ao mesmo tempo em que ele se vê desengajado, impossível de confabular, ele não sofre nenhuma influência externa que possa atrapalhar a aplicação da disciplina.

O trabalho é aquilo que dignifica o homem, por isso é forçado ao preso. Não é possível imaginar uma pessoa que coma sem trabalhar, não trabalhar é sinal de vagabundagem, pecado máximo na sociedade cristã em que todos os filhos de Adão são amaldiçoados a retirar o fruto da terra a partir do próprio suor.

Todos os presos estão indefinidamente no cárcere. O controle sobre suas penas está nas mãos dos guardas e dos juízes, que o vigiam, fazem relatórios sobre seu comportamento e determinam a validade de sua pena.

A partir desse tripé de disciplina, o homem se volta contra si mesmo e o poder se inscreve em seu corpo. Friedrich Nietzsche já entendia que o corpo é o grande protagonista humano: é nele em que nascem todas as reações ao mundo externo, é nele em que a potência ganha materialidade.

Não é exatamente essa a situação dentro da maior parte das escolas? A disciplina é imposta no momento em que as crianças não podem se associar, quando elas precisam responder questões de prova oral separadamente, quando brincam segundo regras e horário fixos pela instituição escolar. A prova é a maneira de se dizer que a verdade está fora do indivíduo: a verdade está no professor, autoridade máxima que dirá se aquilo que o aluno respondeu é correto ou não. Cabe ao aluno se adequar.

O corpo é marcado nas entranhas, no osso, no músculo: o poder se inscreve nas crianças de maneira que, quando saem do período escolar, já com seus 18 anos, estão dóceis para o mercado de trabalho. Como transformar o corpo? Como insubordinar? Esta é a questão que precisamos responder.

Vinicius Siqueira é editor da revista eletrônica Colunas Tortas.

Última atualização em Ter, 10 de Novembro de 2015 13:19  


Estudar filosofia é importante para ser um cidadão?
 

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