"O comunismo sempre salva o capitalismo", diz Delfim Netto

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Muito se debate sobre as diferentes utopias, como socialismo, comunismo, "capitalismo humano" (sei lá se existe este conceito), ou mesmo democracia... enfim, as diferentes formas de se imaginar um "mundo perfeito". Uma idéia, um alvo a ser buscado, uma bússula para caminhar. As discussões sobre utopias muitas vezes (como qualquer outra) tomam a forma de uma "briga de torcidas", o que não é muito adequando à razão, à ciência, etc.

Sendo assim, com o humilde intuito de engrossar este caldo, coloco abaixo o texto de onde saiu a curiosa idéia presente no título deste artigo. Tive a sensação de que estas idéais podem ser férteis no sentido de tornar menor o abismo entre a realidade e a utopia.


 

Mercado Aberto - "O comunismo sempre salva o capitalismo"

Folha de S. Paulo - 21/9/2008

A decisão do governo americano de fazer uma intervenção radical no mercado para evitar uma crise sistêmica no setor financeiro trouxe à tona a discussão sobre os novos rumos do capitalismo.

O ex-ministro Delfim Netto acha que essa decisão do governo americano para tentar debelar a crise é, na verdade, um aperfeiçoamento da economia de mercado. Para ele, inaugura-se agora uma nova fase do capitalismo.
Nesse novo capitalismo, Delfim diz que a economia pode vir a se tornar uma ciência mais preocupada com o princípio da moralidade, menos dura, mais resistente às imoralidades que, segundo ele, foram praticadas em excesso pelos bancos de investimento.

Na verdade, Delfim diz que esse princípio da moralidade já estava presente na obra do filósofo escocês Adam Smith (1723-1790), considerado o pai do capitalismo, ao criar o chamado "espectador imparcial". Trata-se de uma figura que impõe regras de comportamento adequadas ao capitalista: não roubar, não praticar o monopólio, ter respeito aos cidadãos.
De tempos em tempos, ressurge a figura do "espectador imparcial" para corrigir o curso do capitalismo. A história mostra que, volta e meia, o capitalismo passa por terremotos como o que ocorre agora.

E, na maioria das vezes, o Estado é obrigado a encontrar saídas para salvar a economia de mercado.
Exemplo clássico é o Crash de 29, considerado até agora a maior crise do capitalismo. Delfim lembra, por exemplo, que o presidente Franklin Delano Roosevelt, que governou os EUA de 1933 a 1937, chegou a ser chamado de comunista.
Roosevelt foi quem criou o chamado "New Deal", que foi o nome dado ao programa implementado nos Estados Unidos para tirar o país da recessão com base, principalmente, em investimentos do Estado. Roosevelt sofreu muitas críticas por ter adotado um programa fincado principalmente nos gastos públicos.

Delfim diz que a história se repete agora. De novo, o mercado precisou da mão pesada do Estado para sobreviver. O ex-ministro não se surpreenderia se, dentro em breve, a ação do governo americano for tão criticada quanto foi o "New Deal", de Roosevelt.

"Muitos vão dizer que se trata de uma ação contra o capitalismo. Toda vez que o Estado salva o mercado, ele é chamado de comunista", diz Delfim. "Há livros e livros que provam que o capitalismo só se salva com ações comunistas."
Para o ex-ministro, agora não havia outra alternativa ao governo dos EUA. A crise é essencialmente de confiança, e não de liquidez. O tratamento precisava ser radical e cirúrgico.

Para devolver um pouco de tranqüilidade, Delfim diz que era mesmo necessária uma intervenção forte do Estado para recolher todo o lixo provocado pelos excessos cometidos pelas instituições financeiras. Só assim seria possível restabelecer a confiança do mercado.
"No fundo, o que aconteceu foi que governo americano preferiu deixar de lado a teoria acadêmica e optar pela experiência", diz Delfim.

fonte: http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=458440

Última atualização em Sáb, 24 de Dezembro de 2011 13:24  

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