Por que educar?

Educação é o motor do desenvolvimento: entrevista com Dermeval Saviani

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Retirado do portal da Revista Educação:

por Rubem Barros

Motor do desenvolvimento

É o papel que o autor de Escola e democracia e História das idéias pedagógicas no Brasil, este último vencedor do Prêmio Jabuti 2008, defende para a educação brasileira: o de força motriz da economia.

Dermeval Saviani

Um dos nomes mais respeitados pelos docentes brasileiros, Dermeval Saviani, professor aposentado da Universidade de Campinas, foi um dos vencedores do Prêmio Jabuti de 2008 (na área de educação), com o livro História das idéias pedagógicas no Brasil (Autores Associados, 2007). Na obra, percorre as práticas educacionais desde os jesuítas até os tempos atuais, que classifica como "produtivistas".

Última atualização em Ter, 01 de Setembro de 2009 22:11 Leia mais...
 

Se os tubarões fossem homens - Bertold Brecht

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Texto de Bertold Brecht (1898-1956) disponível no portal
http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=10

Muito bom para refletir sobre a natureza da educação.


Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Última atualização em Ter, 01 de Setembro de 2009 22:12 Leia mais...
 

Educação para a democracia: alguns princípios

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Um esforço sempre presente à prática da autoridade coerentemente democrática é o que a torna quase escrava de um sonho fundamental: o de persuadir ou convencer a liberdade de que vá construindo consigo mesma, em si mesma, com materiais que, embora vindo de fora de si, sejam reelaborados por ela, a sua autonomia. É com ela, a autonomia, penosamente construindo- se, que a liberdade vai preenchendo o “espaço” antes “habitado” por sua dependência. Sua autonomia que se funda na responsabilidade que vai sendo assumida.” Paulo Freire1

Última atualização em Seg, 07 de Setembro de 2009 20:01 Leia mais...
 

Pra que serve a educação?

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Uma pergunta que pode ser óbvia, vazia, desagradável, estimulante ou esclarecedora, dependendo da pessoa. Como professor, não consigo prosseguir meus dias sem pensar nela de vez em quando. E tem sido cada vez mais estimulante e esclarecedor, embora sempre um pouco desagradável.

Há muitas maneiras de responder esta pergunta. Se buscarmos na internet, será dificil encontrar algo de realmente esclarecedor. Claro que deve ter muita coisa boa - o difícil é filtrar a grande quantidade de "pseudo-informações".

Quando lemos os objetivos educacionais/pedagógicos de uma escola qualquer , encontramos sempre mesma coisa. Frases de efeito. Tal como na LDB (veja o texto do prof. José Sergio). Frases que não estão erradas, são até muito bonitas. Mas que de tão vagas, acabam não ajudando muito nas questões e contradições da prática escolar cotidiana.

Mesmo o Instituto DNA Brasil, que reúne bons profissionais e produz publicações interessantes (eu, pelo menos, gostei do livro “DNA Educação”), não consegue sair das frases de efeito. Como no trecho abaixo, proveniente de um debate em torno da questão “pra que serve a educação”:

Não existe ensinar. O aluno deve aprender a aprender, e sozinho, porque é isso que ele fará o resto da vida (...)

a educação deve ser responsável pela formação de um pensamento crítico, e todos concordaram que ela deve ser responsável pela formação pessoal e humanista dos futuros cidadãos do país.

Como fica o professor frente a estas afirmações? Que significado dará às suas ações diárias? A forma com que cada um imagina a finalidade da educação é o que dá sentido à prática escolar cotidiana. Afinal, pra que serve a educação? Eis uma questão difícil. Vejamos uma outra abordagem possível. Para que a educação não serve? O que não queremos que a educação produza? Esta questão já foi feita por muitos grandes pensadores. Destaco aqui, para finalizar, um belíssimo texto de Adorno, retirando dele alguns trechos para tornar mais fácil a digestão. Se você gostar destes trechos, aproveite para ler o texto todo aqui.

 

 

EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ

Theodor Adorno
Tradução:
Wolfgang Leo Maar

A exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação. De tal modo ela precede quaisquer outras que creio não ser possível nem necessário justificá-la.”

Quando falo de educação após Auschwitz, refiro-me a duas questões: primeiro, à educação infantil, sobretudo na primeira infância; e, além disto, ao esclarecimento geral, que produz um clima intelectual, cultural e social que não permite tal repetição; portanto, um clima em que os motivos que conduziram ao horror tornem-se de algum modo conscientes.”

Penso até que a desbarbarização do campo constitui um dos objetivos educacionais mais importantes. Evidentemente ela pressupõe um estudo da consciência e do inconsciente da respectiva população. Sobretudo é preciso atentar ao impacto dos modernos meios de comunicação de massa sobre um estado de consciência que ainda não atingiu o nível do liberalismo cultural burguês do século XIX.

Para mudar essa situação, o sistema normal de escolarização, freqüentemente bastante problemático no campo, seria insuficiente. Penso numa série de possibilidades. ”

Mas aquilo que gera Auschwitz, os tipos característicos ao mundo de Auschwitz, constituem presumivelmente algo de novo. Por um lado, eles representam a identificação cega com o coletivo. Por outro, são talhados para manipular massas, coletivos, tais como os Himmler, Höss, Eichmann.”

Finalmente, o centro de toda educação política deveria ser que Auschwitz não se repita. Isto só será possível na medida em que ela se ocupe da mais importante das questões sem receio de contrariar quaisquer potências. Para isto teria de se transformar em sociologia, informando acerca do jogo de forças localizado por trás da superfície das formas políticas. Seria preciso tratar criticamente um conceito tão respeitável como o da razão de Estado, para citar apenas um modelo: na medida em que colocamos o direito do Estado acima do de seus integrantes, o terror já passa a estar potencialmente presente. ”

Eis um importante objetivo da educação: evitar a barbárie. Não ajudar a produzir as causas da violência extrema entre seres humanos. Isto já nos dá o que pensar.

Alguns trechos merecem um pouco mais atenção, como a questão do "nível de consciência".

Mas por enquanto, creio que já seja suficiente. Como diria o mestre Maurício Mugilnik, vamos dormir com estas questões e ver como acordamos amanhã. Se você tiver alguma resposta a questão “pra que serve a educação?”, aproveite para deixar seu comentário abaixo.

 

Última atualização em Dom, 27 de Junho de 2010 14:20
 


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