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Escola Amorim Lima

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Alunos:
Ana Beatriz Reggiani
Daniel Simões
Júlia Mente
 

 

EMEF Desembargador Amorim Lima

 

Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros
desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são
pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode
levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre
têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque
a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.
O que elas amam são os pássaros em vôo.
Existem para dar aos pássaros coragem para voar.
Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque
o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser
ensinado. Só pode ser encorajado”.

Rubem Alves

 

Informações Gerais

A escola fica na Rua Professor Vicente Peixoto, 50, Vila Indiana, na cidade de São Paulo. O projeto escolar tem como princípio a autonomia dos alunos e a solidariedade, tentando quebrar a imagem da escola, criando uma iniciativa de ensino diferente. A escola começou a implantar esse tipo de ensino no ano de 1996, com a entrada de Ana Elisa Siqueira, diretora e responsável pelo projeto.

Formas de contato: Telefone: (11) 3726-1119 / 3726-1119

Email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Conhecendo a Proposta

            A escola nasceu no ano de 1956, mas ainda não tinha o mesmo nome de hoje e nem se situava no mesmo endereço. Em 1968 a escola se tornou aonde é atualmente e recebeu seu nome. O ensino ainda era o mesmo implantado em todas as escolas tradicionais padrão, foi apenas em 1996 que a escola começou a mudar de aparência. A atual diretora da escola passou em um concurso e foi aceita como diretora da instituição. Baseando-se no tipo de ensino da escola portuguesa Escola da Ponte, a diretora começou a realizar mudanças radicais ao observar como o convívio na escola funcionava.

            Ana Elisa percebeu que algumas atividades não eram as mais adequadas em um ambiente de ensino como a relação concreta de aluno/escola. Suas primeiras mudanças foram fazer os alunos passarem mais tempo na escola, derrubar as paredes criando grandes salões de aula, pintar a escola de cores alegres e tirar o alambrado do pátio que cercavam os alunos no pátio durante o intervalo. A escola passou a oferecer mais atividades extracurriculares, e contando com o engajamento de alunos, pais e professores criaram-se diversas oficinas e aulas como de capoeira e teatro. E, além disso, também passaram a organizar mais eventos e festas, que só envolviam cada vez mais pessoas.   Os recursos da escola para a realização das atividades e a manutenção do local, muitas vezes vêm tanto do governo como do apoio financeiro externo para alguns projetos. Um dos projetos chamado ‘Crer para Ver’ recebeu apoio da Fundação Abrinq, e hoje recebe da Fundação Camargo Correia. O envolvimento da comunidade também é grande, principalmente nas oficinas e nas organizações de eventos, contando com muito trabalho voluntário.

            Durante a época de 2001 e 2003 a escola passou por alguns problemas em relação à resposta dos alunos quanto ao sistema implantado. Percebeu-se que havia grande número de faltas na maioria das salas e indisciplina. Para lidar com os problemas a escola começou a realizar inúmeras conversas tendo presentes os pais e professores para socializar os problemas encontrados e procurar meios para solucioná-los. Foi percebido que a ausência dos professores era alto fator influenciador na ausência dos alunos e que a proposta teórica da instituição não combinava com a sua prática. Sendo assim, a escola convidou a psicóloga Rosely Sayão para procurar modos de resolver os problemas. Foi nesse momento que o projeto de ensino da Escola da Ponte foi citado e a partir deste, os educadores da Amorim puderam melhorar o funcionamento da escola.

            O projeto da escola em relação a educação se baseia em dar aos alunos, no começo da cada ano letivo, apostilas com roteiros de pesquisa, adequadas a idade e série de cada um. Os roteiros são um conjunto de atividades simples que os alunos deverão cumprir, tanto na escola quanto em casa – muitas vezes ficam nos grandes salões da escola, sendo auxiliados pelos professores que revezam entre todos esclarecendo as possíveis dúvidas-, podendo utilizar de diversos materiais de pesquisa como livros didáticos, textos extras ou filmes. Os alunos lêem os objetivos, desenvolvem as atividades nas fontes recomendadas e respondem o caderno, cumprindo objetivo por objetivo até finalizar o roteiro. Quando eles já têm todos os roteiros finalizados, eles fazem um portfólio, ou seja, um grande resumo de tudo que aprenderam, e é a partir deste portfólio que o tutor poderá também avaliar seu aproveitamento.  Além dos roteiros os alunos são incentivados a participar das oficinas disponíveis: texto, matemática, dança, educação física, artes, entre outras. São essas oficinas que mais se aproximam dos métodos de aulas tradicionais, com grupos de 25 alunos recebendo orientações específicas de cada professor e desenvolvendo atividades em conjunto. A falta de aulas expositivas de Geografia, História e outras matérias não é prejudicial, os alunos são orientados para se esforçarem para cumprir os objetivos dos roteiros e tiram as duvidas tanto com os colegas do grupo, quanto aos professores que circulam pelo salão os orientando, explicando conceitos e fazendo as devidas correções.  A existência de um tutor específico para os alunos faz com que eles recebam uma atenção especial, corrigindo seus erros e criando técnicas e atividades para melhorar o desempenho de cada um. Para o projeto, a construção do conhecimento se dá na relação entre os alunos e o mundo, o que faz com que a troca de conhecimento entre os alunos também seja fundamental. Tal projeto também faz com que o aluno tenha uma relação maior com o conteúdo, não o fragmentando de acordo com as disciplinas, mas tendo uma noção mais ampla e que pode relacionar várias matérias ao mesmo tempo.

            Hoje em dia, o Projeto pretende continuar executando bem e obtendo bons resultados com a educação de seus alunos, assim como promover cada vez mais atividades que envolvam tanto os próprios estudantes, como a comunidade inteira. Os calendários da escola estão sempre cheios de festas, rodas de capoeira, oficinas de cultura, e um conselho aberto da escola para que todos possam opinar e auxiliar o desenvolvimento do projeto.

 

Discussão

Analisando a proposta educacional feita pela EMEF Desembargador Amorim Lima e os nossos próprios anseios por um sistema educacional diferente, nossa utopia se baseia em ter uma melhor educação que seja responsável por incluir na vida da criança – desde seus primeiros anos educacionais – os conteúdos de uma forma que os estimule a vencer os próprios desafios, que crie também uma noção de cidadania, troca de conhecimento e visões mais amplas dos conteúdos, de forma a relacionar em um só tema diversos aspectos de nossa vida. O projeto também tem uma carta de princípios que se inseridas na educação com eficácia é responsável por gerar melhores cidadãos ao mundo e uma consciência coletiva que é muito necessária nos dias atuais.

Sendo assim, o grupo definiria como utopia um projeto educacional construído pelos alunos, e não completamente definido pela instituição escolar. Ou seja, os “pés” da instituição seriam os alunos, e não a própria instituição. Levando em conta que no colégio Amorim Lima o sistema de estudo é muito diferenciado se comparado a outras escolas, pois valoriza a completa autonomia dos alunos, há uma grande liberdade destes em decidirem o próprio rumo e tomar aquele que mais consideram benéfico referente aos seus métodos de estudos. Assim o rumo tomado pela escola depende da organização de cada um dos alunos.

A Amorim Lima, através de sua trajetória tem se mostrado muito eficiente, no sentido de que cumpre com suas propostas educativas, formando alunos, em cidadãos dedicados e autônomos. Além disso, pelo fato de ser um colégio público, a tamanha organização e seu funcionamento é um tanto quanto impressionante. Porém, ainda sim, todo projeto tem suas falhas. O Colégio por visar tanto à autonomia do aluno, não tem projetos adaptativos para alunos que em um primeiro momento não se enquadram ao sistema educacional externo, o que acaba por excluir alunos de uma instituição de ensino público de qualidade.

As propostas educacionais que levam em conta a troca de conhecimento, a propagação de valores de cidadania e uma consciência crítica desde o começo são essenciais para que esse novo tipo de ‘sistema educacional’ se propague e ganhe mais força. Desse modo, os alunos também não sofreriam dificuldades ao tentar se adequar aos sistemas de ensino externos e mais tradicionais. A ideia de que o todo é maior que a soma das partes se torna maior do que o todo toma exemplo no que acontece dentro do projeto educacional da escola Amorim Lima, onde a soma de todos os alunos ainda é importante - cada um com seus próprios objetivos e conhecimentos -, mas com a socialização destes e a troca de conhecimento formam algo muito maior, que como instituição ganha mais força e torna o todo maior que a soma das partes. A iniciativa oferecida por algumas escolas de fazer com que os alunos tentem chegar a soluções para os problemas apresentados também traz um grande diferencial para o sistema educacional de uma escola, e, talvez por nosso projeto educacional trazer muitos valores semelhantes isso tanto nos ajuda a realizar o próprio trabalho de utopia, como nos oferece a possibilidade de olhar ao nosso tempo e ver características que não nos satisfazem completamente e pensar em ações para mudar isso.

 

Referências

http://amorimlima.org.br/

http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u908.shtml

http://amorimlima.org.br/institucional/principios-de-convivencia/

http://revistacrescer.globo.com/Crescer/0,19125,EFC1047381-2216,00.html

 

 

Última atualização em Ter, 22 de Setembro de 2015 16:38  

Cidadania


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