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Ação Educativa

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1- Informações gerais

A Organização Não Governamental (ONG) Ação Educativa tem como objetivo “promover os direitos educativos e da juventude, tendo em vista a justiça social, a democracia participativa e o desenvolvimento sustentável no Brasil”. (Retirado do site oficial, www.acaoeducativa.org).  Eles atuam através de cinco programas: Educação de Jovens e Adultos, Ação na Escola, Observatório da Educação, ação na justiça e Pesquisa e Monitoramento de Políticas. A sede da ONG é na Rua General Jardim, 660, em São Paulo. Os locais de atuação são, além da própria sede aonde são feitos trabalhos mais voltados para as áreas administrativas e jurídicas, além de algumas atividades educacionais e culturais, outras instituições dentro da cidade de São Paulo, como escolas e comunidades.

 

2- Conhecendo a proposta

A Ação Educativa funciona por meio de programas que atuam paralelamente, integrados pela instituição. Desses programas, os que atuam particularmente na área da educação (mais importantes para nossa utopia) são: Ação na Justiça; Educação de Jovens e Adultos; Juventude; Ação na Escola; Diversidade, raça e participação, Observatório da Educação, Espaço de Cultura.

O programa Ação na Justiça tem como objetivo promover o direito à educação, que consta entre os direitos humanos e na constituição, por meio da atuação judicial. O projeto também tem o objetivo de estudar questões relativas ao direito à educação, e difundir para a população em geral informações sobre esse direito.

O programa Educação de Jovens e Adultos está relacionado com a idéia de que a educação deve ser acessível independente da faixa etária. Esse programa atua na formação de educadores voltados para a educação de jovens e adultos, assim como na elaboração de propostas pedagógicas e materiais didáticos com o mesmo foco. Esse programa trabalha também com avaliação de programas nessa área de educação de jovens e adultos, além de pesquisar e monitorar políticas públicas direcionadas à área. As informações obtidas no trabalho com o tema também são socializadas e debatidas, pois o programa participa de redes, comissões e fóruns sobre o assunto.

Tal qual o programa Educação de Jovens e Adultos, o programa Diversidade, Raça e Participação faz pesquisas e elabora matérias relacionados ao tema da diversidade étnica e da discriminação racial e social, e faz também intervém junto ao estado para a criação de políticas educacionais que sejam pautadas na questão de inclusão social e na diversidade.

O programa juventude na verdade é um setor da Ação Educativa que trabalha com outros projetos onde há mais interação entre a instituição e os jovens e educadores, trabalhando na capacitação dessas categorias e levantando questões relativas à educação na juventude, como por exemplo a complexa relação entre trabalho e juventude. Além disso, também trabalha na assessoria de órgão públicos e organizações sociais na implementação de projetos voltados para os jovens.

O Observatório da Educação visa produzir e difundir informações sobre a educação em geral, informações essas que vão além do exposto pela mídia, que segundo a instituição são informações pautadas pelo governo. O programa divulga quinzenalmente um boletim analisando a cobertura jornalística. Novamente, esse é um programa que tenta viabilizar discussões (pela organização e participação em seminários, congressos e outros), notadamente sobre os temas de educação menos discutidos, tais como educação indígena e carcerária. Além do boletim quinzenal, o programa mantém um portal com um banco de dados e faz um monitoramento das propostas dos conselhos municipais e estaduais, cujos dados são colocados na internet em um blog.

O Ação na Escola tem a proposta de envolver nas discussões sobre a educação e no processo de melhoria das condições da mesma aqueles diretamente envolvidos com as escolas: educadores e estudantes.

O Espaço de Cultura é uma parte da ação educativa que abarca outros projetos, e tem como idéia estruturante o reconhecimento da cultura como direito e forma de ação política. Esse setor apoia com seus projetos manifestações culturais que são feitas por grupos das periferias das cidades e\ou que ocorram na própria periferia, entendidas como forma de afirmação da identidade. O programa visa também possibilitar a expansão da produção e do consumo de bens culturais, muito concentrada nos centros, para partes mais periféricas das cidades, pois entende que a cultura é um direito essencial para o exercício da cidadania.

Em cada projeto trabalha um grupo de pessoas, que organiza eventos, a agenda do programa, estuda a viabilidade de ações, faz pesquisas sobre o tema relacionado, e outras tarefas necessárias para cumprir a meta de cada projeto. Os coordenadores de cada projeto se reúnem periodicamente com diretores (eleitos por um conselho de sócios, que tem uma mandato de 3 anos) e coordenadores executivos para discutir o andamento do projeto, e outras questões como o repasse de dinheiro para o mesmo.

A Ação Educativa foi fundada em 1994, por integrantes do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), que atuava junto a movimentos populares e pastorais, que observavam como a questão da juventude não era muito abordada por entidades não governamentais, apesar de os jovens estarem se tornando protagonistas de movimentos sociais. A Ação Educativa surgiu com o intuito de ocupar esse espaço vazio de reivindicação dos direitos educacionais e dos jovens, e de estudo da temática da educação.

Os fundadores da ação educativa traziam consigo a prática de reivindicação de direitos universais junto ao Estado da atuação no Cedi, que aconteceu inclusive no período da Ditadura Militar (a partir de 1974, ano de fundação do Cedi).

Desde 1994 até 1999, a Ação educativa buscou se consolidar como instituição, mantendo muito da identidade herdada do Cedi, ou seja, o apoio a movimentos populares e reivindicação de direitos; nesse período ela funcionava em salas do Colégio Sion. Em 1996, com a discussão acerca da Lei de Diretrizes e Bases, a instituição teve de conseguir uma articulação política maior que aumentou sua capacidade de incidência da instituição junto ao estado e na sociedade civil.

A Ação Educativa também conseguiu nesse período uma sustentabilidade financeira e aumentou o número de funcionários, que somavam 50 no fim de 1999. A idéia da defesa por direitos universais como fundação teórica para a constituição de áreas temáticas ocorreu também nesse início de história.

Em 2000 a Ação Educativa se muda para sua sede própria onde ela se encontra até hoje. O compartilhamento desse prédio com outras instituições e a autonomia que essa mudança trouxe possibilitaram uma expansão da capacidade de atuação da instituição.

Após 2003 a ONG passou a diversificar as fontes de obtenção de recursos, e estruturou de forma aprimorada um sistema de comunicação da instituição, que se apresentou como necessário para realizar a divulgação das informações e idéias formuladas pela ONG. Também a partir de 2003, com a posse do presidente Lula, surgem novas questões na relação da instituição com o governo, principalmente pelo fato de ambos serem de esquerda, e a própria reivindicação de direitos realizada pela Ação Educativa teve de ser reelaborada a partir desse fato.

Na sua trajetória desde então a Ação Educativa adicionou a questão da cultura como um direito, colocou como meta de suas ações a redução das desigualdades (principalmente raciais, de gênero e de renda) e constituiu novas estratégias para buscar suas metas, como continua a fazer, se mantendo aberta a mudanças e ao diálogo e sempre buscando novas informações para se manter atualizada e influindo no cenário educacional do país. Novos projetos e novas relações trouxeram novas questões, novos olhares e novas práticas para o fazer político da instituição.

As pessoas que trabalham na Ação Educativa são pessoas envolvidas no movimento de universalização dos direitos (educacionais, principalmente), que é o mote dessa instituição. A contratação depende da identificação com o trabalho e da necessidade de cada setor.

A Ação Educativa tem uma fonte diversa de recursos materiais, o seu financiamento é feito por diversas entidades: “agências de cooperação internacionais, organismos multilaterais, institutos e fundações empresariais, órgãos públicos e apoiadores individuais”. Um dos desafios que a ONG encontra é o da instabilidade financeira, possivelmente relacionado à essa diversidade de fontes, desafio esse que é uma preocupação frequente em ONGs, e que nessa em particular é uma preocupação contínua, pois para continuar existindo ela precisa desses recursos.

A atuação da Ação Educativa teve diversos efeitos. Entre eles pode-se destacar alguns genéricos, como as formações de educadores já realizadas; as intervenções judiciais para o cumprimento dos deveres do Estado em relação à educação; o fomento de discussões em torno da questão da educação em diferentes espaços; a elaboração de materiais didáticos, pesquisas e propostas pedagógicas; o fomento também à atividade cultural da periferia.

No futuro, a instituição, que tem adquirido valores de justiça ambiental, democracia participativa e diversidade, vê a possibilidade de atuar também nessas áreas. Existe também a pretensão de integrar mais os diferentes projetos, as diferentes áreas temáticas as quais eles pertencem (educação, juventude e cultura) e outros setores que mantém a autonomia político-financeira. Há também a proposta de democratizar mais a estrutura da instituição, para isso novas estratégias de gestão estão sendo elaboradas.

Além disso, a instituição se propõe a continuar lutando para que no Brasil se garanta os direitos educacionais, culturais e da juventude.

 

3- Discussão

A utopia que o grupo formulou seria a de uma educação para todos para formar uma sociedade mais democrática, no sentido de que para haver uma democracia de fato a educação de qualidade é essencial, pois permite melhor consciência do processo democrático, seus mecanismos e como posicionar-se frente às escolhas que somos chamados a fazer dentro dele e frente à própria estrutura da sociedade.

Ao estudar sobre a instituição, passamos a compartilhar de parte da utopia dela, a que diz respeito ao direito à cultura, pois percebemos que o acesso à ela também é importante para o processo democrático, como forma de atuação e conscientização política.

As atividades do instituto Ação Educativa ajudam no rumo a este ideal, porque se dividem em programas que projetam tendências mais igualitárias e democráticas, pressionando o Estado para que demonstre que a escola é, segundo a constituição, para todos igualmente. Introduz o adulto e o jovem a essa crítica e a um ambiente escolar que não seja nocivo ou mal interpretado, excluindo o possível pré-conceito em diversos ramos, como racial e cultural, além do próprio pré-conceito à escola, e que ganhe a noção de que a educação do povo é um dever do Estado, gerando assim um pensamento crítico. Portanto, esses programas ajudariam na formação de uma geração mais crítica, logo, mais democrática, que é o foco de nossa utopia. A Ação Educativa também se move em direção a essa utopia quando fomenta atividades culturais frequentemente pouco incentivadas, aquelas periféricas em relação aos centros urbanos.

A organização da Ação Educativa parece ser bem hierarquizada, e sua capacidade de atuação é limitada pela própria característica de ser uma ONG. Esses são os aspectos negativos.

O que nós consideramos admirável em sua prática é o constante estudo para se manter atualizado nos temas relacionados à educação e aos direitos, e sempre com ações perseguindo a utopia, acreditando que outro mundo é possível e agindo para mudá-lo.

É isso que aprendemos com esse projeto: ainda que haja muitas forças contrárias a mudanças na sociedade, é possível trabalhar para atingir um mundo melhor.

 

Referência:

Site da Ação Educativa: www.acaoeducativa.org.

 

Realizado por: Eloi e João Pedro

Última atualização em Qui, 01 de Dezembro de 2011 01:52  


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