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O Centro Cultural São Paulo e a democratização da arte

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1 – Informações Gerais

O Centro Cultural São Paulo localiza-se na Rua Vergueiro, no bairro do Paraíso, e é um espaço cultural multi disciplinar, oferecendo exposições de teatro, dança, cinema, artes plásticas, música, oficinas, debates e cursos.

Fica entre a Rua Vergueiro e a Avenida 23 de Maio, próximo às estações Vergueiro e Paraíso do metrô (Linha azul e Linha verde/azul, respectivamente). É possível conhecer mais sobre e consultar datas de exposições no site: http://www.centrocultural.sp.gov.br/index.asp

 

O trabalho sobre o Centro Cultural foi desenvolvido por Bruno Ribeiro de Mello, Bruno Top Tiro Rocha Lima e Tainá Sandroni, alunos da 3ª série EM de 2011 do Colégio Equipe, baseado na escolha de uma utopia comum ao grupo, segundo a proposta do professor Rodrigo Travitzki.

2 – Conhecendo a proposta

Concebido inicialmente como uma extensão da Biblioteca Mário de Andrade, da qual possui cerca de um terço do acervo, transformou-se em um espaço de exposições culturais grátis ou de baixo custo muito frequentado.

Desenvolvido pelos arquitetos Luiz Benedito Telles e Eurico Prado Lopes, a construção se estica horizontalmente entre a Rua Vergueiro e a Avenida 23 de Maio. O espaço amplo, aberto, convida quem passa a entrar. Além disso, os vários espaços vazados e envidraçados permitem a entrada de luz natural. A construção também manteve, no centro, um jardim de 700m², onde a vegetação original foi preservada, para quebrar a rigidez de sua estrutura de cimento e aço. O espaço não remete às bibliotecas tradicionais, que racionalizam os espaços em estantes grandiosas, altas e de madeira, onde os livros são peças preservadas como animais empalhados. Pelo contrário, no CCSP as estantes são baixas, na altura dos olhos, de metal fino e simplesmente estrutural, os corredores são amplos entre as estantes, o espaço privilegia a abertura, evitando as paredes.

A arquitetura do Centro Cultural é brutalista e estruturalista, ou seja, ela privilegia as características dos materiais por si só, para realizar divisões espaciais, dar estrutura aproveitando a qualidade própria dos materiais empregados. Uma imagem ilustrativa dessa característica são as paredes inclinadas da biblioteca, feitas de tijolos expostos, as colunas de vigas colossais que aparecem por todo o prédio e a rampa minimalista bifurcada no meio, que unifica visualmente os dois andares de museu e o piso de biblioteca pela abertura igual entre os três andares, que é ampla. O projeto se aproxima mais de um conjunto de praças, pois privilegia a circulação livre, utilização modular do espaço.

Observar o centro cultural é diferente de observar outras estruturas arquitetônicas, como o memorial da América Latina. O Memorial é restringido por uma cerca e todos os seus prédios são visíveis e coesos de qualquer ponto, enquanto o CCSP é uma única estrutura com infinitos pontos de observação, dando vista até mesmo à própria área da burocracia, formando visões sempre diferentes do prédio, sendo difícil definir um ponto de vista que consiga limitar todas as experiências neste espaço versátil. Outra característica curiosa é o fato de não se conseguir medir os andares em térreo, subsolo, primeiro, segundo, etc, uma vez que existem diferentes entradas e não uma única entrada principal, e todas elas se encontram na mesma calçada, enquanto dão acesso a pisos diferentes do prédio, confundindo a visão enumerada de origem cartesiana, sendo assim, os espaços se dividem não por andares, e sim por seu uso.

Por sua localização facilitadora – próximo a avenidas importantes, como a 23 de Maio e a Paulista, e às estações Vergueiro e Paraíso do metrô – e por seus programas, em geral, gratuitos ou de custo acessível, o CCSP recebe uma grande quantidade de visitantes. Em 2009, por exemplo, chegou a receber mais de 819 mil visitantes, dado comparável à visitação dos maiores museus e centros culturais do mundo. Com a lotação das linhas do metrô no período que vai das 16h30 às 20h00 em toda a rede, a programação do CCSP se adequa a essas situações, concentrando a exibição de filmes no mesmo horário, tendo shows gratuitos nessa mesma faixa de horário, além de disponibilizar atividades como dança de salão na costumeira lacuna dos escritórios de horário de almoço. Também possui um das raras oficinas gratuitas de modelo vivo da cidade, disponibiliza cursos gratuitos ou de preço filantrópico para participação mais democrática possível, inclusive tendo alguns cursos que, mesmo com número de vagas limitadas na inscrição, podem ser assistidos por visitantes, devido ao próprio espaço da instituição.

3 – Discussão

Bem, como isso se relaciona e em que medida nos aproxima da nossa utopia?

Por meio das discussões acerca de nosso projeto de utopia, definimos certos critérios que exerceram a função de filtros para não torná-lo superficial ou abstrato demais. Também pensamos em escolhas que seriam de preferência da vasta maioria dos grupos, e que de certa forma saturam nossas mentes quando nos é oferecida a possibilidade de escolher uma ''utopia'', como ''educação para todos'', ''erradicar a corrupção'' ou ''despoluir o meio ambiente''. Portanto, achamos de bom nível que nossa utopia deve ser a democratização da cultura, em específico a arte. Conhecendo o trabalho e a proposta do Centro Cultural São Paulo, em que medida ele nos aproxima, e em que medida ele nos distancia de nossa utopia?

Rompendo com a idealização do museu clássico, o CCSP está, ao mesmo tempo, rompendo com a idealização da arte como algo de elite, algo para poucos, um prazer burguês.

Entretanto, ao fazer isso, coloniza a cultura popular com a cultura considerada erudita, a cultura burguesa. Ou seja, seu projeto de democratização não se completa, embora se aproxime disso, mais por uma questão da arte em si do que por sua estruturação. Isso porque “o fenômeno da coleção perde seu significado quando perde a pessoa do proprietário. Embora as coleções públicas possam ser menos objetáveis socialmente e mais úteis academicamente que as coleções particulares, é só nestas últimas que se faz justiça aos objetos. Sei que o tempo do gênero que estou discutindo aqui e o qual tenho representado diante de vocês um pouco ex officio está se esgotando. Mas, como diz Hegel, a coruja de Minerva só levanta voo quando escurece. O colecionador só é compreendido com seu desaparecimento.”

Não cremos, portanto, que o CCSP falhe em sua proposta, alcançando, de certa forma, uma democratização, ainda que não plena, ainda que um tanto manca. Cremos, entretanto, que tampouco sua forma, menos ainda a forma de museu clássico podem democratizar plenamente a arte, e que o modelo do CCSP é, sim, um avanço importante na visão que se tem da arte e da cultura chamada erudita. É um caminho a ser trilhado, ainda que sem destino concreto, e um lugar a ser visitado.

4 – Referências

  • http://www.centrocultural.sp.gov.br/index.asp
  • BENJAMIN, Walter. Eduar Fich, collector and Historian. In: BENJAMIN, Walter. One-way Street and Other Writiings. Londres: New Left Books, 1979. Tradução Kingsley Shorter. Pp. 355-6.
Última atualização em Qui, 01 de Dezembro de 2011 01:50  

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