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CMI - Centro de Mídia Independente

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1- Informações gerais

A atividade eticamente adequada escolhida pela dupla tem como base a divulgação de informações propositalmente ignoradas pela grande mídia através de um coletivo. Desta forma, o trabalho do Centro de Mídia Independente é a veiculação de conteúdo jornalístico como vídeos, artigos, matérias, fotos e gravações (todo tipo de documentação) dos acontecimentos importantes do mundo inteiro, democratizando a liberdade de expressão e o direito à informação.

O direito à informação é importante no trabalho do CMI, pois é um veículo que não tem fins lucrativos e, portanto, não divulga o que mais lucrará e sim o que mais devemos saber que, por algum acaso, não foi divulgado pelos outros veículos mais conhecidos.

A liberdade de expressão existe no trabalho do CMI a partir do momento que permite que qualquer um publique uma notícia, foto ou vídeo desde que não tenha conteúdo inapropriado. Isso quer dizer que são censurados aqueles artigos, fotos ou vídeos com tendências racistas, homofóbicas, xenofóbicas, pornográficas, violência gratuita  (como xingamentos, denúncias inapropriadas e etc) ou violação aos direitos humanos em geral.

Para se comunicar com o CMI se deve acessar o site www.midiaindependente.org e mandar um e-mail para a central do CMI de sua cidade local (existem vários coletivos locais) ou comparecer às ocasionais reuniões abertas para novos voluntários convocadas geralmente pela rede social do facebook.

2- Conhecendo a proposta

O CMI nasceu junto às Ações Globais anti-capitalistas que se intensificaram entre 1998 e 2003, não tendo uma coordenação central nem objetivos centrais, a não ser lutar contra o capitalismo e construir "um mundo onde caibam muitos mundos". Desta forma, surgiram vários CMI’s  pelo mundo inteiro os quais se comunicavam dando apoio um ao outro (existem até hoje e ainda se comunicam). Neste início de projeto não só participavam de manifestações como as convocavam e depois divulgavam. Em sua maioria, protestos contra a globalização e, portanto, contra acordos capitalistas (como o A20 ou OMC). Um CMI apoiava o outro fornecendo materiais de documentação, planos ou enfim.  É importante ressaltar que a luta contra a globalização é contra a globalização do capitalismo e das empresas, mas existe o desejo da globalização da democracia, dos direitos humanos e de todas as culturas e não apenas de uma só.

Hoje em dia o Centro de Mídia Independente Brasil perdeu seu caráter de luta contra o capitalismo e tem como objetivo maior a divulgação dos movimentos, manifestações, protestos, denúncias, assembléias (etc) que ocorrem contra o capitalismo ou não, mas que tem grande importância política e social e são esquecidas pela grande mídia. A convocação para qualquer tipo de protesto ou o desenvolvimento de algum projeto depende dos membros voluntários de cada CMI, a maioria com poucos fundos monetários.

O próprio CMI Brasil se define:

“O CMI Brasil é uma rede de produtores e produtoras independentes de mídia que busca oferecer ao público informação alternativa e crítica de qualidade que contribua para a construção de uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente.

O CMI Brasil quer dar voz à quem não têm voz constituindo uma alternativa consistente à mídia empresarial que frequentemente distorce fatos e apresenta interpretações de acordo com os interesses das elites econômicas, sociais e culturais.

A ênfase da cobertura é sobre os movimentos sociais, particularmente, sobre os movimentos de ação direta (os "novos movimentos") e sobre as políticas às quais se opõem.[...]”

Resultados obtidos pelos coletivos

O CMI Brasil teve grande relevância em movimentos desde o A20 até 2011 contra o aumento da tarifa do ônibus. O CMI como um coletivo geral teve grande relevância na luta contra o capitalismo, por exemplo, em Seattle se opondo à OMC (Organização Mundial do Comércio) em 1999.

As dificuldades encontradas

Em várias manifestações a resistência dos manifestantes contra a repressão policial era tremenda, chegando a destacar pedras do solo para jogar nos policiais. Enquanto isso, a equipe do CMI garantia a filmagem desses eventos, o que pedia um corajoso câmera-man capaz de filmar a luta e a repressão de perto. Assim, uma das dificuldades encontradas pelo CMI era e ainda é a sobrevivência de seus voluntários que nem sempre é garantida após violentas repressões, como foi o caso do jornalista e voluntário Brad Will, o qual morreu em Oaxaca em 2007 em uma manifestação contra o governo local.

Outra dificuldade encontrada pelos coletivos é como bancar projetos sem ter fins lucrativos. Justamente por isso, por muito tempo quando os coletivos tinham caráter de luta mais forte, um CMI ajudava o outro (mesmo que fossem de países diferentes) levando equipamentos ou voluntários.

Planos atuais e futuros

Os planos atuais e futuros do coletivo continuam sendo a divulgação de principalmente manifestações anti-capitalistas, levando em conta a crise econômica global atual provocada pela crise econômica americana de 2008.

Desta forma, o CMI mundial está passando por um momento importante na divulgação das manifestações e em suas documentações, levando em conta a distorção feita pela grande mídia que interpreta tanto as manifestações quanto as crises com uma única visão: as manifestações são uma balbúrdia que deve ser silenciada e as crises são como todas as outras, apenas passageiras e superáveis.

 

3- Discussão

A utopia discutida pelo grupo, esta que tenta encontrar formas para haver um novo mundo, vai muito além do projeto do CMI ou de seus objetivos. No entanto, encontramos neste coletivo um dos pontos mais importantes do momento em que vivemos no sistema vigente que é a distorção feita pela mídia em relação às notícias divulgadas, controlando a opinião pública, assim como a filtração de notícias tentando atender apenas aos interesses de uma parcela da sociedade e quase obrigando o restante a se interessar pelo mesmo.

Entendemos, portanto, que todos os cidadãos têm direito à informação e, mais que isso, os veículos deveriam ter jornalistas com liberdade de expressão. O grupo como um todo tem um forte contato com jornalistas e a estrutura de revistas, principalmente. Assim, aprendemos em casa como existe uma censura tanto de opinião do jornalista quanto em relação à notícia que deverá ser divulgada dentro dos veículos da mídia. No nosso mundo utópico, todos têm o direito à informação e a liberdade de expressão é concreta.

Acreditamos que para o desenvolvimento de um novo mundo que seja melhor, é necessário que não exista uma mídia controladora, esta que deve servir para divulgar e informar. O CMI, como vimos através de seu histórico e seu projeto atual, é literalmente o que um jornal, revista ou rádio deveria ser.

Assim, discutimos que não podemos acreditar em uma globalização que seja benéfica quando ela é feita em prol de benefícios de uma única específica e mínima parcela da sociedade. Não podemos ter como jornais, revistas e rádios principais os quais tenham uma única tendência e uma única e previsível opinião sobre os fatos. Por fim, não podemos ter veículos de informação que filtrem acontecimentos de acordo com os interesses do dono do próprio veículo. A informação é da sociedade, o jornal, a rádio ou o que for serve para divulgá-la, não distorcê-la ou nos controlar.

Interpretamos, portanto, que vivemos nada mais nada menos que uma ditadura. Onde existe censura, falta de liberdade de expressão (não apenas nos veículos de informação, como vimos a morte de Brad Will pela repressão policial) e, com tudo, um controle da sociedade para que ela não desvie seus interesses em oposição ao sistema. Parte de nossa utopia, a mais viável, seria acabar com a mídia controladora, um pedaço da ditadura. Concluímos, assim, que nossa utopia completa é acabar com a ditadura vigente: a ditadura do capitalismo financeiro.

 

Conceitos importantes para a realização do trabalho

Para a realização deste trabalho nos apoiamos principalmente nas aulas de história e geografia. Ambas puderam explicar como foi se consolidando o sistema atual em suas vertentes política e social. Ensinando-nos, através da história do Brasil, como a mídia neste país sempre teve um caráter filtrador e controlador favorecendo as elites.

Além disso, possibilitaram a análise de ditaduras que nos fizeram compreender a diferença e a semelhança entre aquelas e o sistema atual dito “democrático”.

 

Fontes:

www.midiaindependente.org

Documentário “Brad, Uma Noite Mais Nas Barricadas” (http://videohackers.manje.net/download/brad2007_10_26-PT800.mov)

Paulo Moreira Leite (jornalista)

Última atualização em Qui, 01 de Dezembro de 2011 01:52  


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