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A Arteterapia na Modernidade

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1- Informações gerais

Este trabalho visa a análise da utilização da Arteterapia como alternativa de tratamento para problemas psicológicos, em que cada indivíduo pode encontrar possibilidades de expressão para, através de técnicas e materiais artísticos, processar, elaborar e redimensionar suas dificuldades na vida. A especialização em Arteterapia no estado de São Paulo começou em 1990 no Instituto Sedes Sapientiae, em Perdizes.

 

As redatoras deste trabalho são Mariana Cataldi, Isabella Baldoni e Lílian Decloedt, alunas do terceiro ano do Colégio Equipe, orientadas pelo Professos Rodrigo Travitzki.

Para entrar em contato com o Instituto Sedes e informar-se à respeito da Especialização em Arteterapia, basta entrar no site http://sedes.org.br/site/arteterapia/o_que_e_arteterapia

2- Conhecendo a proposta

Depois do período Pós-Primeira e Segunda Guerra Mundial, com toda a tristeza presente na destruição em massa de pessoas e cidades, a humanidade, desiludida, passa a desacreditar que a razão e a ciência são a resposta para tudo. Com isso, começam a surgir diversos movimentos artísticos ligados ao imaginário e ao inconsciente, como o Dadaísmo e Surrealismo. Estes movimentos mostram fundamentos e conceitos que acabam desencadeando a atual Arteterapia.

“A arte é a expressão mais pura que há para demonstração do inconsciente de cada um. É a liberdade de expressão, é a sensibilidade, criatividade, é vida”.

(Carl Gustav Jung)

A Arteterapia busca criar, por meio de recursos artísticos, novos métodos para tratar problemas físicos, cognitivos, emocionais ou sociais dos pacientes. No entanto, nesse estudo, nosso foco estará basicamente relacionado à questão do uso da arteterapia como alternativa aos medicamentos destinados ao tratamento de doenças.

Para ser um arteterapêuta não basta ser artista e gostar de trabalhar com pessoas ou ser terapeuta e gostar de arte, existe um conhecimento próprio em arteterapia, como a sua história, conhecimento dos processos psicológicos no decorrer e na observação dos trabalhos, vivência pessoal supervisionada por profissionais, entre outros. O curso de Especialização do Instituo Sedes dura dois anos e meio, com 670 horas de aulas teórico-práticas, 72 horas de workshops e 136 horas destinadas à supervisão de pequenos grupos de pacientes que buscam ajuda na arterepia.

São inúmeros recursos que podem ser utilizados nesta prática, como a pintura, desenho, escultura, musica, dança, fotografia, mosaico, modelagem, vídeos, escrita, construção de objetos e assim por diante. É importante dizer que não existe um bula artística, cada cor, cada linha, cada movimento tem seus diferentes significados, por exemplo: uma menina pintou uma folha inteira de preto, e a primeira vista seria um quadro de depressão. Depois de conversar com o profissional, a garota explicou que gostava muito do seu gato preto e fez a pintura em sua homenagem. Ou seja, a produção artística acompanha o diálogo entre o paciente e o arteterapêuta. Trata-se de uma composição.

A Arteterapia ainda é pouco conhecida talvez pelo fato de que são poucos os que se interessam por essa via alternativa, uma vez que o uso do remédio como solução para problemas psicológicos e fisiológicos tem um efeito muito mais rápido do que outras formas de tratamento. No entanto, apesar de ser um processo lento e gradual, a solução final da Arteterapia é muito mais produtiva e vantajosa, já que o indivíduo vai trabalhar com o seu problema, aprender a lidar e a entender, aos poucos, o que está acontecendo. O uso do remédio simplesmente ameniza os sintomas temporariamente.

3- Discussão

No mundo moderno buscamos realizar nossas tarefas e atingir nossos objetivos da maneira mais rápida possível. Essa ansiedade constante e crescente em que vive o homem moderno é consequência de uma sociedade de consumo, que induz as pessoas a buscarem cada vez mais a solução de seus problemas e a razão de sua própria existência em coisas externas. Desta forma, a indústria farmacêutica, por exemplo, é só mais um meio que se apropria dessa procura pelo imediato.

Estamos vivendo uma época em que para qualquer desconforto, seja físico ou psicológico, há uma solução.  Se estiver com dores no corpo, depressão (que hoje em dia se tornou um famoso rótulo), insatisfação corporal, insônia, falta de ar, etc, um pequeno comprido é indicado, e voilà, está resolvido. Mas será que o remédio realmente cura?

Será que se pessoas que sofrem de alcoolismo, anorexia e bulimia, dependência de drogras, deficiências físicas ou mentais ou problemas psicológicos fossem tratadas apenas com o uso de medicamentos elas estariam completamente curadas de seu problema? Dificilmente. É preciso ter um acompanhamento de um terapeuta, e no caso da Arteterapia, o paciente não estaria apenas lidando com o problema em si, mas com tudo aquilo que ele pode afetar, como as relações pessoais e socias do indivíduo. No entanto, a Arterapia não precisa ser utilizada apenas em casos mais “graves”. Pessoas que sofrem de stress e que vivem com enxaquecas poderiam optar pelos recursos artísticos promovidos pela Arteterapia como uma forma de expressar seus problemas, “extravazá-los” na arte, com o intuito de amezinar os problemas gerados pelo dia a dia ao invéz de tomar medicamentos diariamente.

Isso nos mostra como o reducionismo biológico está se desenvolvendo rapidamente no contexto da modernidade. Este termo refere-se à noção de que as partes estão isoladas do todo, de maneira que só as analisamos sem pensar no conjunto. Por exemplo, a pessoa com problema de saúde mental que é tratada apenas com remédios, pensando apenas na questão biológica, chega ao Reducionismo Biológico, porque é apenas uma parte que não envolve um tratamento terapêutico relacionado a reinserção social e à vida do paciente; o todo. Por essa razão, precisamos modificar esse tipo de pensamento para que possamos acabar com a ideia de que, para qualquer desconforto, precisamos tomar remédios porque esta é a forma mais eficaz de tratamento.

O nosso mundo utópico consistiria exatamente nisso, ou seja, em um mundo onde as pessoas passassem a compreender que tanto a causa como a solução da maioria dos nossos problemas parte de nós mesmos. Não precisamos nos entupir de remédios para solucionar problemas, sejam eles dos mais banais aos mais sérios. É possível encontrar alternativas que busquem não só tratá-los, mas que também visem a reinserção social do paciente, se necessária, de maneira mais saudável. O remédio não deve ser proibido muito menos inutilizado. A questão é saber conciliar os prós e contras dos medicamentos com os tratamentos propostos pela Arteterapia em prol da saúde do paciente.

Última atualização em Qui, 01 de Dezembro de 2011 01:53  


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