Um outro mundo é possível? Os alunos buscam respostas

UIPA (União Internacional Protetora dos Animais)

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"Podemos ressaltar vários pontos positivos com relação à UIPA. Primeiramente, trata-se de uma entidade confiável, que se coloca à disposição das pessoas para que elas possam conferir se o trabalho anunciado é realmente colocado em prática. É também uma instituição que se preocupa não só com os direitos dos animais, mas também com o seu bem-estar físico e mental. Além disso, a organização se preocupa em divulgar notícias sobre a causa que defende e tenta conscientizar as pessoas sobre a importância de ter uma visão menos utilitarista dos animais. Outros aspectos positivos são o cuidado que a UIPA tem com os cães e gatos que abriga e o fato de que ela se propõe inclusive a ajudar no trabalho das autoridades, com relação às denúncias de maus-tratos."

Alunas:
Maiara F. Muneratti
Mariana F. Muneratti

1 - INFORMAÇÕES GERAIS

a) Nome da atividade:

UIPA (União Internacional Protetora dos Animais).

b) Breve descrição do trabalho realizado:

A UIPA é a mais antiga associação civil brasileira sem fins lucrativos que defende a proteção dos animais. Ela instituiu o Movimento de Proteção Animal com o objetivo de lutar contra a exploração, o abandono e a crueldade que vitimam os animais em nome da diversão humana, da ciência, dos métodos antigos de ensino e da ultrapassada política de saúde pública, que extermina cães e gatos.

Fundada em 1895, a instituição tem como seus principais objetivos promover o reconhecimento dos direitos animais, zelar pela execução e pelo aperfeiçoamento da legislação no que se refere aos animais, reduzir os danos causados pelos maus-tratos e denunciá-los às autoridades competentes, lutar contra o extermínio de cães e de gatos praticado pelo Poder Público, atuar para os animais sejam mortos apenas em casos de enfermidade incurável que não possa ser atenuada por algum outro meio, conscientizar as pessoas sobre a importância de repudiar a visão utilitarista do animal (que os considera como seres que existem em função do homem), lutar contra a vivissecção (o ato de dissecar um animal vivo com o propósito de realizar estudos e experiências) e abrigar, sempre que possível e de acordo com sua capacidade, cães e gatos abandonados, acidentados ou vítimas de maus-tratos, que serão recuperados, esterilizados e encaminhados à adoção.

O trabalho da UIPA não é simplesmente reduzir a prática de maus-tratos, mas sim fazer com que os animais sejam reconhecidos como seres que possuem o direito à vida, à liberdade, à dignidade, à integridade física e mental e ao bem-estar. O que mais importa para a entidade é permitir que o animal viva  de acordo com as características de sua espécie. A UIPA se opõe à visão de que o homem tem o direito de subjugar o animal e não luta apenas para que os animais sejam limpos, bem-alimentados e tenham espaço, mas também pelo fim do aprisionamento em jaulas.

 

c) Endereço, lugar de atuação

Av. Presidente Castelo Branco, 3200

CEP: 03036-000 - Canindé - São Paulo/SP

 

d) Pessoas responsáveis e formas de contato

A UIPA é uma associação civil, sem fins lucrativos, cuja principal responsável e dirigente é Vanice Teixeira Orlandi Eleonora Mendes. A união atua em associação e parceria com diferentes colaboradores, tanto individuais quanto institucionais, que podem ser conhecidos através do site http://www.uipa.org.br/portal/

Formas de contato:

Fone: (11) 3313-1475

Fax: (11) 3228-1462

Ou pelo site (http://www.uipa.org.br/portal/), através do link “contate-nos”.

 

2 – CONHECENDO A PROPOSTA

a) Como funciona?

Para cumprir com os diferentes objetivos já citados, a UIPA, além de realizar um trabalho jurídico e político de pressão diante das autoridades que é extremamente reconhecido na área de proteção animal, faz eventos de arrecadação e possui um abrigo e uma clínica veterinária.

Atualmente, a UIPA abriga cerca de mil e quinhentos animais abandonados, entre cães e gatos, sendo muitos deles resgatados pela própria entidade por terem se acidentado ou sofrido maus-tratos. Esses animais são assistidos por uma equipe de 5 veterinários, 13 tratadores e 10 voluntários, que recuperam, esterilizam, vacinam, vermifugam e encaminham os animais à adoção. Além disso, no período noturno há um vigia específico para o abrigo, que fica alerta à situação dos animais.

Os canis em que os animais ficam, à espera de adoção, são amplos e estão distribuídos em uma área arborizada de cerca de 9 mil metros quadrados. Por sua estrutura, o abrigo da UIPA é muito elogiado. Inclusive, em recente pesquisa feita por uma entidade inglesa envolvendo abrigos animais de todo o país, foi constatado que o abrigo da UIPA possui ótimas qualidades e grandes diferenciais, resultando em um nível de "stress" insignificante para os animais.

São encaminhados à adoção mais de mil animais anualmente. Pode-se dizer que o abrigo da UIPA não é um abrigo estático, mas sim um verdadeiro centro de recuperação, onde os animais se restabelecem e dispõem da chance permanente de serem adotados, independentemente da sua idade e das suas condições físicas, uma vez que muitos animais deficientes visuais, com sequelas de doenças, paraplégicos e até tetraplégicos já encontraram seus lares.

Para que as pessoas possam conhecer esse abrigo, conferir os animais que estão ali e podem ser adotados, e também verificar as suas condições e o empenho e o compromisso da entidade para recuperar adequadamente os animais e encontrar novos lares para eles, o espaço é aberto ao público para visitação, de segunda a sábado, das 9:00 às 15:45 horas. Há também estacionamento gratuito no local.

Para manter todos esses serviços funcionando, a UIPA também se beneficia da associação de pessoas e de instituições interessadas na causa. Com a verba conquistada e o dinheiro e as doações arrecadados por meio da contribuição dos associados, a entidade executa as seguintes atividades:

* Abriga cerca de mil e quinhentos animais abandonados, entre cães e gatos, que são recuperados, esterilizados, vacinados, vermifugados e encaminhados à adoção;

* Abriga permanentemente os animais não adotados;

* Recebe denúncias de maus-tratos a animais; procede à vistoria; orienta o responsável e, caso não haja mudança na situação, noticia  o caso à autoridade competente, requerendo a guarda do animal;

* Encaminha representações ao Ministério Público sobre práticas que resultam em maus-tratos a animais, como a utilização de animais em experimentos de instituições de ensino e de pesquisa, circos, rodeios e matanças efetuadas pelos Centros de Controle de Zoonoses (unidades de saúde pública de vigilância sanitária e epidemiológica, que estão permitidos de praticar a eutanásia em animais, desde que realizada com métodos “humanitários”). Assim, atua para que as práticas cruéis sejam reconhecidas como tal, convencendo autoridades policiais, promotores de justiça e parlamentares a respeito da crueldade dessas atividades muitas vezes tidas como legítimas;

* Elabora textos de projetos de lei voltados à proteção animal e os remete a parlamentares;

* Atua como assistente, acompanhando as ações judiciais e os processos de execução propostos pelo Ministério Público contra os rodeios, pressionando para que tais ações sejam julgadas e recorrendo ao Supremo Tribunal Federal e ao Supremo Tribunal de Justiça sempre que necessário;

* Socorre animais acidentados trazidos pela Guarda Municipal e pela Polícia Militar.

Caso haja interesse nessa associação, o contato pode ser feito pelo site, através do link “Associação”.

Um elemento muito importante que também permitiu o funcionamento e o sucesso da instituição por tanto tempo é o seu site, que faz a divulgação da causa e da instituição em si, mostrando o catálogo dos cães e gatos que estão atualmente na instituição para adoção, registros fotográficos da associação, o relatório das atividades realizadas pela união em alguns anos, as informações detalhadas a respeito da UIPA e notícias da entidade.

Além disso, o site oferece várias informações a respeito de diferentes temas, como: a melhor maneira de lidar com animais em apartamentos, como denunciar maus-tratos, como realizar a esterilização adequada dos animais, as regras e tarefas que os guardas responsáveis pelos animais devem ter para garantirem o seu bem-estar, instruções para a vacinação e artigos relacionados à legislação federal, o que confirma a preocupação legítima da instituição com a causa.

Outros conteúdos que podem ser encontrados no site são vídeos e artigos que explicam melhor a posição da associação com relação a temas como rodeios, circos e a experimentação animal. Somado a tudo isso, no site há espaço para que as pessoas postem suas dúvidas sobre esses temas, que serão posteriormente respondidas por membros da UIPA.

 

b) Como começou? Breve histórico.

Em 1893, o suíço Henri Ruegger presenciou o sofrimento de um cavalo em uma praça pública da cidade de São Paulo. Um homem, impunemente, quebrava tijolos no corpo do animal. Henri então quis denunciar o ocorrido à Sociedade Protetora dos Animais e ficou indignado ao perceber que não existia, no Brasil, uma entidade desse tipo. Ele recorreu ao jornal “Diário Popular”, onde lançou a idéia de se criar no Brasil uma associação protetora dos animais. O assunto virou destaque nas principais colunas de vários jornais e outros artigos que ressaltavam a necessidade de que as pessoas fizessem esforços para defender os animais contra os maus-tratos foram publicados pelos órgãos da imprensa.

Para divulgar a ideia, Henri Ruegger uniu-se ao francês Jacques Vigier e, juntos, eles pediram auxílio ao Senador da República Ignácio Wallace da Gama Cochrane (o Superintendente das Obras Públicas de São Paulo e um dos fundadores do Instituto Pasteur e da Companhia Telefônica).

Em 20 de Outubro de 1894, o “Diário Popular” publicou a notícia do surgimento de uma comissão que teria como finalidade criar uma associação protetora dos animais. Enquanto eram criados os estatutos e os regulamentos e se levantavam informações relativas às associações parecidas de outros países, espalharam-se algumas listas para a inscrição de associados.

Em 30 de maio de 1895 foi formada a primeira Diretoria da UIPA, cujo presidente era Ignácio Wallace da Gama Cochrane. Por décadas a insituição teve celebridades como dirigentes. Alguns exemplos são Conselheiro Antonio Prado (Prefeito de São Paulo, Ministro do Exterior e da Agricultura, que participou também da elaboração da Lei do Ventre Livre), Alcântara Machado (escritor, vereador, deputado e senador, que também ocupou a cadeira número um da Academia Paulista de Letras) e René de Castro Thiollier (idealizador e empreendedor da Semana de Arte Moderna).

Para dar assistência gratuita a animais abandonados e pertencentes à camada de baixa renda e também para recuperar os animais que sofreram maus-tratos, em 1919 a UIPA inaugurou o Hospital Zoófilo São Paulo, o primeiro hospital desse tipo no Brasil. Esse hospital era chefiado pelo então vice-presidente da UIPA Affonso Vidal, que redigiu o texto de um projeto de lei que listava as condutas que poderiam ser classificadas como maus-tratos aos animais. O texto foi aprovado por Getúlio Vargas na íntegra, assim como Affonso Vidal o havia redigido. O projeto virou Decreto Federal em julho de 1934 (Decreto 24.645/34) e é uma das principais normas que oferecem proteção aos animais até hoje, além de ter servido de base para todas as leis que surgiram posteriormente.

 

c) De onde vêm os recursos materiais e as pessoas que trabalham nesta atividade?

Qualquer pessoa pode se associar à UIPA. Segundo a própria entidade, associar-se é uma forma de lutar contra o abandono e a crueldade que prejudicam os animais. É com a verba arrecadada por meio da contribuição dos associados e dos colaboradores que a instituição continua funcionando. Grande parte dos medicamentos necessários para o cuidado dos animais é também doada, sendo que a lista dos medicamentos de que a UIPA necessita está disponível no site, no link “Doação de medicamentos”.

Além disso, aproximadamente uma vez a cada seis meses, a UIPA realiza chás beneficentes, que têm por objetivo arrecadar fundos. A maioria desses chás é realizada em uma casa egípcia chamada “Khan El Khalil”, centro de referência em cultura, arte e gastronomia egípcias, localizada na Rua Doutor José de Queiroz Aranha, 320, Vila Mariana (próxima ao Metrô Ana Rosa). O convite deve ser adquirido com antecedência na própria UIPA ou via depósito bancário e tem custo médio de sessenta reais. Ele dá direito aos mais variados chás, pães, patês, bolos, salgados (que não contêm carne) e doces sírios, além da exibição de bailarinas da dança do ventre.

Outro mecanismo utilizado pela entidade para obter recursos materiais é a clínica veterinária. A preços muito reduzidos e com possibilidade de parcelamento conforme a necessidade do cliente, a Clínica Veterinária UIPA efetua consultas e procedimentos ambulatoriais e cirúrgicos, incluindo  esterilização e cirurgias ortopédicas. A clínica fica aberta de segunda a sábado, das 9 às 17 horas, e possui inclusive um  aparelho de anestesia inalatória, que é o mesmo método de anestesia empregado em seres humanos, o que confere maior segurança e eficácia aos procedimentos cirúrgicos. Toda a verba arrecadada é integralmente aplicada para manter o abrigo de animais e lutar contra as práticas de maus-tratos.

 

d) Quais foram os resultados obtidos até agora?

Os resultados obtidos até agora foram totalmente positivos, sendo a atuação da entidade extremamente importante na causa, por diversos fatores:

* Seus idealizadores foram os primeiros grandes responsáveis por alertar sobre a causa no país, fazendo com que fosse concretizada a inauguração, em 1919, do Hospital Zoófilo São Paulo, o primeiro hospital zoófilo no Brasil.

* Seus idealizadores foram os redatores do primeiro projeto de lei que listava as condutas que poderiam ser classificadas como maus-tratos aos animais, sendo que esse projeto virou um Decreto Federal que representa uma das principais normas que oferecem proteção aos animais até hoje, além de ter servido de base para todas as leis que surgiram posteriormente.

* O trabalho jurídico e político da entidade de pressão e acompanhamento das decisões legislativas diante das autoridades é realmente efetivo, sendo extremamente reconhecido na área de proteção animal.

* O encaminhamento à adoção de mais de mil animais por ano, inclusive de animais com deficiências e sequelas de doenças (De acordo com dados publicados no próprio site, em 2005, por exemplo, foram adotados 1043 animais, sendo 297 cães adultos e 519 filhotes; 52 gatos adultos e 175 filhotes. Em 2006, por exemplo, foram adotados 1029 animais, sendo 193 cães adultos e 489 filhotes; 94 gatos adultos e 253 filhotes).

* O tratamento e a oferta de um centro de recuperação e de abrigo a inúmeros animais que antes sofriam maus-tratos ou tinham se acidentado.

* O trabalho efetivo de auxílio nas denúncias de maus-tratos.

* A iniciativa sincera de zelo pela execução e de reivindicação pelo aperfeiçoamento da legislação referente aos animais.

* A divulgação da causa, por exemplo através do site, que já recebeu mais de dois milhões de visitas.

* O eficiente trabalho de conscientização popular, que contribuiu e contribui de fato para que o direito à vida, à integridade física e mental e à dignidade dos animais seja reconhecido por uma maior parcela da população e para que a visão utilitarista dos animais seja questionada e rejeitada por mais pessoas.

 

e) Quais foram as principais dificuldades encontradas até agora e como foram (ou não) superadas?

Uma das principais dificuldades encontradas até agora é justamente a arrecadação de fundos para a manutenção da instituição que, apesar de contar com vários associados e colaboradores, tem seu crescimento limitado pela quantidade de dinheiro arrecadada também ser limitada. Sendo assim, a UIPA pode oferecer abrigo apenas para uma certa quantidade de animais, apesar de querer extender a sua ajuda. Para superar essa dificuldade, a UIPA desenvolveu os chás beneficentes e a clínica, que amenizam o problema, mas que não o resolvem totalmente.

Outra das dificuldades encontradas é também o fato de que a entidade tem um número de pessoas limitado, que faz uma pressão relativa nas autoridades com relação à aprovação de leis. É difícil que leis sobre determinados assuntos, como os rodeios, sejam aprovadas, porque os patrocinadores e organizadores desses eventos possuem outros interesses, mais dinheiro e mais representação, fazendo uma pressão maior para que seus interesses sejam defendidos e para que não tenham limitações.

Apesar das dificuldades, a instituição se mantém até hoje, fazendo o melhor que pode por milhares de animais e estimulando mudanças positivas na legislação brasileira.

 

f) Quais são os planos futuros?

A UIPA pretende continuar o trabalho que faz atualmente. A instituição continuará dando abrigo a animais e os encaminhando para adoção após o tratamento e também persistirá na luta por leis que sejam mais rígidas e que sejam realmente fiscalizadas e colocadas em prática. Acima de tudo, a entidade continuará tentando conscientizar as pessoas, para diminuir o sofrimento dos animais e lhes assegurar uma boa qualidade de vida.


3 - DISCUSSÃO

 

a) Como o grupo descreveria sua utopia? Ela tem um nome?

Nossa utopia não tem um nome. Acreditamos que um mundo ideal é um mundo em que boa parte das pessoas não é indiferente ao que acontece ao seu redor, tanto com relação a outros seres humanos quanto com relação aos animais. É também um mundo em que as pessoas refletem mais sobre seus atos e tentam melhorar a realidade pouco a pouco e a cada dia, e não um mundo em que grande parte das pessoas se deixa levar pela ideia de que nada que elas façam pode gerar uma mudança significativa.

Nossa utopia também pode ser descrita como uma realidade em que o homem entende que os recursos são finitos e que, portanto, precisa utilizá-los da melhor maneira possível. É um mundo em que as pessoas levam em consideração que as suas ações têm um impacto sobre os outros seres vivos e sobre o ambiente como um todo. Sendo assim, em nosso mundo utópico os indivíduos tentariam ao máximo pensar em soluções viáveis para os problemas, ou, pelo menos, em maneiras de minimizar as questões sem solução.

O mundo ideal que desejamos é também um mundo em que as pessoas têm consciência de que é impossível chegar à perfeição. Mesmo assim, seria um lugar em que o homem sabe que é possível minimizar os danos que ele causa. É também um mundo em que as pessoas estão realmente preocupadas umas com as outras e em que cada indivíduo se esforça para contribuir com o equilíbrio. Em nosso mundo ideal, as pessoas estão menos acomodadas com as desigualdades e injustiças e uma maior porcentagem da população tem uma participação mais ativa na sociedade.

Nossa utopia, portanto, é um lugar em que cada pessoa procura tornar a realidade mais agradável, por meio de pequenas atitudes e dentro de seus limites e possibilidades.

 

b) Por que esta atividade foi considerada pelo grupo como uma maneira de se caminhar rumo a esta utopia?

Para nós, essa atividade é uma maneira de se caminhar rumo à utopia desejada porque a entidade escolhida compartilha a visão do mundo que queremos e porque seus membros e associados participam ativamente para tentar torná-la realidade, cada um dentro de suas possibilidades e de seus limites.

A instituição, mesmo com todos os obstáculos que enfrentou e enfrenta desde a sua idealização (como o pequeno número de pessoas que se interessavam pela causa na época em que ela foi criada e a dificuldade de arrecadar renda para que sua atividade seja possível), continuou procurando meios para prosseguir, e esteve constantemente tentando encontrar soluções para os seus problemas e maneiras de melhorar a sua atuação. Portanto, ela é uma entidade que consideramos verdadeiramente comprometida e que realmente se esforça para alcançar ou ao menos se aproximar dos objetivos listados.

Além disso, fazem parte dessa união ou se associam a ela pessoas que realmente entendem o impacto da crueldade do homem, a diferença que faz a reflexão anterior e posterior a seus atos e a necessidade de que as pessoas reparem no mundo ao seu redor e se preocupem com as consequências de suas atitudes. Porém, essa percepção vai além: está acompanhada da tentativa de mudança e da consciência de que o mundo não é imutável, da ideia de que somos capazes de buscar e de nos aproximar da realidade que queremos, apesar de todos os danos já causados.

Outro motivo que consideramos importante é o fato da própria entidade considerar e reconhecer os limites da sua atuação, porém entender que a sua ação tem importância para a questão. Assim, eles continuam aprimorando sua atuação e fazendo aquilo que eles acreditam que pode contribuir para a realidade que querem, mas também divulgam informações e alertam outros sobre a importância da questão e sobre a necessidade de se pensar em novas maneiras e em novas contribuições possíveis, de acordo com o que cada interessado pode fazer.

 

c) Análise e discussão dos aspectos "positivos" e "negativos" (do ponto de vista do grupo) desta atividade. Em que medida os objetivos estão sendo alcançados? O que pode ser melhorado? O que vocês consideram "admirável"? Por que?

Podemos ressaltar vários pontos positivos com relação à UIPA. Primeiramente, trata-se de uma entidade confiável, que se coloca à disposição das pessoas para que elas possam conferir se o trabalho anunciado é realmente colocado em prática. É também uma instituição que se preocupa não só com os direitos dos animais, mas também com o seu bem-estar físico e mental. Além disso, a organização se preocupa em divulgar notícias sobre a causa que defende e tenta conscientizar as pessoas sobre a importância de ter uma visão menos utilitarista dos animais. Outros aspectos positivos são o cuidado que a UIPA tem com os cães e gatos que abriga e o fato de que ela se propõe inclusive a ajudar no trabalho das autoridades, com relação às denúncias de maus-tratos.

Como um aspecto negativo, muitas pessoas citariam o fato de que os abrigos não são a solução do problema. Entretanto, ainda que não resolvam de fato a questão do abandono de animais, os abrigos se tornaram uma necessidade devido à quantidade de animais que precisam ser resgatados não somente por sofrerem maus-tratos, mas também por serem vítimas de acidentes e não terem um lugar em que possam se recuperar adequadamente. No caso da UIPA, é necessário ressaltar que a entidade não se preocupa só com o abrigo, mas também faz pressão com relação à aprovação de leis mais rígidas que sejam devidamente cumpridas, para que problemas como esse possam ser resolvidos ou minimizados pelas autoridades. A organização, portanto, não se restringe a minimizar o problema, mas luta ativamente para que os animais como um todo tenham uma melhoria em sua qualidade de vida.

Os objetivos que a UIPA possui estão sendo alcançados. Além de ter conseguido recuperar milhares de animais e de ter tratado muitos outros na clínica, ela conseguiu a aprovação de leis (que são essenciais para que mais direitos dos animais sejam reconhecidos e regulamentados). A entidade continua perseguindo esses objetivos e fazendo tudo o que pode para que os animais possam ter uma condição de vida mais digna, contribuindo também para que uma maior quantidade de pessoas se interesse e ajude na busca pelo fim da exploração, do abandono e da crueldade contra os animais.

Com relação às melhorias, acreditamos que elas seriam possíveis se mais indivíduos se interessassem pela causa e ajudassem a instituição economicamente. A UIPA faz tudo o que pode com o dinheiro que tem e, para que tivesse mais representação e fizesse uma pressão maior nas autoridades e também para que pudesse abrigar mais animais, seria necessário que a entidade recebesse uma ajuda financeira maior.

Achamos admirável a organização ter sido a primeira a defender a causa no Brasil e também o fato de que ela se mantém até hoje fiel aos seus objetivos, fazendo o possível para atingi-los apenas com o dinheiro que seus associados e colaboradores podem oferecer, já que é muito difícil conseguir os resultados que a UIPA atingiu com poucos recursos financeiros. Também admiramos a instituição por ela ser confiável, por ter ajudado tantos animais, por contribuir com o trabalho das autoridades e por não ter uma postura simplesmente passiva (cuidando de cães e gatos), mas pressionando para que melhorias sejam feitas na Legislação. Pudemos perceber, portanto, que a UIPA está comprometida com a causa e realmente pode contribuir para que mudanças significativas ocorram em nosso país.

 

d) Que conceitos, conhecimentos e valores estudados no ensino médio (em biologia ou em outra matéria) foram importantes para a realização deste trabalho? Há coisas que não estudamos na escola e que seria interessante estudar para que um outro mundo seja realmente possível?

Para a realização deste trabalho, acreditamos que a matéria de Biologia foi bastante importante. Assuntos especiais que contribuíram para a nossa escolha foram a diversidade da vida, a evolução, o estudo da complexidade e o estudo da ecologia, aliada ao pensamento e ao olhar ecológicos.

A diversidade da vida contribuiu principalmente para que pudéssemos ter uma visão mais correta e mais próxima da realidade a respeito de todos os organismos vivos existentes no nosso planeta e das diferentes particularidades e variedades desses seres que aqui vivem. Realizando esse estudo, ficamos realmente impressionadas e pudemos entender como o homem compartilha com inúmeras espécies o espaço da Terra. Compreender a evolução também foi muito significativo, porque nos ajudou a entender um pouco mais sobre como o planeta Terra é antigo, sobre como os seus habitantes passaram por uma série de transformações ao longo de todo esse tempo, e sobre por que e como os organismos vivos passaram a ser como são atualmente.

Quanto à complexidade, contribuiu muito para que nós adquiríssemos uma nova maneira de pensar, olhando às vezes do todo para as partes e às vezes das partes para o todo, o que realmente ajuda a ter uma visão mais ampla e completa do mundo. Nesse trabalho, ela foi especialmente útil porque é fato que pensar em um mundo melhor, em uma utopia, é algo extremamente complexo e abrangente, e que para esse tipo de questão o pensamento complexo se faz bastante necessário.

Consideramos o estudo da ecologia e do olhar ecológico inseparável desse trabalho. Para nós, é impossível pensar no mundo que queremos sem citar o pensamento ecológico, porque a nossa utopia considera e valoriza muito essa visão e a necessidade de olhar para o todo, não apenas para a nossa parte e para aquilo que pode melhorar as nossas vidas em termos individuais, desconsiderando as relações entre os homens, entre os homens e as outras espécies da Terra, e entre os homens, essas espécies e o meio em que todos vivem.

Mapas como “O Paradigma Evolutivo” (pág. 99), o “Mapa de Ecologia” (pág. 101) e o “Mapa: Olhar Ecológico” (pág. 102), da apostila, foram bastante úteis.

Toda a formação que tivemos, todas as informações que nos foram passadas ao longo desses anos e todos os estudos realizados tiveram papel decisivo em nossas escolhas para este trabalho, porque representam ferramentas que podem e devem ser utilizadas para a compreensão do mundo em que se vive. Para formular a realidade que se quer, é necessário primeiro compreender o mundo como ele se apresenta hoje.

Com relação ao que não estudamos e que gostaríamos que pudesse ter um espaço maior para aprofundamento no colégio, citamos o estudo das leis. Acreditamos que o estudo da legislação é fundamental para que os alunos entendam aquilo que é regulamentado por lei, porém não se concretiza pela má fiscalização ou devido a outros problemas. Além disso, é essencial que tenhamos consciência dos avanços, em termos de leis, que já foram conquistados, e que possamos refletir a respeito das melhorias que desejamos e das leis que gostaríamos que fossem instituídas, por acreditarmos que elas contribuiriam de fato para resolver ou amenizar a questão escolhida.

 

e) Afinal de contas, o que podemos aprender com a experiência analisada neste trabalho? Um outro mundo é possível?

Com a experiência analisada neste trabalho, pudemos perceber que um mundo melhor não é possível apenas em nossos sonhos. Para tornar a realidade mais agradável, entretanto, é preciso que as pessoas se esforcem mais e não esperem que as mudanças ocorram da noite para o dia. É também necessário que os indivíduos sejam menos indiferentes com relação ao que está ao seu redor e que façam o possível, dentro de seus limites, para contribuir com a mudança que desejam ver.

Pudemos perceber também que as mudanças exigem comprometimento e a superação de diversos obstáculos. Por mais que seja difícil alterar a realidade em grandes proporções, o importante é que as pessoas continuem buscando alternativas e soluções para as questões que precisam ser melhoradas. Por meio do envolvimento de um maior número de pessoas e da conscientização com relação à necessidade de que cada um faça a sua parte, um outro mundo pode realmente se tornar possível.

 

4 – REFERÊNCIAS

MENDES, Vanice Teixeira Orlandi Eleonora. UIPA (União Internacional Protetora dos Animais). Disponível em: <http://www.uipa.org.br/portal/>. Acesso em: 30 out. 2010.

Última atualização em Sáb, 29 de Janeiro de 2011 19:01  


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