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Sempreviva Organização Feminista

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Aluna: Julia Codas

 

1- INFORMAÇÕES GERAIS

A SOF, Sempreviva Organização Feminista, é uma ONG (organização não-governamental) feminista que atua desde 1963 em todo o Brasil, apesar de ter apenas uma sede em São Paulo. Esta tem como objetivo difundir o feminismo em diversos setores da sociedade, sensibilizando tanto homens quanto mulheres a lutar pela igualdade entre ambos. O público prioritário são as mulheres organizadas no movimento autônomo de mulheres, movimento popular e sindical, rural e urbano.

Endereço:

R. Ministro Costa e Silva, 36 - Pinheiros

São Paulo, SP; CEP: 05417-080

Contato:

(11) 3819.3876

Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

2- CONHECENDO A PROPOSTA

As feministas da Sempreviva Organização Feminista (SOF) trabalham para difundir o feminismo em amplos setores da sociedade e sensibilizar atrizes e atores sociais que lutam pela ampliação da cidadania, a fim de comprometê-los com a igualdade entre mulheres e homens. Compreendem que as relações de gênero se articulam com as de classe, raça e etnia, e que o feminismo é um elemento constitutivo de um projeto global de transformação da sociedade que se propõe a criar condições de cidadania e igualdade para todas e todos. A reafirmação da igualdade não se faz em detrimento das diferenças, elas acreditam na possibilidade de processos coletivos, em que se estabeleça um compromisso ético-político comum, sintonizado com as questões apresentadas pelo momento histórico atual. A SOF investe na atualização do debate feminista a partir da divulgação de temas pouco tratados no Brasil – como a economia feminista – e da releitura de temas históricos do feminismo, como o controle sobre o corpo das mulheres.

As linhas de atuação da SOF são as de formação feminista, assessoria e acompanhamento de políticas públicas, publicação e difusão, construção e articulação, e desenvolvimento organizacional.

O seu desempenho está centrado na articulação de um campo democrático popular no movimento feminista que se constrói em discursos, práticas organizativas e ações e alianças com movimentos e processos alternativos ao neoliberalismo, chamando-os a assumir o feminismo como parte integrante de nossos projetos de transformação da sociedade.

A SOF é uma das principais organizadoras no Brasil e no mundo da Marcha Mundial das Mulheres, além de ser a sua sede mundial até o ano de 2012.

A Marcha Mundial das Mulheres nasceu no ano de 2000, com uma mobilização que reuniu mulheres de muitos lugares do mundo, que se reuniram para uma campanha contra a violência e a pobreza.

Estas ações começaram no dia Internacional da Mulher (8 de março) e terminaram no dia 17 de outubro.

A MMM teve como inspiração para sua criação uma manifestação feita no ano 1995, no Canadá, quando 850 mulheres marcharam 200km pedindo simbolicamente, “Pão e Rosas”. Estas ações marcaram as mobilizações das mulheres nas ruas, fazendo uma critica ao sistema capitalista.

Foram alcançadas diversas conquistas como o aumento dos salários mínimos, mais direitos para as mulheres migrantes e apoio à economia solidária.

Entre os princípios da MMM estão a organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e as alianças com movimentos sociais.

Defende-se a visão de que as mulheres são sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas e que ela está vinculada à necessidade de superar o sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente.

A Marcha busca construir uma perspectiva feminista afirmando o direito à auto–determinação das mulheres e a igualdade como base da nova sociedade que lutam para construir.

Em 2010 a Marcha Mundial das Mulheres vai organizar sua terceira ação internacional ela contará com a mobilização em vários formatos, os quais vão se realizar em diversos países do mundo inteiro, um destes países é a Republica Democrática do Congo, entre as ações que serão feitas estão marchas e mobilizações, estas manifestações serão feitas para demonstrar a solidariedade mundial entre as mulheres, enfatizando seu papel protagonista na solução de conflitos armados e na reconstrução das relações sociais em suas com comunidades em busca de paz.

 

3- DISCUSSÃO

A palavra utopia vem do grego e significa lugar nenhum. Quando se pensa em uma utopia, ou seja, em um mundo idealizado, a palavra carrega esse pessimismo da impossibilidade de se alcançar o que seria ideal. William Morris, que escreveu o livro Notícias de lugar nenhum (um romance utópico, onde o socialismo teria sido alcançado), disse em seu livro Como me tornei um socialista:

O que entendo por socialismo é a condição da sociedade na qual não existem ricos nem pobres, não existem os que mandam e os que obedecem, nem os ociosos e os sobrecarregados de trabalho, nem os intelectuais que ficam doentes da cabeça e os trabalhadores manuais que ficam doentes do coração.

Mesmo que o grupo não concorde que o socialismo seja a melhor forma de modo de produção, o que pensamos de forma comum a William Morris é esse meio termo que os indivíduos na nossa sociedade idealizada, na nossa utopia, deveriam alcançar. Uns terem menos para outros terem mais e assim chegar numa média, podendo existir uma real igualdade entre as pessoas.

Na sociedade capitalista, tanto a igualdade (coletiva) e a liberdade (individual) são impossíveis de ser alcançadas. O discurso neoliberal afirma que somos livres e iguais, entretanto, numa sociedade do consumo, todas as relações estão intermediadas pelo dinheiro, assim a pessoa será livre se tiver dinheiro para consumir o que bem entender. E todos somos iguais perante diante do valor de uso dos produtos, mas não somos iguais em relação ao valor de troca.

Pode-se ver, que a liberdade e a igualdade na sociedade atual é relacionada ao consumo, e não em relação às responsabilidades e possibilidades sociais. Numa sociedade igualitária, tanto os problemas quanto os recursos são comuns aos indivíduos.

O grupo acredita que a utopia pode ser alcançada a partir de mobilizações coletivas, ou seja, a mudança não virá de cima, das grandes corporações e daqueles que estão lucrando na nossa sociedade, mas sim daqueles que não concordam com a realidade tal como ela nos foi imposta, e a partir de organizações, discussões, poder conduzir um projeto político.

Tanto a SOF quanto a Marcha Mundial da Mulheres, trabalham com mobilização de mulheres e homens de diferentes classes sociais em prol de uma reivindicação que vai muito além da igualdade de gênero (única luta que comumente designam para movimentos feministas), mas reivindicam a poder de decisão da mulher sobre o próprio corpo (direito ao aborto), a igualdade social e étnica, o fim do modo de produção neoliberal baseado no hiperconsumo e numa forma de produção altamente insustentável ecologicamente.

Sendo uma das integrantes do grupo filha de Nalu Faria, coordenadora da MMM no Brasil, logo podendo acompanhar um pouco mais de perto a atividade, o que é admirável é que o projeto trabalha com algo que o grupo considera essencial para que uma mudança efetiva ocorra, promove discussões e cursos sobre em favor de um projeto político para que as pessoas possam aderir as reivindicações e lutar por elas, ou seja, passar do nível econômico corporativo, reivindicações pontuais, que visam o presente, com soluções imediatas, para o nível político, que visa uma mudança estrutural.

Este é outro aspecto que chama atenção no projeto da MMM, o fato de visar uma mudança estrutural, e não mudanças que se enquadrariam ao modo de produção capitalista. O capitalismo tem a tendência de incorporar lutas de resistência ao próprio capitalismo em seu favor, englobando o discurso de outros ao próprio discurso com o objetivo de aumentar o consumo. Por isso muitos movimentos que não visam mudanças estruturais muitas vezes acabam virando produtos a serem consumidos (como aconteceu com o discurso do que é ecologicamente correto).

De certa forma, os objetivos da MMM vem sendo alcançados, uma vez que mulheres de diferentes classes vêm aderindo a causa e se envolvendo com o projeto, mesmo que por hora mudanças não ocorram, é preciso de pessoas que acreditam nas reformas que a MMM propõe.

Uma grande dificuldade para um movimento feminista é a idéia que muitos tem que a igualdade entre gêneros já foi alcançada com as lutas feministas das décadas de 60 e 70. Mas para as feministas, este foi apenas o começo, e que muito ainda tem que ser feito. Não só estatísticas mostram que a igualdade não existe, como muitas mulheres podem dizer o quanto são discriminadas em diversas situações cotidianas. Além disso, com muitos países legalizando o aborto (símbolo das reivindicações feministas), apesar de ser uma grande realização, muitos acreditam que a luta feminista atualmente se limita a luta pela legalização do aborto.

Outra grande fronteira é que em uma sociedade essencialmente patriarcal, o machismo está disseminado não em homens, mas também em mulheres.

Mesmo assim, a história já nos mostrou que por mais estática que pareça a sociedade, mudanças acontecem exatamente pela mobilização de pessoas e pelo questionamento da realidade. Por isso, por mais pessimista que seja a nossa realidade, deixar de acreditar na mudança é o que não pode acontecer, partir da mobilização individual para a coletiva em favor de um projeto político comum a um grupo.

 

4 CONHECIMENTOS ESCOLARES MOBILIZADOS

Para escrever esse texto, conceitos estudados nas aulas de história geral foram essenciais, quando estudamos o pensamento político de Gramsci, vimos o que o pensador marxista falava sobre projeto político, núcleo são do senso comum, interesses econômicos corporativos e interesses políticos, pensamento hegemônico.

Durante os três anos de ensino médio tivemos diversas aulas com diversas criticas ao capitalismo, a forma que se produz, ao consumismo, mas poucas vezes fomos incentivados a pensar em formas de atuação política e social. Sabemos exatamente que sociedade não queremos, mas não pensamos muito o que poderíamos fazer para mudar isso.

 

5- REFERÊNCIAS

www.sof.org.br

MORRIS, William. Notícias de lugar nenhum, ou uma época de tranqüilidade. São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2002.

COUTINHO, Carlos Nelson. Gramsci: um estudo sobre seu pensamento político. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1989.

BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 2008

Última atualização em Seg, 08 de Novembro de 2010 20:39  

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