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Coletivo Jovem de Meio Ambiente

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Aluna:
Thayla Godoy
1- INFORMAÇÕES GERAIS

Nome da atividade: Coletivo Jovem de Meio Ambiente (CJ)

Breve descrição do trabalho realizado:

O Coletivo Jovem de Meio Ambiente é hoje constituído de muitos grupos que agem localmente. Pretendem, através de uma articulação em rede pela internet, ser responsáveis pela articulação ambiental dos respectivos lugares onde estão, englobando muitos aspectos dessa, como a realização de Agendas 21, formação de Com-Vidas (Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida) nas escolas, coleta seletiva, agroecologia, arborização, formação de professores, enfim, são jovens que buscam e trocam informações virtualmente, agindo sempre com o CJ de seu estado ou sua região.

A realização de encontros de Juventude e Meio Ambiente é prioridade no coletivo, pois acreditam que é através da troca de experiências, com pessoas de diversas localidades e realidades, que pode-se construir algo realmente participativo.

Para isso, não podemos deixar de dizer que há também uma base teórica, que embasa toda a vasta prática dos Cj's, que é principalmente os princípios ecológicos de Fritjof Capra, além de uma série de educadores como Paulo Freire e Edgard Morrin, que são grandes e significativas referências.

Endereço, lugar de atuação:
Atualmente o Cj é uma rede de coletivos de âmbito nacional. Existem Coletivos Jovens em todos os estados do país, sendo, muitas vezes, subdivididos. Por exemplo, no estado de São Paulo existem 3 Coletivos principais: O Cj Sampa (capital), o Cj caipira e o Cj caiçara. Em cada estado, a organização é feita da forma que melhor julgarem os integrantes do coletivo.

Pessoas responsáveis e contato:
O Coletivo Jovem de Meio Ambiente tem como um de seus princípios internos a gestão participativa. Sendo assim não existe uma (ou algumas) figuras principais do coletivo, o que faz com que as formas de contato com estes sejam com qualquer pessoa que é participante do coletivo.

Como já foi citado, toda a organização do grupo é feita virtualmente, através das redes de e-mail (onde cada estado tem a sua), mas é principalmente na REJUMA (Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade) que se encontra integrantes de todos os coletivos estaduais trocando experiências e se articulando.

http://www.rejuma.org.br/

No site pode-se ver notícias, entrevistas, vídeos, imagens relacionados à educação ambiental, além de ter exatamente cada passo das articulações nacionais.

2- CONHECENDO A PROPOSTA

Como começou? Breve histórico.

Os Coletivos Jovens de Meio Ambiente, propriamente ditos, foram criados em 2003, pois era necessário a articulação de jovens para conduzir o processo de Conferências Nacionais Infanto-Juvenis pelo meio Ambiente.

As Conferências tem uma origem muito curiosa. A atual senadora Marina Silva conta que, um dia, sentada em sua cama lendo os materiais das Conferências Nacionais pelo Meio Ambiente, se deparou com sua filha mais velha fazendo muitas perguntas sobre o que era tudo aquilo. Marina, de uma forma fácil, foi explicando para a filha que as Conferências serviam para pensar os problemas ambientais nacionais e propor formas alternativas e participativas de resolve-los. A menina que escutava atenta, em determinado momento disse para a mãe que aquilo não fazia sentido: como que essas pessoas entre 40 e 60 anos estavam pensando em questões futuras, sem considerar as crianças e jovens? Foi aí que nasceu a idéia da realização da Conferência Infanto-Juvenil.

A partir disso e de muita articulação política por parte, principalmente, de Marina Silva, nasce o Órgão Gestor de Política Nacional de Educação Ambiental, formado pela união de dois ministérios: MMA (Ministério do Meio Ambiente) e MEC (Ministério da Educação). Essa foi a primeira vez na história que dois ministérios se juntam para uma realização comum de algo.

No processo para a Conferência Nacional, devem ser realizadas as Conferências nas escolas e depois as Conferências estaduais. Através da televisão, do site e outros meios, o órgão gestor divulga que, qualquer escola que quiser participar, pode solicitar uma Cartilha a eles, que será enviada para cada uma que procurar. Nessa cartilha, vai um explicação de como realizar a Conferência na sua escola, tendo 4 principais temas: conservação da biodiversidade, conservação da água, conservação do clima e conservação dos recursos energéticos. Cada escola deve escolha democraticamente com qual tema irá trabalhar e, a partir disso, aponta-se algum problema relacionado com o tema que deve ser resolvido, através de uma proposta também construída coletivamente.

Depois de realizada a Conferência na escola, os professores, alunos, funcionários e até mesmo a comunidade do entorno dessa escola deve montar um pequeno material: 3 fotos da Conferência realizada na escola; a escolha do tema; o problema; a solução do problema (proposta); um cartaz que trate mais ludicamente os assuntos que estão sendo discutidos.

Em assembléia cada escola deve escolher um delegado e um vice- delegado, entre os alunos, que tenha no máximo 16 anos. Neste momento, entra a atuação dos Cj's. Todo esse material chega a alguma ONG parceira de Coletivo Jovem e sempre neste local é feita a seleção de escolas. A partir daí os Cj's começam a organizar um encontro estadual, com as escolas que saíram de determinado estado. Dessas Conferências, vão, em média, 20 alunos por estado para a Conferência Nacional.

O momento dessa ação especifica realizada pelos Cj's, recebem o nome de COE (comissões organizadores estaduais).

Toda a organização deste processo tem três principais pontos para se entender os Cj, que são os princípios:

Jovem educa Jovem

Jovem escolhe Jovem

Uma geração aprende com a outra.

É seguindo esses princípios, que se dá toda a organização.

Tudo isso faz parte de um Programa do governo federal chamado "Vamos Cuidar do Brasil", que nasce pela a forte e persistente atuação de algumas figuras presentes nos ministérios que tem características de maior militância. Marina Silva, Raquel Trajber, Marcos Sorrentino etc.

De onde vêm os recursos materiais e as pessoas que trabalham nessa atividade?

Como já foi dito, os recursos materiais vem principalmente do governo federal, mas que só se responsabiliza pelo processo de Conferências em si.

Fora isso, cada Cj tem uma forma de articulação e estrutura local, que na maioria das vezes está liga ao poder público.

As parcerias e contatos com ONG`s também são significativas, na medida em que pode-se conseguir uma estrutura de escritório, por exemplo, como no caso do Cj Sampa que entre 2006 e 2008 teve uma sala com dois computadores e um telefone dentro do Instituto Ecoar para a Cidadania, no bairro do Paraíso. Hoje essa ONG rachou em dois setores (o cidadania e o florestal) e não há mais este espaço fixo. Mas há sempre conversa entre essas pessoas, que fazem parte tanto do Cj como de ONG`s.

Quais foram os resultados obtidos até agora?

Se for citar cada resultado de cada Cj este trabalho teria muitas e muitas páginas. Mas principalmente a realização dos encontros e das Conferências é a maior conquista deste coletivo que está indo para a IV Conferência.

Mas cada ação, cada projeto, cada pedacinho do trabalho é considerado um resultado, sempre significativo, que vai construindo em uma série de pessoas um espírito democrático, embasado em teorias e a prática cotidiana, sempre aprendendo com cada lugar que, obviamente, tem sua especificidade.

Quais os planos futuros?

São muitos, mas o mais próximo e que precisará de uma organização muito maior é mais cuidadosa, é a articulação da I Conferência Internacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, que já começou.

Está previsto para 2010 e será, com certeza, realizada no Brasil, pois afinal é aqui que tudo começou. Se tiver sucesso, começará a ser pensado formas de se realizar em outros países.

 

3- DISCUSSÃO

Como o grupo descreveria essa utopia? Ela tem um nome?

Acho que não há como dizer concretamente de que tipo de utopia estamos falando, a partir da experiência dos Cj´s. Existem pressupostos, princípios, valores que pautam o trabalho desse coletivo e que sem sombra de dúvidas eu compartilho. Baseados nos princípios ecológicos de Fritjof Capra principalmente, o entendimento de que as formas de organização naturais e sustentáveis podem ser "aplicadas" em formas de organização humana (humanos com humanos, humanos com o meio) é, ao meu ver, revolucionário.

Uma nova ótica sobre organização, que busca naquilo de mais primordial, que é a natureza e sua capacidade de sustentar a vida.

A forma de organização do Cj e a pretensão destes de expansão do coletivo, em nível de escolas, bairros, cidades até chegar no nível nacional é o que eu mais admiro. Principalmente porque, conhecendo muitas experiências desse grupo, sei que a qualidade dos processos e dos trabalhos é única, singular. O uso de metodologias específicas para cada forma de participação, que sempre gera um produto, é o que acredito ser, nesse contexto, utópico, se pensarmos em um nível praticamente inatingível que é a sociedade como um todo.

Que conceitos, conhecimentos e valores estudados no ensino médio (em biologia ou em outra matéria) foram importantes para a realização deste trabalho? Há coisas que não estudamos na escola e que seria interessante estudar para que um outro mundo seja realmente possível?

Os conhecimentos relacionados a ecologia, principalmente os discutidos no contexto da viagem de Ribeirão Preto, contribuíram para a formação (que ainda está muito no início) do que eu entendo por pensamento sistêmico.

A maioria das coisas que pode nos levar a caminhar para um mundo melhor não se aprende na escola, ao meu ver. É preciso colocar o pé no mundo, sair de casa, conviver com realidades para aí sim começar a pensar em uma mudança que considere todas as partes. É claro que, no nosso caso, o Equipe é um tanto transgressor nesse sentido, embora se mantenha nos padrões de educação socialmente e politicamente aceitos hoje em dia. Por isso inclusive que a viagem de campo para Ribeirão Preto foi citada, pois esse é o primeiro momento dentro da escola que somos forçados a sair um pouco de nossas casas, a sair um pouco de dentro de nós mesmos e de nossos vícios, vontades, confortos.

Mas acredito que a educação seja o caminho para qualquer utopia que pretende deixar de sê-la.


4- REFERÊNCIAS

Conversas com amigos integrantes do Coletivo Jovem de Meio Ambiente;

Conversas com Christianne Godoy, coordenadora na ONG Ecoar Florestal;

http://www.rejuma.org.br/;

http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=26158;

http://pt.wikipedia.org/wiki/Coletivo_Jovem_de_Meio_Ambiente;

Manual do Cj, disponível no site do Ministério da Educação.

Última atualização em Seg, 01 de Março de 2010 16:24  


Para que serve a educação?
 

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