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Projeto "Um Teto Para Meu País"

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Alunas:
Dafna Falbel Pondé
Iara Gueller
Renata Camargo Gomes

INFORMAÇÕES GERAIS

Escolhemos o projeto "Um Teto Para Meu País". É um projeto realizado em 15 países de toda a América Latina, com o objetivo de criar novas oportunidades e lares para as populações mais carentes, construindo casas de emergência e incluindo a população em planos de habilitação social. A idéia, porém, não é fazer o trabalho para os moradores das favelas, mas, sim, ajudá-los, criando mecanismos para que resolvam seus problemas, dar-lhes apoio necessário e gerar estratégias para melhorar e fortalecer as pessoas, para que depois elas mesmas possam através deste suporte melhorar sua situação.

Como visto a cima, UTPMP é realizado em 15 países da América Latina, incluindo Argentina, Chile, Brasil, Bolívia, etc. No Brasil, já foram construídas mais de 200 casas, em áreas necessitadas de municípios como São Paulo, Guarulhos, etc. Os locais de atuação são, simplesmente, locais de extrema carência e pobreza da população, que estejam necessitando de ajuda e se dispondo a melhorar sua própria situação com as próprias mãos.

Há vários responsáveis pelo projeto, coordenando a parte de voluntariado e formação está Victor Marinho, ainda estão na administração Marcelo Marzagão, Joana Ricci, Thais Grotti, Otávio Costa, Lucas Terra e Roberto Troster, divididos entre recursos, comunicação e marketing, logística, finanças, etc.

Em São Paulo, o endereço do escritório é Rua Heitor Penteado, número 1408, cj. 24. As formas de contato são por e-mail e telefone, Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. e 3675-3287.

 

2- CONHECENDO A PROPOSTA

A organização latino-americana Um Teto Para Meu País tem o objetivo de erradicar a pobreza. São construídas casas de emergência em favelas e depois são feitos planos de habilitação social e planos de "comunidade sustentável". Funciona através de voluntariado que é composto principalmente de estudantes, em sua maioria de universidades.

Para a captação de recursos, parte dos voluntários procuram empresas dispostas a ajudar o projeto, mas, além disso, alguns dos próprios moradores tentam dar um dinheiro, que não iria cobrir toda a construção, mas iria ajudar em parte.

Outros moradores que não têm como pagar esta parcela ajudam de outras formas, fazendo comida para os voluntários ou ajudando na construção de outras casas, já que quase sempre fazem parte da construção de sua própria casa de emergência.

As casas de emergência são casas de madeira feitas com o intuito de serem temporárias, já que só fazem parte de uma das etapas do projeto.

Com a construção destas feitas depois de interação e conhecimento melhor da comunidade carente, cria-se um vínculo maior com os moradores e líderes da comunidade que possibilita a formação da segunda etapa, denominada habilitação social, que através de estratégias orientadas pelos voluntários para diminuir a vulnerabilidade em que muitas famílias estão em relação à pobreza através de educação, microcrédito e apoio jurídico.

Assim, ajudar na construção das bases para que a comunidade possa se fortalecer e combater a pobreza. Esta etapa no Brasil ainda não foi viável, mas os planos são para que aconteça em 2010.

A terceira etapa são as comunidades sustentáveis com o objetivo de que as mesmas tenham acesso a melhores condições de vida. Assim, são feitos projetos de moradia definitiva (quando as políticas habitacionais dos países permitem). Procura-se gerar comunidades que se "auto-supram". Esta etapa só foi alcançada pelo Chile.

A história da organização Um Teto Para Meu País começou em 1997, com um grupo de estudantes chilenos apoiados por um sacerdote, Felipe

Berrios, que, inconformados com a situação de extrema pobreza que viam ao seu redor, tomaram a iniciativa de mudar essa situação e foram dando formato ao projeto.

Assim, foi se tornando mais conhecido e mais aberto a toda sociedade para que todos pudessem perceber as condições de vida de 200 milhões de latino-americanos.

Atualmente está presente em 15 países da America latina e em 2002, no Brasil, foi feito o primeiro projeto piloto e a fundação em 2006. Desde então foram construídas 200 casas de emergência e seu objetivo é crescer cada vez mais e erradicar a pobreza.

O trabalho com as comunidades carentes cresce cada vez mais e dá suporte a muitas pessoas para que saiam da pobreza.

A maior dificuldade que o UTPMP vem enfrentando no Brasil é a falta de voluntários, o que, infelizmente, não é tão fácil assim de inverter, pois parte do interesse de cada um. Eles vem tentando se fazer mais conhecidos, para ver se conseguem mais interessados, mas esta dificuldade está custando a ser superada. Justamente, porque a população parou de se importar com aqueles que precisam de mais ajuda já que estão muito preocupados com suas próprias situações.


DISCUSSÃO

Imaginamos que podem até existir diferentes utopias, mas se olharmos para o que pensam, pelo menos as pessoas ao nosso redor, que tem semelhante estilo de vida, poderemos chegar a um ponto para onde todas as utopias convergem. Possivelmente esse rumo comum seja algo realmente impossível, e as nossas pequenas idéias de utopia sejam propostas mais próximas à realidade.

Certamente que "um mundo desenvolvido sustentavelmente" é o que muitos de nós imaginamos como utopia "principal", mas a partir deste sonho podemos pensar em outras idéias que estão no caminho, e alcançam alguns objetivos dessa proposta irreal.

O equilíbrio é algo que julgamos necessário em vários setores da sociedade para que vários problemas encontrem uma solução. Muitas vezes a resolução de algum ponto crítico leva à melhora, ao caminho da resolução de outro, mas para isso é necessário encontrar um ponto de partida, e aqui temos várias alternativas.

Pensamos que trabalhar com a desigualdade social pode ser um início. Buscar soluções para as condições precárias de vida e trabalho de muitas pessoas pode trazer melhores condições para a solução de outros problemas.

Com a construção de uma classe com oportunidades e melhores condições de trabalho, por exemplo, a economia muda, o acesso ao capital possibilita uma melhor condição de vida que em uma relação de "feed-back" volta a colaborar para o acesso ao emprego para futuras gerações, por exemplo.

Além disso, pode surgir assim uma nova classe consumidora, que alterará a situação atual do mercado, influenciando na economia de forma a atingir outras classes sociais também e o Estado como um todo.

Iniciando essa igualdade entre classes a situação de todo país muda, inclusive os projetos do governo podem tomar diferentes focos. A ajuda do Estado para esse início é fundamental, e conforme a situação muda a intervenção deste órgão deve acompanhar o movimento.

Hoje em dia, por exemplo, a atenção que o governo deve dar as classes sociais mais baixas é muito grande, isso não que dizer que é assim que o Estado age, mas se diminuem ou desaparecem gradativamente os problemas nesse ponto, as atenções do estado podem voltar-se para outro lado, não esquecendo totalmente no que já investiu, mas dando prioridade a uma nova área que por sua vez estará mais necessitada.

Obviamente que todas essas relações só acontecerão deste modo perfeito numa utopia, em um modo de vida praticamente impossível de se alcançar. Mas partindo de um modelo como este, podemos esforçar-nos para chegar o mais próximo disso que pudermos, o que com certeza já será um grande avanço, e de certo modo trará as mesmas conseqüências, mas possivelmente em menor escala.

Nossa utopia não tem um nome específico, pois tampouco tem um fim definido. Como já apresentado, acreditamos na idéia de soluções que favorecem outras soluções e melhoras, levando o mundo em direção a uma utopia que não deve necessariamente ter um único objetivo, afinal o que seria uma sociedade perfeita? Não há sempre algo mais que pode ser melhorado?

*

Para pensar em tudo isto certamente os aprendizados que tivemos no Ensino Médio como um todo foram significativos. Com certeza as propostas de trabalhos de campo, principalmente Ribeirão Preto (Da rapadura ao biocombustível- onde está o homem nesse canavial?), Rio Pinheiros (Há vida inteligente às margens do Rio Pinheiros?) e Cubatão (É possível viver (s)em Cubatão?) nos marcaram de alguma forma, e isto influenciará sempre no nosso olhar sobre o mundo, nossas críticas e propostas para mudar a sociedade.

Para quem participou do Temático sobre desenvolvimento e sustentabilidade ministrado pelo professor Rodrigo Travitzki, os conceitos trabalhados e as discussões propostas também colaboraram para a realização deste trabalho, que poderia também ter se baseado em algum dos projetos que conhecemos em nosso campo à Ubatuba.

Reunindo todas essas experiências vivenciadas pelos alunos do Ensino Médio do Colégio Equipe, queremos destacar o conceito de Saúde Pública trabalhado nos três anos por diferentes matérias, e que neste trabalho, tratando ainda da UTPMP, é essencial para a reflexão sobre os problemas e soluções propostas.

A realização do ensaio como proposta de trabalho de conclusão de Cubatão também é um grande momento de reflexão que, mesmo sendo um projeto individual no qual a escolha de abordagem é livre, proporcionou grandes aprendizados de diferentes matérias e ainda de coisas que apenas são abordadas em trabalhos interdisciplinares.

*

O projeto que encontramos, é, provavelmente, o projeto mais realista, mesmo que busque uma utopia. Na verdade, a utopia existe em quase tudo que vivemos e vemos, a diferença é como nós lidamos com ela no nosso dia a dia. E é isso que muda o nosso relacionamento com a realidade que vivemos. O UTPMP não busca grandes ações, não tenta "mudar o mundo", "torná-lo sustentável" de um dia para o outro, propondo idéias quase mágicas e sem contar com a realidade em que vivemos, mas, busca encontrar saídas possíveis para mudar as coisas que podem talvez não fazer a diferença no mundo, mas com certeza nas pessoas que eles buscam ajudar, o que já vale pelo projeto inteiro, sendo ele utópico ou não.

Esta organização tenta utilizar os meios que têm para melhorar as coisas que a incomodam e chocam para tentar "melhorar o mundo" através da erradicação da pobreza, porém não acham que vão resolver tudo de uma vez, não buscam ser vistos como heróis, eles querem ajudar aqueles que precisam apenas pelo prazer de ajudar. Por ser composto em sua grande maioria por universitários, existem diferentes áreas em que o projeto pode ajudar as comunidades, já que cada voluntário tem seu conhecimento e especialidade, e tudo acaba sendo em pró da comunidade, entretanto ajudando também ao próprio universitário se focar em seus objetivos e entender como o que ele estuda pode mudar e ajudar as pessoas a sua volta.

Além disso, a organização do UTPMP é extrema, sua estrutura é feita com a intenção de fazer as pessoas compreenderem seu objetivo de um jeito claro e simples, buscando mostrar o que são capazes e o que querem de uma forma linear, dando vontade de se voluntariar. E o que é ainda mais interessante, o projeto é uma iniciativa a parte do governo e nunca ocorreu um pedido de ajuda, mesmo que este fosse útil. Isso mostra o quanto o Um Teto Para Meu País é real no que diz, buscando ser sustentável e utilizar o que têm com sabedoria, sem ficar procurando por mais, sem pedir ajuda e mais

material. Eles, admiravelmente, seguem o que passam para as pessoas que ajudam na Habilitação Social, eles não falam "da boca para fora", o que, às vezes, pode ser a marca da utopia gritante.

No Chile, por exemplo, o objetivo foi alcançado, e cada vez mais a pobreza diminui neste país. No Brasil, pelo projeto ser novo, ele vem tendo algumas dificuldades de crescer e emplacar, mas andam com as próprias pernas, e não tentam e, principalmente, não prometem (vagamente) fazer coisas que não são capazes só por parecer "romântico", mas sim fazem o que tem capacidade de fazer do melhor jeito possível o que, novamente, faz do projeto menos utópico e mais realizável, tornando-o mais bonito de se ver, compreender e realizar.

Podemos aprender com a experiência analisada neste trabalho que não adianta não fazer nada quando nos deparamos com situações de desconforto e, mesmo que resolver a situação que nos incomoda não esteja ao nosso alcance (o que, às vezes, não está no alcance de ninguém), nós sempre podemos fazer algo, por menor que seja. E o menor, em escala mundial, pode ser pouco, mas, se você olhar para cada pessoa singular que você ajudar, já foi alguém. Muitas vezes fazemos proposições muito maiores do que podem ser alcançadas, e pode ser por isso que algumas vezes desistimos no meio do caminho. Assim, acabamos por colocar em nossas cabeças que somos incapazes e que nada nunca seria eficaz, mas o importante nem sempre é fazer algo enorme e gritante, e sim, ajudar aos poucos, fazer a diferença no limite do possível, porque aí não é utopia, é realidade. Mesmo que essa frase inteira seja uma grande utopia. E é isso que é tão bonito no UTPMP, porque eles não buscam erradicar a pobreza com grandes movimentos e frases implicantes, como super heróis, e sim fazer o que podem do melhor jeito possível, buscando ajudar um grupo de pessoas de cada vez, e assim chegar ao seu objetivo de acabar com a miséria da América Latina.

O UTPMP sem dúvidas é um grande projeto e tem ótimas intenções, mas sempre há coisas que se procuradas ajudarão no constante melhoramento da proposta a que se dispõe.

Disponibilizar-se a "mudar a cabeça" das pessoas é algo realmente complicado, não que este seja o principal foco do projeto, mas por seu caráter de não dar como regalia uma moradia, uma melhor condição de vida e sim

oferecer instrumentos e oportunidades para que a população faça isso, acaba sendo necessário conscientizar as pessoas de que essa é uma melhor forma e contribuirá para o futuro delas mesmas.

Essa explicação deve ser necessária, pois no mundo de hoje, e cada vez mais isso acontece, as pessoas esperam ofertas e presentes, não sentem incômodo nenhum em receber nada, desde que isso não exija nenhum esforço delas próprias. Provavelmente essa ideologia esteja mais presente em classes sociais de maior renda, mas é algo que se dissemina cada vez mais em por toda a população. Em uma progressão crescente há uma grande desvalorização do esforço, não importa mais o caminho feito para se alcançar algo, apenas ter aquilo é o fundamental.


REFERÊNCIAS

Fonte: http://www.umtetoparameupais.org.br/

 

Última atualização em Seg, 01 de Março de 2010 16:25  

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