Um outro mundo é possível? Os alunos buscam respostas

Comunidade de Serviço Emaús Ubatuba

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Alunas:

Ana Claudia, Rachel, Marjorie

Utopia e Cotidiano

Comunidade de Serviço Emaús Ubatuba

INFORMAÇÕES GERAIS

A atividade que escolhemos como nosso exemplo de atividade eticamente adequada e que ajuda o mundo a caminhar em direção à nossa utopia é o Movimento Emaús, que se define como um movimento que luta contra as causas e conseqüências da miséria e contra a marginalização das pessoas.

O movimento tem como lema “a força da partilha” e hoje em dia já se espalha por quase todo o mundo. No Brasil, há comunidades Emaús em diferentes estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco e Piauí. Uma das comunidades de São Paulo, a que estudaremos mais a fundo neste trabalho, se localiza em Ubatuba, Vila Abbe Pierre, Rua Dois, número 10, CEP:11.680-000.

Blog da Emaús Ubatuba: http://comunidadeemausubatuba.blogspot.com/

Esta comunidade foi criada há dezenove anos, em 1990, tendo tido sua fundação oficial datada de fevereiro de 1994 e é dirigida e coordenada por Sr. Jorge da Cruz Oliveira (telefones para contato: (12)3833-6701/(12)3832-0265), baiano, que saiu de sua terra há treze anos com o objetivo de ajudar no estabelecimento do Movimento Emaús em Ubatuba.

Hoje em dia, na comunidade, vivem cerca de 24 famílias e 17 ex-mendigos em 23 casas, que são emprestadas às pessoas que lá chegam, até que estas tenham condições de se sustentar. É importante esclarecer que as casas não são doações, funcionam como um empréstimo com a intenção de que a família se estabeleça econômica e socialmente e cada uma das pessoas que vive lá assume um compromisso com o meio ambiente e tem de cumprir com algumas normas como: conservar a casa, respeitar o próximo e não consumir bebidas alcoólicas. Cada família é responsável por sua própria renda e a meta de seu Jorge é manter empregadas todas as pessoas que são aptas a trabalhar.

Além de fazer o máximo para fornecer independência a estas famílias, o Movimento Emaús também possui um princípio sustentável: “O lixo é separado e vendido; o esgoto é tratado por meio de um sistema alternativo, os resíduos viram adubo para as plantações; os dejetos dos porcos passam por um biodigestor e se transformam em gás natural e o alimento é cultivado em hortas da própria comunidade.” (NOTA DO PROFESSOR: atualmente o biodigestor está quebrado, quem sabe alguém por aí não se interessa em ajudar)

CONHECENDO A PROPOSTA

O movimento que surgiu na França, há 60 anos, em 1949, hoje adquiriu maior dimensão e já se espalhou por grande parte do mundo. Sua proposta é fazer com que haja maior solidariedade entre aqueles que vivem na pobreza, fazer com que eles tenham igualdade de direitos e melhores condições de vida.

Tudo teve início quando um padre francês chamado Henri Antoine Groués, também conhecido como Abbe Pierre, presenciando a cena de um ex-preso, Georges, que estava à beira da tentativa de suicidar-se, sugere que Georges o ajude a ajudar outras pessoas.

seu-jorge-emaus-ubatuba-tratamentoJá no Brasil, o movimento só veio a “nascer” em Abril de 1990, fundado pelo Padre João Benevides Rosário, com o intuito de oferecer a algumas famílias carentes a oportunidade de viver com dignidade e, posteriormente, o padre convidou Sr. Jorge da cruz Oliveira para conduzir o projeto da comunidade em Ubatuba e, até hoje, seu Jorge está neste encargo.

A Comunidade de serviço Emaús Ubatuba se estabeleceu com a ajuda de recursos da Comunidade Emaús da Europa e do movimento Emaús Internacional e, assim, foram construídas vinte casas que passaram a abrigar famílias que viviam na favela.

As principais dificuldades eram o tratamento do esgoto, visto que a comunidade foi construída pelos próprios moradores e constituiu-se em cima de um aterro sanitário. A solução deste problema foi o sistema de tratamento de esgoto, inventado por seu Jorge, onde os dejetos saem das casas por um cano e chegam à um tanque escavado contendo aguapés (plantas que auxiliam na purificação da água). Posteriormente a água passa por mais dois tanques, até que o processo de purificação esteja completo. Outro problema sério enfrentado, foi a baixa produtividade de alimentos, mas esta foi sanada por meio da assistência do Governo, que fornece cestas básicas e de recursos obtidos por doações.

As famílias que lá se estabeleceram, antes de morarem na comunidade, foram alvo de um trabalho de conscientização para a luta contra a miséria e as suas causas. O trabalho procura fazer uma valorização do ser humano, que inclui computação e datilografia, música, alfabetização de adultos, pré-escola, espanhol, e outros trabalhos, sempre visando a integração com o meio em que vivemos.

Hoje em dia, a Comunidade Emaús Ubatuba atende e beneficia cerca de 114 pessoas, que saíram da miséria e tem uma vida mais digna e autônoma. A Comunidade se mantém com a ajuda e esforço de seus moradores, que, juntos, trabalham no sentido de obter sucesso nas atividades que realizam, tirando delas subsídio às suas próprias sobrevivências. Além disso, há vários projetos e atividades em desenvolvimento, que visam beneficiar ainda mais toda a comunidade e desenvolver suas atividades, dentre estes:

- Projeto Traperia: consiste em recuperar objetos usados como roupas, aparelhos eletrodomésticos, móveis, brinquedos, e outros, com a finalidade de vender para as pessoas que não podem comprar esses objetos novos nas lojas, com isso, eles arrecadam dinheiro para pessoas carentes e é uma forma de trabalho para os que recuperam esses objetos.

- Horta Comunitária: A partir do cultivo feito pelos próprios moradores da comunidade, é possível a produção de alface, couve, coentro, salsinha, batata doce, milho, feijão e outros alimentos, para consumo interno por parte dos membros da comunidade.

- Projeto Marcenaria Escola: Com o objetivo da inserção de jovens no mercado de trabalho e geração de renda, foi desenvolvido com recursos de entidades ligadas à igreja (Paróquia Exaltação à Santa Cruz através do Frei Gastone Pozzobon), do Brasil e com uma comunidade da Itália e atende jovens entre 15 e 18 anos que aprendem marcenaria.

- Oficina de Oração: Iniciativa do grupo de jovens da comunidade, que tem como objetivo a retirada de jovens e adolescentes da marginalidade, por meio do conhecimento da palavra de Deus, para que aprendam a viver em Comunidade e a fazer o bem ao próximo.

- Projeto da Padaria Comunitária: Objetivo de envolver a comunidade num projeto de onde tirarão o próprio sustento.

- Projeto Inclusão Digital: Sonho da comunidade, tendo em vista a necessidade do mundo contemporâneo de se saber informática, baseia-se no objetivo de levar o conhecimento básico de informática à crianças e adolescentes que estão estudando e ainda não tiveram a oportunidade de entrar em contato com a informática, além disso, visa melhorar a aptidão destas crianças e adolescentes ao mundo do trabalho.

 

DISCUSSÃO

Tendo em vista a realidade que presenciamos no dia-a-dia, de uma sociedade desigual, onde muita riqueza se concentra nas mãos de uma pequena parcela da população e muitos enfrentam situações miseráveis, vemos como prioridade a reestruturação da sociedade, de modo que esta caminhe no sentido da instituição de uma sociedade mais igualitária, onde todos tenham a oportunidade de, ao mínimo, participar ativamente e não ser marginalizado.

Sociedade onde o acesso às necessidades básicas seja realidade para todos e ao invés de reinar a competição, reine a cooperação.

Além disso, assumimos como de suma importância o encaminhamento do nosso modo de vida, dentro do possível, a uma forma mais sustentável, onde convivamos com mais harmonia com o meio.

Para nós, a Comunidade Emaús caminha em direção a esta utopia pois, primeiramente, é um projeto que recebe a todo e qualquer um, ou seja, não possui iniciativa de segregação, estando de acordo com o ideal de ser acessível. Além disso, tem como base a cooperação, onde o trabalho de cada um da comunidade é importante para que se atinja o sucesso das atividades do local e, estas, garantem subsídio para que as famílias moradoras tenham uma vida digna e independente.

Trata-se de uma iniciativa de acabar com a miséria, que, hoje em dia, é um dos mais sérios problemas que enfrenta o nosso país. E este objetivo tenta ser alcançado tentando-se possibilitar e subsidiar a inserção das pessoas da comunidade no mundo do trabalho, com projetos como o Projeto Inclusão Digital e o Projeto Marcenaria Escola, além de buscar reintegrar aqueles que encontram-se marginalizados por alguma circunstância.

Sua tentativa de ser uma comunidade sustentável faz com que se repense o modo de vida, de maneira que, lá, o impacto ambiental produzido seja ínfimo. As hortas comunitárias das quais a comunidade cuida para que desta provenham alimentos para as famílias, são um exemplo de uma perspectiva de vida diferente, que foge ao sistema, na qual não se pensa na produção em larga escala para que se venda o excedente e obtenha-se lucro, mas sim numa pequena produção, suficiente, apenas, para alimentar a comunidade. O pouco resíduo que a comunidade produz é tratado e destinado lá mesmo. A água passa por um processo próprio de limpeza e os resíduos orgânicos são aproveitados como adubo. Os dejetos dos porcos passam por um biodigestor e se transformam em gás natural, ou seja, tudo é aproveitado ao máximo e, nessa perspectiva, são criadas novas formas e meios próprios, simples e alternativos de geração de energia, tratamento de água e aproveitamento de resíduos, que são acessíveis e objetivos para beneficiar a vida da comunidade.

E é por isso que a Comunidade Emaús de Ubatuba já concretizou grande parte de seus objetivos, desde que se iniciou. Dezenas de famílias já passaram por lá e, com a ajuda e contribuição dos moradores da comunidade, da região e dos organizadores, essas famílias, hoje em dia, adquiriram um grande suporte e já têm condições de vida muito melhores.

Mas como nada é perfeito, é importante ressaltar, também, que na Comunidade Emaús de Ubatuba, apesar de todos os benefícios trazidos aos moradores, estes tem que viver submissos a algumas regras da comunidade, impostas e objetivadas por seu Jorge, que é o “cabeça” do lugar. Não se trata de uma comunidade onde os moradores são livres para fazer o que querem, mas sim, assumem compromissos com a comunidade e com seu Jorge e, dentre eles, um exemplo é a não liberdade para pintar a casa da cor que queira. Todas as casas tem que ser padronizadas, como que para quem olha identificar mais facilmente que tratam-se de casas da comunidade, o que parece uma medida um pouco autoritária e patriarcal de seu Jorge. Apesar disso, talvez seja o papel moderador de seu Jorge que faça com que as coisas se encaminhem como devem, segundo o planejado, fazendo com que a comunidade tenha êxito em suas atividades e alcance seus objetivos. E, para nós, é admirável, não só que tenha surgido tão bela iniciativa, mas que haja alguém que, apesar de seus excessos, defenda-a com afinco.

Para nós, tendo em vista os conhecimentos que adquirimos ao longo dos anos sobre a organização da sociedade e do sistema em que vivemos, fica claro que o estabelecimento de uma comunidade como esta não é tarefa fácil - o que torna sua concretização ainda mais admirável - o que pode servir de explicação para o fato da Vila ainda ser relativamente pequena. Mesmo assim, com o bom encaminhamento e desenvolvimento desta, em parceria com as outras comunidades Emaús do resto do mundo, acreditamos que este projeto tem grande potencial como modo alternativo de organização social e modo de vida, fazendo o contraponto com o modo de vida insustentável e competitivo que adotamos hoje em dia.

Analisar uma comunidade alternativa como o Emaús é algo muito rico no sentido de enxergar que há outras maneiras de sobrevivência, por mais que a adoção generalizada deste sistema seja algo totalmente distante, idealista e utópico. Fica evidenciado que o simples fato de admirarmos e compactuarmos com algo ainda é muito pouco para que, de fato, cheguemos à este ideal.

Muita coisa teria de ser mudada e vivemos num contexto muito complexo. Afinal, se fosse fácil chegar ao sistema ideal, certamente não estaríamos neste estágio caótico em que estamos, mesmo assim, é bom ter algo em que se veja uma saída, algo em que se possa depositar credibilidade.

PARTE 4

Fontes de pesquisa:

Apostila do Trabalho de Campo do Curso Temático: Sustentabilidade e Tecnologia

http://ubatubense.blogspot.com/2008/04/especial-conhea-seu-jorge-do-emaus.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Ema%C3%BAs

http://www.ubatuba.sp.gov.br/noticias/view.php?id=1569

http://comunidadeemausubatuba.blogspot.com/2009/08/historia-da-comunidade-emaus-ubatuba.html

Última atualização em Seg, 01 de Março de 2010 15:21  


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