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OSESP: uma Orquestra em Direção a uma Utopia Cultural

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Utopia e Cotidiano

Uma Orquestra em Direção a uma Utopia Cultural

Texto por: Ivan Dantas e Isadora Borges do Amaral (nos. 13 e 15)

INFORMAÇÕES GERAIS

Fundação OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) - Organização Social de Cultura. A Fundação é responsável pela administração da orquestra e de projetos relacionados a esta.

Onde fica:

Sala São Paulo - FUNDAÇÃO OSESP-Organização Social da Cultura -R. Mauá, 51, CEP01028 900 SÃO PAULO SP

Direção Executiva:

Marcelo Lopes – Diretor Executivo

Fausto Marcucci Arruda – Superintendente Geral

Yan Pascal Tortelier – Diretor artístico

Fernando Henrique Cardoso – Presidente do Conselho de administração

 

CONHECENDO A PROPOSTA

De acordo com o estatuto da Fundação OSESP:

“Dos objetivos:

Artigo 4- A Fundação OSESP tem por objetivos apoiar, incentivar, assistir, promover e desenvolver a cultura, a educação e a assistencia social, nos termos deste estatuto”

Uma outra cláusula prevê a formação profissionalizante de músicos e a formação de público. Esses objetivos estão por exemplo na Academia da OSESP, ou em pequenas palestras, chamadas de “Para falar de música”, que se dão uma hora antes do concerto.

Embora a OSESP tenha muitos anos de existência, a Fundação OSESP é de criação recente. O que viria a se tornar a Fundação começa com a reestruturação da orquestra em 1997, quando falece o antigo diretor Eleazar de Carvalho.

John Neschling assume a orquestra com o plano de torná-la uma das melhores da América latina. Na época ela não tinha nem sede e ensaiava em um restaurante, os músicos, de baixo nível em sua maioria, eram mal pagos e estavam, desde a morte do Maestro Eleazar, se auto gerindo. John Neschling, como bom político que é, consegue verba enorme para seu projeto, contratando músicos estrangeiros(hoje, mais da metade dos músicos são de fora) e construindo uma sala nos níveis mais altos internacionais: a Sala São Paulo.

Nestes 11 anos o números de pessoas que trabalham com a administração da orquestra saltou de 3 para 120. A instituição da Fundação Osesp – cujo Conselho de Administração é presidido por Fernando Henrique Cardoso – ocorreu em 22 de junho de 2005, e conseguiu com o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, o Contrato de Gestão, o que se deu em 10 de novembro de 2005.

Além da orquestra a Fundação administra também a Academia da OSESP que é uma das melhores instituições de ensino musical do país, além de oferecer uma bolsa de estudos de mil reais por mês, entretanto ela abre pouquíssimas vagas (até 5 neste ano para todos os instrumentos, ano passado apenas 2 entraram) e é praticamente impossível passar lá se você não tiver contatos com os músicos da orquestra.

Os recursos vêm do Estado de São Paulo, entretanto o maior problema desta fundação é que ela pertence a Organização Social (OS) Santa Marcelina Cultura, que controla também a antiga ULM, atual EMESP(escola de música do estado de São Paulo) e a Pinacoteca. Ou seja, é uma entidade privada, dita sem fins lucrativos, que controla e direciona essa imensa verba pública. Esta OS por exemplo, ao assumir a diretoria da ULM decidiu demitir todos os professores e recontratar alguns apenas, diversos alunos tiveram suas aulas prejudicadas e novas vagas não foram abertas, os alunos de regência, por exemplo, estão há mais de um ano e meio sem professor desta matéria.

Artisticamente a orquestra progrediu muito com a demissão de Neschling, por ocasião de diversas discussões com o governador e com o secretário de cultura, que se deu ano passado. Embora tenha muitos contatos que o possibilitaram fazer com que a orquestra renascesse, ele era um péssimo maestro. A etapa de criar uma orquestra de qualidade, creio, já foi concluída, resta agora a tarefa mais difícil: formar um público para ela e deselitizar a música de concerto, principal problema desse gênero no mundo inteiro atualmente.

 

DISCUSSÃO

A utopia que criamos é a de uma cultura mais democrática, e menos elitista. Lembremos que existem dois aspectos de acesso à cultura. Primeiro quanto à possibilidade de acesso concreto da obra. Se o indivíduo possui a oportunidade de ficar à frente de um quadro, comprar o livro, ou tocar algum instrumento. Segundo quanto à compreensão da obra, em que, mesmo que o indivíduo possa apreciar um quadro à sua frente, precisa também ter a capacidade de entende-lo. Este aspecto é mais importante que o primeiro.

A atividade é uma maneira de se caminhar rumo a esta utopia por causa de seus projetos de maior democratização da música clássica, como, por exemplo, pelos ingressos por preços baixíssimo (cerca de dois reais) para concertos majoritariamente matutinos, e pela iniciativa do ‘Ingresso da hora’. Esta propõe a dez minutos do início do concerto, os ingressos que sobrarem por dez reais, independentemente do lugar. Trata-se de uma boa orquestra com bons estudantes admiráveis e o público no geral tem contato com ela, como na virada cultural.

No entanto, no geral ainda é cara e elitista. Há também o fetiche pela mercadoria, no caso pelo virtuosismo: muitos espectadores vão assistir concertos não pela qualidade musical, mas pelo nome de grandes solistas, regentes, ou mesmo pelo nome que tem a OSESP hoje em dia. O melhor exemplo deste fetiche talvez seja o disco gravado por Emanuelle Baldini, spalla da OSESP, cujo título é “Emanuelle Baldini: Virtuoso”. Existem solistas internacionais que são quase pop-stars da música de concerto, por exemplo Sarah Chang que tocou com a orquestra ano passado: ela tocou mal, julgando que como estava no Brasil ninguém entenderia de música, mas foi muito aplaudida. Os aplausos, alias, são de praxe, não importa se o concerto foi ruim, todos aplaudem por um longo tempo.

De nada serve uma boa orquestra sem um público para ela. A OSESP já possui um projeto de formação de público, mas ainda é insuficiente. É preciso trabalhar mais nessa iniciativa. O que, por um lado, significa que está a caminho da utopia quanto ao maior acesso por causa do entendimento.

Os conceitos e conhecimentos estudados no Ensino Médio que foram importantes para realização desse trabalho foram os de cultural de massa, em contraposição com a alta cultura, que se relaciona com a oposição entre profano e sagrado. O pensamento de Nietzsche também foi importante, pois o filósofo pregava a alta cultura, além de ser rigorosamente crítico quanto à cultura de massa ou burguesa. Podemos, então, nos indagar quanto à OSESP ser alta cultura ou cultura burguesa. O fetiche da mercadoria se manifesta no fetiche pelo virtuosismo, e Nietzsche já fala em seu livro “O nascimento da Tragédia” que isso poderia ocorrer no campo da música(obviamente não usa o conceito marxista de fetiche da mercadoria).

Podemos aprender com a experiência analisada que estamos num possível rumo à concretização de uma utopia, apesar de ainda estarmos distante dela. É importante ressaltar que a palavra ‘utopia’ não deve ser utilizada enquanto um sonho impossível de ser realizado, como o é vulgarmente. Ela na verdade significa um ideal, ou mesmo um sonho, que não é possível de ser concretizado nas condições vigentes do lugar e do contexto, mas não é impossível: existe a possibilidade da utopia em uma outra sociedade com condições diferentes da atual, onde a cultura possa ser acessível e que prove falsa a famosa frase de que tudo que é arte não pode ser para as massas.

REFERÊNCIA

HTTP://www.osesp.art.br/osesp/fundacao/pdf/estatuto_fundacao_osesp.pdf

Última atualização em Qua, 02 de Dezembro de 2009 13:17  

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