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Felicidade Interna Bruta (FIB)

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Alunas:
Bruna Batalhão
Sofia Osório


2.Nome da prática escolhida e descrição do trabalho realizado.
Felicidade Interna Bruta (FIB)
O projeto propõe um novo medidor de progresso das nações, que levaria em conta não só a produção e a capacidade de consumo da população como também seu bem-estar e a sustentabilidade econômica do Estado. Este novo medidor (FIB) estaria mais de acordo com as novas e crescentes preocupações mundiais em relação ao meio-ambiente e à busca por uma forma de desenvolvimento sustentável. A taxa de desenvolvimento econômico de um país passaria a levar em consideração, por exemplo, o grau de degradação ambiental necessário para o aumento da produção. Já os números de desenvolvimento humano também levariam em conta o julgamento das próprias pessoas em relação à sua felicidade, por exemplo.

3.Local, duração, pessoas responsáveis e contato.
O projeto foi implantado a princípio no Butão, na década de 1970. Atualmente, a ONU apóia a pesquisa e a implantação desta prática não só no Butão como no resto do mundo através do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, presidido por Karma Dasho Ura. A psicóloga e antropóloga estadunidense Susan Andrews trouxe o projeto recentemente para o Brasil e a responsável pela tentativa de implementação deste no país. Ainda não há sede da comissão da coordenadoria para o FIB no Brasil.
- Acessória de imprensa do FIB no Brasil: Simone Paranhos. Telefones: (11)33415372 ou (11) 96333958. e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

4. Qual é a utopia do grupo?
A nossa utopia se refere a um modo de vida no qual as posses, a dominação dos objetos, a propriedade privada, e o próprio dinheiro não sejam determinantes na esfera das relações sociais e não limitem as possibilidades da própria vida. Na nossa sociedade as relações sociais são sempre permeadas pelo capital, influenciando diretamente nossa possibilidade de acesso aos espaços.

5. Por que a prática escolhida foi considerada como uma maneira de nos aproximarmos dessa utopia?
O projeto FIB propõe um medidor de desenvolvimento em termos mais holísticos, no qual a produção e o consumo não são os principais aspectos a serem analisados. Passa-se a considerar aspectos mais subjetivos, como o bem-estar da população.

6 e 7. Como esta prática se iniciou? Um breve histórico.
O FIB foi implantado em 1972 pelo rei Jigme Singye Wangchuck no Butão, um pequeno país na região dos Himalaias. Atualmente as preocupações em relação à degradação do meio ambiente têm se conflitado com a necessidade de desenvolvimento dos países; a assinatura do protocolo de Kioto e outras exigências que vem sendo elaboradas por ambientalistas não podem coexistir com a demanda de produção atual. Com isso torna-se inadequado considerar o PIB um medidor de progresso do país, fazendo com que o FIB seja visto como uma alternativa que se adequa aos novos paradigmas políticos, sociais e econômicos.

8. Fonte de recursos e pessoas
A ONU, através do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), financia atualmente as pesquisas relativas ao FIB tanto no Butão como no Brasil e em vários outros países.

9. Resultados obtidos até agora
Por enquanto ainda não foram divulgados resultados estatísticos. Entretanto, uma pesquisa realizada recentemente no Butão revela que os aspectos valorizados pelo FIB naquele país (como bem-estar, espiritualidade e religiosidade) têm sido cada vez mais citados pelos cidadãos como fundamentais para a felicidade em lugar de outros aspectos como a taxa tributária, que era mais citada há alguns anos. Isso revela a crescente aceitação da população em relação a este novo medidor. Em breve, o Centro de Estudos do Butão deve divulgar resultados oficiais baseados no cruzamento de uma série de pesquisas feitas com a população. 

10.Dificuldades encontradas até agora.
Talvez as maiores dificuldades encontradas em relação ao projeto tanto no Brasil quanto no próprio Butão sejam a desconfiança das pessoas em relação ao mesmo, a dificuldade em se levar a sério a idéia quando se dá tanta importância ao capital. O investimento em pesquisas acerca da relevância e da adequação da efetivação do projeto em outros países (investimento este que vem sendo feito por órgãos da ONU) teria fundamental importância no sentido de consolidar a idéia. Há uma certa tensão no Butão neste ano em relação à manutenção do projeto do FIB em vigência no país, uma vez que 2008 é ano de eleições parlamentares e há a possibilidade do primeiro-ministro eleito não ser a favor ou não dar a devida importância ao FIB. Desta maneira, considera-se que o rei da nação deva assumir um papel de "guardião" do FIB, para que este ideal não seja esquecido no âmbito das políticas estatais, como teria ocorrido na Tailândia, por exemplo. Para o sucesso da prática é necessário, tanto lá quanto aqui, que o governo acredite nela, trabalhando no sentido de promover o desenvolvimento do país também no campo subjetivo, isto seja: promover políticas que favoreçam a manutenção da felicidade e do bem-estar dos cidadãos e do meio-ambiente.

Em relação à implantação da prática especificamente no Brasil, será necessária muita cautela, já que existem enormes diferenças entre as situações do nosso país e da terra-natal do projeto. O Butão é um pequeno país, de apenas 700 mil habitantes, regido por uma monarquia parlamentarista e cuja população habita, majoritariamente, no campo. Logo, as pesquisas de desenvolvimento se fazem necessárias para que se crie um projeto apenas baseado no projeto butanês, seguindo a mesma idéia de valorização de aspectos subjetivos.

11.Análise e discussão dos aspectos "positivos" e "negativos" (do ponto de vista do grupo) desta prática.
Um ponto delicado no projeto estaria justamente na impossibilidade de se medir fatores tão subjetivos, como a felicidade. É certo, todavia, que os investimentos em pesquisas relacionadas a este projeto passam também pela busca da forma mais adequada de se faze-lo. Porém, como tornar questões tão subjetivas e particulares (é importante lembrar que o projeto se propõe também a registrar dados bastante objetivos) em dados estatísticos? Nós notamos que a tentativa por medir ou quantificar adequa  tal projeto na lógica de organização do sistema, que é justamente o que nos incomoda. Contudo, percebemos que talvez seja mais eficiente a ação que parta de dentro, tendo em vista a impossibilidade de se sair desta forma de organização que pauta o mundo atualmente.

O aspecto mais positivo do projeto é justamente o fato deste considerar também fatores imateriais como necessários para a existência de felicidade, ainda que no capitalismo. Estamos certas de que não basta elevar o poder de compra da população para que esta viva e se sinta melhor. Além disso, se a proposta obtiver ampla aceitação mundial e forem aceitos novos valores desenvolvimentistas, é possível que consigamos tornar a organização do mundo mais sustentável.

12.Que conceitos, conhecimentos e valores do ensino médio (estudados em biologia ou outra matéria) foram importantes para a realização deste trabalho?
Os conceitos de pensamentos holísticos e sistêmicos foram de muita importância, já que a prática só foi escolhida porque compreendemos que a felicidade das pessoas e o crescimento de um país são questões complexas que envolvem muito mais do que o aumento dos poderes de compra e de produção. Além disso, a valorização da sustentabilidade também tem um enorme peso neste trabalho, e nós acreditamos que este valor, no âmbito econômico mundial, possa ser mais "palpável"  se outros fatores forem aceitos como indicadores de desenvolvimento.

Certamente, a maior importância da própria proposta do trabalho está em nos fazer perceber a importância que as utopias têm (já que é impossível que haja mudanças sem desejos), além de identificar os valores socialmente aceitos e aqueles que nos movem.

13.Um outro mundo é possível?
As massas, o proletariado, os trabalhadores e o povo, segundo Marx seriam responsáveis pela revolução que transformaria o sistema capitalista em um capitalismo de estado. Mas, a história nos mostrou que a revolução ou as simples mudanças não serão protagonizadas por tais grupos.

Diante da crise que estamos vivendo é impossível dizer que o mundo pode continuar organizado do modo como está, ela também nos faz refletir sobre a forma da organização atual, e outros possíveis planejamentos.

A sociedade moderna é guiada pela razão instrumental (racionalidade) que cria consensos para que a crítica (razão argumentativa) se manifeste, pois a razão instrumental é sempre capaz de se recompor nesta lógica. Dessa maneira, o único meio de modificar a organização atual seria se o detentor do poder (da economia e política) criasse crises que guiassem a critica para que esta se manifeste em função de uma nova idéia, que consiga sair da lógica capitalista e modificar a organização em todos os níveis.

14.Fontes de pesquisa
- Centro de Pesquisas do Butão: www.bhutanstudies.org.bt
- I Conferência Nacional sobre o FIB (realizada em 29/10/2008 no Sesc Pinheiros)

Última atualização em Qua, 02 de Setembro de 2009 19:21  

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