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O instituto IPEMA e a permacultura como modo de vida

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Aluna:
Laura Audi Feigenblatt

1- INFORMAÇÕES GERAIS

A instituição "eticamente adequada" escolhida por ter atividades que acredito ajudarem no caminho da minha utopia é o IPEMA - Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. Esta instituição tem como objetivo propagar a permacultura, visando a formação de ecovilas e comunidades humanas sustentáveis.

O IPEMA promove cursos com a finalidade de conscientizar e capacitar as pessoas na utilização da permacultura, formação de ecovilas e atividades relacionadas, além de incentivar discussões e debates com os quais se procura encontrar modos inovadores e adequados de se resolver problemas sociais, econômicos, ambientais e políticos.

A sede do instituto se localiza no município de Ubatuba, no Estado de São Paulo, onde realizam a permacultura e praticam a agrofloresta, além de construírem todas as suas instalações com materiais reciclados, de reforma, pau-a-pique e materiais naturais característicos da região, como o bambu. Também utilizam o banheiro seco, pois procuram formar ciclos fechados em tudo que fazem, de modo a diminuir o máximo possível o impacto causado no meio ambiente.

Pode-se entrar em contato com o IPEMA através do telefone 12 3848 2682, sendo o horário de atendimento das 8hs às 12hs e das 14hs às 17hs, ou através da internet pelo email Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , para maiores informações pode-se consultar o site www.ipemabrasil.org.br.

 

2- CONHECENDO A PROPOSTA

O instituto atua desde 1999 e baseia-se no conceito de permacultura desenvolvido na década de 70 por David Holmgren e Bill Mollison. Esta não é a única instituição que atua neste sentido, existindo até mesmo uma Rede de Ecovilas das Américas e uma Rede Global de Ecovilas, nas quais se busca firmar relações entres as ecovilas para se trocar informações de modo que se possa obter um aperfeiçoamento e uma ampliação deste modo de vida.

Uma das principais características e objetivos é a não produção de resíduos inúteis, a partir de sistemas cíclicos eficientes, interligados e bem planejados. E que visa também a auto-suficiência.

Para a obtenção de alimentos é realizado o cultivo de frutas, legumes e folhas, em um esquema de agrofloresta. Este esquema consiste basicamente em se plantar todas as variedades numa mesma área, entre as plantas já existentes de uma floresta nativa. Para isso estuda-se os nutrientes necessários e produzidos por cada planta que se terá naquele local, de modo a otimizar a plantação, organizando-as estrategicamente.

Outra vantagem na variedade de espécies é a de que não é preciso preocupar-se com agrotóxicos, inseticidas ou pesticidas, pois as pragas são específicas de uma planta, e mesmo que acabe com a sua produção ainda há uma variedade de outros alimentos. Deste modo não há contaminação nem do solo, nem da comida por produtos químicos.

Vê-se um dos sistemas cíclicos neste ponto. Todo o "lixo orgânico" gerado pelo consumo dos alimentos produzidos é separado e colocado em uma composteira, na qual é misturado com um pouco de terra, serragem e é decomposto por minhocas. Esta decomposição gera o húmus, grande fertilizante de solo, que é aplicado nas agroflorestas.

Gentilmente chamadas de "recursos humanos", as fezes, depositadas nos banheiros secos e cobertas com serragem, também se tornam ótimos adubos depois de um tempo e são outro exemplo de ciclo fechado. Não é recomendado aplicá-las diretamente no solo pois contém toxinas, as quais não tem efeitos negativos depois deste processo.

O minhocário também é organizado de modo cíclico e interligado, pois as minhocas migram sozinhas para a composteira com "lixo orgânico" mais recente. O que poupa trabalho. Este é mais um exemplo de vantagem da utilização da permacultura, que procura basear-se nos conhecimentos e técnicas científicos de modo a trabalhar em conjunto com a natureza, gerando sistemas eficientes que precisam do mínimo de intervenção.

Na ecovila há galinheiros rotativos, para que se possa mudá-los de lugar depois que as galinhas já tenham arado e adubado a terra, ciscando e com o esterco, de modo que se aproveita uma terra preparada enquanto as galinhas viabilizam a utilização de um outro espaço de terra para uma horta.

No IPEMA também é aproveitada a água utilizada para lavar a louça e para tomar banho, pois utiliza-se sabão de coco, e a de escovar os dentes, pois utiliza-se juá ou cinzas moídos, que não agridem a natureza. Esta água passa por um filtro biológico, composto por plantas que limpam a água, em diversos níveis, e depois de tratada a água é utilizada para a irrigação das plantas, como se vê na imagem ao lado. images/stories/aguasistemasdesenho.jpg

Os dormitórios, o escritório, a cozinha e os banheiros secos são ou foram construídos pelas pessoas que fazem ou fizeram os cursos disponibilizados pelo IPEMA, com o auxílio daqueles que fornecem o curso, também como um meio de se aprender as técnicas de uma ecovila. Os materiais da construção variam entre telhas de tudo de pasta de dente, pilares de antigos postes, materiais de reformas, pau-a-pique e trama de bambu e o chão é feito de uma mistura de uma medida de cimento para vinte de terra. Valoriza-se a utilização dos recursos locais, por exemplo, se há bambu, não há razão para trazer madeira da Amazônia.

A energia elétrica utilizada na ecovila é, atualmente, produzida por placas de captação da energia solar, mas existe um projeto de produzir energia com a queda da água da cachoeira, já compraram uma turbina (com o dinheiro dos cursos), mas o projeto ainda não foi realizado. Outras fontes de luz são as velas, lanternas e lampiões.

Para as embalagens vazias, sacos plásticos e outros materiais inorgânicos deu-se a função de material de produção. Sacos de supermercado, por exemplo, são picotados e utilizados como "espuma" de almofada. Outros materiais podem ser utilizados na escola da região para a produção de brinquedos.

    Os planos futuros da instituição condizem com seus objetivos1:

    Promover o desenvolvimento sustentável e integração de natureza econômica, social e ambiental;

    Praticar a tecnologia da PERMACULTURA em sistemas diversificados de agricultura orgânica, consórcios e plantios perenes de agricultura, arquitetura, saneamento e artesanato, visando uma produção diversificada, integrar e promover o intercâmbio entre velhos e novos conhecimentos, respeitando a liberdade nas relações humanas, o bem estar, a paz, a harmonia e a felicidade;

    Expandir a utilização dessas técnicas no entorno e na região, transformando a comunidade local em um exemplo de eco-vila: assentamento humano que busca o desenvolvimento sustentável com o mínimo de impacto ambiental;

    Prestar serviços de pesquisa, de educação e capacitação na área de desenvolvimento sustentável;

    Ser um centro de informações, conexões, demonstrações e vivências do tipo:
    Produção de material didático na forma de vídeo, livros, apostilas, Internet;

    Ministrar aulas teóricas e práticas;

    Promoção de ações de recuperação e manutenção de áreas degradadas;

    Promover o intercâmbio e convênio com instituições ambientalistas, científicas, culturais, nacionais e internacionais, incluindo universidades e a iniciativa privada;

    Conscientizar os cidadãos da necessidade e importância da reciclagem dos resíduos sólidos para redução dos problemas ambientais da região;

    Criar um banco de sementes e um viveiro para serem usados em reflorestamento;

    Oferecer assistência técnica especializada.

 

    3- DISCUSSÃO

Em vista dos problemas atuais que eu identifico tais como o efeito estufa, a poluição da água, do ar, do solo, o desmatamento, a morte dos animais, etc, além dos problemas sociais e econômicos, e imaginando que devem existir realidades em outros contextos, os quais eu nem imagino, eu me vejo constantemente levada a pensar que deveria haver um outro modo diferente de organização em diversos níveis e setores.

Não acredito, de modo algum, que deveríamos deixar as nossas tecnologias e indústrias e viver como se vivia há séculos atrás, antes dos problemas ambientais. Pelo contrário, acredito que devemos aprimorar e utilizar os nossos conhecimentos e técnicas para criar um sistema de produção mais limpo e eficiente.

No entanto, não acredito que o problema seja a falta de tecnologia, mas que exista uma falta de interesse dos donos dos meios de produção, em vista dos gastos que uma indústria tem para que não polua. De modo que seria preciso uma conscientização geral de que se continuarmos produzindo como se produz hoje não haverá "amanhã" para se gastar o dinheiro acumulado.

O principal foco da minha utopia se tornou então a permacultura, não no sentido apenas do plantio, mas no sentido completo de cultura permanente. Para que se perpetue a cultura do homem no planeta, é preciso entender como ele funciona e adaptar-se, não adaptá-lo. Aprender a utilizar os recursos que a Terra nos oferece de modo inteligente, racional e sem resíduos inúteis, para danificar estes recursos o menos possível, para que sempre os tenhamos.

Além disso os sistemas cíclicos estreitam os laços entre os diferentes campos de produção, e a procura pelo não excedente gera uma relação de troca de excedentes entre os sistemas. O que está sobrando para um é o que falta para o outro, e então eles se completam.

Idealmente, as relações acima se dariam não só no nível fabril, mas no nível das relações sociais também. Se isso de fato ocorresse, talvez o homem se tornasse menos egoísta, pois o benefício de um seria o de todos, e também os malefícios, uma vez que todos são interdependentes.

O IPEMA foi considerado uma maneira de se caminhar para esta utopia porque se baseia exatamente no conceito de permacultura, e, até onde pude perceber, lá se estabelecem relações pessoais semelhantes às descritas. Todos os objetivos do instituto, se aplicados em nível mundial, aproximam-se da utopia, embora não a realizem totalmente.

Existe um pouco menos de individualidade do que o imaginado na utopia, mas no contexto tão restrito que se encontra, seria difícil de conseguí-la sem afetar o funcionamento do instituto, pois há um número limitados de atividades que são realizadas. Um dos problemas para o alcance da utopia a partir desta prática é que ela se restringe bastante ao seu local. Além disso ela não consegue abranger o universo das indústrias, pelo menos por enquanto.

Acho que não teria toda a consciência e indignação frente aos problemas identificados na atualidade se não fosse por todos os trabalhos de campo que realizei neste ensino médio: Ribeirão Preto, Cubatão e Parati (cujas atividades foram realizadas também em Ubatuba e na Cajaíba).

 

4- REFERÊNCIAS

http://rizomas.net/cultura-escolar/47-material-didatico/74-bom-filme-sobre-a-questao-ambiental.html

http://www.ipemabrasil.org.br

1Objetivos retirados do site do IPEMA.

Última atualização em Qua, 02 de Setembro de 2009 19:22  

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