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CULTURA DIGITAL

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Aluna:
Clara Prado

Responsável pelo projeto:
Claudio Prado
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O Cultura Digital, projeto que integra membros da sociedade civil com o MinC é um projeto que distribuiu entre os períodos de 2004 a 2008 ferramentas multimídia livres para aproximadamente 600 pontos de cultura espalhados pelas periferias urbanas e rurais do Brasil.

"Cultura Digital é um conceito novo. Parte da idéia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O que está implicado aqui é que o uso de tecnologia digital muda os comportamentos. O uso pleno da internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte." (discurso  do ex ministro Gilberto Gil, em 10 de agosto de 2004, na USP.)

Este projeto resultou na descoberta de que o uso pleno das possibilidades interativas da internet podem fazer com que populações que vivem realidades do séc. XIX pulem direto para o século XXI.

O Cultura Digital nasceu da interlocução de alguns grupos de ativistas da sociedade civil com os responsáveis pelo programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, a sede do programa, por sua vez é o Ministério da Cultura e mais as organizações não governamentais e os pontos de cultura espalhados pelo Brasil.

Segundo Claudio Prado (coordenador de políticas digitais do MinC), o Cultura Digital funciona por ¨processo de contaminação virótica¨ que é desencadeado através de oficinas de conhecimentos livres e tecnologia livre, onde os participantes que, como regra, nunca ouviram falar de download aprendem a registrar uma experiência cultural multimídia e publicá-la no cyberespaço.

Os recursos naturais para o empreendimento deste projeto vêm, principalmente do governo, mas também dos grupos de ativistas que coordenam os pontos de cultura digital e conforme este vai se expandindo, vão surgindo cada vez mais novos membros que participam e colaboram para a realização do mesmo.

 

Entrevista com Claudio Prado (coordenador de políticas digitais do MinC) e Gilberto Gil (ex-ministro da cultura).

http://www.youtube.com/watch?v=kdulNy4XAnE

RESULTADOS

Os resultados obtidos até agora foram muitos. Em conversa com Claudio Prado, o mais importante é o desencadear de um processo que aumenta de uma forma muito relevante a auto-estima das pessoas. Isso se dá, pelo fato de apresentar tecnologia àqueles que nunca a viram. Segundo ele, são duas as principais maneiras de exclusão que podem parecer intransponíveis. Uma delas é: ¨computador é muito complicado, só se eu tiver estudo¨ e como sabem que as condições de estudar são difíceis se julgam incapazes de entender. A segunda maneira é: ¨isso é muito caro, nunca vou ter dinheiro pra comprar¨.

Para vencer estas resistências, o método consiste em desmontar um computador em peças soltas sobre uma mesa e depois montá-lo de novo ¨é como um lego, onde têm três buracos encaixa a peça com três pinos¨ explica Claudio Prado ¨fácil de ser montado e desmontado, e isso faz com que uma boa parte das pessoas comecem a fazer perguntas, se isso acontece é porque já está havendo a inclusão.¨ Ocorrem também nas oficinas, construções de tecnologia de ponta com lixo, como por exemplo antenas sem fio para transmissão de banda larga usando latas de óleo. ¨Ocorre aí uma desmistificação da tecnologia de ponta e sobretudo a idéia de que tem que ser caro.¨ Segundo Claudio, essa experiência desencadeia nas pessoas um processo denominado ¨sevirismo¨ - a condição de se virar. Termo inventado pelos membros do Cultura digital.

DIFICULDADES

As maiores dificuldades encontradas no projeto de ação do Cultura, foi realizar um projeto de ponta dentro de uma estrutura governamental que é licenciada por leis que supostamente direcionam o dinheiro para a gestão pública, "mas as vezes acaba ocorrendo justamente o contrário" e a dificuldade de compreensão de novas idéias.

"A solução foi um série de pessoas ousadas que tiveram muito afinco pelo projeto, vencendo a inércia do funcionalismo público, o governo foi hackeado" explica Claudio.

Futuramente, o projeto do ação Cultura Digital, tem como proposta fazer com que este projeto não seja mais tão dependente do governo, e criar condições para que este conhecimento não se perca. Ampliar os conhecedores cada vez mais para aumentar a sua acessibilidade.

 

A utopia

A minha utopia se dá na medida em que todos gradualmente tomam conhecimento dos meios de se tomar conhecimento. E o Cultura Digital para mim é uma forma de se chegar a esta utopia porque proporciona e está proporcionando cada vez mais que as pessoas, principalmente aquelas de mais baixa renda, em palavras diretas, pobres, passem a descobrir que acessar a tecnologia pode ser fácil e barato.

A industrialização, a revolução tecnológica está num processo acelerado. Há alguns anos atrás, a bateria de um celular era três vezes maior do que o tamanho de um celular de hoje em dia. Além disso, as ferramentas que se pode usar em um aparelho destes (usando como exemplo o celular, que é apenas um dos milhões avanços da tecnologia), estão cada vez mais compactas. Em um aparelho destes, você tem câmera, acesso à internet, música e até televisão. Eu vejo o avanço da tecnologia como um meio de mudanças radicais sociais através da mobilização mundial de conhecimentos e autonomia que se cria através dela. O problema do mundo está na ignorância, na falta do saber do que está acontecendo por aí. A partir do momento em que todos, ou quase todos, ou uma boa parte deste todo começar a andar com seus próprios pés, novas idéias poderão surgir fazendo com que surja um mundo melhor, mais equilibrado e justo.

Um ponto negativo é a falta de mobilidade do governo, a dificuldade de se criar uma autonomia do projeto, até por questões de verbas, o que, acredito, deve ser superado com o tempo.

Segundo meu entrevistado, Claudio Prado, que não tem formação universitária, não foi necessário nenhum conhecimento específico do ensino médio para a realização deste projeto. Mas é claro que ele não fez isto sozinho. Os hackers, os montadores e desmontadores de computador, provavelmente tiveram que ter um ensino sólido sobre algumas coisas para fazer o que fazem.

Mas eu acho que o mais importante de tudo na escola não são as lições de química, ou as de matemática, de biologia, mas sim o que aprendemos de mais importante na escola é a usar o nosso cérebro. É aprender a aprender. Aprender a se comunicar, a pesquisar, a descobrir nossos interesses e fazer com que eles nunca se percam. A escola é apenas o começo para um longo processo chamado vida.

A escola ao meu ver, é atrasada. Ainda estudamos num contexto fabril. Cinqüenta minutos para assuntos específicos divididos por áreas, uma corneta avisando quando começa e quando termina, carteiras para frente etc. Tenho esperanças de que isto uma hora há de mudar. E quem sabe o Cultura digital não ajude para que isso ocorra.

*

Pude aprender com este projeto que a mobilização em conjunto tem um grande poder. Muitas pessoas unidas em prol de uma utopia, de uma vontade, um desejo de mudar as coisas pode proporcionar coisas que sozinho ninguém conseguiria. E é muito bonito como tudo foi acontecendo ao longo deste trajeto de 2004 a 2008, como tudo foi dando tão certo, como as pessoas foram se apaixonando a partir do momento em que compreendiam o que estava acontecendo, e é como se fosse uma grande onde que fosse levando cada um que passasse por ela. Muito bonito mesmo!

E me levou também.

E espero que este trabalho possa, na medida do possível, contaminar outras pessoas.

 

Fontes de pesquisa

- Entrevista com o coordenador de políticas digitais Claudio Prado.

- http://docs.google.com/Doc?id=dgf9tcdt_32g8qnzvwp&pli=1

- http://www.cultura.gov.br/site/2004/08/10/ministro-da-cultura-gilberto-gil-em-aula-magna-na-universidade-de-sao-paulo-usp/

- http://www.cultura.gov.br/blogs/cultura_digital/?p=119

- http://www.softwarelivre.org/articles/45

Última atualização em Qua, 02 de Setembro de 2009 19:43  

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