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Neojibá: ensino e prática de orquestra para crianças baianas

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Alunos:
Arthur, Celeste,

Pedro Nishiyama

Regendo pela mudança

 

I. INFORMAÇÕES GERAIS

O Neojibá é um projeto que busca reduzir desigualdades sociais por meio do ensino e da prática orquestral para crianças e adolescentes baianos. Desde de 2007, o Teatro Castro Alves acolhe a orquestra juvenil, composta por 107 instrumentistas. Agora em 2008, uma nova orquestra está nascendo, com crianças de 5 á 12 anos que iniciam sua formação musical.

O pianista e gestor da Orquestra Sinfônica da Bahia, Ricardo Castro, é o regente destas orquestras infanto-juvenis e de todo o projeto.

" Sempre tive interesse pelo social quando era jovem, mas fui feito para ser músico. Pela primeira vez, vi que dava para casar as duas coisas. Eu não era tão feliz na Europa. Não me traz felicidade, não me é suficiente dar concertos e recitais e receber milhares de dólares. Meu papel na sociedade não estava sendo bem comprido. A possibilidade de trazer o programa e transformar alguma coisa fez com que eu aceitasse modificar a atividade como concertista e me dedicar ao projeto na Bahia."  (Ricardo Castro)

 

II. CONHECENDO A PROPOSTA

O projeto Neojibá acontece na Bahia há 1 ano. Ocorrem diariamente ensaios coletivos e aulas especificas por instrumento, e uma vezes por semana, no Teatro Castro Alves, há um ensaio geral da orquestra, esta composta por: violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta, oboé, clarinete, saxofone, fagote, trompa, trompete, trombone, tuba e percussão.

A idéia vem de uma experiência sinfônica testada e exercida na Venezuela há 33 anos ininterruptos, que hoje ensina 250 mil jovens e crianças de distintas classes sociais, uma movimentação social considerada única no mundo.

O intercâmbio com a " Fundación del Estado para el Sistema Nacinal de las Orchestras y coros juveniles y infantiles de Venezuela", possibilitou a criação do Neojibá.

No momento em que o governo baiano inicia um grande projeto e não arca com todas as suas conseqüências financeiras é necessário que os organizadores lidem com as despesas e busquem patrocínio.

Além do custo existente com instrumentos, roupas, alimentação e transporte dos músicos; há complicações jurídicas, a respeito de uma futura sede da orquestra, e de como formar uma associação independente do governo.

Mesmo com as dificuldades, resultados estão sendo obtidos. Há uma orquestra atuando e outra dando seus primeiros passos. Alguns músicos mais experientes recebem formação pedagógica especifica para ensinar futuras crianças iniciantes.

No futuro, se espera que o projeto ganhe mais força, podendo se estender por todos os municípios do estado da Bahia, fazendo com que crianças e jovens (de 5 à 23 anos), de diferentes classes sociais, possam dialogar através de uma mesma atividade, o que é inédito no Brasil. Além disso, se espera que os jovens que saírem das orquestras possam estar com uma base de conhecimento e experiência educacional capaz de os inserir no mercado da música e na sociedade.

 

III. DISCUSSÃO

Como diz a música de John Lennon, "Imagine all the people, sharing all the world (...)". Nossa utopia se trata de uma sociedade menos dividida em ilhas, na qual as pessoas possam crescer e estar juntas. Ao menos, juntas no processo de aprendizagem e na troca desta, estando em contato com os mesmos meios e possibilidades do conhecimento universal, ou como diz aquele velho ditado, "bebendo da mesma fonte". Pois deste modo, em longo prazo, o processo de aprendizagem e a experiência de coletividade e unidade,  gerariam aprendizados que se transformariam em instrumentos a serem tocados em conjunto, fazendo o mundo entrar em sintonia e harmonia, como uma orquestra.

O objetivo do projeto Neojibá não é tirar os meninos da rua e ocupá-los com um pouco de arte ou outro tipo de entretenimento local, mas sim, ensiná-los que é possível uma interação alcançável em um teatro no centro de Salvador, do qual todos podem entrar e sair. Possibilitando assim, uma experiência nova em relação ao espaço público, ao ensino e as relações. Não há um núcleo, uma parte da cidade, ou uma classe social que seja mais beneficiada nisso. Nesse aspecto, acreditamos que o projeto se aproxima de uma utopia por não querer dar uma ocupação aos jovens, mas transferir conhecimentos que proporcionam uma interação social e uma rica vivência educacional, para a toda a vida.

Em nossas viagens de campo com o Equipe, aprendemos que nada existe de forma isolada. É necessário ter uma visão mais ampla e critica, que para tratar de algo não desconsidera todo o contexto . Com a experiência que tivemos nas viagens, em que a complexidade das coisas parece cada vez maior, tal qual a dificuldade de resolvê-las, percebemos como, na abrangência, é difícil encontrar alguma medida social que produza em nós otimismo.

Um projeto social pode ter uma grande intenção mas nela enxergar somente uma parte da realidade, em um processo sutil de conformismo. O objetivo de uma orquestra, assim como o do Neojibá, é tentar viver o todo.

Achamos que seria importante estudar mais a América do Sul na escola, porque sabemos muito pouco sobre ela, e o tamanho e a eficácia de um movimento social como esse na Venezuela, do qual ninguém ouve falar, nos impressionou.

 

 

IV. REFERÊNCIA

Entrevista com Anna Mariani

Revista Muito, Salvador, 26.10.2008; entrevista com Ricardo Castro.

Última atualização em Qua, 02 de Setembro de 2009 19:37  


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