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Melancia sem sementes: Para quê e para quem?

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Melancia sem sementes:

Para quê e para quem?

Biologia

Prof. Rodrigo Travitzki

Colégio Equipe

23/06/09

João Beltrão nº14

Kristopher Robinson nº18

Pedro Lima nº28

Rachel Figueiredo nº29

Rafael Chad nº30

ÍNDICE

Introdução. - 3 -

Metodologia experimental - 4 -

Discussão. - 7 -

Conclusão. - 9 -

Referências. - 11 -


Introdução

O grupo escolheu falar sobre a pesquisa na área alimentícia por acreditarmos que  desta forma estaríamos mais próximos a nossa realidade. Nos apareceram vários produtos e pesquisas no ramo, que se realizavam de formas diferentes e obtinham resultados dos mais diversos. Depois de algumas discussões pensamos que o mais interessante seria discutir algo capaz de movimentar bastante a sociedade e que não fosse algo do conhecimento de todos, como as batatas Pringles, obtidas através de combinações genéticas. Não sabemos, mas muitos dos alimentos que consumimos são transgênicos, o que indica a sua manipulação genética para que se tornem mais bonitos, saborosos, mais resistentes a pragas, para que dêem o ano todo, entre outras transformações na seqüência genética do alimento. Transformações que algumas vezes são feitas para que haja um aproveitamento maior do alimento e outras apenas para que ocorra uma valorização dele, apenas em função do lucro que os produtores podem obter. Um alimento que nos apareceu e chamou a atenção de todos nós foi a  melancia sem semente. Este nos apareceu como um alimento criado apenas para que pudesse ser mais valorizado no mercado já que é muito consumida. Hoje a melancia gera uma fonte de recursos em todo o mundo de aproximadamente 7 bilhões de dólares por ano. No Brasil, apesar de sua produção e comercialização ser pequena estima-se que ela movimente 300 milhões de dólares por ano, produzindo 1 milhão de toneladas por ano. Os estudos sobre esta nova variação da fruta já vêm se estendendo por décadas, porém se estreitaram nos últimos anos com o aprimoramento tecnológico.  Os primeiros estudos ocorreram na década de 30, porém só foram divulgados na década de 50, desde lá muitas pesquisas vem sendo feitas, cruzando melancias diplóides e tetraplóides. Estas pesquisas têm a intenção de obter uma fruta mais saborosa e sem sementes, e no ano de 2000 conseguiram desenvolver uma semente da melancia sem sementes, colocando no mercado uma nova variação da fruta. O que nos espanta e o que nos leva a discutir é que esta variação genética é feita apenas para que possam vender mais caro um mesmo produto, alterando um detalhe, não para que seja possível uma melhor distribuição deste alimento, levando em conta a desigualdade social mundial.

Metodologia experimental

Em linhas gerais:

A melancia sem sementes é obtida a partir do desenvolvimento e cruzamento entre 10 linhagens diplóides (2n=22) e tetraplóides (4n=44), obtendo-se, deste cruzamento, uma terceira linhagem, triplóide (3n=33) híbrida. Isto é, em plantas normais, diplóides, sabe-se que os cromossomos homólogos na meiose, originam dois grupos de 11 cromossomos que migram para os pólos opostos da célula, formando 4 gametas com 11 cromossomos cada. Em plantas triplóides, o número de cromossomos que fazem esta migração são variáveis, ocorrendo formação de gametas com o número de cromossomos que variam de 11 à 22. O hibridismo caracteriza uma produção genética entre duas espécies distintas, que dão origem à uma espécie geralmente estéril, devido aos seus genes incompatíveis. As células que possuem o número de cromossomos dentro do intervalo de 11 à 22, produzirão gametas inviáveis, com óvulos sem capacidade de fecundação (o que dá origem ao nome triplóide híbrida). Isto faz com que não ocorra formação de sementes, restando apenas vestígios brancos, que são comestíveis. O procedimento é bem sucedido, pois, como citado à cima, para que ocorra a formação de sementes verdadeiras é necessário que os óvulos possuam 11 ou 22 cromossomos, respectivamente, e a probabilidade de que isso ocorra é de 1 em cada 1000 frutos triplóides, o que significa 0,1% de chances desenvolverem-se melancias com sementes verdadeiras. O processo para gerarmos híbridos triplóides, é dividido em duas etapas: a) Transformar plantas diplóides em tetraplóides a partir do método de Indução de poliploidia e identificação das plantas tetraplóides. A indução de poliploidia, é feita a partir da aplicação de uma substância conhecida como colchina, que tem como função quebrar a seqüência normal do ciclo da mitose. Isso ocorre pois esta substância evita a formação das fibras do fuso acromático durante a divisão celular, com isto, não há migração dos cromossomos duplicados para os pólos da célula e quando a membrana nuclear se forma, obtemos uma célula com o dobro de cromossomos que possuía no início do ciclo. Para  determinar o nível de ploidia  das plantas  com resultados mais precisos, utilizam-se duas técnicas: - A análise citogenética: muito trabalhosa, requer tempo, o que dificulta a análise de muitas amostras. - A citometria de fluxo: exige equipamentos sofisticados, nem sempre disponíveis em centros de pesquisa.

Por isso, apesar destes dois métodos serem mais precisos, há outros mais freqüentemente utilizados que podem ser obtidos com base no tamanho e viabilidade do grão de pólen, no tamanho e densidade dos estômatos foliares e no número de cloroplastos por par de células-guarda. Em plantas tetraplóides o número de cloroplastos por par de células-guarda é em média maior que 19, contra 11 em plantas diplóides. Mesmo sendo uma técnica prática e eficiente, a contagem de cloroplastos em estômatos na superfície foliar de plantas recém-induzidas, não há como diferenciar o nível de ploidia, característica que identifica a planta tetraplóide, não havendo descendência diplóide. Partindo deste princípio, uma forma de identificar a planta tetraplóide é observar suas características morfológicas. Abaixo, quadro comparativo entre linhagens tetraplóides e linhagens diplóides de melancia:

PLANTAS TETRAPLÓIDES

PLANTAS DIPLÓIDES

Folhas mais largas, grossas e arredondadas(Stoner e Johnson,1964)

Folhas mais finas , estreitas e alongadas

Caules mais largos e espessos(idem  acima)

Caules mais finos

Flores maiores(idem  acima)

Flores menores

Crescimento lento(karchi et al.;1981)

Crescimento rápido

Menor número de ramificações(  idem acima)

Maior número de ramificações

Frutos mais arredondados(Souza et al.;1981)

Frutos mais alongados

Cicatriz das pétalas mais largas(Andrus et al.;1971)

Maior número de sementes

Menor número de sementes(Karchi et al.;1981)

Sementes mais largas(idem acima)

[Quadro comparativo extraído na íntegra do site http://www.ufv.br/dbg/bioano01/div50.htm ]

b) Cruzamento das plantas tetraplóides com as plantas diplóides, para se obter a planta triplóide híbrida.

O cruzamento das plantas tetraplóides com as diplóides é feito a partir da polinização controlada, na qual o pólen da planta diplóide entra em contato com os estigmas das plantas tetraplóides, originando a planta triplóide híbrida: sem sementes.

Discussão

Em casos em que o uso da engenharia genética pode interferir diretamente no equilíbrio natural do corpo humano, há divergências de opiniões mesmo entre cientistas a respeito de questões éticas e de saúde, acerca da prática de modificação gênica. Um exemplo relacionado as questões éticas envolvidas nessa nova tecnologia sendo desenvolvida é o uso de células-tronco, seja para curar doenças, ou para clonagem, já que se confrontam com alguns ideais religiosos conservadores, de que apenas Deus teria tal capacidade. No caso da engenharia genética nos alimentos e frutas, a polêmica é menor, já que o espécime não sofre com as alterações causadas a ele, o problema relacionado às plantas transgênicas é principalmente o que essas alterações podem causar a nós depois de consumirmos tais frutas.

É fato que em curto prazo a melancia sem semente não causa nenhum mal ao ser humano, isso já foi comprovado, não só por pesquisas cientificas, como na prática, já que esse produto já pode ser encontrado no mercado, aprovado legalmente pelo Ministério da Agricultura do Brasil, e com o selo do SIF(o Serviço de Inspeção Federal). Porém algumas pessoas não estão certas quanto a segurança da ingestão deste em um longo prazo. Há muitas críticas a respeito dos alimentos geneticamente modificados alegando-se que, talvez, daqui a trinta ou quarenta anos, quem tiver ingerido tais produtos, venha a sofrer por causa disso.

Nosso grupo não vê o caso com um olhar pessimista, pois acreditamos que o processo genético que influencia no desenvolvimento de uma melancia sem sementes , assim como seu resultado não são em nada radicais, e nem propõe grandes alterações genéticas, apenas gera-se indivíduos triplóides ao invés de indivíduos diplóides ou tetraplóides. Concordamos que não há muito sentido em afirmar que a melancia sem semente venha a causar danos graves à saúde de seus consumidores após um longo tempo, sem uma prova concreta, afinal, a fruta não chega a ser uma droga, como já foi explicado, a única diferença desses indivíduos para os outros aos quais estamos acostumados é que eles são triplóides, reduzindo assim quase por completo a chance de seus óvulos se desenvolverem e virarem sementes.

Outro fator muito importante a ser levado em conta é o de que o ser humano vem selecionando geneticamente frutas desde que começamos a plantar. Sempre induzimos espécies a se transformarem no que queríamos que elas fossem através de cruzamentos seletivos, ou seja, alimentos geneticamente modificados não são tão recentes assim se analisarmos, e portanto não são ao todo uma novidade.

É claro que existe uma diferença fundamental, essas outras manipulações genéticas levaram muito tempo para se concretizarem e foram feitas de uma maneira, por assim dizer, mais natural. Já no caso da melancia sem semente foi usado o conhecimento adquirido nesse último século a respeito de genética e as alterações foram feitas em nível microscópico.

Por enquanto é impossível dizer se é verdade ou não que tais produtos podem causar danos a longo prazo, para comprovar essa teoria é necessário que haja esse intervalo de tempo, ou seja, precisaremos esperar alguns anos para que tais suspeitas sejam confirmadas ou eliminadas, uma maneira empírica de comprovação, nem um pouco recomendada, se tratando da saúde de seres humanos, mas nosso grupo apóia a engenharia genética em alimentos, achamos que essa técnica pode ajudar muito tanto a vida do consumidor quanto a do produtor, sem prejudicar os indivíduos que sofreram a mutação. O que nos faz questionar a validade deste novo campo tecnológico e sua aplicação, é a maneira como o mercado se apropriou de tais métodos : ao invés das modificações genéticas beneficiarem na distribuição dos alimentos, podendo fazer com que sejam produzidos nas mais adversas condições climáticas, por exemplo, o que ocorre em realidade é que somente usa-se a modificação genética para que haja uma espécie de lapidação do produto, podendo ser cobrado mais pelo alimento

Conclusão

Ao estudarmos, um caso específico de engenharia e modificação genética, o da melancia sem sementes, fomos capazes de nos confrontar com questões que abrangessem um contexto mais amplo dessa tecnologia, e sua aplicação. Como por exemplo : Para que, efetivamente, são feitas tais manipulações? O que se ganha com isso, pois algo se deve ganhar, dado o tanto que se gasta com investimento em pesquisa? Faz sentido que tal tecnologia seja apropriada pelo mercado para simples beneficiamento de produtos considerados naturais? Frente à essas inquietudes, em conjunto pudemos debater e chegarmos a algumas considerações finais. Percebemos que hoje divulgam-se muitas novidades no campo da engenharia genética, e muitos experimentos aparente bizarros são encontrados, como por exemplo, gatos fluorescentes, experimento realizado na Coréia do Sul.

O que se pensaria de um experimento como esse, à primeira vista seria "bolas de pelos brilhantes, um pet "estilo" ". Mas, obviamente a proposta não é essa. O intuito dos cientistas com esse experimento, seria, segundo afirmação da própria equipe sul-coreana responsável, verificar o sucesso na inserção artificial de genes em animais fazendo com que seja útil como "marcadora" no desenvolvimento de terapias genéticas contra doenças hoje intratáveis.

É possível perceber então que muitos dos experimentos de modificação genética não tem como finalidade o resultado do experimento em si, mas o que ele pode influenciar em outras pesquisas, e disso o grupo concorda que se mostra de maneira explícita o papel da ciência, na sua essência, desenvolvimento de conhecimento, e aprimoramento tecnológico com fins de melhorar a vida dos seres vivos, no caso primordialmente a dos seres humanos. Então é que surge a pergunta do que se ganha com isso. Poderia ser considerado o simples e direto fato de melhoria da vida da humanidade como um todo, mas concordemos que quem investe o próprio dinheiro, inclusive governos, não está preocupado com o bem da humanidade em primeiro lugar. Não, quem investe quer retorno, seja em dinheiro, seja em vantagens exclusivas, seja em prestígio geopolítico no caso de países, mas sempre quem investe quer um retorno palpável, reconhecível.

Nessa lógica é que encontramos um paradoxo entre o que a ciência se proporia em sua essência, e a maneira pela qual a ciência e a tecnologia foiram apropriadas por aqueles que concentram em suas mãos o crucial fator financeiro, em especial necessário para desenvolvimento da engenharia genética, sendo esse um campo científico-tecnológico muito caro para ser financiado.

É desse paradoxo que chegamos à consideração final de que tem de ser alterado o propósito central acerca do desenvolvimento tecnológico-científico da engenharia genética, e inclusive dos outros campos de desenvolvimento tecnológico como um todo, apesar de sabermos que tal mudança de mentalidade, de paradigma, é inesperável dentro da lógica sistêmica e organizada de produção atual. A pesquisa, o desenvolvimento da ciência e de tecnologias deveriam ser unicamente ligados ao interesse de melhoria comum à todos os indivíduos da humanidade, e não estarem atrelados a interesses corporativos e políticos.

Quanto à questão ética envolvida na engenharia genética, não acreditamos estar em posição de sobrepor a nossa opinião sobre a de ninguém, e dessa mesma postura é que analisamos que vem a polêmica acerca da bioética, a insurgência de algo novo para todos faz necessário que todas as opiniões acerca do assunto tenham igual valor, para que se crie em consenso o leque de definições do que seria considerado certo ou errado, apesar de que atingir um consenso em relações éticas sempre perpassa dificuldades, como podemos ver até hoje relacionado à questões de aborto, por exemplo, ou como no enfoque do trabalho, os transgênicos.

Referências

  • http://www.ufv.br/dbg/bioano01/div50.htm
  • http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/BGU/2002/Volume1/031.pdf
  • Fundamentos da Biologia Moderna, vol. Único, AMABIS & MARTHO, 4ª edição, Moderna, 2006
Última atualização em Qua, 02 de Setembro de 2009 00:27  


A sua escola tem (tinha) muito "decoreba"?
 

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