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Um insustentável negócio

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alunos:

Gabriela Barcellos Bugelli

Kristopher Homem de Mello

Curso temático: sustentabilidade e tecnologia

Professor Rodrigo

Colégio Equipe

UM INSUSTENTÁVEL NEGÓCIO

 

Justificativa do trabalho

Escolhemos para o foco deste trabalho o desenvolvimento de um projeto de uma casa dita sustentável com o intuito de entender melhor sobre novas tecnologias sustentáveis para que pudéssemos fazer uma crítica consistente e legítima às tais novidades. O caráter do produto final é de pesquisa, e se caracteriza como uma, pois refletimos acerca de tecnologias ligadas à sustentabilidade para testarmos a nossa hipótese de que a sustentabilidade é hoje, em grande parte, um negócio no qual o lucro é tido como a principal meta, e não a real busca por soluções à problemas ambientais, como o uso excessivo de matéria prima e de desperdício de insumos que vemos atualmente.

Logo, explicita-se que não é um projeto técnico somente, de construção de uma casa sustentável, apesar de ter sido necessário estudarmos acerca do assunto para que não inferíssemos de maneira errônea sobre o que se deve criticar de maneira positiva e de maneira negativa em relação às tecnologias sustentáveis que estão sendo vendidas.

 

Como seria e quanto custaria uma casa sustentável

Sabem aquela casa que faz captação de água da chuva, aproveita de maneira muito eficaz a energia elétrica, economiza tudo e mais um pouco, recicla, tem estufas, faz o próprio adubo, reutiliza água, enfim, aquela que tem tudo para ser considerada uma casa sustentável? Bom, ela não é. Para que uma casa seja considerada sustentável é necessário um certificado da GBC (Green Building Council), chamado de LEED. Então nada de dizer que seu sítio em Teófilo Otoni que faz adubo verde é uma casa sustentável. Pra comunidade científica só o é caso tenha o LEED.

Mas para que se gostaria de ter um certificado como esse? Justamente pelo bom negócio que são as tecnologias sustentáveis, um projeto desses não só dá mais visibilidade para empresas que o patrocina, como as destaca no mercado.

Existem três requisitos básicos para que um projeto de casa sustentável tenha direito ao certificado LEED: custo, ou seja, não pode custar mais do que custaria uma casa normal, porém nesse normal, entenda-se uma casa normalmente grande, cara e luxuosa; saudável para o habitante, por exemplo, tem que ter boas condições de temperatura, conforto, qualidade do ar e etc.; e eficiência máxima do conceito de "sustentável", ou seja, aquele reaproveitamento de 40% que podem ser obtidos em tecnologias como lâmpadas econômicas, fluorescentes, não conta, tem que ser obtido um aproveitamento e reaproveitamento de resíduos que beire os 100%. Logo é compreensível que não tenham tantos projetos de casas sustentáveis sendo realizados formalmente no Brasil, principalmente.

 

Quanto ao projeto de casa sustentável, os problemas que têm de ser resolvidos são o de água, esgoto e geração de energia (mecânica, elétrica e térmica). Abaixo apresentamos possíveis soluções para estes problemas.

 

Sistema hidráulico de captação, reutilização e filtragem

A casa sustentável poderia ser equipada com cisternas para a coleta da água de chuva, colocadas sobre o telhado, em número proporcional ao tamanho de cada imóvel.

O sistema hidráulico seria fechado pois reutilizaria a água captada até uma nova precipitação. Quando a nova água fosse filtrada, entraria no sistema e substituiria uma parte da antiga, renovando-a.

Uma solução seria o sistema trabalhar com águas de torneiras, pias e chuveiros (as de sanitários não se misturariam). Depois da utilização e de serem tratadas, elas voltariam ao ciclo.

Para o tratamento, a água passaria por um filtro produzido com brita, carvão, areia de construção grossa, areia de construção fina e areia de aquário, podendo ser adicionados ainda a sílica, que retém a umidade e posteriormente a sujeira, e o kevlar, um polímero com moléculas estreitamente ligadas. Por fim, receberia o cloro em proporções mínimas, a fim de evitar que bactérias se proliferassem. Também existe, já comerciável, na internet inclusive, a possibilidade da luz ultravioleta ser utilizada para eliminação de bactérias, cujo funcionamento físico-químico não faz sentido ser demonstrado neste trabalho.

 

Sistemas de captação elétrica: solar, hidráulica e eólica

Uma opção conhecida para a obtenção independente de energia é o sistema de placas fotovoltaicas que apresenta grande eficiência, porém de custo benefício discutível. A média de preço de painéis solares é na faixa de 800 reais, dependendo de sua potência, algo inacessível para a maioria da população brasileira.

É possível também um sistema gerador de eletricidade por pressão hidráulica constituído por dínamos, ou mini turbinas, instalados em sessões especificas dos canos, que partem do estoque de água, no sótão, até o térreo. Uma vantagem deste sistema é que o térreo não necessita de pressão, utilizando a transformação da energia potencial gravitacional para geração de energia. Este sistema geraria parte da energia da casa, como apoio ao sistema de captação de energia solar.

Além do sistema de captação solar, e hidráulico, pesquisamos também um sistema eólico de captação de energia constituído por cata-ventos. Posicionados na inclinação das “águas” do telhado, captariam o vento que chega retilineamente e criariam uma corrente ascendente acelerada por contraposição acompanhando a forma do telhado, girando, e transformando energia mecânica em elétrica.

 

Sistema de eliminação de resíduos orgânicos

Os dejetos ou qualquer tipo de biomoléculas provenientes dos sanitários, da cozinha, do quintal (como restos de folhas), etc, nesse sistema iriam para um biodigestor de dupla ação (aeróbico e anaeróbico), onde seriam decompostos por bactérias. O produto da decomposição poderia ser transformado em um adubo nutritivo. Este adubo seria conduzido até as plantas por pequenas bombas hidráulicas, programadas por um computador geral. Assim, já supridas de suas necessidades nutricionais, as plantas não precisariam ser adubas ou regadas. Os gases provenientes da decomposição seriam extraídos por um filtro de carvão ativado e poderiam ser usados na cozinha.


Prevenção de desperdícios

O maior desafio da casa sustentável seria utilizar os recursos de forma mais inteligente. Para isso, são fundamentais vários sistemas de prevenção de desperdício. Pensamos em algumas soluções práticas que reduzirão o consumo e sugerimo-las:

-Sensor térmico de presença: cada cômodo contaria com um sensor, que seria ativado pelo calor emitido por uma pessoa, assim se o indivíduo saísse do quarto e fosse para o corredor, a luz do quarto imediatamente se desligaria e a do corredor se acenderia.

-Sensor de abertura e fechamento de torneiras: as torneiras, pias e chuveiros contariam com sistemas de abertura e fechamento automatizado, seja por sensores de movimentos (já utilizados em shoppings no Brasil, por questões de higiene, evitando o contato das mãos com a válvula manual de uma torneira) ou de pressão (como por exemplo, apertar levemente com os cotovelos na base na pia, enquanto a usa, sistema inédito, ainda em pesquisa, mas aplicável), para que fosse evitado o uso desnecessário da água.

-Aeradores: todas as torneiras e chuveiros trabalhariam em baixa pressão e com aeradores que misturariam água e oxigênio, reduzindo o uso de água.

 

Substituição de aparelhos

Para minimizar os gastos de energia, pensamos em recriar/modificar os dois utilitários que mais desperdiçam energia: as lâmpadas (de filamento e fluorescentes) e os chuveiros.

-Lâmpadas de acrílico: como as lâmpadas de filamento gastam 75% de sua energia em calor e as fluorescentes além de fazerem mal à visão, dão a impressão de pouca luminosidade, sugerimos um tipo de lâmpada já existente, a “lâmpada lediana de luminosidade difundida” também conhecida como "lâmpadas de acrílico" ou "lâmpadas de led". Elas usam pequenos leds de alta luminescência colocados nas laterais de um material transparente que possa difundir a luz: como água, vidro, ou no caso, acrílico.

A grande vantagem destas novas lâmpadas é sua eficiência, pois os Leds não se queimam por desgaste de uso e utilizam pouquíssima energia (cerca de 1,5 volt). Porém, nota-se que o custo médio é de 50 reais por lâmpada.

-Chuveiros de aquecimento solar: Um sistema de aquecimento solar para os chuveiros elétricos poderia gerar economia energética de até 35%, ainda nem perto da eficiência de 100% sustentável exigida para ter o certificado LEED, mas já abateria grande parte da conta de luz do habitante, e da conta do meio ambiente, sendo que seria necessário produzir menos energia elétrica em hidrelétricas, e conseqüentemente desestimularia o desmatamento pelas represas que são feitas para tais usinas. Para se ter uma idéia do impacto da energia gasta em escala nacional com chuveiros elétricos, tais aparelhos representam 7% de todo o consumo energético do Brasil, segundo especialistas da área, como Augustin Woelz, engenheiro elétrico.

O sistema de aquecimento solar começaria com o coletor, principal componente dos aquecedores solares, que teria a função de captar os raios solares e transferir seu calor para a água. Os coletores poderiam ser instalados em telhados ou forros de residências que recebessem sol entre 8h e 18h. A água aquecida durante o dia ficaria armazenada em um reservatório térmico, o que permitiria que a pessoa tomasse seu banho quente à noite ou ao amanhecer.

Mesmo no inverno, pelo menos no Brasil, recebe-se o calor necessário dos raios solares para se aquecer a água, inclusive em dias de mormaço, nublados, teria, segundo os fabricantes dos aquecedores, energia solar o suficiente para que se esquentasse a água dos banhos. Só quando chegassem os períodos de chuva, que se ficaria longe dos ideais 100% de eficiência sustentável, pois nesses dias, para que fosse esquentada a água, teria de ser acionado um sistema de emergência elétrico, ou seja, um convencional chuveiro elétrico. Basicamente, o aquecedor se limita à uma caixa cheia d'água, que troque regularmente essa água, como um coração humano, troca sangue arterial por venoso, enviando a água já aquecida para um recipiente térmico, e recebendo água fria para ser esquentada novamente.

Um dos problemas relacionados à esses aquecedores é o fato de que toda a água tem que se manter num fluxo constante, ou seja, se o reservatório de água quente começar a ficar cheio demais, é necessário literalmente dar vazão à tal volume d'água, o que implicaria no pior dos casos num desperdício direto de água, recursos hídricos, e iria de contramão ao princípio de sustentabilidade de não desperdiçar recursos.Vale ressaltar que os fabricantes citam que é perfeitamente viável o aproveitamento da água já aquecida para todas as necessidades hídricas da residência, e que tal necessidade de vazão não implicaria em desperdício, porém acreditamos que numa casa que visa sustentabilidade energética e de recursos, as necessidades seriam reduzidas às básicas, e não teriam motivos para se utilizar tamanha quantidade de água, falando aproximadamente aqui de volumes próximos à 100L/dia sendo aquecidos pelos aquecedores.

É importante citar que os aquecedores solares disponíveis no mercado custam, em média, de R$ 800,00 a R$ 4.000,00, de acordo com dados da Abrava. Além desses, foram encontrados sites que anunciavam "Aquecedor solar de baixo custo e fácil instalação", que realmente se mostravam tanto verdadeiros, como falsos: realmente tinham um baixo custo, variando de R$ 15,00 a R$ 100,00, mas não eram, de modo algum, de fácil instalação, sendo requerido de quem o fosse instalar muito conhecimento de materiais, e também experiência com instalação de sistemas hidráulicos, se não quisesse montar um aquecedor que se consumisse em chamas nos primeiros segundos de funcionamento.

 

Coordenação geral

Computador geral da casa: sugerimos, por pesquisa na área, que para a interligação desse sistema complexo, seria mais adequado implantar um sistema digital que controlasse as diferentes tarefas a serem feitas "pela casa". A casa sustentável poderia ser dotada de um computador geral que gerencia todos os dados através de programas criados exclusivamente para estas funções, respondendo a diferentes estímulos direcionados a diferentes setores.

O computador geral coordenaria principalmente o sistema de transporte do adubo nutritivo até as plantas nos jardins e a distribuição e utilização da energia elétrica.

 

Conclusão

Ao analisarmos mais aprofundadamente um projeto de casa sustentável, podemos perceber que muitas tecnologias ditas sustentáveis são cunhadas de matérias primas caras, difíceis, ou inclusive custosas ao meio-ambiente, devido à sua especificidade e também ao custo do beneficiamento do material que tem que ser empregado por cadeias produtivas, mais especificamente nos referindo à high-techs, como chips e placas foto-voltaicas, necessários para diversas funções da casa sustentável. Muitas dessas novidades são difíceis de serem encontradas, e o que é mais agravante, muitas são difíceis de serem obtidas, pela grande maioria da população não só brasileira mas como mundial.

Chama a atenção também o peso do discurso ecológico por detrás das ações sustentáveis sendo feitas atualmente: empresas patrocinando projetos "sustentáveis" (como por exemplo a passarela-sustentável, pintada de verde e com gramíneas no telhado, da ponte Eusébio Matoso) pelas simples e implícitas vantagens de mercado que ganham com isso, "demonstrando" interesses pró-ambientais, com intuitos jamais exclusivos da vontade de preservar o meio ambiente, sempre somados à interesses corporativos de expandir o capital. Porém digamos que nada mais condizente com corporações o fato delas quererem expandir seus capitais, tendo que somente para isso que foram criadas inicialmente, tendo essa função como diretriz e essência.

O que nos abalou foi enxergar como o discurso ecológico é tomado pelas pessoas físicas, comuns, que se envolvem pelas causas ambientais tendo em mente muitas vezes a redução financeira no bolso, pensando em reduzir o consumo de água e eletricidade não para que seja aliviadas as fontes de tais recursos, e os impactos ambientais que geram para serem conseguidas e transportadas até a residência do indivíduo, mas em aliviar o custo mensal das contas de água e de luz.

Através de óculos de ecólogos, que obtivemos aos estudarmos mais a fundo as questões ambientais e ecológicas, e da pesquisa feita nesse trabalho, podemos analisar que tal visão, se mostra errônea tanto do ponto de vista moral como do ponto de vista matemático. Somado à alienação dos problemas ambientais gerado pelo perdão que o individuo sente ao consumir algo ecologicamente correto como diz na embalagem, ou ao instalar um chuveiro aquecido à luz solar, vemos que o custo de tais produtos é alto.

Invariavelmente nesse setor de produtos, sempre existe aqueles cujos preços são quase inacessíveis, mas que por serem estimulados pelo discurso ecológico a serem consumidos, se tornam bens de consumo para aqueles que podem comprá-los.

Junto à este contexto, tem-se a maioria da população, que não possui meios para possuir tais produtos, dado que tem preços altos, e em decorrência desta mesma falta de mercado, os preços destas novas tecnologias não baixam, fazendo um ciclo incessante, em que nos tempos de hoje, com apelos incontáveis pela preservação ambiental, tenta ser alterado, porém, não consegue romper a barreira do capital : "No ticky, no laundry", como já disse Winston Churchill, ainda no século XX, algo traduzível por algo como "sem grana, sem chance".

Vê-se então de onde se supõe que o ramo de tecnologias sustentáveis seja insustentável, dado que o acesso à elas é limitado, se limita exatamente por ser caro, e é caro por ser pouco acessível, cumprindo assim uma reação-dupla, onde a conseqüência leva à causa, e a causa leva à conseqüência, um exemplo claro de feedback negativo, que tentaremos romper por este século que vem aí, tendo conscientes a necessidade de tal mudança no paradigma global de obtenção de recursos e de eliminação de resíduos.

Num panorama geral, observamos que as tecnologias tradicionais e low-techs apresentam maior eficiência no conceito de sustentabilidade por serem feitas de materiais que já estão sendo reutilizados e por produzirem o mínimo de resíduos possível em seus processos.

 

 

Bibliografia:

· La Casa Auto Suficiente. Vale, Robert y Brenda; Tursen Hermann Blume Ediciones. Edición espanhola, 2001.

· http://www.mundilandambiente.pt/gca/?id=114

· http://digitaldrops.com.br/drops/2009/04/mini-turbina-gera-energia-com-agua-da-torneira.html

· http://www.bancodoplaneta.com.br/profiles/blog/show?id=1741754%3ABlogPost%3A17818

· http://www.fealq.org.br/images/centro_ecologico/arquivo/aquecedor_solar_01.pdf

· http://www.solarminas.com.br/padrao.asp?page=solar.shtm

· http://lista.mercadolivre.com.br/

· Conversa com Ian Haudenschild Raimundo

Última atualização em Qua, 02 de Setembro de 2009 00:35  


A sua escola tem (tinha) muito "decoreba"?
 

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