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O Movimento Moinho Vivo

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Como a evolução pode ser relacionada com ecossistema e complexidade?

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Alunos:
Marco Luppi 20
Olivia Lui 26

"A evolução das espécies pode ser relacionada com o nível de complexidade, ou pode ser analisada unilateralmente?"

Introdução:

A evolução das espécies pode ser analisada de um ponto de vista meramente factual, só olhando para um individuo e sua espécie em particular. Deste modo podemos aumentar o detalhamento da evolução da espécie, e chegar a respostas sobre como o corpo funciona do ponto de vista bioquímico, analisando a fundo uma imensa gama de processos e todas suas funcionalidades dentro e fora do individuo.

Porém, ao analisar deste jeito perdemos de vista como foi e ocorre o processo evolutivo de bio seleção, já que quando uma espécie evolui, algo muda no seu corpo ou na maneira de agir, e pode afetar de maneiras imprevisíveis o seu nicho ecológico. Com isso não só se afeta uma espécie em particular, mas todas que freqüentam o mesmo habitat. Isso pode causar a curto e longo prazo uma mudança na ordem do nicho, e assim podendo levar as espécies ou a sumirem ou entrarem em um processo evolutivo, na tentativa de se adaptar a nova condição imposta.

Outro modo de analise de espécies e indivíduos pode se resumir a estudar não somente o a espécie em questão, mas todo o meio que ele pertence, assim podendo analisar como as funções internas desempenham funções, que ao final são adequadas tanto ao individuo quanto ao ambiente em que ele vive.Com isso é possível elaborar uma explicação (ou teoria) de como uma espécie evolui em relação com outra.

A idéia deste trabalho é mostrar como a evolução das espécies poderia ser também explicada de um modo que relacione conhecimentos da áreas mais especificas  de uma espécie também levando em conta seu meio, de modo que tenha como resposta um provável caminho evolutivo,  que ajuda a esclarecer melhor o processo evolutivo das espécies. E assim mostrando que o caminho evolutivo ao final não é a complexidade, mas sim o resultado da convivência das diferentes espécies, diferentes nichos ecológicos, no mesmo habitat. E é essa interação que tem como resultado mostrar um caminho, o qual todos os seres vivos devem seguir.

 

Desenvolvimento:

Se utilizarmos como um exemplo algumas das propriedades das estrelas do mar, podemos ver que ela possui um sistema nervoso simples em comparação a outros como o nosso. Ela tem um sistema nervoso anelar por causa da sua característica radial, como mostra a imagem abaixo:

Pensando do modo que a evolução tende a deixar os seres mais complexos, não vemos motivos para a estrela do mar estar viva, convivendo com seres mais complexos, já que muitas vezes o conceito de complexidade está associado à questão de ser mais bem adaptado, o que pode ser um equívoco. Tendo em vista o ambiente em que a estrela do mar vive, com suas presas e predadores, vemos que ela é de fato mais simples que uma série de animais, mas é essa simplicidade que dá a ela uma vantagem adaptativa. A estrela do mar pode regenerar um membro por inteiro se for arrancado, graças ao seu plano de simetria (vide imagem), de modo a dar a ela mais liberdade para ação e proteção, já que uma vez atacada não será uma presa tão fácil como seria se não regenerasse seus membros por inteiro. Deste modo vemos que a evolução desta espécie está diretamente ligada ao meio em que ela vive, e com os animais que ela convive. Assim podemos ir mais a fundo na analise evolutiva das espécies.

Pegando agora a evolução humana como exemplo é possível visualizar melhor essas ligações entre o ambiente e a suas influências na evolução das espécies.

Como Darwin propõe, a espécie humana é proveniente da evolução dos primatas, os animais com o DNA mais semelhante ao humano. Nas savanas africanas há milhares de anos os macacos viviam nas grandes florestas, em cima das árvores, da onde coletavam sua comida.  Quando alterações climáticas e ecológicas acarretaram no desaparecimento dessas florestas, surgiu um novo bioma, a savana, e as espécies que viviam nesse meio ou desapareceram ou sobreviveram graças a seleção natural e a mutações, tornando esses primatas adaptados a viver fora das árvores e afugentar de predadores. E foi nesse percurso adaptativo que essa espécie passou a coletar e caçar em grupos, e andar sobre patas traseiras. Compreendendo o contexto da mudança, é possível ver um provável caminho até o que somos hoje. A questão de sermos bípedes pode ser explicada pelo fato de o ambiente em que esses macacos viviam tinha uma vegetação mais alta que o macaco, dificultando a vista panorâmica da savana, e assim podendo ser surpreendido por um predador. A partir de mutações genéticas, surge uma espécie de macaco que começa a levantar, tendo a vantagem de ver a savana como um todo e assim antecedendo possíveis ataques e se esconder ou fugir rapidamente, ou procurar comida mais facilmente. O fato  de esses animais caçarem e coletarem em grupo foi vantajosa adaptativamente, pois a proteção era maior, assim como a garantia de alimentação do bando.

A questão da complexidade entra novamente em cheque com a nossa espécie, pois ao contrario de todas as outras não temos uma defesa natural que seja eficiente contra ataques, e se formos ver a fundo não temos nenhum modo de defesa que seja bom como garras, força, velocidade, etc, não voamos e não podemos submergir por muito tempo. Qual seriam as nossas chances ao competir nesses modos com um Lobo, Tigre, Crocodilo ou um Elefante? Somos presas fáceis deste ponto de vista. Neste caso a resposta de evolução não foi nos dar nenhuma capacidade como a dos outros animais, pois se ocorresse levaria muito tempo para nossa espécie se adaptar e estaríamos entrando em um meio no qual outras espécies já habitam há muito mais tempo e estão bem melhor adaptadas. Os seres humanos, assim como outros poucos animais, possuem neotenia, que pode ser vista quando nascemos: não podemos viver sem os pais por causa da nossa fragilidade e desenvolvimento cerebral pouco maturado, demorando muito tempo para alcançarmos o nosso desenvolvimento até estarmos prontos para vida adulta. Essas características nos ajudam a manter uma unidade de grupo, já que um depende do outro para viver, e nossa vantagem evolutiva veio desse aparente problema da demora. Se retomássemos uma lógica mais linear que leva aos animais mais complexos, nós somos um caminho errado na evolução, já que o ser ideal deveria se desenvolver no menor tempo possível e já sair para caçar se tornando um grande predador com poucos meses de idade. Voltando ao homem, a sua vantagem evolutiva foi exatamente o que para outras espécies seria um grande problema. Com a espécie andando e agindo em grupo nós nos tornamos grandes caçadores, e a melhor alimentação da espécie com o tempo contribui para o desenvolvimento do cérebro humano, deixando a espécie mais capacitada para armar estratégias de caça e criar  acampamentos fixos com agricultura. Vendo que saímos de um beco sem saída da evolução e hoje nos consideramos a espécie dominante do planeta, algo importante aconteceu.

A nossa espécie foi se ajustando a realidade que a cercava, e diferentemente dos outros animais, nós humanos começamos a projetar nossas necessidades físicas em instrumentos (por isso somos a única espécie que realiza trabalho) e começamos a criar para realizar o que não temos capacidade de fazer sem ajuda destes. É fato que somos complexos, ao sermos comparados com um anelídeo ou um equinodermo, mas se comparados a outros mamíferos grandes como os felinos, não somos fisicamente "biônicos", mas ao longo da seleção natural aproveitamos nossos mecanismos diferenciais (como polegar opositor e massa encefálica maior) de forma a chegarmos onde estamos hoje.

O Homo Sapiens Sapiens provavelmente não "teria dado certo" se a evolução fosse vantajosa apenas para animais mais fortes ou complexos (do ponto de vista físico, capacidade de defesa, sobrevivência e ataque), e sim com o meio com que o animal sujeito vive e se ele está adaptado àquela realidade. Da mesma forma, os animais que eram mais adaptados no período de surgimento do Homo Sapiens, pouco evoluíram daqueles tempos até hoje, sem grandes alterações de habilidades ou inteligências. O ser humano foi se alterando significativamente neste período, tanto fisiológica quanto psicologicamente, por ter sido uma espécie com "poucas vantagens adaptativas".

 

Conclusão:

Analisando pelo ponto de vista ecológico (a área que analisa as interações entre os animais a fundo, procurando descobrir os mecanismos de funcionamento e manutenção do equilíbrio em um nicho), e relacionando-a com a questão da adaptação do animal ao meio, podemos usar a idéia de equilíbrio como um bom instrumento para analisar o nível de adaptação de uma espécie.

Pensando que todas as espécies do meio vivem juntas e que a vida de uma afeta a outra, podemos analisar a reação de uma mudança observando as outras espécies. Por exemplo, uma espécie que tem seu número de indivíduos muito reduzido por uma doença vai causar grande desequilíbrio no nicho do qual pertence, pois tem algum tipo de relação, competição ou cooperação, causando  problemas ou alterações a outras espécies que interagiam com ela. Do mesmo modo podemos analisar espécies a fim de concluir se estão adaptadas e sobrevivendo bem ao meio ou não, pegando como exemplo a evolução humana.

Supondo que houve outra espécie que evoluiu dos homens, e que tinha como característica ser mais agressiva. Essa espécie por todos atributos que haviam herdado dos humanos também caçavam em grupo, porém tinham o tempo menor para que as crias se desenvolvessem (não possuíam neotenia). Em um primeiro momento essa nova espécie provavelmente caçaria muito mais e aumentaria em grande numero a quantidade de indivíduos dessa nova espécie, aparentemente essa teria um futuro próspero, mas o problema foi que ela causou um desequilíbrio no sistema em que ela vivia, diminuindo o número de indivíduos que ela consumia, assim levando a uma escassez de comida e entrando em declínio.

Com o tempo o resto do ecossistema pode se refazer voltando ao equilíbrio inicial. Assim outro meio de analise que deve ser levado em conta em relação ao processo evolutivo é a visão que a ecologia oferece sobre as espécies e a interação entre elas.

Obviamente não existe um caminho fixo do tipo que todo ser deve seguir já que a evolução é um erro na reprodução das espécies e assim esse erro não é previsível, mas como sabemos no geral não é algo que ajuda o ser mas só atrapalha, e existe uma chance quase irrelevante que é a responsável por estarmos aqui hoje em dia.

Assim se existe um caminho a ser seguido deve ser o que estabelece uma harmonia no ecossistema no qual o animal vive. E analisando com uma certa distancias a conjuntura desses fatores, a analise da complexidade das espécies, a teoria da evolução e a visão do ecólogo, é possível ter um sistema mais completo sobre a evolução de uma espécie que não analise um fato isolado mas que leve em conta as interações entre as espécies.

 

Fontes utilizadas:

http://www.coladaweb.com/biologia/echino_arquivos/image002.jpg

http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/filo-equinodermata/equinodermos.php

(ambos acessados em 11/11)

Apostila de biologia

MARTHO, Gilberto Rodrigues; AMABIS, José Mariano: Fundamentos da Biologia Moderna, Editora Moderna, 1998.

Última atualização em Qua, 24 de Novembro de 2010 00:01  


A sua escola tem (tinha) muito "decoreba"?
 

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