Pequena coletânea multidisciplinar sobre a gripe suína

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Reuni alguns excertos, trechos de textos que podem ser úteis agora, na volta às aulas. A chamada gripe suína está na boca de todos, mas será que as pessoas sabem do que estão falando? É prudente trabalhar este assunto em sua escola, até para os alunos entenderem porque tiveram duas semanas sem aula.

A maior parte das informações está relacionada à biologia, pois pretendo mostrar a multiplicidade desta área para meus alunos. Mas olhando bem, há diversas disciplinas nas entrelinhas desta pequena coletânea. Façam bom proveito.


As origens da gripe suína

http://www.drauziovarella.com.br/artigos/origensgripe.asp

Vivemos uma pandemia de gripe suína. Foi o que declarou a Organização Mundial da Saúde nesta semana, após contabilizar 36 mil casos em 75 países. A designação de pandemia se refere à disseminação do vírus pelos diversos países, não à gravidade da doença - a mortalidade tem sido em média 0,4%.

Sempre que surge uma epidemia, o mundo quer saber se tudo foi feito para contê-la nos momentos iniciais. A pergunta tem lógica porque não são raros os exemplos de governantes que escondem os primeiros casos de doenças contagiosas para evitar preconceitos e perdas econômicas. Em número recente, a revista Science mostra que não foi esse o caso na atual crise.

Na cidade do México, no dia 7 de abril, os serviços de saúde detectaram a existência de pneumonias graves associadas a quadros gripais em adultos jovens, justamente a faixa etária que costuma apresentar poucas complicações de gripe. Imediatamente, os mexicanos começaram a colher dados e a acompanhar a evolução do surto.(...)

Em 23 de abril - portanto apenas 16 dias após identificado o surto -, canadenses e americanos confirmaram que realmente se tratava de um novo vírus, o A (H1N1), de origem suína. Segundo a epidemiologista Ira Longini, da Universidade de Washington, criadora de modelos matemáticos para prever a disseminação das epidemias de gripe: "Os mexicanos fizeram todo o possível dentro de uma situação impossível".

Tem razão, é praticamente impossível para qualquer país conter um surto epidêmico de um novo vírus da gripe. Para reforçar, os epidemiologistas mexicanos apresentam um argumento indiscutível: "Os americanos identificaram o vírus antes de nós, e não foram capazes de contê-lo".

Enquanto nas epidemias passadas os cientistas trabalhavam isolados em seus laboratórios, desta vez as informações sobre as características do vírus e da enfermidade causada por ele foram trocadas em conferências pela internet, YouTube, Skype, Twitter, Google Maps e toda a parafernália disponível nas telas dos computadores. Jamais uma epidemia foi monitorizada em tempo real como esta.

Em poucos dias os genes do vírus haviam sido sequenciados e colocados à disposição da comunidade científica através do GenBank. Ficou claro que cerca de um terço deles veio do vírus da gripe suína da América do Norte, um terço da gripe aviária também norte-americana e o terço restante da gripe suína típica dos países europeus e asiáticos.(...)


GRIPE

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gripe

(...) Os sintomas da gripe em seres humanos foram claramente descritos por Hipócrates aproximadamente 2400 anos atrás. (...) A pandemia mais famosa e letal foi a chamada gripe espanhola (tipo A, subtipo H1N1), que durou de 1918 a 1919. Antigas estimativas apontam para 40-50 milhões de pessoas,[17] enquanto estimativas mais recentes indicam de 50 a 100 milhões de mortos no mundo inteiro.(...)

Pandemias de gripe

Nome da pandemia

Data

Mortes

Subtipo envolvido

Índice de gravidade pandêmica

Gripe russa

1889-1890

1 milhão

possivelmente H2N2

?

Gripe espanhola

1918-1920

40 a 100 milhões

H1N1

5

Gripe asiática

1957-1958

1 a 1,5 milhões

H2N2

2

Gripe de Hong Kong

1968-1969

0,75 a 1 milhão

H3N2

2


H1N1

http://pt.wikipedia.org/wiki/H1N1

"Influenza A subtipo H1N1 também conhecido como A(H1N1), é um subtipo de Influenzavirus A e a causa mais comum da influenza (gripe) em humanos. A letra H refere-se à proteína hemaglutinina e a letra N à proteína neuraminidase. Este subtipo deu origem, por mutação, a várias estirpes, incluindo a da gripe espanhola (atualmente extinta), estirpes moderadas de gripe humana, estirpes endémicas de gripe suína e várias estirpes encontradas em aves.

Variantes de H1N1 de baixa patogenicidade existem em estado selvagem, causando cerca de metade de todas as infecções por gripe em 2006".(...)


GRIPE SUÍNA

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gripe_suína

(...)Assim como a gripe humana comum, a influenza A (H1N1) apresenta como sintomas febre repentina, fadiga, dores pelo corpo, tosse, coriza, dores de garganta e dificuldades respiratórias.[6] Esse novo surto, aparentemente, também causa mais diarreia e vômitos que a gripe convencional.

De acordo com a OMS, os medicamentos antivirais oseltamivir e zanamivir, em testes iniciais mostraram-se efetivos contra o vírus H1N1.[7]

Ter hábitos de higiene regulares, como lavar as mãos, é uma das formas de prevenir a transmissão da doença.[8] Além disto, deve-se evitar o contato das mãos com olhos, nariz e boca depois de tocar em superfícies, usar lenços descartáveis ao tossir ou espirrar, evitar aglomerações e ambientes fechados e ter hábitos saudáveis como hidratação corporal, alimentação equilibrada e atividade física. Caso ocorra a contaminação, 5 dias após o início dos sintomas, o paciente deve evitar sair de casa pois este é o período de transmissão da gripe A.[9]

Algumas organizações religiosas também orientaram aos fiés evitar abraços, apertos de mãos ou qualquer outro tipo de contato físico para impedir a dispersão do vírus durante os cultos religiosos.[10]

(...) A contaminação se dá da mesma forma que a gripe comum, por via aérea, contato direto com o infectado, ou indireto (através das mãos) com objetos contaminados. Não há contaminação pelo consumo de carne ou produtos suínos. Cozinhar a carne de porco a 70 graus Celsius destrói quaisquer microorganismos patogênicos. Não foram identificados animais (porcos) doentes no local da epidemia (México). Trata-se, possivelmente, de um vírus mutante, com material genético das gripes humana, aviária e suína.(...)


SURTO DE GRIPE SUÍNA DE 2009

http://pt.wikipedia.org/wiki/Surto_de_gripe_A_(H1N1)_de_2009

(...)Os suinocultores temem um impacto negativo sobre as vendas de carne de porco. O governo egípcio ordenou, por causa da gripe, o sacrifício de todo o rebanho suíno daquele país (estimado em 300 mil cabeças). Por isso se propôs mudar o nome da doença de "gripe suína" para "gripe mexicana" (já que a doença surgiu no México) ou "gripe norte-americana" (já que teria surgido simultaneamente no México e no sul dos Estados Unidos), pois já se comprovou que o consumo de carne suína não transmite a doença.

O Brasil é o quarto maior exportador mundial de carne suína. Ao final de 2008, tinha exportado 1,48 bilhão de dólares (pouco mais de três bilhões de reais) - um aumento de 20% em relação a 2007. Em 28 de abril, a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), enviou à diretoria geral da Organização Mundial da Saúde, um pedido de mudança da denominação da gripe.[67]

Em 30 de abril, a OMS passou a referir-se à doença como influenza A (H1N1), [68] e a comissária da Saúde da União Europeia, Androulla Vassiliou, em comunicado à imprensa, falou em "nova gripe". [69] "O vírus é cada vez mais humano e cada vez tem menos a ver com o animal", explicou Dick Thomson, porta-voz da instituição.(...)


Vacina contra gripe suína deve estar pronta em setembro, diz OMS

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/08/090806_gripe_oms_vacina_cq.shtml

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou, nesta quinta-feira, que os primeiros lotes de vacinas contra a gripe suína devem estar licenciados e prontos para a imunização da população já no mês de setembro.

Em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira, a diretora de Pesquisa de Vacinas da OMS, Marie-Paul Kieny, afirmou que alguns laboratórios já produziram lotes iniciais da vacina e que testes clínicos já estão sendo realizados.

A informação já havia sido confirmada por Kieny em uma entrevista à BBC Brasil no último mês de julho.

Durante a entrevista desta quinta-feira, Marie-Paul Kieny também afirmou que as vacinas contra o vírus da influenza A (H1N1) serão "seguras", já que serão feitas a partir de uma "tecnologia antiga e testada".

Nos últimos meses, alguns especialistas levantaram dúvidas a respeito da segurança deste tipo de imunização, já que, em 1976, após uma campanha de vacinação contra a gripe suína nos Estados Unidos, alguns pacientes desenvolveram uma rara condição neurológica conhecida como Síndrome de Guillain-Barré.

Na época, cerca de 500 pessoas foram afetadas pela síndrome - que causa uma paralisia temporária e pode ser letal - depois de terem sido vacinadas.

De acordo com Kieny, no entanto, a "qualidade do controle de vacinas atualmente é muito maior que há 30 anos".


Mecanismo de ação do Tamiflu

http://www.bancodesaude.com.br/medicamentos/oseltamivir-tamiflu

(...) O fosfato de oseltamivir é uma pró-droga do carboxilato de oseltamivir, um inibidor potente e seletivo das enzimas neuraminidase do vírus da gripe, que são glicoproteínas encontradas na superfície do vírion. A atividade da enzima viral, neuraminidase, é importante tanto para a entrada do vírus em células não infectadas quanto para a liberação de partículas virais formadas recentemente de células infectadas e a expansão posterior do vírus infeccioso no organismo. O carboxilato de oseltamivir inibe a neuraminidase do vírus da gripe de ambos os tipos: Influenza A e B. As concentrações inibitórias in vitro encontram-se na faixa nanomolar inferior. O carboxilato de oseltamivir também inibe a infecção e replicação in vitro do vírus da gripe e inibe a replicação e patogenicidade in vivo do mesmo. O carboxilato de oseltamivir reduz a proliferação de ambos os vírus da gripe A e B pela inibição da liberação de vírus infecciosos de células infectadas.(...)


Responsabilidades e funções da Roche e demais interessados

http://www.roche.com.br/noticias/Influenza_Suina_PT.htm?freetextitem1page=1

A Roche reitera seu compromisso com o Ministério da Saúde, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e vários governos em todo mundo, para disponibilizar às autoridades o medicamento indicado para o tratamento da gripe A (H1N1). Sobre a distribuição do Tamiflu (fosfato de Oseltamivir), a Roche informa que está alinhada com o Ministério da Saúde para dar prioridade aos seus pedidos. Esta conduta obedece a uma orientação do plano de contingência da própria OMS, que prioriza o abastecimento dos governos em situações de emergência.


América Latina é região mais atingida pela gripe suína, diz OMS

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/07/090730_gripesuina_america_dg.shtml

Argentina é o país da região com o maior número de casos

A América Latina é a região mais atingida pela gripe suína, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A região tem o maior número de contaminações e mortes. Cerca de dois terços das 816 mortes em decorrência da nova gripe confirmadas no mundo aconteceram na América Latina.

A Argentina tem a maior quantidade de vítimas fatais na região, com 165 mortes registradas. Em relação ao resto do mundo, o país só fica atrás dos Estados Unidos.

Os demais países que encabeçam a lista latino-americana são México (138 mortes), Chile (79), Brasil (56) e Peru e Uruguai (ambos com 23).

(...)

Os governos latino-americanos manifestaram preocupação com os primeiros lotes da vacina - que se espera que esteja disponível a partir de setembro - já que países europeus e os Estados Unidos estão reservando antecipadamente grande parte dos lotes.

A OMS advertiu que as multinacionais farmacêuticas dispõem de apenas 150 milhões de doses para os países em desenvolvimento, o que seria insuficiente.

O governo argentino lançou sua própria pesquisa para descobrir uma vacina contra a gripe.


Esclareça alguns mitos sobre a gripe suína

http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2009/07/30/ult4477u1899.jhtm

(...)

Gripe e resfriado têm as mesmas causas e sintomas parecidos

FALSO - As gripes comuns são causadas pelo vírus influenza A, B ou C, que infectam as vias aéreas (nariz, garganta e pulmões). Os sintomas podem ser: indisposição, febre alta (persistente de 3 a 5 dias), tosse, dores musculares, dor de cabeça, calafrios, coriza, fadiga e mal-estar generalizado. Em alguns casos, pode haver náuseas, vômito e diarreia. Nos resfriados, a febre é baixa ou ausente e ocorre de 2 a 4 dias. Em geral, são causados por rinovírus (existem mais de 100 deles), parainfluenza (4 tipos), adenovírus (50 tipos) e coronavírus (4 tipos humanos), entre outros. Na gripe suína, os sintomas são similares aos das gripes comuns, mas, de um modo geral, a vítima não apresenta coriza e pode ter mais náuseas e vômito.

(...)

Os medicamentos usados contra gripe suína podem gerar resistência

VERDADEIRO - Os remédios utilizados para a gripe suína agem inibindo a disseminação do vírus, que tem capacidade de mudar e se adaptar, criando mecanismos de reprodução imprevisíveis, podem gerar resistência.

Pegar vento ou andar descalço pode predispor à gripe suína

PARCIALMENTE VERDADEIRO - A exposição ao frio ou calor excessivo pode prejudicar várias funções do corpo, podendo causar alterações metabólicas, incluindo modificações nas condições das defesas imunológicas. Um exemplo disso é a mudança brusca do tempo, que predispõe a quadros alérgicos com aparecimento de secreção: se a pessoa se expõe ao vírus, com alteração anatômica e funcional das mucosas do trato respiratório (pelo quadro alérgico), terá maior dificuldade para se defender do vírus.

Se alguém pegar o vírus ficará imune à doença, mesmo que ela se manifeste em uma eventual segunda onda

FALSO - Uma vez infectada, a pessoa fica imune ao vírus e, portanto, não ocorrerá a reincidência da doença. Mas se esse mesmo vírus vier a sofrer mutações, gerando uma segunda onda de contágio, o indivíduo não estará imune à versão mutante.

O vírus pode ficar incubado ao longo da vida e pode se manifestar no futuro

FALSO - O H1N1 não causa esse tipo de fenômeno.

Obesidade pode aumentar a predisposição ao vírus

VERDADEIRO - Estudo realizado na Califórnia revelou que 2/3 dos pacientes diagnosticados com a gripe suína, tinham doenças crônicas como asma, obstrução pulmonar, imunodeficiência, doença cardíaca (congênita ou coronária) e diabetes. A grande surpresa foi ter identificado entre elas a obesidade, que se cogita incluir no rol das condições de risco. Acredita-se que o excesso de peso na região abdominal comprima o pulmão, agravando os sintomas da doença.



***
Este artigo é constituído de excertos, trechos retirados de sites (cada qual com sua referência). Fiz esta coletânea para dar aos alunos na volta às aulas.
Rodrigo
Última atualização em Qua, 02 de Setembro de 2009 00:01  


A sua escola tem (tinha) muito "decoreba"?
 

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