Até onde a genética pode nos levar?

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Trabalho em grupo utilizando a internet
Colégio Equipe - 3o ano - 2008

Introdução

Esta pergunta pode ser interpretada pelo menos de duas formas. Em relação a cada um de nós e em relação a todos nós. Como assim? Bem, vamos tentar um pequeno exercício imaginário.

Pense como se você fosse você mesmo. Isso é fácil. Depois, faça a você mesmo a pergunta do título. O que te vem à mente? Muitas coisas, espero. E, muito provavelmente, coisas importantes, como a busca pelo aprendizado, por exemplo, que reflete o esforço em superar nossas limitações inatas. Pois bem.

Agora pense como se você fosse toda a espécie humana. Isso já é um pouco mais difícil. Não dá simplesmente para tentar somar todas as pessoas do mundo na sua cabeça. Não tem como. É nessas horas, quando o mundo é muito grande pra caber no cérebro, que nós usamos as idéias. Idéias simplificam as coisas. Com isto, chegamos na questão: qual é a sua idéia de "espécie humana"? Será que todas as pessoas pensam esta idéia da mesma maneira? Partindo da sua idéia de espécie humana, como você responderia a pergunta do título?

Bem, vamos tornar o problema um pouco mais concreto. Do ponto de vista da espécie humana (continuando nosso exercício imaginário), a genética é uma ciência nova com potencial incalculável. E tudo que é novo gera um misto de medo e esperança.

A engenharia genética é a produção e modificação dos genes a partir de conhecimentos da genética, bioquímica, física, medicina, fisiologia, geologia, ecologia, etologia, etc. Pode se criar muitos inventos com este tipo de engenharia, onde as ferramentas utilizadas são retiradas de seres vivos. Umas das coisas que se pode fazer é o melhoramento genético (que para seres humanos costumamos chamar de eugenia) - mas não se esqueça de que há outras formas de melhoramento genético, como a seleção induzida (ou seleção artificial), que já fazemos há pelo menos 10 mil anos.

Até o surgimento da engenharia genética, pelo que sabemos, a evolução seguia seu caminho darwinista retilíneo e uniforme. Nascemos com os mesmos genes que teremos na morte, e passaremos apenas metade deles aos nossos filhos. Os genes não mudam, por mais que a gente se esforce durante toda a vida (como diria Lamarck, se soubesse deles). A única forma conhecida de mudança nos genes é extremamente rara e completamente aleatória - a mutação genética (o que não impede os cientistas de formular e investigar hipóteses alternativas, partindo por exemplo da herança citoplasmática materna).

Pois bem. Isso até a engenharia genética. Porque agora, se os cientistas se esforçarem bastante, poderão mudar todos os genes que quiserem (e puderem pagar, claro). Imagine quantos genes novos serão introduzidos no ecossistema (e é claro, na evolução). Lembre-se, você está pensando enquanto espécie humana.

Que efeitos a engenharia genética e o Projeto Genoma Humano podem ter no nosso cotidiano, na cultura, na sociedade, na espécie, no planeta? Refletir sobre estes efeitos é tão fundamental para as pessoas (não apenas os cientistas) quanto é vital ao navegante observar sua bússola de vez em quando.

Objetivos

Que o aluno compreenda melhor as questões técnicas, éticas, cotidianas e políticas relacionadas à engenharia genética e ao Projeto Genoma Humano, para que possa posicionar-se e tomar decisões de maneira mais consciente. Mais especificamente, o grupo deve escolher um problema relevante nesta área e propor/identificar uma solução adequada para ele.

Etapas do trabalho

1- Individual: leitura da proposta e dos trechos selecionados. Realizar depois uma breve pesquisa, pelos links sugeridos ou outros sites, a fim de "reconhecer o terreno" e identificar os problemas que você considera relevantes e os temas que gostaria de trabalhar.

2- Coletiva (classe): formação dos grupos a partir dos temas escolhidos, juntando alunos pelos interesses em comum - não apenas por "questões pessoais".

3- Coletiva (grupos): Socialização das informações e questões presentes nesta proposta e coletadas individualmente, a fim de conhecer melhor o tema escolhido. Socialização dos problemas considerados relevantes por cada um. Depois disto, o grupo precisa escolher o problema a ser estudado - para recortar bem um problema dentro do tema escolhido, em geral é necessária uma pesquisa mais aprofundada. A partir deste ponto, o grupo deve fazer um planejamento próprio, com momentos de trabalho individual, de discussão coletiva e elaboração do produto final.

Produto final

Trabalho bem acabado (de preferência digitado) contendo os itens:

1- Introdução e justificativa - identificação do problema e de sua relevância, descrição de exemplos clássicos e/ou desconhecidos relacionados a ele, síntese dos diferentes pontos de vista, etc.

2- Análise das possíveis soluções do problema encontradas na literatura especializada ou em outras fontes minimamente confiáveis de pesquisa. Aqui o grupo deve descrever os aspectos técnicos e éticos (econômicos, sociais, legais, etc, se relevante) de cada solução, buscando um olhar "neutro" e objetivo que permita comparar com maior clareza os diferentes caminhos a se seguir.

3- Conclusão (articulação dos elementos anteriores) - identificação da solução mais adequada ao problema, podendo ser alguma das mencionadas no ítem 2 ou uma criação/modificação do grupo.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Quando dizemos "mais adequada" estamos dizendo muita coisa em poucas palavras. Estamos, por exemplo, buscando algo que seja ao mesmo tempo viável e ético. Não basta pensar apenas em uma destas dimensões. Uma solução perfeita geralmente é inviável; e da mesma forma, o caminho mais fácil para alguém é, muitas vezes, prejudicial a outro. Ou seja, quando dizemos "mais adequado" estamos nos referindo a um delicado equilíbrio entre valores, fatos, idéias, interesses, etc. Para facilitar sua imaginação, perante tão hercúlea tarefa, coloque-se no lugar de um político (ou de um "assessor", "consultor", ou uma "comissão") que precisa compreender todos os pontos de vista de seu povo, as relações de poder, as possiblidades e limites técnicos, econômicos, a dinâmica atual e perspectivas futuras, etc.

Regras básicas para um bom trabalho

Quando encontrar um texto bonito em um livro ou site, você não precisa mudá-lo. Aproveite ele! Mas use aspas, itálico e cite a fonte logo depois do trecho citado. NENHUMA FRASE PODE SER RETIRADA DE OUTRO TEXTO a não ser que obedeça a estas regras. E isto não é apenas uma questão de direitos autorais. Trata-se da concretização de um importante princípio científico: ao produzir um conhecimento, você deve fornecer às pessoas os meios para duvidar deste conhecimento. Num experimento, é preciso explicar com detalhes os passos dados para que outros possam testar seus resultados. Num texto científico, por sua vez, é necessário que todas as informações importantes tenham uma fonte, uma origem. Isso permite aos leitores testarem suas idéias, suas interpretações, além de aprofundar e enriquecer a discussão.

No final do trabalho colocamos as "Referências", que podem ou não ser "bibliográficas" (livros). Os sites devem ter o endereço completo e o nome do portal.

Uma boa fonte de referência científicas é o google acadêmico. Mesmo assim, seja sempre crítico em relação ao que lê. Não é recomendado restringir as fontes de pesquisa a sites abertos como o wikipedia.

Leitura obrigatória

(Queridos alunos, vocês receberão uma versão escrita desta parte, então aproveitem a versão digital para fazer uma "leitura dinâmica" inicial e depois, ao longo do trabalho, para encontrar fontes de informação nos links.sugeridos)

O que é bioética?

"Ética é uma palavra de origem grega, com duas origens possíveis. A primeira é a palavra grega éthos, com e curto, que pode ser traduzida por costume, a segunda também se escreve éthos, porém com e longo, que significa propriedade do caráter. A primeira é a que serviu de base para a tradução latina Moral, enquanto que a segunda é a que, de alguma forma, orienta a utilização atual que damos a palavra Ética.

Ética é a investigação geral sobre aquilo que é bom."

(Moore GE. Princípios Éticos. São Paulo: Abril Cultural, 1975:4). Fonte: http://www.ufrgs.br/bioetica/etica.htm

Bioética refere-se, normalmente, a questões éticas que vêm aparecendo com o avançar das ciências da vida. Descartes, ao dizer que o corpo humano era uma máquina como qualquer outra, deu um importante passo para a consolidação da medicina e da biologia enquanto "ciências exatas". E com a exatidão, aparecem novidades tecnológicas capazes de interferir nos aspectos mais profundos e essenciais da vida, como nossa herança ancestral e até mesmo as sensações íntimas. Assim, em 1971, o termo aparece pela primeira vez no livro "Bioética: Ponte para o Futuro", de Van Rensselaer Potter, da seguinte maneira:

"Eu proponho o termo Bioética como forma de enfatizar os dois componentes mais importantes para se atingir uma nova sabedoria, que é tão desesperadamente necessária: conhecimento biológico e valores humanos." (Fonte: http://www.ufrgs.br/bioetica/concei.ppt)

Neste site há várias definições de bioética, reunidas por Fermin Roland Schramm e Marlene Braz. Coloco abaixo a que considero mais esclarecedora para o uso comum do termo:

"A palavra ‘bioética' designa um conjunto de pesquisas, de discursos e práticas, via de regra pluridisciplinares, que têm por objeto esclarecer e resolver questões éticas suscitadas pelos avanços e a aplicação das tecnociências biomédicas.' (Hottois, G 2001. Bioéthique. G. Hottois & J-N. Missa. Nouvelle encyclopédie de bioéthique. Bruxelles: De Boeck, p. 124-126)"

Esta definição, na prática, é suficiente. Para aqueles que quiserem refletir um pouco mais sobre esta palavra, podemos dizer mais algumas palavras. Há pelo menos três motivos para as pessoas adicionarem o prefixo "bio" ao já controverso conceito de "ética".

1- A bioética seria um "sub-ramo da ética", buscando re-significar as velhas questões humanas a partir dos fatos novos produzidos pela genética e biotecnologia (clonagem, transgênicos, suplementos hormonais, próteses, células-tronco, interfaces neurais, etc). Na verdade, se abandonarmos a metáfora da "árvore do conhecimento" e seus "sub-ramos", chegaremos à conclusão de que bioética é, na verdade, ética - num mundo cheio de "novidades biológicas".

2- A bioética também pode ser considerada um novo tipo de ética, não mais focada exclusivamente nos seres humanos, e sim abrangendo toda a vida na terra. Assim, se o "certo" pra mim é comer carne todo o dia (o que inclusive "alimenta"o mercado e "gira" o capital), "para a vida na terra" seria melhor não sacrificarmos tantas vacas, ocupando menos espaço, consumindo menos recursos e produzindo menos metano, inclusive.

3- Por fim, podemos considerar que as inovações biotecnológicas das últimas décadas é que estariam obrigando o homem a criar uma nova ética. Afinal de contas, os homens de hoje podem recriar seus corpos de uma maneira nunca antes imaginada, a não ser sob o signo de magia. Podem fazer clones de si mesmos quando estiverem velhos. O mundo pode ficar muito estranho. A clássica obra "Frankstein", do final do século XIX, antecipa o início de uma nova era que teria seu marco na descoberta do DNA, em 1950.

Reflita um pouco sobre estes significados antes de prosseguir. Se precisasse escolher um deles, qual seria? Por que?

*

Em minha experiência pessoal, creio que o uso mais comum do termo "bioética" é o terceiro. Se considerarmos, no entanto, que a ética está sempre se renovando, que é uma constante discussão a respeito da justiça e do bem comum, podemos juntar a terceira definição com a primeira. Esta é uma solução possível. A segunda definição de "bioética", por sua vez, parece estar mais próxima do que conhecemos por "visão ecológica" ou "holística", como foi sugerido por Capra na idéia da "mudança de paradigmas". Quem quiser compreender melhor esta forma de ver o mundo, pode por exemplo ler a famosa e controversa carta do chefe Seattle ao presidente Franklin Pierce.

Bioética e legislação

Lei de Biossegurança:

"LEI Nº 11.105, DE 24 DE MARÇO DE 2005.

Regulamenta os incisos II, IV e V do § 1o do art. 225 da Constituição Federal, estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados - OGM e seus derivados, cria o Conselho Nacional de Biossegurança - CNBS, reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio, dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança - PNB, revoga a Lei no 8.974, de 5 de janeiro de 1995, ..."

"Art. 1o Esta Lei estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte de organismos geneticamente modificados - OGM e seus derivados, tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente."

Trechos retirados de: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11105.htm

 

Restrições propostas por ministros inviabilizam pesquisa com embriões, diz pesquisador

FELIPE MAIA - 28/05/2008 - 19h22

"Na prática, as restrições propostas pelos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para as pesquisas com células-tronco embrionárias inviabilizam esses estudos. É o que afirma o neurocientista Stevens Kastrup Rehen, professor da UFRJ, sobre a proposta de liberar as pesquisas com essas células-tronco, desde que os embriões não sejam destruídos.

Até as 19h desta quarta-feira (28), os ministros Ricardo Lewandowski, Eros Grau e Carlos Alberto Menezes, com variações, pediram modificações no artigo 5º da Lei de Biossegurança, para que os embriões possam ser utilizados para obtenção de células-tronco, mas sem destruí-los.

"Isso passa um atestado de que nós não vamos fazer pesquisas [com células-tronco embrionárias]. Ou que não vamos fazer pelos próximos dez anos", afirmou Rehen. Segundo ele, isso ocorre porque ainda há poucos estudos científicos que conseguiram utilizar essas células sem destruir os embriões.

A mais promissora dessas pesquisas é a realizada pelo Advanced Cell Technology (ACT), de Massachusetts (EUA), que o início deste ano anunciou que conseguiu produzir células-tronco embrionárias sem a necessidade de destruir o embrião.

O novo método, criado pela equipe de Robert Lanza, consiste em retirar uma única célula do embrião. A retirada é feita ainda nos estágios iniciais do embrião, quando ele é formado por poucas células.

É preciso ressaltar, entretanto, que a mesma empresa havia divulgado o feito em agosto de 2006, na conceituada revista "Nature". Mas, em novembro daquele ano, Lanza publicou uma correção do arquivo na revista, afirmando que havia, sim, destruído os embriões utilizados na pesquisa. O fato havia sido omitido do texto original, o que gerou polêmica entre os pesquisadores.

Para o pesquisador da UFRJ, a definição da política científica de um país não pode ser feita com base em apenas um trabalho. "Só existem um ou dois trabalhos publicados sobre isso, que ainda dependem de outras pessoas [pesquisadores] conseguirem replicar isso [os estudos]", diz."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u406426.shtml

 

Japão anula patente do cupuaçu

"Os extrativistas e agricultores dos estados da Amazônia brasileira tiveram ontem uma vitória muito significativa no âmbito internacional. A vitória veio com a derrubada, no Japão, da patente que a empresa japonesa Asahi Foods detinha há anos do nome cupuaçu, o que impedia os produtores amazônicos exportarem essa fruta genuinamente amazônica para aquele país.

 

A quebra da patente do cupuaçu no Japão foi conquistada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, pelos governos da Amazônia e, em particular, pelos parlamentares da bancada acreana no Congresso, como os deputados Henrique Afonso, Perpétua Almeida, Zico Bronzeado e outros, que desde o ano passado vêm pressionando o governo brasileiro a cobrar nos fóruns internacionais a anulação das patentes internacionais impostas aos produtos e matérias-primas originárias da Amazônia." (Romerito Aquino, 2004)

Fonte: http://www2.uol.com.br/pagina20/03032004/c_0103032004.htm

 

Genoma Humano

O admirável Projeto Genoma Humano

CORREA, Marilena V. (2002) O admirável Projeto Genoma Humano. Physis (Rio J.);12(2):277-299.

"Os benefícios desse megaprojeto, traduzidos em promessas de uma revolução terapêutica na medicina, não se realizarão sem conflitos. O processo de inovação tecnológica na genética traz problemas de ordens diversas: por um lado, pesquisas em consórcios, patenteamento de genes e produtos da genômica apontam interesses comerciais e dificuldades de gerenciamento dos resultados dessas pesquisas. Esses problemas colocam desafios em termos de uma possível desigualdade no acesso aos benefícios das pesquisas. Por outro lado, temos a questão da informação genética e da proteção de dados individuais sobre riscos e suscetibilidades a doenças e atributos humanos. O problema da definição de homens e mulheres em função de traços genéticos traz uma ameaça discriminatória clara, e se torna aguda em função do reducionismo genético que a mídia ajuda a propagar As respostas a esses problemas não podem ser esperadas apenas da bioética. A abordagem bioética deve poder combinar-se a análises políticas da reprodução, da sexualidade, da saúde e da medicina."

 

O genoma humano, Jorge Luis Borges e a Biblioteca de Babel

http://cienciahoje.uol.com.br/48486

"Até o início da década de 1970, o modelo que tínhamos do genoma humano era de um lugar bem organizado, mais ou menos estático, onde cada gene tinha um local correto e preordenado pela sua função. Assim, fazia sentido uma perspectiva biblioteconômica na qual os genes eram textos, os cromossomos eram estantes ou seções e tudo estava organizado de maneira racional, tendo evoluído sob a regência da seleção natural. Mas o quadro final que o Projeto Genoma Humano (PGH) nos revelou foi muito diverso!

Nosso genoma lembra mais um depósito do que uma biblioteca: desarrumado, sem qualquer evidência de organização, cheio de tralha acumulada (o DNA não-codificador), já que praticamente nada é jogado fora, mesmo que não tenha qualquer utilidade. Além disso, o genoma humano é dinâmico, os seus pedaços são embaralhados e mudados de lugar freqüentemente, sem razão ou rima.

Os genes codificadores são escassos (menos de 2% do total!) e estão espalhados descuidada e indiscriminadamente no meio de uma enorme quantidade de DNA altamente repetitivo, sem sentido ou função aparente - o chamado DNA-tralha* (junk DNA), que alguns traduzem erroneamente como DNA-lixo. As estimativas são de apenas 20 mil a 25 mil genes estruturais humanos, um número próximo ao da planta-modelo Arabidopsis thaliana (25.500) e do pequeno verme nematódeo Caenorhabtidis elegans (~19 mil genes). As previsões de 100 mil a 120 mil genes humanos, feitas no início do PGH, não se concretizaram."

Sergio Danilo Pena

O genoma humano é mais diverso do que se pensava (novembro de 2007)

http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3501&bd=2&pg=1&lg=

"A idéia de que o genoma de duas pessoas quaisquer é igual em 99,9% de sua composição acaba de ser oficialmente aposentada. Do ponto vista da genética, não somos tão idênticos quanto pensávamos. Cientistas confrontaram o código genético de centenas de indivíduos e descobriram diferenças significativas em até 12% dos 3 bilhões de pares de base (as famosas "letra químicas") que compõem o genoma humano. Algumas pessoas têm cópias a mais ou a menos de certos genes e exibem grandes trechos de DNA repetidos ou apagados em seu genoma. A noção de que haveria um genoma humano padrão, que seria representativo de toda a espécie, não se sustenta mais. (...)

"Cada um de nós tem um padrão único de perdas e ganhos de trechos inteiros de DNA", diz Dr Matthew Hurles, do Sanger Institute, da Inglaterra, um dos pesquisadores envolvidos nos estudos.

Os pesquisadores acreditam que essas grandes divergências resultam em diferentes níveis de expressão de certas proteínas, o que pode, no final das contas, explicar a heterogeneidade da espécie humana, estar por trás de características próprias a populações de diferentes etnias e ser a origem de muitas doenças."

 

Kit de genômica pessoal já está à venda

"Genômica pessoal, ou medicina personalizada, é o assunto do momento em biotecnologia. Há um ano, não passava de promessa. Agora se tornou objeto de consumo, mas há quem avise que tem gente comprando gato por lebre.

Só existem dois tipos de produto na praça, com uma gama de preço e qualidade similar à que separa uma bicicleta de uma BMW. No primeiro caso, o consumidor pode escolher entre três fornecedores de testes para verificar se tem risco aumentado para no máximo umas 30 "condições" (nem todas são doenças).

A opção mais barata sai na faixa de R$ 1.700 (US$ 1.000). São empresas de comércio eletrônico, como 23andMe, deCODEme e Navigenics. Paga-se com cartão de crédito. O kit para cuspir dentro vem e volta pelo correio."

Marcelo Leite

http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/arch2008-05-25_2008-05-31.html#2008_05-25_18_07_37-129493890-26

 

Genoma Humano: Propriedade Privada

"O patenteamento de genes não causou os graves problemas previstos pelos críticos em relação à pesquisa biomédica, mas a questão ainda não está resolvida.(...)

... o escritório de patentes dos EUA exige, desde 2001, que os examinadores procurem "uma utilidade específica e substancial" para conceder patentes na área de biotecnologia. Em outras áreas competitivas de tecnologia, o pré-requisito de que uma patente seja útil vem depois de outros, como o de que uma invenção tem de ser realmente nova, já que a maior parte dos cientistas não procura proteção para invenções sem utilidade. Na área de patentes da vida, porém, a avaliação da utilidade de uma invenção se tornou um filtro crucial. Designar uma seqüência de DNA simplesmente como uma sonda de genes ou marcador de cromossomos não é suficiente nas novas regras"

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/genoma_humano_propriedade_privada_4.html

 

Outros textos selecionados

Macacos

"Há uma fração de minuto evolucionário, na África, surgiu um primata diferente dos macacos comuns: era grande e não tinha rabo. Esse ancestral teve cinco descendentes: orangotango, gorila, homem, chimpanzé e bonobo.

O orangotango é o mais velho, apareceu há 12 milhões de anos. Depois nasceu o gorila (8 milhões), seguido pelo homem (5 milhões). Os irmãos mais novos, chimpanzés e bonobos, são gêmeos não-iguais, nascidos há 3 milhões de anos.

Veja agora os besouros. Há mais de 300 mil espécies desses insetos (alguns acham que há mais de 1 milhão), mas, apesar das diferenças de cor, tamanho e formato do corpo, para nós são todos iguais: besouros. Em termos genéticos, no entanto, a diferença de uma espécie de besouro para outra pode ser muito maior do que a que nos separa dos quatro grandes primatas. Com os chimpanzés e bonobos, por exemplo, compartilhamos mais de 98% dos genes. A explicação para serem eles quem são e nós o que somos fica por conta de menos de 2% dos 100 mil genes que constituem nosso patrimônio genético."

Drauzio Varella

VARELLA, D. (2000) Macacos. Folha Explica

http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u351811.shtml

 

Sequência de Genoma Humano está completa 13-Abr-2003

http://www.cienciapt.info/pt/index.php?option=com_content&task=view&id=15032&Itemid=235

"Depois de muitos anos de estudo, o mapa da vida, ou "impressão digital genética" está completa com quase 100 por cento de precisão. Segundo Francis Collins, director do Projecto Genoma Humano e director do Instituto norte-americano para a investigação do genoma humano, já não existem "buracos" na sequência dos três mil milhões de pares de bases químicas, ou letras que constituem o ADN (Ácido Desoxiribonucleico). Depois de muitos anos de estudo, o mapa da vida, ou "impressão digital genética" está completa com quase 100 por cento de precisão.

(...)

A investigação que se previa estar concluída dois anos mais tarde, conseguiu superar todas as previsões. Há menos de três anos foi elaborado um rascunho do mapa da vida, mas foi preciso continuar o trabalho para determinar os segredos biológicos da vida humana, dos genes humanos.

Desde 2000, altura em que foi revelado o rascunho do mapa do genoma, os supercomputadores e a robótica, deram um grande avanço ao mesmo, altura em que foi criada uma nova ciência, a Bioinformática. Foram revelados mais de 350 avanços biomédicos. Tudo o que foi descoberto ao longo de 17 anos de trabalho nesta área, permitiu aos cientistas perceber a função específica de cada gene localizado e identificado. Apesar de haverem ainda pequenas falhas devido à dificuldade em sequenciar, os cientistas afirmam que as mesmas não vão determinar grandes alterações em relação ao que já se conhece do genoma humano e no que já foi feito a nível médico. Foi dado um grande passo para a identificação dos 30 mil genes humanos. Descobrir a função de cada um no nosso organismo, vai permitir conhecer quais os genes responsáveis por determinadas doenças incuráveis, como Alzheimer, diabetes ou cancro e a partir daí desenvolver tratamentos e medicamentos específicos, que possam intervir directamente no gene defeituoso e responsável por cada doença, de acordo com o código genético de cada um. A chave da vida é a chave para a cura de certas doenças em que vários laboratórios por todo o Mundo estão empenhados em descobrir. O conhecimento do genoma humano vai permitir isolar e identificar os genes. Depois desse processo pode comparar-se um tecido são com um tecido doente, para ver quais os que genes que estão alterados e assim serem realizadas várias análises, como a análise de mutações genéticas que originam doenças, alterações que podem causar doenças ou sensibilidade a fármacos e alterações em cancros"

 

Livro explica projeto Genoma Humano em linguagem acessível (2007)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u351818.shtml

"Hoje, a expressão "genoma humano" cobre um território cheio de significados. Quem deu a ela tanta relevância foi um grupo de pesquisadores norte-americanos, muito bem situados no establishment científico, especializados principalmente em biologia molecular --um grupo de técnicas que foi incorporado às ciências da vida há cerca de 30 anos. No final dos anos 80, esses cientistas, empenhados em descobrir maneiras de manejar a hereditariedade, sonharam empreender a aventura de conhecer cada um dos genes humanos. Esses pioneiros organizaram-se para convencer o governo norte-americano, o Congresso e a comunidade acadêmica de que a aventura era factível; e de que a apropriação do conhecimento daí advindo traria a cura de doenças, o prolongamento da juventude, o adiamento da morte. Em 1990, instalou-se o Projeto Genoma Humano, uma iniciativa do National Institutes of Health (NIH) e do Department of Energy norte-americanos. Na direção, uma das maiores estrelas do mundo científico do século 20: James Watson, o biólogo que, muito jovem, assentara em 1953, ao lado do biofísico Francis Crick, a pedra fundamental da construção da genética contemporânea --a hélice dupla, um modelo que descreve a estrutura molecular do DNA, o polímero formador de nossos genes"

 

Concluído o primeiro rascunho do genoma humano

http://ich.unito.com.br/2709

"Uma importante página da história da ciência foi virada em 26 de junho de 2000, com o anúncio da conclusão do primeiro rascunho com a seqüência quase completa do genoma humano. Após mais de dez anos de pesquisas, já foram mapeados e seqüenciados cerca de 97% dos cerca de 3,1 bilhões de pares de bases nitrogenadas que compõem a totalidade dos genes da espécie humana. Esses genes contêm as instruções que determinam várias características dos seres humanos."

 

A última arca de Noé: Engenharia Genética

http://www.aultimaarcadenoe.com/genetica.htm

"Com a divulgação recente em quase todos os meios de comunicação dos primeiros resultados do Projeto Genoma Humano e o grande interesse sobre os transgênicos, a engenharia genética passou a ser alvo de atenção como ciência moderna. Mas, e no campo do direito esta nova ciência já está disciplinada juridicamente? É o que tentaremos analisar.

Há séculos a humanidade vem fazendo o cruzamento de plantas e animais com a finalidade de melhora-los para sua utilização e consumo. No fundo tratam-se de experiências genéticas feitas de maneira rudimentar e empírica, mas atualmente com o desenvolvimento da biotecnologia, a melhora genética passou a ser feita de forma cientifica, através de técnicas desenvolvidas por uma nova ciência integrante da biotecnologia conhecida como engenharia genética."

 

O genoma transgênico 30/09/2003

Glauber Pinheiro - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ofjor/ofc300920034.htm

"Quais os verdadeiros interesses envolvidos na liberação dos organismos transgênicos no Brasil?

Os organismos transgênicos misturam muito mais coisas do que genes de diferentes seres vivos. Para maioria da sociedade já é difícil compreender a existência da soja que é descendente de uma bactéria (Agrobacteriums.p.p ), os efeitos em sua saúde e no ambiente em que vivem proporcionados por este novo ser produzido pelo homem, completamente estranho à natureza, embora tenha aparência quase idêntica à uma planta comum.

Como então compreender todo o poder contido nestes grãos, sua influência no mercado mundial, sua condição de commodity, sua conseqüência na produção mundial de alimentos, nos preços, nas alternativas do consumidor, no mercado de trabalho, em aspectos filosóficos e até religiosos?

Como entender a importância estratégica da ocupação do território brasileiro pelos exércitos transgênicos, no jogo do monopólio da produção mundial de alimentos?

A complexidade do assunto tem colaborado para a despolarização da opinião pública. O lobby utilizado no processo de contra-informação tem trazido à tona declarações que remetem a dúvidas (se por ingenuidade ou por simples descaramento) como, por exemplo, a de que a soja transgênica reduz a quantidade de agrotóxicos aplicada. É preciso que fique bem claro, esta soja foi criada somente para resistir a uma maior quantidade do herbicida Roundup, que mata a soja comum. Assim, o produtor compra as sementes Roudup Ready casadas com o herbicida Roundup da mesma empresa, e tem como única vantagem econômica a redução na mão-de-obra para a retirada de ervas daninhas de sua cultura, já que um número menor de trabalhadores consegue aplicar quantidades de agrotóxico suficiente para eliminá-las completamente.

Com isto, transfere-se a renda desses trabalhadores para a multinacional, aumenta-se o desemprego e a miséria em território nacional, enquanto trazemos técnicos estrangeiros para emitirem os certificados (até mesmo para os não transgênicos), os estudos de rastreabilidade, importamos seus laboratórios e os equipamentos de sua alta tecnologia para desenvolver estudos sobre o comportamento de seus produtos privados (as plantas patenteadas), sobre como nossas cobaias humanas reagiram."

 

Dislexia e o projeto genoma humano

Vicente Martins - Publicado em 30.10.2007

http://www.duplipensar.net/artigos/2007s2/dislexia-e-o-projeto-genoma-humano.html

"A dislexia é um problema que se detecta em crianças que sofrem dificuldades de leitura. Os testes psicopedagógicos, com uma relativa precisão, diagnosticam as dificuldades de aprendizagem relacionadas à linguagem. Todavia, qual a origem da dislexia ou das dislexias? Os maus leitores são conseqüências de maus métodos do ensino da leitura? A dislexia é hereditária?

Há uma lista interminável de causas atribuídas à dislexia. Psicólogos, oftalmologistas, neurologistas, neuropsicólogos, pediatras, pedagogos, psicopedagogos, lingüistas, neurolingüistas e psicolingüistas, todos têm uma explicação ou uma etiologia da dislexia, apontando, entre outros fatores, problemas sócio-efetivos, visuais, auditivos, motores, neurológicos, fonológicos e, agora, com o Projeto Genoma Humano, geneticistas europeus acreditam que as alterações cromossômicas estão associadas ao transtorno da leitura.

Como lingüista, tenho uma forte inclinação para considerar que as dificuldades de leitura são problemas de consciência fonológica das crianças, na educação infantil e no processo de alfabetização escolar, indicando o déficit lingüístico como a principal causa da dislexia.

Minha investigação sobre o assunto, nos últimos sete anos, revela que a incapacidade do reconhecimento dos fonemas e letras é um componente que pesa muito na hora de a criança ler e compreender o que lê ou no simples ato lingüístico de soletrar palavras. Sem embargo, confesso que me rendo às recentes descobertas dos quatro genes ligados à dislexia.

(...)

Estas descobertas genômicas, no momento, levam-nos a especulações de diversas ordens. Uma delas é a implicação ética do fazer pedagógico. É bem provável que, no futuro, a identificação dos leitores será feita através de um microchip, que descreverá nossos defeitos e qualidades nas habilidades lingüísticas (leitura, escrita, fala e escuta).

Estamos aqui a esperar que a lingüística se transforme em uma biotecnolingüística (o neologismo é meu) em que a dificuldade de leitura não será mais chamada de dislexia e sim, simplesmente, desordem genética."

Alguns links que podem ajudar

O que fazer com o conhecimento? - Ciência, ética e biotecnologia
proposta de trabalho para os alunos do equipe do 3o de 2007
alguns trabalhos produzidos pelos alunos

Google acadêmico - busca referências mais confiáveis de pesquisa, ajudando inclusive a fazer citações corretamente.
http://scholar.google.com.br/

PubMed - busca artigos científicos de biologia (em inglês)
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/

Catedra unesco de bioética
http://www.bioetica.catedraunesco.unb.br/

Declaração universal sobre o genoma humano e os direitos humanos (unesco)
http://www.bioetica.catedraunesco.unb.br/htm/X%20-%20htm/documentos/dec_uni_gen_hum_dire_hum.pdf

Revista Bioética
http://www.portalmedico.org.br/include/biblioteca_virtual/bibliotecaRevistaBioetica2.asp

Biblioteca Virtual - bioética
http://bioetica.bvsalud.org/html/pt/home.html

Vídeo sobre bioética
http://youtube.com/watch?v=h9PIxAF_TFs

Artigo sobre o PGH de 1997
http://www.portalmedico.org.br/revista/bio2v5/projetogenoma.htm

Centro de Estudos do Genoma humano (USP): tipos de aconselhamento genetico
http://genoma.ib.usp.br/aconselhamento/condicoes-lista.php

bioética e ética na ciência
http://www.ufrgs.br/bioetica/bioetica.htm

genoma humano - visao geral
http://www.ufrgs.br/bioetica/genoma.htm

genetica e bioetica
http://www.ufrgs.br/bioetica/biogenrt.htm

limitações da bio molecular - trecho de José Lutzenberger
http://www.ufrgs.br/bioetica/lutz.htm#Biologia

Última atualização em Ter, 01 de Setembro de 2009 23:53  


A sua escola tem (tinha) muito "decoreba"?
 

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