O que fazer com o conhecimento?

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Proposta de trabalho nas disciplinas de Biologia e Fìsica



INTRODUÇÃO OBJETIVOS PRODUTO TECNOLOGIAS LINKS ÚTEIS


INTRODUÇÃO Vivemos, segundo nós mesmos, na era do conhecimento. Para alguns, estaríamos numa transição da era do dinheiro para a da informação. Outros consideram que haverá (ou já há) uma espécie de simbiose entre o saber e o capital. Mas todos parecem concordar que nunca houve tanta informação disponível a um ser humano global médio. E mais: a coisa parece que só aumenta. Novas informações aparecem a cada segundo. Técnicas, conceitos, idéias, descobertas bizarras, correlações estatísticas desconcertantes... o que fazer com tudo isso? Tecnologia? Riqueza? Mais conhecimento? Bem estar social? Como vimos no segundo ano, a tecnologia pode ser considerada uma espécie de "extensão do corpo", uma forma de utilizarmos o mundo exterior a favor de nossa própria vontade. Não de forma tão simples quanto movemos um dedo, é claro, pois para isto não precisamos adquirir nenhum conhecimento técnico ou científico. Mas depois que aprendemos a dirigir bicicletas ou carros, por exemplo, acabamos por "sentí-los" e "guiá-los" como se fossem parte de nós mesmos. Seria de se esperar, com isto, que o refinamento da tecnologia levasse a um modo de vida mais agradável e confortável para o homem. E, de fato, isto muitas vezes ocorre. Mas nem sempre é assim. Não é à toa, afinal, que grandes avanços científicos tenham ocorrido em períodos de guerra. A ciência serve a interesses, sejam eles quais forem. O próprio aquecimento global, hoje tão falado e temido, também nos indica que uma relação a princípio benéfica pode tornar-se bastante prejudicial. Em nossos trabalhos de campo, tivemos bastante contato com esta questão. Chegando em Cubatão, por exemplo, nos demos conta de que mais tecnologia não leva necessariamente a mais bem estar. Já no primeiro ano havíamos conhecido esta idéia, quando estudamos a agroindústria da cana e o impacto da mecanização nos trabalhadores rurais. Mas em Cubatão a opressão tecnológica sobre o corpo humano parece nos sensibilizar ainda mais, talvez pelo ambiente mais urbano do que rural, mais familiar do que distante... O "olhar de estrangeiro" sobre nossa própria realidade pode gerar algumas percepções desconcertantes. Tais observações servem, para alguns, de argumento contra a tecnologia e a ciência, numa espécie de desejo umbilical, uma "volta ao estado de natureza" ou algo do tipo. Mas as coisas não são tão simples assim. Afinal, desde que o homem é homem, a técnica é técnica. A evolução da mão e do cérebro, assim como utensílios encontrados em sítios arqueológicos, nos evidenciam esta íntima e antiga relação. O que seria do gênero homo se não houvesse recorrido ao uso de objetos e refinadas técnicas de comunicação? O humano nasce junto com o simbólico e o técnico. Não faz sentido abandoná-los agora. O que fazer, então? Em primeiro lugar, precisamos entender um pouco o lugar das coisas. A técnica tornou-se, hoje, tão poderosa e impactante justamente pela sua "simbiose" com o símbolo. Ou seja, da fusão de conhecimentos técnicos e modelos matemáticos do mundo (principalmente a partir de Newton), nasce a tecnologia e a ciência moderna, um par inseparável. E com o tempo, este par tornou-se um trio. Isto porque nosso modo de vida é de tal forma dependente de objetos - vários deles com funcionamento incompreensível - que existe uma indissociabilidade entre tecnologia, ciência e sociedade. O que fazer diante disso tudo? Voltamos, agora, à nossa questão central. Ou seja: como a ética se insere nesta tríplice aliança? Que escolhas podemos fazer a partir do que sabemos? Quais escolhas consideramos mais corretas? O que queremos, no fundo, é o bem estar, social e individual. Como podemos usar a tecnologia para este fim?
OBJETIVOS O objetivo do trabalho é aprofundar a discussão sobre questões recentes trazidas pelodesenvolvimento científico, com especial atenção à pesquisa realizada no Brasil. Esta meta pode ser analiticamente dividida em duas outras:

1- compreender conhecimentos e técnicas relevantes para certa tecnologia;

2- analisar as questões éticas e possíveis efeitos (e causas, portanto, dado que a cadeia causal é uma cadeia) relacionados ao uso desta tecnologia

Na prática, o grupo deve produzir algum material em formato digital (hipertexto, imagem, áudio, vídeo, animação, etc..) com a finalidade de explicar tecnologias e problematizar seu uso. A escolha deste formato deve-se a dois outros objetivos: 1) desenvolver certas habilidades relacionadas à tecnologia digital acessível a nós, ou seja, conhecer a estrutura básica das páginas da web e saber construir uma; 2) socializar de forma mais ampla os materiais produzidos, através da página do colégio. A idéia é que possamos transcender questões gerais e vagas como "você é contra ou a favor dos transgênicos?" e possamos analisar caso a caso, sem preconceitos, as relações entre a técnica, a ciência, a sociedade e a ética.


PRODUTO

Cada grupo de 4 ou 5 pessoas construirá uma página de internet dedicada ao entendimento e problematização de uma tecnologia específica. Esta página deve conter links externos (como referências científicas e reportagens) e internos (para a produção do grupo). Tal produção, em qualquer formato digital, deve dar conta dos objetivos: explicar e problematizar uma tecnologia, de acordo com as considerações já feitas. A página central (em HTML), deve conter os seguintes itens:
  • informações básicas (Colégio Equipe, série, data, integrantes do grupo, e questão central deste trabalho);
  • questão-problema do grupo (item opcional, pois o grupo pode focar na questão central já dada);
  • tecnologia escolhida pelo grupo;
  • justificativa: um ou dois parágrafos explicando a importância de discutirmos o uso desta tecnologia.

Os dois itens abaixo devem estar na página central como link ou de forma integral, dependendo do que o grupo considerar mais adequado.

  • Conclusão: pequeno texto (hipertexto, de preferência) sintetizando as idéias a que o grupo chegou quanto ao problema proposto. Ou seja: em que contexto esta tecnologia deve ser usada? De que forma fazê-lo? Em que condições o uso destes conhecimentos pode ser prejudicial ao homem? Como estas relações ocorrem no Brasil?
  • Referências: aqui o grupo deve registrar os textos que serviram como base para o trabalho. As referência podem ser bibliográficas (incluindo as informações principais de cada livro ou artigo científico) e digitais (podendo, neste caso, conter um link para o respectivo endereço).

Embora já tenhamos batido algumas vezes nesta tecla, é sempre bom lembrar. Uma das condições para o estudo científico é a transparência das informações: isto refere-se não só à precisão de linguagem (termos técnicos, grau de certeza de cada afirmação, etc) mas também à necessidade de explicitar a origem de cada informação importante. No mundo virtual, isto é ainda mais importante, dado que existem muitas fontes pouco confiáveis, e que o texto produzido estará disponível para o mundo inteiro. Assim, é extremamente importante que o grupo coloque SEMPRE os textos alheios entre aspas, com indicação da fonte. Uma frase que seja. Não há problema algum em usar as palavras de outro, desde que ele permita e que receba o devido crédito. Isto é não só uma questão de método e de princípios científicos, mas também de respeito ao trabalho humano e ao outro.

É também importante lembrar que este trabalho é uma síntese (não um resumo) dos estudos em física e biologia neste semestre. Sendo assim, o produto final, assim como a tecnologia escolhida, deve incluir conceitos, informações e conhecimentos trabalhados nas aulas destas duas matérias. Aproveitem este momento para consolidar alguns aspectos do que estudamos, vinculando-os a questões e temas significativos para o grupo.


TECNOLOGIAS

Os temas abaixo foram escolhidos por suscitarem, hoje, longas discussões a respeito de aspectos éticos e sociais. Além disto, estas tecnologias estão diretamente ligadas ao que estudamos, neste semestre, em física e/ou em biologia. Se o grupo encontrar outro tema que satisfaça a estas duas condições, poderá trabalhar com ele.

  • Robótica: A diferença entre máquina e corpo é cada vez menor. Mesmo a mais complexa das "sub-máquinas corporais", o cérebro, já começa a ser compreendida pela ciência e substituída por aparelhos eletrônicos. O pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis, no início desacreditado na USP, agora fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, desenvolveu uma forma de controlar braços mecânicos apenas com o "pensamento", ou seja, com o cérebro, alguns chips e antenas de rádio. No ano que vem, inclusive, serão lançados videogames mentais seguindo estes mesmos princípios.
  • Automação: podemos pensar, por exemplo, no "leilão digital" para licitações públicas, que garante não só mais economia quanto mais transparência. Outro tema possível é a urna eletrônica, um marco na democracia do país proporcionado pela eletrônica. Será que ela é realmente segura?
  • Internet: esta tecnologia é bem mais próxima do nosso cotidiano. Podemos pensar muitas questões sobre seu uso. Alguns pensadores, como Pierre Levy, consideram-na um meio de se criar certa "inteligência coletiva", embora países como o Brasil tenham, ainda, o analfabetismo como base da exclusão digital.
  • Transgênicos: as questões aqui abrangem a saúde pública (como a produção mais barata de insulina transgênica), a produção de alimentos (como a questão do rendimento da soja round-up), a preservação da biodiversidade (como a "injusta competição" entre o cerrado e o algodão Bt, por exemplo), etc. Os transgênicos podem ser considerados um marco importante na própria evolução das espécies, visto que permitem aos genes romper barreiras até então intransponíveis devido ao isolamento reprodutivo entre as espécies. Inversamente, a longo prazo, a evolução também influencia nos transgênicos. O que fazer com tudo isso?
  • Testes genéticos: a partir do momento em que o genoma humano é mapeado e o proteoma começa a ser mais conhecido, aumentam as correlações conhecidas entre certos genes (alelos, mais especificamente) e certas características humanas ? sejam elas ?físicas ou psicológicas?. Assim, já existe a possibilidade de julgarmos os seres humanos a partir de amostras de seu sangue, pele ou qualquer parte do corpo. A USP, por exemplo, já disponibiliza aconselhamento genético ao público brasileiro. Há muitos tipos de testes genéticos que visam evitar dor desnecessária; por outro lado, alguns pesquisadores consideram preocupante a banalização desta prática. Os testes genéticos estão cada vez mais eficientes, dada a criação de métodos como o chip de DNA. O que fazer com tudo isso?
  • Clonagem: Como escreve Jonny Everson Scherwinski Pereira no início de seu artigo, "Quando Aldous Huxley escreveu 'Admirável Mundo Novo', talvez não imaginasse que algum dia a ciência poderia aproximar-se tanto da ficção de sua obra. Ainda que com possibilidades remotas de tornar-se realidade, a produção de indivíduos em laboratório, tal como prega a obra de Huxley, já ultrapassou a linha divisória entre a ficção e a realidade." As questões diretamente relacionadas à clonagem in vitro ainda estão distantes de nosso cotidiano, referindo a idéias como a criação de um banco de esperma de ganhadores do prêmio Nobel. Estamos discutindo, neste caso, a chamada eugenia. A clonagem também aparece, para alguns, como uma forma de vencer o destino final de todo o ser vivo e encontrar a imortalidade. A empresa Clonaid, por exemplo, que diz já ter feito 3 clones humanos, oferece serviços fundamentados nas seguintes idéias: "Segundo Rael, há três passos para atingir a vida eterna: 'O primeiro passo agora é só criar um bebê. Se você quer ter uma criança por clonagem, você dá uma célula sua e em 18 anos você tem um clone adulto. Mas não é você, porque esse clone pode desenvolver personalidade bem diferente. A primeira parte do passo dois é a criação de um útero artificial. Então, vamos descobrir como acelerar a multiplicação celular. Mas esse clone ainda não é você, porque é só o hardware, só o corpo. Então atingiremos o passo três, que virá da ciência da neurocomputação. Eles estão trabalhando em como ler e como decifrar tudo em seu cérebro: sua memória, sua personalidade, tudo. Nós conectaremos o computador ao clone adulto, então você poderá descarregar, antes de morrer, sua memória e sua personalidade em um clone mais jovem de si mesmo. E essa não é uma tecnologia que virá em um ou dois séculos. Tudo deve vir em 15 a 25 anos". Clonagem humana e ética, de Maurício de Carvalho Ramos.
  • Biotecnologia e medicina: este tema inclui, por exemplo, a questão da obtenção e uso de células-tronco para fins terapêuticos. Em teoria, o uso adequado de células-tronco poderia curar a maioria das enfermidades, visto que o corpo humano é feito de células que estão continuamente se reproduzindo e morrendo. Mais difícil seria curar o tecido nervoso, acostumado a células "não-recicláveis". De qualquer forma, é importante salientar que algumas questões éticas permeiam esta tecnologia e alimentam a discussão atual. Uma outra tecnologia com repercussão semelhante - e surpreendentemente complementar às células-tronco - é a terapia genética, que visa a cura de doenças até então constitutivas, inatas, próprias de nosso ser. Este tipo de tratamento já apresentou resultados positivos, por exemplo, no tratamento de deficiências imunes, cegueira e mesmo câncer. Já chegaram, inclusive, a mudar a "personalidade" de macacos com terapia genética. Um terceiro sub-tema seria, ainda, a possibilidade de se utilizar animais transgênicos em xenotransplantes de órgãos, a fim de aliviar as filas de espera para transplantes e evitar mortes desnecessárias.


LINKS ÚTEIS

Alguns sites relacionados à pesquisa científica no Brasil

http://revistapesquisa.fapesp.br Revista da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

http://www.embrapa.br "A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi criada em 26 de abril de 1973. Sua missão é viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do espaço rural, com foco no agronegócio, por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias, em benefício dos diversos segmentos da sociedade brasileira."

http://www.cnpq.br "O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é uma agência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) destinada ao fomento da pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos humanos para a pesquisa no país."

http://www.sbpcnet.org.br "A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência é uma entidade civil, sem fins lucrativos nem cor político-partidária, voltada principalmente para a defesa do avanço científico e tecnológico, e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil."

http://www.socioambiental.org/home_html "O Instituto Socioambiental (ISA) é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), desde 21 de setembro de 2001". "Fundado em 1994, para propor soluções de maneira integrada a questões sociais e ambientais, o ISA tem como objetivo principal defender bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos"

Alguns artigos "a favor" de certos aspectos da biotecnologia

Microorganismos geneticamente modificados e algumas implicações para a saúde ambiental.

http://www.cib.org.br/ Este site tem como objetivo explícito divulgar os benefícios da biotecnologia. Há, nele, uma carta recentemente enviada ao ministro Sérgio Rezende (MCT), expressando o apoio da comunidade científica à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Biotecnologia Agrícola: Dez Anos de Benefícios e um Futuro Promissor

Benefícios da biotecnologia na qualidade de vida

Revolução genética 'pode ajudar os pobres', diz FAO

Banana pode estar extinta em 10 anos, afirma cientista

Alguns artigos "contra" certos aspectos da biotecnologia

Relatório britânico condena as sementes transgênicas

Este artigo de 2005, em oposição à carta enviada ao ministro (mencionada acima), critica a idéia de que, no fundo, apenas 8 pessoas decidem sobre os transgênicos no Brasil.

Biotecnologia gera novos dilemas políticos

Política de Desenvolvimento da Bioindústria: para quem?

Soja transgênica provoca crise ambiental na Argentina

Essas sementes foram feitas para nos escravizar?

 

Alguns endereços básicos que podem ajudar

 


Esta proposta de trabalho foi desenvolvida pelos professores Rodrigo Travitzki (biologia) e Ana Luiza Sério (física) do colégio Equipe, para o 3º ano de 2007.

O formato assemelha-se à chamada webquest

 


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Autor: Rodrigo Travitzky e Ana Luiza
Última atualização em Ter, 01 de Setembro de 2009 23:56  


A sua escola tem (tinha) muito "decoreba"?
 

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