O que fazer com a engenharia genética?

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Proposta de trabalho em grupo para a terceira série do ensino médio. A idéia é discutir e entender melhor a engenharia genética, também conhecida como DNA recombinante, levando em conta o interesse público e questões éticas, técnicas, sociais, econômicas, etc.

ÍNDICE
Proposta de trabalho
Produto final
Engenharia genética: técnicas e ferramentas disponíveis
TÉCNICAS GERAIS DE LABORATÓRIO
ENZIMAS
VETORES
TÉCNICAS BÁSICAS DA ENGENHARIA GENÉTICA
Algumas aplicações
Como produzir um organismo geneticamente modificado?
Material de apoio - excertos
Engenharia Genética
Dieta genética
Aconselhamento genético
Consulta Genética
Farmacogenética
Terapia Gênica
Reducionismo genético
Filmes sobre engenharia genética

Proposta de trabalho

Seu grupo foi convocado pela CTNBio para ajudar no estabelecimento de metas nas pesquisas de DNA recombinante no Brasil.

Vários outros grupos de pesquisa foram chamados, e cada um deverá dar seu parecer em relação a alguma técnica ou produto possibilitado pela engenharia genética. Poderá ser um parecer contra ou a favor, mas de qualquer forma deverão ser indicados possíveis caminhos. Um parecer contra deverá mostrar alternativas. Um a favor precisará ressaltar as possíveis dificuldades decorrentes do uso desta técnica ou produto.

Para tanto, o grupo deverá articular conhecimentos técnicos e éticos em torno do interesse público, do bem comum.

Produto final

Deve conter os seguintes capítulos:

1- Introdução:

Idéia geral da linha de pesquisa a ser sugerida ou rejeitada. Justificativa, explicando por que o grupo escolheu esta determinada linha de pesquisa, relacionada a certa técnica/produto possibilitado pela engenharia genética.

2- Metodologia:

Descrever os procedimentos laboratoriais relacionados à técnica/produto escolhido pelo grupo. Para isto, deverão ser utilizados conceitos presentes nesta proposta de trabalho (engenharia genética: técnicas e ferramentas disponíveis).

O grupo poderá descrever um procedimento já realizado, citando a fonte, ou também pode imaginar uma possível técnica/produto a partir das ferramentas e procedimentos da engenharia genética. É recomendado um desenho ilustrando este capítulo.

3- Discussão:

Analisar questões éticas, legislativas, políticas, sociais e econômicas relacionadas à aplicação, na prática, das biotecnologias possibilitadas pela linha de pesquisa analisada pelo grupo. Uma maneira de tornar a discussão mais concreta é se baseando em casos que já ocorreram, estudos, leis, e por aí vai.

4- Conclusão: breve síntese do grupo, articulando elementos já citados em torno do problema central, o estabelecimento de metas na pesquisa em engenharia genética no Brasil.

5- Referências

 

Engenharia genética: técnicas e ferramentas disponíveis

Vídeo-aula

 

TÉCNICAS GERAIS DE LABORATÓRIO

- Centrifugação: separação "pouco refinada" de moléculas, onde se utiliza a força centrífuga. A amostra gira de forma a concentrar as partículas mais densas na ponta do "tubo de ensaio".

- Eletroforese: separação "mais refinada" de moléculas. Coloca-se um gel dentro de um campo elétrico, e num dos lados do gel são introduzidas as amostras. As moléculas correm para o outro lado do gel (devido ao campo elétrico) em diferentes velocidades (dependendo do peso, tamanho e carga) e com isso conseguimos separá-las. (ver DNA fingerprint***)

- Marcador radioativo: átomo que emite radiação, podendo ser detectado de maneiras específicas, como a luz ultravioleta. Podemos acoplar estes átomos a moléculas, inserí-los em compostos ou mesmo no sangue, com o objetivo de visualizar alguma coisa.

 

ENZIMAS

Enzimas utilizadas para manipular o DNA (todas foram retiradas de seres vivos - não é à toa que chama-se biotecnologia):

- Enzimas de restrição - Cada enzima de restrição quebra o DNA em uma sequência de bases específica. Há várias delas, a maioria serve como "sistema imunológico" de alguma bactéria.

- DNA ligase - une fragmentos de DNA

- DNA polimerase - se liga a um DNA de fita simples e sintetiza uma segunda fita de acordo com o pareamento de bases

- RNA polimerase - produz RNA a partir de uma fita de DNA

- Transcriptase Reversa - produz uma fita de DNA a partir de RNA

 

VETORES

Vetores são elementos de transferência de genes (contém o gene desejado e são inseridos em células vivas para produzir OGMs - organismos geneticamente modificados):

- plasmídeos: pequenas moléculas de DNA circular que as bactérias apresentam, além do seu grande DNA genômico. Para criar OGMs, podemos inserir genes em plasmídeos e, depois, inserir estes plasmídeos modificados em células vivas.

- vírus: estes pequenos seres conseguem inserir seu DNA no genoma da célula hospedeira, produzindo (naturalmente) um organismo geneticamente modificado. Assim, podemos retirar seus genes virulentos e inserir, no lugar, genes desejados. Desta forma, o vírus geneticamente modificado poderá infectar células e modificar seu DNA, produzindo assim OGMs. Produzindo, quem sabe, saúde ao invés de doença.

TÉCNICAS BÁSICAS DA ENGENHARIA GENÉTICA

- DNA recombinante (DNAr) - é o DNA modificado em laboratório. Pode-se retirar genes, silenciá-los, ou mesmo inserir genes em uma molécula de DNA. O DNA recombinante permite a criação de OGMs (organismos geneticamente modificados), que podem ser transgênicos ou não.

- PCR (Polymerase Chain Reaction) - serve para amplificar um fragmento de DNA, ou seja, fazer clones (cópias) dele. É uma técnica sofisticada que utiliza a DNA polimerase de bactérias termófilas.

- DNA complementar (DNAc) - produção de fragmentos de DNA a partir de RNAm. São genes funcionais, e por isto nós os armazenamos em bibliotecas de DNAc. Com esta técnica podemos também identificar quais genes estão sendo expressos pelas células em certo momento.

- DNA fingerprint - método para se visualizar semelhanças e diferenças genéticas entre organismos. Para isto é necessária uma amostra de tecido do organismo, da qual se isola o DNA. Este material genético é quebrado por enzimas de restrição e depois visualizado por eletroforese. Esta técnica não serve para visualizar o conteúdo do DNA (a sequência de bases), apenas para comparar dois genomas.

Algumas aplicações

OGMs
(Organismos geneticamente modificados, que podem ou não serem transgênicos)

- medicina, meio ambiente, pesquisa científica, agricultura, indústria, produção barata de proteínas, biorremediação...

DNA fingerprint - testes genéticos

- exame pré natal, testes de paternidade, identificação de criminosos, testes forenses, "currículo genético" (lembre do filme Gattaca)

 

Como produzir um organismo geneticamente modificado?

Etapas básicas para se produzir OGMs com a técnica de DNA recombinante:

1- Obter um organismo que contenha o gene/fenótipo desejado. Pode ser nas bibliotecas de DNAc (onde os genes estão guardados em bactérias), ou retirando genes de organismos selecionados com algum critério (relacionado ao fenótipo desejado).

2- Isolar o gene desejado, retirando-o da molécula de DNA onde estava.

3- Produzir cópias (clones) deste gene

4- Inserir os genes clonados em vetores

5- Inserir os vetores criados em células vivas.

6- Selecionar as células válidas (que tiveram seu DNA modificado pelos vetores) e tratá-las de certa forma, dando origem a culturas de células ou a organismos multicelulares (OGMs).

Material de apoio - excertos

Engenharia Genética

"I - Considerações:
Com a divulgação recente em quase todos os meios de comunicação dos primeiros resultados do Projeto Genoma Humano e o grande interesse sobre os transgênicos, a engenharia genética passou a ser alvo de atenção como ciência moderna. Mas, e no campo do direito esta nova ciência já está disciplinada juridicamente? É o que tentaremos analisar.
Há séculos a humanidade vem fazendo o cruzamento de plantas e animais com a finalidade de melhora-los para sua utilização e consumo. No fundo tratam-se de experiências genéticas feitas de maneira rudimentar e empírica, mas atualmente com o desenvolvimento da biotecnologia,  a melhora genética passou a ser feita de forma cientifica, através de técnicas desenvolvidas por uma nova ciência integrante da biotecnologia conhecida como engenharia genética.

II - Definição:
Engenharia genética pode ser definida como o conjunto de técnicas capazes de permitir a identificação, manipulação e multiplicação de genes dos organismos vivos.

III - O que faz:
Através desta nova ciência é possível a manipulação do DNA, ou seja, do ácido desoxirribonuclético que existe nas células dos seres vivos e assim recombinar genes, alterando-os, trocando-os ou adicionando genes de diferentes origens criando novas formas de vida.
(...)

IV - Controle legal:
- Constituição Federal, art.225, §1º, II;
- Lei 8.974, de 5.1.95 (Lei da Biossegurança)
No Brasil o controle legal da engenharia genética está previsto no art.225, §1º, II, da Constituição Federal, onde diz que é dever do Poder Público preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do país e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético. Assim, o Poder Público tem o dever de preservar a diversidade e integridade do patrimônio genético, bem como o dever de fiscalizar os pesquisadores que manipulam material genético e ainda é obrigado a controlar os métodos, atividades e comercialização de produtos ou substâncias que possam causar danos ao meio ambiente, incluindo aí os relacionados à manipulação genética.
Já, a Lei 8.974, de 5.1.95 (Lei da Biossegurança) veio regulamentar os incisos II e V do parágrafo 1º do citado artigo constitucional, estabelecendo normas para uso das técnicas de engenharia genética e liberação no meio ambiente de organismos geneticamente modificados.

V - A engenharia genética possibilita:

A - Mapeamento do sequenciamento genômico:
Genoma: Todo o material genético contido nos cromossomos de um organismo é conhecido como genoma. Pode ainda ser definido como o conjunto de genes de uma espécie.
(...) Decepção genética: conforme publicado amplamente na imprensa em geral, os primeiros resultados do Projeto Genoma saíram com uma grande surpresa para a comunidade científica e o mundo em geral: não temos tantos genes quanto imaginávamos; aliás temos o mesmo número que o milho e o dobro da mosca-das-frutas.
(...)

B - Clonagem:
É a cópia de uma molécula de DNA recombinante, contendo um gene ou outra seqüência de DNA que se quer estudar. É a reprodução assexuada a partir de uma célula mãe, utilizando células geneticamente idênticas entre si a a célula progenitora. A palavra clonagem vem do grego "klón"que significa  "broto".

C - Terapia genética:
É o tratamento baseado na introdução de genes "sadios" , para que possa gerar proteínas saudáveis e substituir as defeituosas.

D - Transgênicos:
Um dos experimentos e resultados da engenharia genética que têm trazido mais polêmica é a questão da produção de transgênicos na agricultura com a finalidade de se evitar pragas, maior resistência às intempéries para aumentar a produção.
Estes produtos geneticamente modificados e conhecidos pela sigla GM (geneticamente modificados) estão levando os cientistas, ambientalistas, produtores, juristas entre outros, a muita discussão sobre a sua real utilização e conveniência. Em grande parte da Europa há rejeição oficial e da população aos GMs, enquanto os EUA, Argentina, Canadá, China, México e Austrália adotam em sua política agrícola este tipo de produto.
Em nosso país a questão está no ápice da discussão, havendo contundentes segmentos pró e outros não menos contundentes contra. Os que estão contra a utilização dos GMs argumentam que por serem modificados geneticamente os produtos não são naturais, perigosos e são potencialmente danosos ao ambiente, inclusive já se fala em "poluição genética". Já os favoráveis dizem que não há prova de danos à saúde humana e ao ambiente.
De qualquer forma, a discussão ainda vai longe, pois faltam elementos técnicos de experimentação científica capaz de dar subsídios concretos e seguros quanto aos efeitos destes produtos, mormente por se tratar de novas tecnologias e produtos.

VI - Conclusão:
O nosso patrimônio genético poderá estar comprometido se não houver na engenharia genética uma manipulação ou utilização consciente, sadia, correta, legal e ética dos recursos que o compõem.
Por isso a comunidade científica, o Poder Público e os cidadãos conscientes devem ficar atentos e fiscalizar a aplicação das novas técnicas da engenharia genética, seus resultados e produtos, bem conhecer os termos de sua tutela jurídica e utilizar dos mecanismos legais de proteção através da ação civil pública, em se constatando cientificamente perigo ou dano ao meio ambiente.
Aí pode ter aplicação um dos mais importantes princípios do direito ambiental: o princípio da precaução.
"

Fonte:

http://www.aultimaarcadenoe.com/genetica.htm

Dieta genética

"Muitas descobertas vêm da nutrigenômica. Uma das mais recentes foi divulgada na última semana por pesquisadores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, envolvidos com estudos sobre alimentos e câncer. Em um experimento realizado em animais, eles descobriram que um pó extraído de frutas vermelho-escuro, como amoras, freiam o avanço do câncer de esôfago. A explicação para esse efeito é a atuação que nutrientes dessas frutas têm sobre os genes envolvidos no desencadeamento do tumor. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores expuseram as cobaias a uma substância cancerígena. Em uma semana, o composto alterou o funcionamento de mais de uma centena de genes, iniciando o processo que leva à doença. Mas o pó das frutas conseguiu restaurar a atividade normal de boa parcela deles. "Ficou claro que as frutas têm um importante papel na expressão de genes envolvidos com o desenvolvimento do câncer", afirmou Gary Stoner, coordenador do trabalho, publicado na revista científica Cancer Research.

(...)

Surpresas também estão sendo fornecidas pela nutrigenética, a área de pesquisa que quer saber como cada um de nós reage aos alimentos. Seu estabelecimento obedeceu à mesma lógica que pautou a farmacogenética, ramo da farmácia que analisa de que maneira o perfil genético interfere na ação de medicamentos. Médicos e pesquisadores começaram a observar que muitas vezes a resposta aos remédios difere de acordo com grupos ou indivíduos. A explicação está na diferença do DNA de cada um. Da mesma forma como uma pessoa tem cabelos crespos e olhos claros e outra, fios lisos e olhos castanhos, por causa dos genes diferentes que carregam, a reação aos compostos químicos também não é igual. E o que se está descobrindo agora é que a mesma coisa acontece com os alimentos. "Está ficando cada vez mais evidente que, por causa de padrões genéticos diferentes, os nutrientes que fazem bem para uma pessoa podem não ser benéficos para outra", afirmou à ISTOÉ Siân Astley, da Organização Européia de Nutrigenética.

(...)

"Até este estudo, acreditava-se que todos que adotassem uma dieta rica em ômega-3 e 6 aumentariam os níveis do bom colesterol", afirma a bióloga Lucia Ribeiro, coordenadora da Rede Brasileira de Nutrigenômica. "Mas, depois dos resultados, viu-se que não é bem assim." De fato, Ordovas observou que mulheres portadoras de uma variação no gene APOA1 podem ter uma resposta oposta. Ou seja, nelas, em vez de o bom colesterol ser elevado com a ingestão dos ácidos, ele despenca."

Fonte:

http://wwwterra.com.br/istoe/edicoes/2026/imprime100501.htm

Aconselhamento genético

"Anomalias congênitas

Quando diminui a desnutrição e as infecções são controladas, as anomalias de causa genética tornam-se salientes na população. A medida que os recursos médicos melhoram, as pessoas que nascem com anomalias congênitas (alteração do desenvolvimento de um órgão ou sistema, presente ao nascimento) vivem muito mais tempo, e, em alguns casos, podem ter uma boa qualidade de vida, que não teria sido possível há alguns anos atrás.

Frequentemente, a mídia noticia que foi descoberto o mecanismo de funcionamento de um novo gene, ou que um novo teste diagnóstico poderá ser utilizado na detecção de muitas doenças genéticas. Às vezes, descobrem-se novos tratamentos ou formas de prevenção, como no caso do uso do ácido fólico periconcepcional.

As malformações, não são tão raras assim, e é comum que as famílias tenham algum parente com história de alguma alteração. Por isso, para ter uma gestação mais tranqüila, durante o planejamento familiar, é melhor esclarecer que tipo de alteração é, e se tem risco de recorrer na família.

Consulta Genética

A consulta genética é realizada por um médico geneticista. É uma consulta um pouco diferente das demais porque costuma ser mais demorada e porque muitas vezes são necessárias informações de várias pessoas da família. Nesta consulta, além das informações que são dadas pelo paciente, o geneticista desenha o heredograma ("árvore genealógica") para ter mais informações que a princípio podem passar despercebidas mas que podem ser muito importantes. Por exemplo, um casal pode procurar uma consulta genética porque quer saber qual é o risco de ter um filho com síndrome de Down, sem valorizar que há um parente próximo que nasceu com fenda labio-palatina ("lábio leporino). Por isso, quando o objetivo da consulta é o planejamento familiar é importante que o casal compareça e não apenas a futura gestante.

Quando está indicada uma consulta genética?

Quando uma pessoa, ou um casal, quer saber se um determinado problema que existe na família poderá acontecer de novo, ou se o casal tem história de consangüinidade (parentesco entre eles, como no casamento entre primos), ou se deseja ter filhos mais tarde do que o habitual, ou apresenta história de infertilidade, em geral começam procurando o médico da família, ou o ginecologista. A consulta com o médico geneticista costuma acontecer depois. O geneticista procura, então, estabelecer um diagnóstico da situação: estuda o casal, analisa a história familiar, examina o resultado dos exames já realizados, pondera a necessidade de efetuar exames mais específicos e procura definir as soluções que serão apresentadas ao casal. As consultas de genética tem como principal objetivo a obtenção de um conjunto de informações que permitam, ao casal ou ao paciente, conhecer os seus riscos e tomar as suas próprias decisões."

Fonte:

http://www.ufv.br/dbg/trab2002/AG/ACG001.htm

"Possuir uma doença genética em uma sociedade despreparada para lidar com qualquer coisa diferente dos padrões de beleza e saúde culturalmente estabelecidos, é tarefa das mais difíceis. A atleta Alessandra Januário dos Santos foi cortada - e depois reintegrada- da Seleção Brasileira Infanto-Juvenil de Vôlei após ser avaliada pelos médicos da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Motivo? Ela apresenta o traço falciforme, doença genética mais freqüente no Brasil. No Rio de Janeiro, a cada 22 crianças que nascem, uma apresenta o traço. Apesar da atleta não manifestar a doença (ela apenas possui um fator de risco) , os médicos alegaram que o esforço intenso poderia desencadear problemas graves ou até levá-la a morte. O exemplo de Alessandra demonstra como estamos despreparados para conviver e lidar com estas pessoas que ficam vulneráveis a discriminação social , profissional e muitas vezes familiar."

Fonte:

http://www.ghente.org/entrevistas/aconselhamento_genetico.htm

 

Farmacogenética

"Não existe um só remédio que funcione para todas as pessoas. Está provado que existem variações individuais na resposta aos medicamentos, o que equivale a dizer que duas pessoas tomando o mesmo remédio podem ter respostas completamente diferentes:uma pode ficar curada e a outra não. Esta é uma das principais afirmativas da farmacogenômica, uma ciência que pretende contribuir para acabar com tratamentos inadequados e diminuir o sofrimento causado pela dor. Com a individualização das terapêuticas nunca mais o paciente terá que correr o risco de tomar um remédio que não vai fazer efeito. Esta nova maneira de receitar medicamentos,em um primeiro momento, vai encarecer a medicina, gerar a necessidade de adequação a novas tecnologias e equipamentos, abrir um leque de questões éticas e vai incomodar a indústria. A contrapartida será uma população menos doente, cuidando das suas pré-disposições genéticas e diminuindo substancialmente as internações para o tratamento de efeitos colaterais. O Projeto Ghente conversou com um dos mais importantes médicos farmacologistas do Brasil, o Dr. Guilherme Kurtz, coordenador de pesquisa do INCA, o Instituto Nacional do Câncer."

Fonte:

http://www.ghente.org/temas/farmacogenomica/artigos_kurtz.htm

Terapia Gênica

"Uma alteração genética pode originar uma proteína anormal ou resultar na ausência desta proteína. Em qualquer dos eventos, a falta da proteína normal pode ocasionar uma série de manifestações clínicas, desde disfunções leves até doenças fatais, dependendo da função desta proteína na célula. Assim, o princípio básico da terapia gênica consiste em adicionar fatores genéticos que possam suprir deficiências ou até mesmo inibir a expressão de certos genes no tecido ou nas células-alvo.

Diversos métodos têm sido desenvolvidos e aprimorados para o transporte de genes às células somáticas. O processo de transferência gênica é realizado por vetores que funcionam como veículos carreadores de genes para o interior das células. (...)

O primeiro experimento de transferência genética para células somáticas humanas aprovado pelos órgãos americanos "Recombinant DNA Advisory Committee" (RAC) e "Food and Drug Administration" (FDA) foi realizado em maio de 1989 no "National Institutes of Health" (NIH, Bethesda, USA) pelo grupo do pesquisador S.A. Rosenberg. Cinco pacientes terminais com câncer de pele (melanoma) receberam linfócitos T infiltrantes (TILs) expandidos e modificados geneticamente in vitro com um gene marcador através de um vetor retroviral. Estes linfócitos puderam ser monitorados in vivo e apresentavam a capacidade de reconhecer e atacar células tumorais. Em setembro do ano seguinte, foi aprovado o primeiro protocolo clínico de terapia gênica com finalidade terapêutica, realizado na mesma instituição por R.M. Blaese e colaboradores. (...)

O tratamento de doenças humanas através da transferência de genes foi originalmente direcionado para doenças hereditárias, causadas normalmente por defeitos em um único gene (e.g., fibrose cística, hemofilias, hemoglobinopatias e distrofia muscular). Entretanto, a maioria dos experimentos clínicos de terapia gênica atualmente em curso está direcionada para o tratamento de doenças adquiridas como a AIDS, doenças cardiovasculares, e diversos tipos de câncer (de mama, de próstata, de ovário, de pulmão e leucemias). Em 2002, mais de 600 ensaios clínicos já estavam disponíveis a aproximadamente 3.500 pacientes em todo o mundo. Atualmente, mais da metade dos protocolos clínicos de terapia gênica em curso apontam para o tratamento de algum tipo de câncer como doença-alvo. Em segundo lugar, aparecem as doenças monogênicas correspondendo a 12% dos protocolos clínicos aprovados, seguidos, em grande crescente, pelas doenças cardiovasculares e infecciosas contribuindo com 8 e 6% dos protocolos, respectivamente. Esses três grandes grupos englobam mais de 90% de todos os pacientes que estão sob algum tipo de tratamento através da terapia gênica, concentrados principalmente nos Estados Unidos e nos países da Europa.

Apesar dos diversos protocolos clínicos aprovados para a transferência de genes em humanos, não existe, até o momento, um único procedimento que tenha obtido êxito total no tratamento de uma doença."

Fonte:

Leonardo Augusto Karam Teixeira

http://www.ghente.org/ciencia/terapia/index.htm

Reducionismo genético

"Para o pesquisador adjunto do laboratório de Hanseníase do Departamento de Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz, Milton Moraes, existe uma questão paradoxal nesta evolução: "Se por um lado, com o avanço da genética, biologia molecular e bioinformática, as pesquisas evoluíram e hoje os pesquisadores podem observar milhares de seqüências de DNA simultaneamente, cerca de 50 mil sequências ao mesmo

tempo, por outro, com a certeza de que as seqüências são variáveis o que observamos é a volta do "olhar reducionista",ou seja, embora tenhamos ferramentas para estudar 50 mil diferentes sequências, quando vamos analisá-las olhamos para dezenas no máximo. Obrigatoriamente o pesquisador vai ter que olhar para um grupo selecionado de genes para entender o seu "complexo liga e desliga" e saber o que leva ao desenvolvimento daquele organismo. É fundamental entender como é regulado o interruptor molecular para saber em que momentos faz-se com que um gen seja expresso, quando a proteína é produzida e em que momentos ele regula negativamente a expressão daquele gene, significando que a proteína em questão não vai ser produzida, analisa."

Fonte: Dúvidas e certezas da era pós-genômica - Karla Bernardo Montenegro
http://www.ghente.org/entrevistas/genoma_humano.htm

E já que estamos falando de reducionismo genético, se quiser se divertir um pouco (e aprender também), aproveite para ver o vídeo abaixo:

Reportagem: isolado o gene do cristianismo

Filmes sobre engenharia genética

O mundo segundo a Monsanto - parte 1 (outras partes no youtube)
Documentário sobre a maior empresa de transgênicos do mundo.

DNA e Dólares - Parte 01
Documentário canadense sobre as relações entre engenharia genética e mercado. Fala, por exemplo, da possibilidade de se patentear genes humanos.

DNA: A promessa e o preço - Episódio 1 - Parte 1
Documentário abordando diferentes visões de questões polêmicas relacionadas à genética.

DNA: a corrida humana - parte 1

Documentário.

GATTACA - a experiência genética - filme sobre um futuro imaginário. Para aqueles que já viram, vale a pena dar uma olhada neste final alternativo divulgado na rede.

 

Última atualização em Ter, 01 de Setembro de 2009 23:48  


A sua escola tem (tinha) muito "decoreba"?
 

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