Início >>

qualidade docente

SP vai contratar professores reprovados na avaliação dos temporários Imprimir
Políticas públicas de educação
Qua, 26 de Maio de 2010 12:37, Escrito por Rodrigo Travitzki

Enquanto o governo federal planeja elaborar uma prova nacional para professores, o governo estadual acaba de concluir que precisará contratar pessoas reprovadas na avaliação dos professores temporários (ou mesmo quem nem fez a avaliação). Será que realmente faltam bons professores em São Paulo? Ou será que o governo não conseguiu tornar a carreira de fato mais atraente? Enquanto as perguntas ficam sem resposta, a tão aclamada meritocracia continua a ocupar seu lugar de destaque ao lado do Papai Noel e do coelho da Páscoa.

E para ambos os governos, a mensagem é clara: o processo seletivo, em si, não gera professores melhores. Não há mágica. Não faz sentido culpar o atual corpo docente por falta de esforço e simplesmente aumentar o nível de exigência sem propiciar, paralelamente, condições melhores para atrair bons profissionais e estimular os que já estão lá.

"ENEM do professor" já em 2011 - consulta pública Imprimir
Políticas públicas de educação
Sex, 21 de Maio de 2010 14:02, Escrito por Rodrigo Travitzki

O MEC está propondo um sistema de avaliação semelhante ao ENEM, só que para os professores que desejam ingressar nas redes municipais e estaduais de ensino. A ideia é controversa, alguns especialistas consideram ser necessário mais tempo de discussão para que possa ser adequadamente implementada. Como o ENEM, este exame contará com uma matriz de competências e habilidades. Quem quiser dar sua opinião a respeito, a consulta pública já está aberta, e só durará 45 dias. Clique aqui para dar sua opinião na consulta pública sobre o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, carinhosamente apelidado de "ENEM do professor".

Quem quer ser professor? Pesquisa revela profissão em baixa Imprimir
O educador
Ter, 02 de Fevereiro de 2010 20:35, Escrito por Rodrigo Travitzki

Anda circulando por aí a notícia de que 2% dos jovens querem ser professor (a maioria quer fazer direito, engenharia e medicina). O dado vem de uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas, foi divulgado pelo Gilberto Dimenstein e está por toda a rede. As "notícias-espetáculo" se espalham rapidamente, mas pouca gente dá atenção às letras miúdas. Resolvi dar uma olhada na pesquisa propriamente dita e vi muita coisa interessante/alarmante.

De fato, o estudo mostra que a profissão de professor está em baixa no imaginário dos jovens, mas seria bom fazer uma ressalva sobre o número. Esses 2% referem-se aos alunos que querem fazer pedagogia ou alguma licenciatura. Eu, por exemplo, que sou professor há dez anos, não teria feito esta opção no ensino médio. O número aumenta para 11% quando inclui as opções por carreiras acadêmicas, ligadas à docência (matemática, história, etc...).

Professor nota zero foi 4 vezes pior que o "chute" - veja o cálculo Imprimir
Políticas públicas de educação
Ter, 17 de Fevereiro de 2009 18:06, Escrito por Rodrigo Travitzki

Segundo as informações de Dimenstein (afinal ainda não saiu estatística oficial da secretaria com os resultados), dos 214 mil professores que participaram da prova, 3 mil tiraram zero. Isso espantou a todos. Alguns disseram que era um número muito alto, estatísticamente improvável. Será mesmo?

Resolvi verificar esta hipótese com um cálculo simples. A conclusão foi: se todos os professores chutassem todas as questões, seria esperado que 808 deles tirassem zero. O que é quase um quarto de 3 mil. Ou seja, é bastante improvável que tantos professores (ou seres humanos jogando dados) tenham tirado zero na prova.

Secretária de educação do RS diz que a Lei do Piso salarial não sairá do papel Imprimir
Políticas públicas de educação
Sex, 17 de Outubro de 2008 17:29, Escrito por Rodrigo Travitzki

A questão da lei do piso salarial dos professores continua dando pano pra manga. Você pode ver o conteúdo integral da lei aqui: Lei No. 11.738. O novo lance foi dado por Mariza Abreu, em matéria disponível no uol educação:

por Gabriela Agustini

A lei do piso sancionada em julho pelo presidente Lula não trará benefícios aos professores, acredita a vice-presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e secretária de educação do RS (Rio Grande do Sul) Mariza Abreu. Para ela, o que a lei prevê é impagável e resultará em uma falsa sensação de ganho para a categoria.

Como valorizar o professor brasileiro? Imprimir
O educador
Ter, 01 de Julho de 2008 23:07, Escrito por Rodrigo Travitzki

Esta é uma daquelas questões que pode não terminar nunca (para aqueles que gostam de uma boa discussão) ou nem sequer ser feita (pelos tipos mais "práticos" ou adoradores do "choque de gestão"). Pode também ser encarada como um ciclo vicioso: o professor é ruim porque não é valorizado, e não é valorizado porque é ruim. Este é o tipo de argumento para quem não quer discutir ou que não acredita na reflexão como forma de ajudar nas políticas de educação brasileiras. Não é nada contra o professor, o aluno, ou mesmo o político. O problema é estrutural, é cultura, é o Brasil, é o capital, etc e tal.

Qual é o melhor método de ensino? Imprimir
Métodos de ensino
Seg, 05 de Maio de 2008 12:11, Escrito por Rodrigo Travitzki

A questão da metodologia na educação tem sido muito discutida. Devemos ter uma escola tradicional ou construtivista? Engraçado como gostamos de dividir o mundo em dois, quando na verdade há incontáveis possibilidades.

Se digo para as pessoas que não ensino o método científico, elas estranham. Estranho, para mim, é dizer "método científico", assim, no singular. Não dá para achar que um químico segue o mesmo método que um astrólogo ou um historiador. O que há em comum, se é que há, são alguns princípios que norteiam a produção do conhecimento científico. A partir deste princípios, os pesquisadores criam ou copiam métodos consagrados. Isto é ciência. Não há um único método científico.

E na educação? Faz sentido a pergunta do título? Eu não creio. Qualquer professor minimamente experiente já aprendeu que o melhor método é variar os métodos. Discutir é bom? Claro, mas discutir toda a aula pode deixar as conclusões pouco consistentes. Aula expositiva é bom? Claro, principalmente se você tem algo importante e complexo para dizer. Passar vídeo ajuda? Sem dúvida, mas imagine se os alunos ficarem a manhã inteira vendo vídeos. Os que não dormissem seriam adestrados pela TV, ao invés de serem educados.

Ou seja: conheça muitos métodos. Saiba as possibilidades e limitações de cada um. Escolha um ou outro em virtude de seus objetivos pedagógicos, da dinâmica da classe, do tempo, logística, etc. Nao se limite a uma única forma de ensinar, pois não é assim que se aprende. O corpo "foi feito para" aprender num mundo cheio de coisas diferentes.

A própria questão da indisciplina escolar, por exemplo, está ligada a esta repetição de métodos (ou de objetivos, ou de conteúdos). Pelo menos é isso que aprendi em minha experiência como professor.

Para terminar, algumas palavras do mestre Deleuze, criador do conceito filosófico de "rizoma" (grifo meu):

"Aprender é o nome que convém aos atos subjetivos operados em face da objetividade do problema (idéia), ao passo que saber designa apenas a generalidade do conceito ou a calma posse de uma regra das soluções. (...)

Nunca se sabe de antemão como alguém vai aprender - que amores tornam alguém bom em latim, por meio de que encontros se é filósofo, em que dicionários se aprende a pensar. (...)

Não há método para encontrar tesouros nem para aprender, mas um violento adestramento, uma cultura ou paideia que percorre inteiramente todo o indivíduo (um albino em que nasce o ato de sentir na sensibilidade, um afásico em que nasce a fala na linguagem, um acéfalo em que nasce pensar no pensamento)"

DELEUZE, GILLES. (1968) Diferença e repetição. Ed Graal, pgs. 236-37

 


Fonte: Rodrigo Travitzki - digao.bio.br


Voce pode usar este texto livremente, desde que cite a fonte e não o comercialize.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.