indisciplina na escola

Foucault: escola ou prisão?
Filósofos
Ter, 08 de Setembro de 2015 11:48, Escrito por Vinicius Siqueira

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O princípio da instituição prisional, em teoria, é o reestabelecimento do preso. No entanto, esta relação reflexiva, dita pelo próprio discurso do enclausuramento, não é efetiva, não é real. Sabemos, a partir de Michel Foucault, que o funcionamento da prisão cria delinquentes, categoria própria da modernidade, indivíduo preso ao crime e condenado a ser criminoso para sempre – portanto, condenado a ser útil para o Estado eternamente.

É na prisão que a sociedade disciplinar mostra sua última arma: ou o indivíduo se corrige lá, ou passa o resto de sua vida dentro da instituição. O preso é o alvo perfeito da disciplina, é lá que o indivíduo é isolado, forçado a trabalhar e controlado.

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Escola Amorim Lima
Utopia e cotidiano: buscando práticas idealistas
Qui, 24 de Outubro de 2013 10:46, Escrito por Ana Beatriz Reggiani, Daniel Simões, Júlia Mente

Suas primeiras mudanças foram fazer os alunos passarem mais tempo na escola, derrubar as paredes criando grandes salões de aula, pintar a escola de cores alegres e tirar o alambrado do pátio que cercavam os alunos no pátio durante o intervalo. A escola passou a oferecer mais atividades extracurriculares, e contando com o engajamento de alunos, pais e professores criaram-se diversas oficinas e aulas como de capoeira e teatro. E, além disso, também passaram a organizar mais eventos e festas, que só envolviam cada vez mais pessoas.

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Podem a ética e a cidadania ser ensinadas?
Princípios filosóficos
Dom, 17 de Janeiro de 2010 22:26, Escrito por Rodrigo Travitzki

José Sergio de Carvalho: "Tratava-se, então - como se trata hoje - de se perguntar como formar o homem para que ele se torne um cidadão, um membro da coletividade que possa tomar para si as responsabilidades e o desafio de criar leis e princípios de convivência com o outro e com o público e conduzir-se de acordo com eles. O problema se torna agudo quando não mais se trata de formar alguns, uns poucos que devem deter o poder, mas de formar todos os cidadãos para que, na igualdade que os marca em face da lei (isonomia) e do direito à opinião (isegoria), eles possam participar ativamente da construção e da gestão do espaço público e da elaboração e legitimação dos princípios morais e legais que os conduzem."

 

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Por que os professores faltam tanto?
O educador
Qua, 21 de Outubro de 2009 22:40, Escrito por Rodrigo Travitzki

A mesa foi coordenada por Aparecida Neri Souza, professora da Faculdade de Educação da Unicamp. Ela destacou como elemento comum das falas iniciais dos debatedores o destaque ao mal-estar na profissão docente, tratado como fenômeno social. “Há uma desvalorização da carreira, simultânea às mudanças nas exigências profissionais, com situações de violência e de indisciplina, por exemplo”, afirmou.

Neri destacou os efeitos negativos da profissão, sentimentos como angústias, alienação, ansiedade, banalização do mal e postura desumanizada diante das condições de vida que passam pelos olhos do professorado em sala de aula. “Nesse contexto, o absenteísmo surge como estratégia de defesa, assim como a remoção, evasão e desvio de função”. Para Neri, o professor é movido pela crença de que a educação transforma e “a impossibilidade disso, o descompasso entre expectativas e possibilidade de alcançá-las provoca estresse laboral”.

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Qual é o melhor método de ensino?
Métodos de ensino
Seg, 05 de Maio de 2008 12:11, Escrito por Rodrigo Travitzki

A questão da metodologia na educação tem sido muito discutida. Devemos ter uma escola tradicional ou construtivista? Engraçado como gostamos de dividir o mundo em dois, quando na verdade há incontáveis possibilidades.

Se digo para as pessoas que não ensino o método científico, elas estranham. Estranho, para mim, é dizer "método científico", assim, no singular. Não dá para achar que um químico segue o mesmo método que um astrólogo ou um historiador. O que há em comum, se é que há, são alguns princípios que norteiam a produção do conhecimento científico. A partir deste princípios, os pesquisadores criam ou copiam métodos consagrados. Isto é ciência. Não há um único método científico.

E na educação? Faz sentido a pergunta do título? Eu não creio. Qualquer professor minimamente experiente já aprendeu que o melhor método é variar os métodos. Discutir é bom? Claro, mas discutir toda a aula pode deixar as conclusões pouco consistentes. Aula expositiva é bom? Claro, principalmente se você tem algo importante e complexo para dizer. Passar vídeo ajuda? Sem dúvida, mas imagine se os alunos ficarem a manhã inteira vendo vídeos. Os que não dormissem seriam adestrados pela TV, ao invés de serem educados.

Ou seja: conheça muitos métodos. Saiba as possibilidades e limitações de cada um. Escolha um ou outro em virtude de seus objetivos pedagógicos, da dinâmica da classe, do tempo, logística, etc. Nao se limite a uma única forma de ensinar, pois não é assim que se aprende. O corpo "foi feito para" aprender num mundo cheio de coisas diferentes.

A própria questão da indisciplina escolar, por exemplo, está ligada a esta repetição de métodos (ou de objetivos, ou de conteúdos). Pelo menos é isso que aprendi em minha experiência como professor.

Para terminar, algumas palavras do mestre Deleuze, criador do conceito filosófico de "rizoma" (grifo meu):

"Aprender é o nome que convém aos atos subjetivos operados em face da objetividade do problema (idéia), ao passo que saber designa apenas a generalidade do conceito ou a calma posse de uma regra das soluções. (...)

Nunca se sabe de antemão como alguém vai aprender - que amores tornam alguém bom em latim, por meio de que encontros se é filósofo, em que dicionários se aprende a pensar. (...)

Não há método para encontrar tesouros nem para aprender, mas um violento adestramento, uma cultura ou paideia que percorre inteiramente todo o indivíduo (um albino em que nasce o ato de sentir na sensibilidade, um afásico em que nasce a fala na linguagem, um acéfalo em que nasce pensar no pensamento)"

DELEUZE, GILLES. (1968) Diferença e repetição. Ed Graal, pgs. 236-37

 


Fonte: Rodrigo Travitzki - topicostropicais.net


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