Início >>

biologia

Como se faz ciência? Introdução ao método científico usando a biologia como exemplo Imprimir
Material didático/ pedagógico
Dom, 28 de Fevereiro de 2010 14:14, Escrito por Rodrigo Travitzki

Texto elaborado para alunos do Ensino Médio, introduzindo o curso de Biologia. Pode ser utilizado como base de referência inicial para o estudo do chamado método científico, tanto no Ensino Médio quanto Fundamental.

Na parte "como se faz ciência" procuramos fazer uma breve síntese dos principais conceitos (em negrito) que fundamentam a investigação científica. Não creio que exista um único "método científico", mas que todos os métodos utilizados pelos cientistas partem de certos princípios.

Mesmo assim, ao final coloquei um mapa conceitual do método científico, que fiz com finalidades didáticas.

 

Neurocientistas fazem frango agir como codorna Imprimir
Material didático/ pedagógico
Ter, 08 de Setembro de 2009 21:37, Escrito por Rodrigo Travitzki

Cientistas colocaram um pedaço de cérebro de codorna no cérebro de pintinhos, e eles passaram a reconhecer uma codorna como mãe. Isso tudo em embriões. Tal resultado científico põe mais lenha na fogueira da discussão entre traços inatos e adquiridos, entre genética e cultura, cérebro e mente, etc.

A matéria abaixo pode ser interessante para discutir com os alunos algumas questões relacionadas à biologia, como o funcionamento do cérebro, a formação do corpo (embriogênese), bioética e comportamento animal.

O que é vida? Há uma definição precisa? Veja a resposta de pensadores importantes Imprimir
Material didático/ pedagógico
Sáb, 04 de Abril de 2009 22:09, Escrito por Rodrigo Travitzki

O que é vida?

Esta pergunta perdura desde a aurora das perguntas. É extremamente poderosa e ao mesmo tempo inútil. Com ela pode-se chegar mais próximo à natureza das coisas ou distanciar-se do mundo em indagações vãs.

Para um curso de biologia, esta pergunta tem um valor especial. Ela pode ser um mapa, uma bússola, um organizador de caminhos que estão por vir. Uma referência central para a diversidade de informações que já reunimos a respeito dos seres vivos.

Currículo nacional de biologia - comparação dos conteúdos da Fuvest e Unicamp Imprimir
Como ensinar biologia?
Sáb, 07 de Março de 2009 19:17, Escrito por Rodrigo Travitzki

Qual é o conteúdo total de biologia para os dois principais vestibulares do país? Resolvi juntar os dois para ver no que dava. As unidades temáticas não são muito diferentes, então fiz uma tabela comparando os dois programas. Os conteúdos básicos são os mesmos, embora haja diferenças entre conceitos mais complexos.

A sequência de temas também é semelhante nos dois programas (como podemos ver pela numeração): os dois começam com o pequeno, a célula, e terminam no grande, o ecossistema. Esta é (segundo o que pude entender das escolhas curriculares do professor Maurício Mogilnik) uma organização mais epistemológica do que pedagógica. Ou seja, serve muito bem para quem já sabe, mas ajuda pouco quem ainda não sabe.

O que é vida? Trechos selecionados de Schrödinger Imprimir
Material didático/ pedagógico
Sex, 06 de Março de 2009 00:57, Escrito por Rodrigo Travitzki

Erwin Schrödinger fez muita coisa na vida. Inventou uma equação que lhe garantiu papel central na mecânica quântica, ganhou o prêmio Nobel, botou um gato dentro de uma caixa que até hoje ninguém sabe se morreu ou não. E nas horas vagas fez algumas conferências e palestras que acabaram virando textos muito interessantes.

Vejamos dois deles: “O que é vida? O aspecto físico da célula viva” (1944) e “Mente e Matéria” (1956). Selecionei abaixo alguns trechos que podem nos ajudar a entender um pouco melhor a natureza da vida (segundo “os físicos”).

Jogos didáticos de biologia Imprimir
Material didático/ pedagógico
Ter, 13 de Maio de 2008 19:44, Escrito por Rodrigo Travitzki

O site do centro de estudos do genoma humano (usp) disponibiliza ao público alguns jogos interessantes para se aprender / ensinar coisas relacionadas à biologia. Para facilitar a vida, colo os links abaixo. Mas não deixe de visitar o site da usp para ver se há novos jogos, ou mesmo a sessão mais geral de materiais didáticos de biologia, que inclui também vídeos, audios, atividades interativas, protocolos de aulas práticas, etc.


(Links atualizados em 12 de abril de 2010)

Cara a Cara com a Célula
é um jogo divertido e diferente para aprender sobre as células e suas estruturas. Para tanto, basta fazer perguntas “bem feitas” e descobrir qual é a célula que está na mão do adversário.

O Jogo das Calorias
foi desenvolvido para facilitar a compreensão por parte dos estudantes de conceitos importantes sobre nutrição, gasto de energia e seus efeitos sobre o ganho e a perda de peso.

Baralho Celular
é um jogo que relaciona a morfologia e a localização dos diferentes tipos celulares com as respectivas funções que eles apresentam no organismo.

O Jogo da Palavra Cruzada
um jogo de palavras sobre os principais conceitos sobre células-tronco.

Jogo das Células-tronco
é um jogo de perguntas e respostas que auxilia a fixação de conceitos sobre a célula e células-tronco.

Biota - O jogo da biodiversidade
é um jogo de cartas com conteúdo e dicas que, quando associadas de forma coerente permite a identificação de organismos pertencentes aos reinos Animalia, Plantae, Fungi, Monera e Protestas. Os vírus, agentes infectantes, também estão presentes.

Ponto Crítico, um jogo de investigação alimentar
o jogo do tipo detetive informa, de forma lúdica, algumas ações capazes de conduzir à contaminação de alimentos por micro-organismos patogênicos.

Baralho Embriológico
é um jogo cujo desafio é conseguir reunir, antes dos demais participantes, o conjunto de 5 cartas relacionadas a uma das fases do desenvolvimento embrionário de sua própria escolha.

Baralho Animal
é um jogo cujo desafio é conseguir reunir, antes dos demais participantes, o conjunto de 5 cartas relacionadas a morfologia corporal e a imagens de diversos grupos de vertebrados.


Fonte:

http://genoma.ib.usp.br/educacao/materiais_didaticos_jogos.html

Lamarck também estava certo? Imprimir
Polêmicas
Seg, 12 de Maio de 2008 13:06, Escrito por Rodrigo Travitzki

Recebi este texto, via lista de emails, do prof. Dr. J.C. Voltolini. Ele trata de estudos recentes que sugerem uma influência direta do ambiente na expressão gênica das gerações seguintes. Foram 31 genes (relacionados ao cérebro) cujo conteúdo (sequência de bases) não foi alterado - o que mudou foi a expressão, ou seja, a quantidade de proteínas produzidas. E esta mudança foi altamente correlacionada a condições estressantes na vida dos pais.

Se este fato for confirmado, muito poderemos aprender sobre a evolução das espécies - principalmente, creio eu, das espécies mais complexas.

Rodrigo

 

Do que os genes se lembram

Philip Hunter - 12/05/2008

Muitos geneticistas acreditam agora que o comportamento dos nossos genes pode ser alterado pela experiência- e que até mesmo tais mudanças podem ser transmitidas às gerações futuras. Essa descoberta pode transformar nossa herança e evolução.

Sabe-se há bastante tempo que o futuro de um organismo não é determinado apenas pelos genes. Isso pode ser visto observando-se gêmeos idênticos, que com o passar do tempo tendem a se diferenciar tanto psicológica como fisiologicamente.

Embora a maioria dos gêmeos idênticos tenha dietas e estilos de vida semelhantes, as sutis diferenças de cultura e de ambiente parecem alterar seus fenótipos- a soma de sua natureza e de sua criação.

Em 1942, Conrad Waddington cunhou o termo "epigenética" para descrever a idéia de que a experiência de um organismo pode fazer com que seus genes se comportem (ou "se expressem") de forma diferente.

Cientistas descobriram exemplos surpreendentes de comportamento epigenético no reino animal- na forma, por exemplo, como as larvas de abelhas domésticas "determinam" se vão se tornar rainhas ou operárias, dependendo de sua interação com as outras larvas e o ambiente.

Até pouco tempo, presumia-se que o impacto da epigenética era limitado a organismos individuais, e que isso não se transmitia aos descendentes. A epigenética era encarada como uma interferência entre os genes e o ambiente, dando aos indivíduos algumas capacitações para adaptação durante suas vidas, mas nada além disso.

Recentemente, porém, os cientistas estão convencidos de que existe uma forma de herança, denominada herança epigenética, na qual o comportamento dos genes dos descendentes é afetado pela experiência de vida dos pais.

Além disso, tais mudanças epigenéticas podem, pelo menos para uma pequena maioria dos genes, estender-se além dos descendentes imediatos para as próximas gerações, embora os efeitos não pareçam durar indefinidamente.

Evidências de herança epigenética em mamíferos apareceram pela primeira vez em animais tais como o camundongo, cujo curto período de vida permite que as mudanças na expressão gênica que venham a ocorrer durante várias gerações sejam observadas em uma década.

Mais recentemente, o fenômeno foi detectado em galinhas, em resposta ao estresse causado por níveis anormais de luz em seu ambiente.

Os pesquisadores da Universidade Linkoping na Suécia criaram um grupo de galinhas sob condições normais de dia e noite, enquanto outro foi exposto à luz com variação aleatória. Os descendentes do segundo grupo descobriram os cientistas, tinham suas capacidades de aprendizado espacial bastante prejudicadas, mas também eram mais agressivos e cresciam mais rapidamente.

Tais características comportamentais nos descendentes estavam ligadas a alterações na atividade, ou níveis de expressão, de 31 genes nas áreas do hipotálamo e das glândulas pituitárias. No restante do animal, a atividade de tais genes era bastante normal, mas foi mudada nas áreas do cérebro conhecidas por serem responsáveis por atributos de comportamento tais como o aprendizado espacial.

Isso exemplifica uma característica fundamental de herança epigenética, a de que os próprios genes são transmitidos como normais, mas sua capacidade de se manifestar- e portanto afetar alguma característica comportamental ou função- é mudada.

Tais ligações claras entre a herança epigenética e a expressão do gene ainda não foram encontradas em pessoas; isso exigiria estudos de várias gerações, levando pelo menos meio século.

Nós simplesmente vivemos demais. Por sorte, porém, existem registros históricos que fornecem surpreendentes evidências indiretas de herança epigenética que sobrevive a pelo menos duas gerações.

Uma delas, na Grã-Bretanha, foi o Estudo Longitudinal Avon, uma pesquisa sobre as crianças nascidas de 14.000 mães que se realizou no início da década de 1990. A pesquisa descobriu que dos 5.000 pais que tomaram parte, 166 começaram a fumar bem cedo, no chamado período de "crescimento lento", antes da puberdade, que para os meninos costuma ser entre as idade de 9 e 12.

Os filhos desses pais tenderam a ter um significativo excesso de peso aos nove anos, mas não houve uma diferença observável para as filhas. Isso estabeleceu uma ligação estatisticamente significativa entre pais que fumaram durante o período de crescimento lento e o peso acima da média de seus filhos.

A descoberta de uma herança epigenética também levou alguns a reviver a anteriormente desacreditada teoria do lamarquismo, segundo a qual os animais podem influenciar seus genes pela forma como vivem.

Segundo a teoria arquitetada por Jean-Baptiste Lamarck, acreditava-se que as girafas, por exemplo, haviam desenvolvido longos pescoços pelo simples ato de esticar-se para alcançar os ramos mãos altos, em vez conseguir essa vantagem de alcance apenas pela seleção naturas dos genes.

Da mesma forma, acreditava-se que filhos de ferreiros herdassem os genes para os fortes músculos braçais desenvolvidos por seus pais durante suas vidas, em vez de apenas desenvolver tais músculos ao adotar a mesma profissão.

Mas isso é uma pista falsa, porque a herança epigenética claramente não envolve a alteração dos genes. O lamarquismo subtendia que as ações ou experiências de um organismo pudessem fazer com que os genes subjacentes fossem modificados por meio da alteração do código do DNA.

A herança epigenética simplesmente altera a capacidade de um gene ser manifestado em um descendente, mas deixa o DNA e os genes, intactos. A herança epigenética pode ser revertida prontamente, e ainda existem poucas ou nenhuma evidência de que isso persista por mais de umas poucas gerações.

E no entanto é exatamente essa faixa de curto prazo, associada à sua capacidade de responder imediatamente às sugestões do ambiente que torna a epigenética uma inestimável ferramenta de adaptação.

Pode vir a ocorrer que a descoberta de uma herança epigenética ajude a preencher algumas das lacunas na teoria da evolução que os criacionistas exploraram para atacar o darwinismo, acrescentando um terceiro mecanismo da evolução aos dois que já conhecemos: mutação e seleção natural de genes.

A mutação é o mecanismo mais lento da evolução, permitindo que os genes mudem e desenvolvam variabilidade dentro de uma população, mas não rápido o suficiente por conta própria para organismos complexos de crescimento lento, tais como mamíferos, para se adaptar facilmente a condições que passam por mudanças.

A seleção natural pode ser vista como um mecanismo de adaptação de médio alcance, trabalhando mais rápido que a mutação, mas não tão depressa quanto a herança epigenética.

Estamos no alvorecer da epigenética, mas cada vez parece mais provável que ela conduza a uma importante reformulação da teoria da evolução. Isso porque, embora a herança epigenética não ressuscite tecnicamente o lamarquismo, ela, na prática, representa que nós transmitimos atributos que adquirimos por meio da experiência aos nossos filhos e até mesmo netos.

Acima de tudo, revela que a biologia não só depende dos genes para as informações que determinam o futuro de um organismo. Pelo menos temporariamente, a informação sobre a herança pode estar num nível acima dos genes, fornecendo um desvio para os obstáculos ambientais.