Consumo ético

Até que ponto os comerciais e propagandas correspondem à real eficácia do produto?
Trabalhos Escolares
Seg, 22 de Novembro de 2010 21:42, Escrito por Aurora Guimarães

A partir de observações cotidianas de comercias referentes à saúde bucal, nos vimos em uma situação um tanto estranha: a maioria das propagandas tem dentistas fazendo recomendações e exemplificando uma lista de melhoras que o uso do produto poderia trazer. Desde “Só Listerine acaba com os germes que causam a placa bacteriana, a gengivite e o mau hálito. Listerine, boca limpa de verdade. A marca dos dentistas”, até “Colgate total 12: o único que cria uma barreira de proteção protege até 12 problemas bucais, por 12 horas. Colgate, a marca número um em recomendação dos dentistas”.  E analisando essas propagandas e algumas embalagens de produtos bucais, percebemos os deslizes que cometiam no sentido de verossimilhança; prometem muitas diferenças em sua boca, e poucas são realmente cumpridas.  Assim chegamos em uma questão: até que ponto os comerciais/ propagandas correspondem a real eficácia do produto?

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A Biologia das Embalagens - análise da embalagem de Sucrilhos Kellogg’s
Trabalhos Escolares
Dom, 21 de Novembro de 2010 20:08, Escrito por Beatriz Espindola e Olivia de Miranda

Os valores nutricionais tornam-se um artifício cientifico para atrair mais consumidores ao produto em questão. As embalagens não comportam mais o objetivo inicial de comunicar informações nutricionais importantes à saúde do consumidor, tornando-se somente um artefato com a utilização de recursos comunicativos para o consumo. Porém, partes das informações são descritas e escritas em forma de difícil visibilidade ao leitor/consumidor, o que trouxe como uma principal conclusão a possível afirmação que tais inadequações podem implicar em riscos à saúde dos indivíduos que consomem o produto, além de ser um desrespeito ao direito e ao consumidor.

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Custo ambiental - a ecologia na economia
Polêmicas
Dom, 04 de Maio de 2008 22:46, Escrito por Rodrigo Travitzki

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desenho de Dorfo Gomes, BocAberta n.15

Quanto custa a natureza? Depende da época. No início da humanidade, tudo foi sempre de graça. No paraíso das delícias, os frutos eram oferecidos gratuitamente pela benevolência divina. Ou na versão materialista, o homem sempre explorou a natureza de graça. Só depois que as pessoas começaram a vender pedaços da natureza para si mesmas é que a coisa começou a mudar.

Afinal, se é da natureza, é de deus. E deus não cobra suas dívidas - ao menos em dinheiro. Mas se é de alguém, já passa a custar alguma coisa.

Tudo bem. A humanidade ficou um bom tempo pensando assim, e só assim. Mas eis que somos pegos pela lei mais fundamental da economia: quanto menos se tem, mais caro fica. Se a natureza fosse infinita, não haveria problema. Mas as coisas vão acabando se você usar demais. Os ciclos naturais de reposição das coisas têm seu tempo para acontecer.

Assim, como a ecologia entra na economia?

Seja como for, quando entrar de verdade haverá, creio eu, uma verdadeira revolução na economia. Não sei. Posso ser otimista. E como tal, o máximo que consigo afirmar é: antes de melhorar, vai piorar um pouquinho.

Em São Paulo, tivemos uma "taxa do lixo" durante alguns anos. Isso é um pequeno exemplo da coisa. Que coisa?

O custo ambiental.

Você já pensou nestas duas palavras juntas? Nesta página do yahoo, alguém diz que "O custo ambiental, é toda a despesa gerada, pelo desenvolvimento econômico do nosso planeta, e que veio a agravar os problemas de proteção ambiental". Não sei, este me parece um uso muito genérico para custo. Custo do desenvolvimento humano? Como calcular isso?

Pensemos, então, no custo de um produto, um sapato, por exemplo. Seu custo ambiental seria calculado, de alguma maneira, com o seguinte critério: quanto custa para ajudarmos o planeta a repor o que perdeu com a existência deste sapato? Isto inclui os recursos naturais necessários para a produção, distribuição, consumo, coleta de lixo, manutenção de aterros, etc... Hoje, na prática, o custo ambiental, quando existe, é relativo a gastos com "controle de qualidade ambiental", tipo filtros de poluição, manutenção de pequenas áreas de reflorestamento, esse tipo de coisa.

Não parece nada agradável para nós - compradores e vendedores de sapatos - pensar em mais um custo para as coisas. É verdade. Mas, infalizmente, entre a realidade e o prazer, neste caso, parece que seremos obrigados a encarar a realidade.

O conceito de pegada ecológica é bem interessante para se ter uma noção do custo ambiental dos produtos que compramos. Vá ao portal e calcule sua pegada ecológica. Veja quantos planetas precisaríamos se todos fossem iguais a você.

Um artigo na folha diz que o curto ambiental dos chips de computador é bem alto:

"Segundo estudo publicado pelo "Journal of Environmental Science and Technology", um típico microchip de dois gramas consome em sua fabricação 1,6 quilos de combustível fóssil, 72 gramas de produtos químicos e 32 quilos de água."

Como fica o sonho do futuro computadorizado perante fatos tão concretos?

Bem, pra terminar esta introdução da questão, procurei alguma definição boa de "custo ambiental", mas parece que isso ainda não está bem resolvido. Veja este trecho de uma dissertação da Universidade Federal de Santa Catarina:

"O termo custo ambiental é um termo, ainda hoje, de difícil conceituação, pois a literatura não apresenta uma definição clara e objetiva do que se considera como um custo ambiental. A primeira dificuldade que se encontra ao se trabalhar com os custos ambientais é o próprio fato de serem estes, em sua maioria, custos intangíveis.

A maioria dos autores que vem trabalhando com o termo custo ambiental trata este custo como uma externalidade. São exemplos Benakouche, Motta, Margulis, Pearce, entre outros.

Motta (1991) considera "externalidade"6 como sendo um custo externo, ou seja, aquele custo que muito possivelmente não é incorporado aos custos do produto. Haddad (1991, p. 13) acrescenta, ainda, que as externalidades existem "quando as relações de produção ou de utilidade de uma empresa ou indivíduo incluem algumas variáveis, cujos valores são escolhidos por outros, sem levar em conta o bem-estar do afetado e, além disso, os causadores dos efeitos não pagam nem recebem nada pela sua atividade".

Pois é. A questão do custo ambiental, que mal começou, está longe de terminar. Se quiser, deixe seu comentário ou leia mais sobre o consumo ético.

 


Fonte: Rodrigo Travitzki - topicostropicais.net


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Educar o consumo
Cidadania
Dom, 04 de Maio de 2008 19:07, Escrito por Rodrigo Travitzki

Muito se diz sobre a importância da educação para o capitalismo. Em geral, esta importância se restringe à "produção de mão de obra qualificada". Ou seja, a educação seria responsável por moldar as engrenagens do sistema para que ele funcione bem.

Tudo bem. Isto é de fato importante, pois se o sistema não funcionar nós teremos problemas... Mas seria só essa a função de uma "educação capitalista"?

Será que as pessoas não precisam aprender a consumir, assim como aprendem física e geografia?

Como a sua escola trabalha, por exemplo, a questão do consumo ético? Você já pensou sobre isso?

Se não, aproveite para ler o texto CONSUMO ÉTICO E SOLIDÁRIO, do qual extraí o trecho que coloco abaixo:

"A sociedade capitalista contemporânea tem como característica o CONSUMISMO, que, além de provocar exclusão social, produz impactos sobre o ambiente natural e consome os recursos naturais do Planeta, colocando em risco a sustentabilidade das gerações presentes e futuras.

Conforme dados do relatório do Programa de Desenvolvimento Humano da ONU intitulado Consumo para o Desenvolvimento Humano, enquanto os 20% mais ricos da população mundial são responsáveis por 86% do total de gastos em consumo privado, os 20% mais pobres respondem apenas por 1,3%. Conforme o documento, "bem mais de um bilhão de pessoas estão privadas de satisfazer suas necessidades básicas de consumo".

O mito do consumo é posto como sinônimo de felicidade e bem estar, meta prioritária do crescimento e do processo civilizatório, com o pensamento de que o prestígio social depende da sua capacidade de gastar, consumir e acumular bens, ainda que supérfluos. A mídia cria modas, modismos e necessidades desnecessárias."

No mesmo site, do Fórum Brasileiro de Economia solidária, encontramos um farejador de empreendimentos solidários, que você pode usar para encontrar oções de consumo mais consciente que estejam próximas da sua cidade.

Consumo ético
Cidadania
Sáb, 03 de Maio de 2008 17:50, Escrito por Rodrigo Travitzki

O que é consumo ético? É aquela velha estória: as famosas "leis de mercado" são controladas por nossas escolhas de consumo. Precisamos estar sempre atentos a isso, e não apenas buscando o menor preço para "controlar a inflação". Uma iniciativa interessante é o Farejador de economia solidária do FBES. Leia também sobre a questão do custo ambiental.

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